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• O Protocolo de Kyoto estabeleceu metas de cortes de até 5% nas emissões de gás carbônico em vários países até 2020. Novos acordos desse tipo devem ocorrer, o que requer desestimular a queima de combustíveis fósseis, que contribuem para a maior parte da liberação de gás carbônico na atmosfera.
• Há cada vez menos áreas que podem ser alagadas para a geração de energia. E, mesmo quando existem, a usina custa uma fortuna. Três Gargantas, na China — a maior hidrelétrica do mundo —, custou 22 bilhões de dólares e gera apenas 2% da energia consumida pelos chineses.
• Por outro lado, o custo das tecnologias para produção de energias alternativas caiu drasticamente nos últimos anos. Na Europa, o custo da eletricidade gerada por painéis solares, por exemplo, está cada vez mais competitivo em relação ao de fontes como carvão, gás natural e atômica, segundo a Epia, associação europeia do setor de energia solar.
Os especialistas acham que a combinação desses fatores vai inverter a lógica do setor, o que favoreceria pequenas e médias empresas. Prospectar petróleo e erguer grandes hidrelétricas é só para companhias enormes, como a Petrobras, a maior empresa do Brasil em faturamento.
Grande parte do custo vem da necessidade de intervenções agressivas na natureza. O petróleo precisa ser extraído das profundezas do planeta. Três Gargantas exigiu a inundação de uma área equivalente a duas vezes o tamanho de Curitiba e desalojou 1,3 milhão de pessoas.
Mas vento e sol estão por aí, prontos para ser usados. Em seu livro Terceira Revolução Industrial, recentemente lançado no Brasil, o economista americano Jeremy Rifkin diz que a primeira revolução energética - a da máquina a vapor, inventada em 1698 - resultou, no século seguinte, em poucas e grandes empresas fornecedoras de carvão.
A segunda, iniciada em 1870, quando o petróleo e o gás derivado de petróleo começaram a ser usados como combustível, produziu magnatas que enriqueceram rapidamente. Nos dois casos, a certo ponto o setor fechou as portas para a entrada de novos empreendedores.
Rifkin acha que, desta vez, as energias alternativas formarão um mercado muito mais descentralizado e baseado no comércio entre milhões de pequenos e médios fornecedores de energia.
Desse ponto de vista, pode-se dizer que a terceira revolução já começou no Brasil. Em abril, a Aneel, órgão do governo federal que regula o setor elétrico brasileiro, autorizou domicílios e empresas que produzem mais energia do que consomem a liberar o excedente nas redes das distribuidoras.
Em troca, recebem descontos na conta de luz nos períodos chuvosos ou sem ventos, em que a produção própria costuma ser menor do que o consumo. Os especialistas do setor acreditam que um dos resultados disso é o aumento na demanda por painéis solares — sobretudo pelos fabricados na China, onde são produzidos esses equipamentos a baixo custo.
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