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A empresa nasceu há dez anos, quando o engenheiro mecânico Luiz Cezar Pereira, de 71 anos, se aposentou da Petrobras. Pereira começou a pesquisar modelos de hélices e turbinas para iluminar sua casa no litoral fluminense com a força do vento marítimo. "Só encontrei equipamentos importados", diz ele. "Desenvolvi um modelo e o patenteei." Pereira passou, então, a vender as máquinas a moradores de áreas sem luz elétrica nos arredores de Niterói e a fazendeiros do interior de São Paulo e Minas Gerais.
Ao longo dos anos, Pereira montou equipamentos mais potentes e conquistou como clientes empresas que consomem grandes quantidades de energia em áreas remotas, como transportadoras que instalam antenas em estradas pouco movimentadas para rastrear o tráfego de suas cargas.
No início, uma pequena equipe de vendas recebia as encomendas, feitas por telefone ou pela internet. "Chegou um momento em que não dávamos mais conta de tantos pedidos", diz Pereira. Nos últimos meses, foram feitas parcerias com lojas do Sul e do Nordeste - regiões onde o vento mais forte e constante permite aos equipamentos da Enersud gerar energia o tempo inteiro.
Os novos pontos de venda devem ajudar a empresa a fechar o ano com 2 milhões de reais em receitas - um aumento de 10% em relação ao ano passado.
O cenário para pequenas e médias empresas inseridas na cadeia de produção de energia de fontes alternativas é favorável no mundo todo. Eis as principais razões:
• O aumento no consumo mundial de energia deve crescer 36% entre 2010 e 2035, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE) - puxado, sobretudo, pela força da economia de países emergentes, como o Brasil. A maior demanda deve colaborar para a elevação do preço dos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, que hoje fornecem 81% da energia consumida no mundo.
Segundo a AIE, novas reservas terão de ser encontradas. É provável que elas estejam escondidas em camadas terrestres menos acessíveis do que hoje - é o caso, por exemplo, do pré-sal brasileiro. O custo da extração, portanto, tende a aumentar. Para atender ao aumento do consumo nas próximas duas décadas, a AIE prevê que serão necessários 8 trilhões de dólares — quatro vezes o valor do produto interno bruto brasileiro em 2011.
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