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Paulo Xu, da DL Eletrônicos:
São Paulo - O primeiro negócio que o imigrante chinês Paulo Xu, de 41 anos, abriu no Brasil foi um restaurante de comida chinesa no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Era o fim da década de 90, e os resultados iniciais não o deixaram muito satisfeito. "Os outros restaurantes da rua serviam comida brasileira e estavam sempre cheios", diz ele. "O meu vivia meio vazio, porque as pessoas não estavam dispostas a comer pratos orientais mais de uma vez na semana." Xu mudou o cardápio e o faturamento aumentou.
Dessa primeira experiência como empreendedor, Xu guardou uma lição importante — é o cliente que determina o que vai comprar e, portanto, é dele, consumidor, o poder de decidir o que é um produto de qualidade ou não.
Hoje, ele aplica esse princípio aos negócios da DL, fabricante de aparelhos eletrônicos de Santa Rita do Sapucaí, município do sul de Minas Gerais, um polo emergente de empresas de tecnologia. Seus principais produtos são tablets — como são chamados os computadores portáteis semelhantes ao iPad, da Apple —, que chegam ao mercado por algo entre 600 e 700 reais no varejo. "É um preço acessível a boa parte dos consumidores de baixa renda", afirma Xu.
Antes de desenvolver a linha de tablets, há dois anos, Xu procurou sua clientela, formada por grandes redes de varejo e sites de comércio eletrônico, como Magazine Luiza e Americanas.com. A eles, perguntou quais as características de um tablet para atrair os consumidores de baixo poder aquisitivo — e, principalmente, quanto cada aparelho deveria custar. "Meu objetivo era saber como fazer um produto simples, que tivesse os recursos essenciais e qualidade suficiente para o consumidor emergente", diz ele.
Com estratégias como essa, Xu transformou a DL num negócio que faturou estimados 25 milhões de reais no ano passado. "Firmar parcerias com o varejo para desenvolver os produtos é uma boa estratégia", diz Claudio Felisoni de Angelo, coordenador do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração da USP. "Ao perguntar ao varejista do que ele precisa e quanto está disposto a pagar, a empresa ganha informações para fabricar um produto mais adequado ao mercado."
A DL nasceu há oito anos, pouco tempo depois de Xu fechar o restaurante em Santo Amaro, importando panelas elétricas para cozinhar arroz. "Desde o começo, meu objetivo era produzir algo para os brasileiros de baixa renda", diz ele.
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