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São Paulo - Já não é novidade para o empreendedor paranaense Carlos Walter Martins Pedro, de 54 anos, apresentar a seus funcionários o mais novo estrangeiro a fazer parte da equipe de sua empresa de equipamentos para irrigação, a ZM Bombas, de Maringá. Todos os anos, Pedro recebe pelo menos um engenheiro estrangeiro recém-formado para um intercâmbio de trabalho.
Já passaram pela ZM Bombas profissionais de países como Austrália, Holanda, Moçambique e Colômbia. Todos chegam com a missão de desenvolver um produto novo e depois de um período, que varia de três meses a um ano, voltam para seu país de origem. Ultimamente, Pedro tem mudado um pouco esse roteiro.
Seu objetivo é oferecer uma vaga aos jovens que mais se destacam. Dois deles, um venezuelano e um mexicano, acabaram ficando em Maringá como contratados da ZM Bombas depois de concluírem seus projetos. "São jovens com experiência em mais de um emprego no exterior e com uma ótima formação técnica", afirma Pedro. "Tentamos atraí-los oferecendo algumas de nossas melhores vagas."
A exemplo de Pedro, muitos empreendedores brasileiros estão abrindo as portas de suas empresas para profissionais de fora. Em 2011, as autorizações de trabalho concedidas a estrangeiros aumentaram 25% em relação ao ano anterior. Muitas delas são temporárias e têm duração de até dois anos. Se apenas as autorizações permanentes de trabalho forem levadas em consideração, o aumento é ainda maior, chegando a quase 50% no mesmo período.
"Há alguns anos, os estrangeiros que vinham para o Brasil a trabalho eram executivos expatriados que ocupavam altos cargos em grandes empresas", diz o recrutador Adriano Bravo, da Petra Executive Search. "Recentemente, uma boa leva de jovens qualificados tem chegado em busca de novas experiências em empresas menores, que oferecem oportunidade de crescimento rápido."
Uma conjunção de fatores colabora para que o momento seja especialmente propício à contratação de imigrantes por empresas brasileiras de pequeno e médio porte. Os países da Europa enfrentam um período de crise que gerou as mais altas taxas de desemprego das últimas décadas - só na Espanha, um quarto da população em idade ativa está desocupado.
No Brasil, a disputa por funcionários qualificados tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, o que gerou um apagão de mão de obra. Um índice de desemprego de 6% foi registrado no país em 2011, o mais baixo desde que o IBGE começou suas medições nas principais regiões metropolitanas, em 2002. "Essa é uma boa hora para que os empreendedores brasileiros diminuam o impacto do apagão de mão de obra buscando profissionais qualificados em países castigados pela crise", diz Bravo.
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