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Eu consegui | 19/06/2012 05:55

O professor via satélite fatura R$416 milhões

Como o paulista Marco Antonio Laffranchi fez de um colégio endividado em Londrina, no interior do Paraná, a origem de um negócio de ensino a distância que faturou 416 milhões de reais no ano passado

Ivana Traversim, da

Germano Lüders

Marco Antonio Laffranchi, fundador da Unopar, universidade especializada em cursos à distância

Laffranchi: "O próximo passo da Unopar é crescer fora do país - e para isso foi preciso encontrar um grande sócio"

São Paulo - O paulista Marco Antonio Laffranchi, de 76 anos, demorou um pouco para encontrar sua verdadeira vo­cação. Pouco depois de se formar em medicina, nos anos 60, ele abandonou os consultórios para começar uma carreira na área comercial.

Foi o início de uma trajetória que o levou a assumir um colégio endividado em Londrina, no interior do Paraná, e fazer dele a origem da Unopar, universidade especializada em cursos a distância que faturou 416 milhões de reais no ano passado. Hoje, as aulas são transmitidas por satélite para mais de 200.000 alunos no Brasil todo.

Em 2011, ele se associou ao grupo Kroton - um dos maiores negócios na área de educação já fechados no país. Neste depoimento a Exame PME, Laffranchi conta como construiu a Unopar. 

"Nasci em Jaboticabal, no interior paulista. Meus pais eram professores de educação física. Eu ainda era criança quando nos mudamos para Ser­ra Negra, quase na divisa com Minas Gerais, onde eles foram trabalhar num colégio estadual da região. Vivi lá até a juventude, quando passei no vestibular para medicina em São Paulo.

Sou o neto mais velho de uma fa­mília de italianos e quis seguir os passos de meu avô, que era médico. Ao me formar, consegui um emprego na Telespark, fábrica de rádios e televisores que não existe mais. Comecei montando uma clínica para atender os funcionários em caso de emergência. Era um tédio. Na maior parte do tempo, não tinha nada para fazer.

Sem muito trabalho na clínica, eu ia fazer hora no departamento comercial. Lá, sim, era dinâmico. Havia mais ou menos 50 funcionários, que passavam o dia inteiro fechando negócios e calculando os pedidos do Brasil todo. Fui ajudando, adquirindo conhecimento na área, tirando pedidos e passei a assumir algumas tarefas nas horas vagas. 

Tomei gosto pelo trabalho e, após dois ou três anos, fui convidado para ir para o departamento comercial. Acabei abandonando a medicina de­finiti­vamente. Pouco tempo antes, ainda quando fazia estágio na faculdade, conheci a Elizabeth, uma professora de educação física por quem me apaixonei. Nós nos casamos em 1965. 

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