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Luciana Guimarães e Vanessa Vasquez, da Íntegra Medical
São Paulo - Em Gertrudes Pede um Conselho, conto de Clarice Lispector, Tuda, a protagonista, recorre a um médico na tentativa de encontrar uma perspectiva para algo grandioso em sua vida: "Vim perguntar o que faço de mim", ela diz.
"Quero saber como mostrar ao mundo que sou uma alguém, uma extraordinária." Diante da explosão de vitalidade, o doutor responde apenas: "Não se preocupe. Não é preciso fazer nada. Isso passa".
O conto foi escrito em 1941. Nas últimas décadas, um número cada vez maior de brasileiras está realizando o desejo de Tuda — e fazendo coisas extraordinárias. Elas conquistaram independência, avançaram no mercado de trabalho e subiram degraus na carreira e na política. Nos últimos tempos, têm avançado num território que num passado não muito distante era dos homens — o empreendedorismo.
Desde 2007, 10 milhões de mulheres abriram seu próprio negócio no país. Elas já são metade dos empreendedores brasileiros — as mulheres eram 29% em 2001, segundo a Global Entrepreneurship Monitor, pesquisa que mapeia a atividade empreendedora em mais de 60 países. O que mudou de lá para cá? Muita coisa — a começar pelas razões que as estão levando a empreender.
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