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Cena de O Fundo do Coração, do cineasta Francis Ford Coppola: a Lume adquire bons filmes a preço baixo para seu catálogo
O cineasta maranhense Frederico Machado, de 39 anos, não estava muito à vontade quando fez pose para aparecer na fotografia que ilustra esta reportagem.
"Foi esquisito fazer cara de chefe, sentado nessa cadeira estilosa", diz Machado. Para ele é difícil se ver como empresário comum, sempre preocupado em manter o fluxo de caixa e aumentar o valor dos negócios. "A Lume foi a realização de um sonho, nada mais", diz ele. "Eu queria apenas divulgar o cinema de arte e ganhar algum dinheiro para fazer meus próprios curtas."
Machado ingressou na indústria do cinema em 1997, ao inaugurar a Backbeat, uma pequena locadora de 300 títulos em São Luís do Maranhão. Nas prateleiras, não havia cópias de Titanic nem de outros sucessos de público daquele ano. Em seu lugar, encontravam-se fitas do sueco Ingmar Bergman, do italiano Michelangelo Antonioni e de outros cineastas que, para a maior parte das pessoas, produzem histórias monótonas, com enredos complicados e, muitas vezes, filmadas num incômodo preto e branco.
A ideia de iniciar uma locadora de filmes de arte na capital maranhense pode parecer capricho de um jovem sonhador fadado ao fracasso — especialmente, considerando-se a quebradeira das locadoras que viria a reboque da popularização das cópias piratas gravadas aos milhares pela internet. Nada disso aconteceu.
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