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Paulo Cury Zakia: "Sempre haverá consumidores para nossos chapéus. O desafio que enfrentamos é descobrir onde eles estão conforme os gostos mudam"
Sempre que ouve alguém dizer que certo lugar fica longe, bem longe, lá na casa do chapéu, o empreendedor Paulo Cury Zakia, de 53 anos, abre um sorriso. "Casa do chapéu é a minha casa", diz. É literal — Zakia é um dos sócios da Cury, fábrica de chapéus de Campinas, interior de São Paulo, fundada por seu avô em 1920.
À frente do negócio há 15 anos, ele herdou a difícil missão de manter uma empresa quase centenária em crescimento, produzindo algo aparentemente em desuso. Zakia tem conseguido — no ano passado, a Cury faturou 30 milhões de reais, 36% mais que em 2009. "Sempre há consumidores para nós", diz. "O desafio é encontrá-los, pois os gostos mudam."
Fundada num tempo em que usar chapéu era parte obrigatória do figurino, a Cury passou por diferentes transformações desde então, mas nunca se afastou de sua origem. Até meados dos anos 50, seus principais produtos eram os modelos sociais masculinos, produzidos com pelo de coelho.
"Nas duas décadas seguintes, o visual hippie entrou na moda e não havia lugar para chapéus feitos de pele", diz Zakia. Nessa época, a Cury passou por um período duro. A empresa se limitava a fabricar modelos regionais, como o Maragato, típico da indumentária gaúcha. Outra fonte de receitas era a exportação de produtos semiacabados para a indústria de chapéus dos Estados Unidos.
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