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Eu consegui | 03/04/2011 08:00

Mania de grandeza no Buscapé

Quando garoto, Romero Rodrigues queria ter uma empresa famosa. Criou o BuscaPé, site que hoje tem um valor de mercado estimado em 375 milhões de dólares

 

O grande desafio agora é crescer na América Latina. O BuscaPé está presente em 20 países, mas, no geral, a presença lá fora ainda está bem abaixo do que eu gostaria. Um dos obstáculos é o próprio comércio eletrôni­co nesses países, menos desenvolvido do que aqui. Mas, agora, crescer na América Latina não é apenas um desejo. Virou meta, sobretudo depois que ganhamos um novo sócio, o fundo sul-africano Naspers, que comprou 91% do BuscaPé por 342 milhões de dólares em setembro de 2009.

A chegada do Naspers foi um marco. O mercado passou a olhar para a gente de um modo diferente. Os que ainda tinham dúvidas sobre a solidez do BuscaPé tiveram de rever a opinião. Pouca gente imaginava que o BuscaPé pudesse valer tanto. Após o anúncio do negócio, muita gente ficou perplexa. Houve quem me perguntasse se a conta fechava. Foi um dos maiores negócios de internet no Brasil e posso garantir que essa conta fecha, sim.

O Naspers comprou a participação do Great Hill Partners e de outros acionistas menores. Nada ficou no caixa do BuscaPé. Na nova composição, eu, Ronaldo e Rodrigo, que somos os fundadores, mais o Rodrigo Guarino, que era do Bondfaro, ficamos com 9% do negócio. Meus sócios também exercem cargos no BuscaPé. Não sei até quando vou ficar na empresa. Não tenho garantia do emprego nem obrigação de ficar para sempre. Mas ainda estou motivado. Tenho viajado muito para conhecer algumas operações de comércio eletrônico do Naspers em outros países, como Rússia e China.

Quase todos os dias surge alguém com um projeto em busca de investimentos. Mas ainda nada me despertou paixão. Eu me tornei empreendedor aos 20 anos de idade, investindo 100 reais por mês. Posso empreender de novo, mas tem de ser algo diferente, que me motive tanto quanto o BuscaPé. Em breve, pretendo me afastar da empresa por um ano para viajar e ler bastante. Tenho até uns roteiros em mente.

Um empreendedor tem de saber que a empresa é maior que ele. Mesmo que um dia ela esteja nas mãos de outra pessoa, a paternidade não muda. O BuscaPé já me devolveu muito mais do que imaginei quando montei o site. Queria criar uma marca que as pes­soas conhecessem. Quer ver algo que me dá muito orgulho? Às vezes, falando com desconhecidos, digo que trabalho no BuscaPé. E pergunto se já ouviram falar da empresa. Todo mundo diz que conhece. Eu já sei a resposta, mas mesmo assim não caibo em mim quando a pessoa diz que conhece. Adoro isso.

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