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Eu Consegui | 03/03/2011 08:00

O construtor de lares do Centro-Oeste

Ao observar uma caixa de sapatos, Sidnei Borges dos Santos inventou um novo jeito de fazer casas — e uma construtora cujo faturamento aumentou 150% nos últimos dois anos

Luciana Barreto, da

Raul Junior

Sidnei Borges dos Santos,  fundador da BS Construtora

Sidnei Borges dos Santos, fundador da BS Construtora

Há 17 anos, tudo levava a crer que o catarinense Sidnei Borges dos Santos, de 35 anos, fundador da BS Construtora, estava no lugar errado e na hora errada. Ele tinha deixado a casa dos pais para tentar a sorte em Sorriso, em Mato Grosso, numa pequena construtora — mas a empresa fechou poucos meses depois. Desempregado, Santos fez pequenos serviços de reforma até juntar algum dinheiro para abrir sua empreiteira, a BS. “A pobreza me ensinou a improvisar”, diz. De lá para cá, a BS cresceu e, segundo estimativas do mercado, faturou cerca de 200 milhões de reais em 2010. A BS cresceu ao vender casas pré-montadas para famílias de baixa renda e para grandes empresas do agronegócio, como a Sadia, alojarem seus funcionários. Neste depoimento a Exame PME, Santos conta como soube aproveitar as oportunidades do Centro-Oeste brasileiro.

Nasci em 1975, em Xaxim, no interior de Santa Catarina, numa família de agricultores. Larguei os estudos aos 12 anos, para ajudar meus pais na lavoura. O trabalho na roça me en sinou que sempre dá para construir alguma coisa na vida, ainda que as possibilidades sejam limitadas. Certa vez, meu pai queria plantar trigo, mas não tinha bois para puxar o arado nem terreno. Ele pediu tudo emprestado a vizinhos, inclusive o lote de terra. Deu tudo certo, e aquela foi uma safra muito boa para nós.

Aos 18 anos, trabalhava como pedreiro. Um primo, dono de uma pequena construtora, me chamou para ser seu mestre de obras em Sorriso, no interior de Mato Grosso. Fui. Assim que cheguei, vi que os negócios dele iam mal, pois fui empregado como pedreiro e não como mestre de obras, conforme a promessa. A obra em que eu trabalhava era uma oficina a 6 quilômetros da casa de meu primo, onde eu morava de favor. Como era muito longe, não dava para voltar para almoçar. Então, peguei uma folha velha de zinco e um capô de Fusca e montei um barraco na obra mesmo. Ali, eu almoçava torresmo com café, coado numa lata de óleo. Foi um período difícil.

Pouco tempo depois, meu primo saiu da cidade, deixando a construção inacabada. Propus ao dono da oficina que eu terminasse o trabalho. Ele gostou do meu trabalho e passou a me chamar para pequenos serviços, como reformas de calçadas e de muros, além de indicar meus serviços para outras pessoas. Em pouco tempo, juntei dinheiro para comprar um carrinho de mão.

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