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Germano Luders
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Hábitos novos versus comportamentos enraizados. Criar em vez de mudar.

Conrado Navarro

O feedback em relação ao dinheiro como um tabu (falei disso no artigo anterior) foi muito positivo, o que mostra que há muita gente disposta a encarar as finanças como um assunto relevante e presente no dia a dia familiar. Essa disposição é importante, mas ela não pode ser mascarada pela angústia gerada a partir da tentativa de mudar de hábitos.

Na prática, o que ocorre nas pessoas é sempre a tentativa imediata de alterar seu comportamento. Isso é bem-vindo, mas da maneira usualmente realizada traz poucos resultados. Farei um paralelo simples entre saúde e dinheiro para insistir na tese de que é mais produtivo focar em novos comportamentos que em consertar velhos hábitos.

A saúde e a alimentação
Imagine aquela pessoa habituada a uma alimentação nada saudável, mas há muitos anos presente em sua vida. Refrigerantes em excesso, muita fritura e carboidratos, poucas frutas e sempre em horários perigosos. De repente ela começa uma dieta que muda completamente a sua “agenda alimentar”.

Ela tem que comer de três em três horas, não poderá ingerir alimentos gordurosos, terá que cortar o açúcar e passar a comer muitas verduras e frutas. Ela terá que alterar sua rotina e se desfazer de velhos hábitos. O que acontece? A maioria das pessoas não consegue seguir a dieta por muito tempo e vive tentando mudar isso. O resultado? Praticamente nulo.

Agora suponha que o acompanhamento profissional dado a essa pessoa inclua a criação de novos hábitos saudáveis antes completamente desconhecidos por ela. Exemplo: ainda que a alimentação esteja totalmente desequilibrada, praticar exercícios (caminhada moderada todos os dias, digamos) e cozinhar a própria comida com a presença de familiares e amigos (pratos saudáveis, agora sim), abrirão em sua rotina duas atividades novas, sem vícios.

Este é um exemplo pessoal. Eu já tive problemas sérios com alimentação e índice de gordura corporal (era clinicamente o “falso magro”) e não conseguia mudar meus hábitos alimentares. Quando experimentei um jeito diferente de encarar a rotina, criando novos comportamentos, passei a ver resultados. Comecei a caminhar, depois a correr e pedalar. Hoje corro 60 quilômetros por semana e meus índices e exames clínicos estão em ordem.

E o dinheiro?
O raciocínio é o mesmo. Insistir em mudar um hábito financeiro perigoso é válido, mas nem sempre dá resultados. O mais interessante é criar hábitos novos e, a partir dos resultados destes novos comportamentos, corrigir a conduta – afinal, quando os benefícios são claros e capazes de nos motivar, os velhos hábitos simplesmente desaparecem e dão lugar aos novos.

O salário cai e o sujeito imediatamente saca todo o dinheiro e gasta, seja pagando contas, seja consumindo. Que ele está fazendo algo errado, isso ele já sabe. A rotina tomou conta. O hábito perigoso é o de consumir, o que provavelmente lhe dá prazer e, em tese, ajuda a aplacar a angústia do dia a dia. E se, com uma aplicação automática programada via Internet banking, ele investisse todo mês, durante 12 meses, uma parte do salário para fazer uma viagem, por exemplo?

O novo hábito é o de investir para alcançar uma meta. A conta corrente ficaria com menos dinheiro e ele continuaria sacando toda a quantia, mas agora esse montante total seria menor e um objetivo (prioridade) está sendo respeitado. Em um ano, o prazer da viagem “acenderá” em sua família uma luz: “Puxa, conseguimos viajar com nosso próprio dinheiro, sem dívidas”. Uma sensação maravilhosa, com certeza. O novo hábito tomou lugar.

Este também é um exemplo pessoal. Antes, eu tinha tudo, mas não tinha nada – comprava porque tinha dinheiro. Hoje sou livre e financeiramente independente porque um dia consegui realizar um objetivo simples: comprar um videogame. E fiz isso tendo que lidar com a frustração de deixar de consumir tudo que gostaria, mas o resultado foi compensador. Desde então, os resultados têm sido fantásticos.

Conclusões
Nosso comportamento é fruto de muitas variáveis. Ambiente familiar, exemplos, educação, formação, cultura e por ai vai. Quando nos propomos a mudar um hábito, decidimos enfrentar todas essas variáveis com a certeza de que vamos vencer, o que dificilmente acontece. Começar algo NOVO e ainda DESCONHECIDO (não praticado) nos liberta dessas amarras. O desapego é importante para curtirmos cada novo passo sem associá-lo ao que já vivemos ou passamos. E os resultados aparecem.

Você tem alguma história semelhante às que contei aqui que deseja compartilhar? Tenha em mente que tratei de aspectos pessoais e exemplos – não tenho nenhuma intenção de desmerecer quem faz dietas altamente restritivas ou tenta de todo jeito chegar ao final do mês com dinheiro na carteira. Meu objetivo é compartilhar o que deu certo comigo e, quem sabe, permitir alguma reflexão na sua vida.

Deixe seu comentário neste artigo ou mande sua opinião para mim no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até a próxima.

Dinheiro: tabu, fator de inclusão ou utopia?

Conrado Navarro

Tenho discutido de forma bem interessante com alguns amigos e leitores nossa relação com o dinheiro. Muitos são incisivos ao afirmar que a maioria de nossos problemas financeiros surge porque decidimos que “fazer parte”, ou seja, pertencer ao grupo, é a única forma de manter alguma dignidade e buscar a felicidade – e que, assim, o consumo e os gastos dele derivados são essenciais para uma vida plena.

Sim, dinheiro é um meio eficaz para tornar a vida em sociedade mais agradável e é fundamental como meio de interação, relacionamento e construção de identidade. No entanto, o “consumismo da inclusão” não pode se tornar uma justificativa para decisões incoerentes e capazes de dirigir a família na direção de graves problemas (endividamento, divórcio etc.).

O fato é que a relação entre dinheiro e sociedade é mesmo bastante íntima e interpretar cada um desses agentes de forma isolada só faz aumentar a angústia e as emoções negativas que costumamos associar às finanças. Alguns dirão que isso é óbvio, o que é verdade.

Concordamos, portanto, que dinheiro é um importante fator dentro do contexto social. A prática, por outro lado, mostra que estamos pouco dispostos a incluir as finanças como um tema a ser discutido com frequência em casa e entre amigos. Ele é importante, mas é tratado no âmbito pessoal e de forma rasa e egoísta.

O estilo “caixa preta” de tratar o orçamento conforta porque permite que uma falsa sensação de controle instale-se e alivie a dureza do dia a dia. Preferimos nos enganar com o clássico “A hora que eu quiser eu resolverei esse problema” a compartilhar a realidade com a família e receber críticas.

Nada mais natural, afinal ao abrir o problema para todos ficamos frágeis diante dos julgamentos dos outros e, a depender da maturidade de todos, é provável que essa situação só gere mais angústia, vergonha e culpa. Pois é, a verdade é que lidar com o dinheiro requer desprendimento, tolerância e muita humildade.

Consumo e dinheiro são parte de nossas vidas, ok. Só isso não basta para cuidar bem do aspecto financeiro de nossas vidas, ok. Lidar com essa realidade sozinho paralisa, ok. Abrir o jogo e pedir ajuda significa assumir que fracassamos, ok. O que fazer? Agir, apesar de tudo isso! Sim, porque ignorar a questão (ou, ainda pior, tratar o dinheiro como algo “ruim”, “do mal”) só aprofunda os problemas, todos eles, financeiros ou não.

Abordar o tabu que envolve as finanças domésticas é sempre complicado, já que muitas escolhas neste campo são feitas a partir de raízes culturais fortes e com base em emoções e situações de momento. Amor, casamento, amizade, saudade, culpa, raiva, frustração, quase tudo que sentimos ou pelo que passamos é capaz de detonar reações financeiramente catastróficas.

Tudo o que eu disse poderia ser resumido em um parágrafo: sabemos de nossos problemas, temos consciência de quais são as atitudes necessárias para mitigá-los e somos capazes de usar as ferramentas disponíveis para organizar todos esses passos. O problema, pois, não é falta de força de vontade ou desinteresse, é mais profundo. Mesmo encrencados, encontramos na zona de conforto desculpas e justificativas (“consumir aproxima”, “comprar deixa feliz” etc.) capazes de fazer o tempo passar. E o tempo passa.

Por fim, admito que textos assim costumam receber poucos comentários, são relativamente menos compartilhados, costumam ser lidos de forma tímida e preocupada. Editores e gente experiente com as palavras costumam dizer que minhas palavras muitas vezes soam como “tapas” na cara dos leitores, e isso não é nada bom. Mas como destruir um tabu sem enfrentá-lo?

Ao falarmos abertamente sobre o tema, suas raízes pessoais e consequências nas diversas esferas pessoais, estamos contribuindo para contar com o dinheiro como um aliado para mais realizações, e assim mais alegria. Espero que você, caro leitor, entenda e participe do debate. Escreva abaixo sua opinião e mande um alô também lá no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até mais.

Relacionamentos melhores farão de você alguém mais rico

Conrado Navarro

Depois de abordar os desafios que costumam nos impedir de alcançar a prosperidade financeira e também a importância da disciplina para alavancar o patrimônio, é hora de falar sobre os primeiros passos do investidor que aceita a responsabilidade de poupar parte do que ganha. Será que começar a investir requer mais que apenas força de vontade? O que as pessoas (e não só você) têm a ver com isso?

O tema parece simples, mas esconde um dilema bastante desafiador: saber que é importante investir é uma coisa, mas pegar o dinheiro todo mês, escolher uma alternativa de investimento para investi-lo e ir até o final nessa decisão é bem diferente. Todos sabemos e gritamos aos “quatro ventos” que investir é importante e necessário, mas o que se vê na prática é outra coisa: poucos investidores.

Ao lidar com esse desafio, nos fechamos e passamos a alimentar muitas inquietações. Aqui destaco algumas:

  • Será que esse investimento que escolhi é mesmo o mais adequado?
  • Será que esse dinheiro não me fará falta no mês seguinte?
  • Como farei para resgatar o dinheiro em caso de necessidade?
  • Como devo gerenciar meus investimentos para manter o controle do meu patrimônio?

Descomplicar ajuda, mas deixa mal acostumado…
Não me espanta que muitos brasileiros acabem optando por investimentos cuja forma de aplicação se assemelha a uma despesa – aquele conceito de que “é preciso ter um carnê ou não conseguirei ter patrimônio”, conhece?. Seguindo apenas esta “filosofia”, no entanto, o brasileiro investirá apenas em produtos tradicionais e pouco rentáveis (títulos de capitalização, que nem investimento é, e previdência privada, por exemplo).

Sim, porque escolher um produto financeiro ou decidir-se por abrir conta em uma instituição independente e que exija de você controle sobre suas operações (principalmente hoje se considerarmos o uso da Internet e de plataformas de negociação, os home brokers) exigirá, além dos trâmites burocráticos, dedicação, organização e, principalmente, objetivos capazes de motivá-lo.

Estou falando daquela hora em que você, depois de ter preenchido todo o cadastro necessário junto ao banco ou corretora, tem que ir até o caixa ou usar os serviços de Internet do banco para fazer uma transferência eletrônica de fundos, digitando sua senha, apertando o ENTER e certificando-se posteriormente de que o dinheiro caiu onde deveria. Quantas vezes você “quase já fez isso”?

E pensar que depois você ainda teria que acessar a plataforma da empresa contratada e decidir que aplicações fazer (que ações, que títulos comprar)? Seu dinheiro sairia de sua conta para outra empresa e dependeria de você clicar em algumas opções de tela para então emitir uma ordem de compra de títulos públicos ou participação societária em empresas de capital aberto. Cansativo?

Seu medo é normalmente alimentado e o paralisa!
É provável que seu cônjuge não entenda o que você quer fazer, que seus amigos o desencorajem por não conhecerem o investimento escolhido e que seu banco lhe diga que você não precisa fazer isso. Como animar-se diante de um cenário assim, não é mesmo? Você fica paralisado e volta correndo ao básico: manejar aplicações apenas dentro do “universo conhecido”, geralmente representado pelas opções demonstradas pelo gerente bancário ou por alternativas de investimento tradicionalmente conhecidas pela família.

Em situações ainda frequentes, há quem crie uma justificativa para adiar essa tarefa de avaliar e decidir-se sozinho. Algo como “a partir do mês (ano) que vem receberei um pouco mais e então terei mais condições reais de investir além da capitalização que já possuo”. Com o sono tranquilizado pela desculpa, a família foca no consumo e deixa para depois o início dos investimentos “fora da caixa” (e normalmente mais rentáveis). E a situação se repete inúmeras vezes, transformando-se em um hábito ruim.

Como encarar esta situação?
Se quiser lidar melhor com as dúvidas no momento de investir, experimente mudar as referências que você possui em termos de investimentos bem-sucedidos. Com isso, quero dizer que você precisa fugir das alternativas óbvias pelo caminho mais inteligente: buscando depoimentos, histórias e contato com pessoas que agiram da forma que você gostaria de agir.

Ler materiais como esse certamente o ajudará a criar coragem para investir melhor, mas não será suficiente porque é com exemplos que realmente ajustamos nossas expectativas e criamos parâmetros capazes de guiar nosso processo de tomada de decisão. Repare, portanto, na importância dos relacionamentos e valorize mais as pessoas que você ainda não conhece.

Enquanto você basear-se apenas no que conhece e em quem julga conhecê-lo bem para investir, suas decisões serão baseadas em expectativas sociais (familiares, de amigos etc.); ao conhecer outros investidores e pessoas que agem de maneira diferente, suas decisões passarão a ser baseadas em expectativas pessoais (você não tem que provar nada a esse grupo).

A diferença é simples. Agir conforme se espera torna você um participante, alguém que repete e que sempre se volta para o meio conhecido ao sentir-se inseguro. Agir conforme novos (e antes desconhecidos) exemplos exigirá de você mais atividade (você se tornará um agente) e humildade, o que aumentará drasticamente sua capacidade de aprender e experimentar.

Que tal? Gostou? Vamos continuar essa discussão no espaço de comentários abaixo ou também pelo Twitter - sou o @Navarro por lá. Abraços e até a próxima.

O melhor investimento é agir mais e falar menos

Conrado Navarro

Sempre que participo de alguma conversa sobre independência financeira, surgem algumas opiniões fortes sobre planejamento financeiro e, principalmente, investimentos. Palavras como “disciplina”, “risco”, “estratégia” e “melhor investimento” são tão frequentes quanto a pergunta crucial “Como ficar rico?”.

À medida que a conversa se desenrola, a tendência é focarmos as avaliações em torno das alternativas financeiras capazes de rentabilizar nosso patrimônio. Bolsa de valores, Tesouro Direto, poupança, fundos de investimento especializados, onde colocar nosso tão suado dinheiro?

Dinheiro, que dinheiro?
Sou obrigado a provocar. “Onde colocar o dinheiro? Que dinheiro? Quanto você tem ou pretende investir? Por quanto tempo?”. Alguns narizes torcidos jogam nos meus ombros o ônus de ter “desvirtuado” a conversa, afinal queremos saber qual é o Santo Graal dos investimentos e não ter esforço para construir patrimônio.

Por que agimos assim? Ora, é simples: ter a informação de qual é o melhor investimento significa que somos bem informados e, como não abrimos nossas decisões financeiras a ninguém, fica a impressão de que estamos conseguindo atingir o sucesso financeiro com o passar dos anos – embora a realidade seja ridiculamente outra: não somos capazes de adiar consumo para poupar.

Poupar é mais importante que escolher o “melhor investimento”!
Um estudo realizado pelo Putnam Institute, um órgão ligado a instituições financeiras nos EUA, intitulado “Defined contribution plans: Missing the forest for the trees” (clique para acessar o PDF), analisou o impacto no crescimento do patrimônio a partir de decisões como escolha de fundos, balanceamento de carteira, alocação de ativos e aportes frequentes maiores (maior capacidade de poupar).

O alvo do estudo foi um cidadão hipotético, vamos chamá-lo de Bob, que passou a aplicar seu dinheiro através de um plano de contribuição iniciado em 1982, aos 25 anos. Para efeitos de análise, Bob recebeu aumentos anuais de salário de 3% e optou por contribuir com 3% de sua renda. Sua empregadora depositou no plano 50% do total de sua renda (até o limite de 6% da renda).

Vou resumir os resultados:

  • Se ele optasse por investir 60% em títulos, 30% em ações e 10% em ativos de alta liquidez, tudo isso através de fundos escolhidos a partir de uma lista dos 25% menos rentáveis da época, e não mexesse em nada, Bob teria em 2011 uma renda anual de US$ 57 mil e um saldo de investimentos de US$ 136 mil;
  • Se Bob optasse pela mesma distribuição acima, mas em fundos listados entre os 25% mais rentáveis da época, ele chegaria em 2011 com patrimônio menor, US$ 126 mil (isso mesmo, menor!);
  • Se ele seguisse o passo anterior, mas mudasse de fundo algumas vezes (entre os 25% melhores) durante este período, Bob chegaria em 2011 com patrimônio de US$ 130 mil;
  • Se ele conseguisse prever os melhores fundos de três em três anos e migrasse durante esse período, ele chegaria em 2011 melhor, mas nem tanto – seu patrimônio seria US$ 166 mil;
  • Ser mais agressivo (se expondo com 80% em ações) colocaria o patrimônio de Bob em algo próximo de US$ 160 mil em 2011;
  • Agora a hora da verdade: se Bob decidisse aumentar sua contribuição de 3% para 4% e voltasse ao primeiro cenário, seu patrimônio seria US$ 181 mil. Subir a contribuição mensal para 8% lhe garantiria um patrimônio de US$ 334 mil em 2011.

O pesquisador W. Van Harlow disse no estudo que “usar o desempenho dos fundos como maior prioridade é um erro. Isso não quer dizer que a rentabilidade da aplicação não interesse, mas nossas análises indicam que o retorno é uma variável menos poderosa quando comparada com o balanceamento da carteira e, acima de tudo, com aportes regulares maiores (maior poupança)”.

Vamos resumir?
Preocupar-se com o melhor investimento não irá ajudá-lo se seu poder de poupança for muito limitado ou se você não se preocupar com isso. Ou seja, é muito mais importante aprender a lidar com as frustrações ao deixar de consumir e passar a poupar mais que conhecer os melhores gestores e seus fundos – o que também é superimportante, mas no seu devido tempo.

Então, lembre-se: primeiro estipule uma meta de poupança para sua renda e comece a poupar para investir em sua independência financeira. Ao conseguir adiar consumo para construir sua liberdade, passe adiante e busque onde rentabilizar essa importante decisão.

Aliar capacidade de poupar e alternativas rentáveis de investimento fará você chegar mais rápido no objetivo de ser livre em relação às finanças. Boa sorte e bons investimentos.

Deixe seus comentários no espaço abaixo ou fale comigo também no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até a próxima e grande abraço.

Endividamento não combina com independência financeira

Conrado Navarro

É difundida entre muitas pessoas, especialmente as mais jovens, a tese de que só é possível construir patrimônio através da compra parcelada e via crédito (empréstimos, financiamentos etc.). O raciocínio é tão simples que chega a assustar: pagar pouco por mês (as famosas parcelas que “cabem no bolso”) não atrapalha o fluxo de caixa e já permite o usufruto do bem.

Em se tratando de interesses maiores, como por exemplo atingir a independência financeira, garantir geração de renda passiva e construir um futuro melhor e mais tranquilo, a lógica do “leve agora e vá pagando” contribui de forma de negativa, já que insere no cotidiano financeiro mais gastos e compromissos financeiros.

Você já deve ter ouvido a máxima das finanças pessoais, que diz que “existem aqueles que recebem juros e aqueles que pagam juros”. Na prática, essa frase retrata a importância de colocarmos nosso dinheiro para trabalhar pelos nossos objetivos, investindo-o e aproveitando o tempo para multiplicá-lo. É a “mágica” dos juros compostos.

Quem opta por comprar tudo agora, sem contar com a própria capacidade de esperar e poupar, apoia-se em dívidas caras – lembre-se que temos os juros mais altos do mundo. A sensação de bem-estar imediato causada pelo consumo cria barreiras complicadas para a importância de aprendermos a fazer algumas contas matemáticas simples.

Funciona assim: você pode poupar mensalmente o valor equivalente à parcela que pagaria no financiamento do carro e comprá-lo à vista daqui três anos. Ou pode optar pelo financiamento em 60 meses e sair com o carro agora. A diferença no valor pago pelo bem será gritante e terá saído de seu bolso.

Ou assim: você pode planejar sua viagem de férias com antecedência de um ano ou mais, economizando e guardando dinheiro para as passagens, gastos esporádicos e compra de moeda estrangeira ou simplesmente aceitar o pacote oferecido pelo agente de turismo e usar o cartão de crédito para suas compras e gastos durante a viagem. Ao optar pelo puro “carpe diem”, muitos acabam entrando no rotativo e a viagem rapidamente muda de sonho para pesadelo.

Aquele seu amigo administrador pode dizer que o endividamento não é tão ruim assim. Cuidado com a interpretação. No ambiente empresarial, a realidade é outra: o crédito serve para investir na capacidade de produção das empresas, o que aumentará o faturamento e, consequentemente, o lucro. Isso se chama alavancagem, mas não é algo que você possa fazer tão facilmente na vida real.

Diante disso, o melhor é mesmo aprender a lidar com os limites de seu padrão de vida e arcar com as consequências de suas escolhas. Não há certo ou errado. O que existe são resultados diferentes, de acordo com as decisões que tomamos. Independência financeira, oras, é uma escolha que não combina com aumento de gastos, mas sim com geração de receita a partir do que conseguimos investir. Não é óbvio?

Viver uma vida frugal por 15 anos pode permitir que você ganhe qualidade de vida durante o restante de sua vida, trabalhando menos e curtindo mais as pequenas coisas; viver intensamente o presente, gastando e consumindo, pode fazer esses mesmos 15 anos passarem “voando”, mas não mudarão a realidade dali em diante: talvez você precise de mais 15 anos para se ajeitar e poder descansar…

Siga-me no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

A tecnologia como aliada da independência financeira

Conrado Navarro

A semana ainda é de comoção depois das tristes notícias sobre o falecimento de Steve Jobs, o gênio-fundador da Apple. Tudo que eu poderia dizer já foi dito, então faço coro aos demais amigos e leitores fascinados por sua imensa contribuição. Muito obrigado Steve! E se o assunto é tecnologia, por que não aproveitá-la para chegar mais rápido ao sonho de independência financeira?

Você provavelmente tem telefone celular (temos mais de 200 milhões de linhas móveis), usa computador em seu cotidiano e aproveita o potencial da Internet para se divertir e informar-se; você e eu podemos compartilhar e construir conhecimento graças aos avanços exponenciais da tecnologia. Logo, discutir sua relevância me parece leviano e absolutamente desnecessário. Ela está presente. Ponto.

Tecnologia demais gera ansiedade demais?
Há, no entanto, um aspecto que torna a abundância tecnológica razão de reflexão: é crescente o número de pessoas, especialmente os mais jovens, que atribui às opções “high-tech” sua representatividade pessoal e familiar diante da sociedade. A velocidade das transformações gera angústia e alimenta a ansiedade característica daqueles que veem no consumo a oportunidade de inclusão social.

O quadro é conhecido. A tecnologia traz inúmeras melhoras no dia a dia, mas acompanhá-la e desfrutá-la tem levado muitas pessoas ao endividamento excessivo e a problemas emocionais complicados. Em outras palavras, estar em dia com as expectativas dos outros em relação ao modelo de celular, Tablet e TV custa caro, muito caro!

A tecnologia também ajuda quem exercita sua inteligência financeira
Felizmente, o uso equilibrado, inteligente e consciente das possibilidades digitais pode transformar a nossa realidade financeira e contribuir com o tão sonhado plano de independência financeira. Separei algumas das inovações que tem permitido a muitos brasileiros enriquecer mais rápido:

  • Investimento programado. A criação do chamado “Internet Banking” trouxe o banco para dentro de casa. Saldo, extrato, investimentos, pagamentos e outros serviços podem ser acessados de seu computador, celular ou tablet. A principal revolução talvez seja a menos utilizada: é possível agendar aplicações mensais automáticas, em datas e condições que o cliente desejar. Assim, qualquer um pode programar sua poupança e investimentos no conforto de casa;
  • Ferramentas de controle financeiro. A possibilidade de usar planilhas eletrônicas e sistemas on-line de controle financeiro cria uma enorme vantagem em relação ao tradicional conjunto de papel e caneta. A entrada de dados, a análise comparativa dos meses, o fluxo de caixa, a previsão de gastos e os relatórios/gráficos colocam o usuário frente a frente com a real situação de seu orçamento familiar;
  • Oportunidades de negócios e trabalho. Cultivar relacionamentos com profissionais gabaritados nas mais diversas áreas tornou-se tarefa mais simples e acessível com o boom das redes sociais. O mesmo vale para o contato com consumidores, empresas e investidores. Assim, estabelecer-se na Internet pode abrir portas para o desenvolvimento de parcerias e chances de negócios. Alguns exemplos: sites de leião, crowdfunding, sites de empregos, redes sociais de empreendedores etc.;
  • Informação e aprendizado. Nosso acesso à informação se estabelece em tempo real atualmente. As fontes de notícias e opiniões se multiplicaram e permitiram acesso simplificado a conteúdos antes reservados a grupos de especialistas e publicações comerciais. O surgimento de nichos de conteúdo (blogs, comunidades virtuais, fóruns etc.) também merece destaque.

Muitos dirão que as mesmas vantagens da tecnologia são também seus principais desafios; que lidar com tantas alternativas e gerenciar a cada vez maior quantidade de informações é complicado; que experimentar tantas novidades é também fonte de mais ansiedade.

Concordo, mas também acredito que nós temos o papel principal diante destas transformações. Diante de mudanças profundas na forma como lidamos com o cotidiano, cabe à família cercar-se de conhecimento, prioridades, disciplina e objetivos suficientemente fortes – fatores essenciais para o desejado equilíbrio.

E você, como tem utilizado a tecnologia para transformar suas intenções em ações rumo à independência financeira? Conte mais no espaço de comentários abaixo e também no Twitter. Siga-me por lá: @Navarro.

Até a próxima.

Você já começou a construir sua aposentadoria?

Conrado Navarro

Segundo Robert J. Shapiro, autor do livro “A Previsão do Futuro” (Ed. Best Business), até 2020 a população idosa crescerá de 35 a 60% no mundo, forçando elevação nos gastos públicos, aumento de tributos e os déficits. Na Europa, o número de idosos que recebem pensões públicas e assistência médica aumentará cerca de 3% por ano nos próximos dez anos. Por outro lado, o total de habitantes em idade de trabalho cairá em torno de 1%.

No Japão, onde a situação já é crítica, o número de idosos equivalerá a mais da metade da população economicamente ativa. Para completar, Shapiro alerta que o número de crianças japonesas e europeias que, quando adultas, estarão trabalhando e pagando impostos em 2025 e 2035 está caindo mais rapidamente do que a população economicamente ativa.

E no Brasil? Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro saltou de 66 anos em 2000 para 72,8 anos em 2009. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil registrou queda de 61,7%, passando de 52,04 mortes por mil nascimentos para 19,88 mortes por mil. O déficit previdenciário – diferença entre arrecadação e pagamento de despesas/benefícios – saltou de R$ 10 bilhões em 2000 para R$ 43,6 bi em 2009.

Em 1940, havia cerca de 31 contribuintes para cada beneficiário da Previdência. Na década de 80, essa relação caiu drasticamente, atingindo o preocupante número de 2,9 contribuintes para cada beneficiário. Hoje, a proporção é de apenas 1,7 contribuintes para cada assegurado. A continuar nesse ritmo, em 2030 haverá somente 1,1 contribuintes para cada beneficiário da Previdência.

Observando com atenção estas informações, pergunto: você está preparado para uma aposentadoria confortável, digna e com qualidade de vida?

Se estiver em dúvida sobre em que produto investir, prefira aquele capaz de gerar renda, o que garantirá um fluxo de caixa mais folgado e também patrimônio. Alguns exemplos de investimentos para geração de renda: imóveis (renda de aluguel) e ações (pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio).

Se a disciplina não for um de seus fortes, considere a possibilidade de contratar um plano de previdência privada. Com pequenas contribuições é possível alcançar uma boa soma. Atente para a modalidade escolhida levando em conta a solidez da instituição escolhida, o tempo de contribuição e a forma de uso do montante acumulado.

Sustente uma reserva de emergência que corresponda a um período mínimo de seis meses de salários/receitas (o ideal são doze meses), alocando este capital em um investimento de alta liquidez (caderneta de poupança, por exemplo).

Se a qualidade de vida e o bem-estar são metas para o futuro, a hora de pensar nisso é no presente. Uma vida sustentável hoje e no futuro só depende de você.

Siga-me no Twitter: @Navarro. Até a próxima.

Investimento além das alternativas óbvias

Conrado Navarro

“Em que banco investir? Qual a melhor alternativa de investimento?”. Estas duas perguntas são bastante comuns nos papos sobre finanças pessoais e educação financeira. Como já mencionei anteriormente, acredito que o mais importante é delimitar seus objetivos, para só então avaliar que perfil de investimento procura. Definindo o horizonte de tempo (curto, médio e longo prazo), fica mais fácil pesquisar as alternativas.

Trabalhando o curto e médio prazo
Tomemos como exemplo os fundos conservadores de renda fixa. O que você, enquanto investidor, deve levar em conta para decidir-se melhor? Taxa de administração, perfil do fundo e rentabilidade em relação ao CDI/Selic merecem atenção. Talvez por comodidade, muitos brasileiros fazem opção de investir no fundo oferecido pelo banco de varejo que já gerencia suas contas correntes, sem fazer as devidas comparações com o mercado.

Em fundos conservadores, uma diferença de 1% na taxa de administração faz muita diferença na rentabilidade líquida do produto como um todo. Além disso, você pode investir diretamente em títulos públicos (Tesouro Direto), que é o que muitos fundos de renda fixa fazem. Os custos são mais baixos e você tem mais controle sobre o dinheiro aplicado. Muitas vezes, tudo o que você precisa fazer é preencher alguns documentos, enviá-los pelos Correios ou mesmo visitar uma nova instituição. Não se surpreenda se encontrar produtos mais interessantes em gestores e/ou bancos não tão conhecidos.

Planejando o longo prazo
O mesmo acontece com os fundos de ações. Bancos de varejo oferecem bons produtos, mas cujo foco nem sempre é permitir acesso a uma estratégia mais elaborada para o longo prazo, principal recomendação para produtos deste tipo. Não acho interessante, por exemplo, fundos que simplesmente procuram replicar o comportamento do Ibovespa, principal índice de nossa Bolsa de Valores.

A opção por fundos de ações deve ser acompanhada de uma decisão de investimento bem tomada, o que significa escolher muito bem a gestora que tomará conta de seu patrimônio. Neste sentido, fundos de gestão ativa costumam oferecer rentabilidades mais sólidas, especialmente quando acompanhados de uma estratégia de investimentos bem fundamentada. De novo, considere também gestores menos óbvios.

Cuidados ao escolher onde investir
A mensagem do texto é a de que você pode e deve pesquisar as alternativas de investimento com mais atenção aos detalhes, abrindo espaço para novas empresas e gestores de investimentos. Claro que isso precisa ser feito com cautela e alguns cuidados:

  • Certifique-se de que o fundo pesquisado esteja devidamente registrado junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que o gestor (e o administrador) do produto sejam associados de órgãos representativos de classe e devidamente registrados para operar. Você pode consultar os fundos diretamente na CVM através da Internet clicando aqui. Nesta página você poderá conhecer detalhes do fundo, sua gestão, ativos em carteira, histórico de cotas e muito mais;
  • Leia com atenção o prospecto do fundo escolhido e preste muita atenção aos detalhes de sua operação. Cotização, prazos para investimento/resgate, composição da carteira e regras de funcionamento devem estar entre suas prioridades;
  • Considere uma boa conversa sobre as opções de investimento pesquisadas ao lado de seu gerente. Muitas vezes, os bancos de varejo também oferecem excelentes alternativas de investimento, mas que só são apresentadas depois que o perfil do cliente é completamente entendido.

Como começar a pesquisar os melhores fundos de investimento? O Portal Exame publica anualmente um guia de investimentos com os fundos que mais se destacaram nos últimos anos. Felizmente, esse guia está também disponível na Internet, de forma gratuita. Acesse o Ranking Exame de Fundos de Investimentos e comece agora mesmo a avaliar as melhores alternativas para fazer seu dinheiro trabalhar por você.

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Onde investir seu dinheiro?

Conrado Navarro

Muitos leitores me pediram detalhes das alternativas de investimento disponíveis no Brasil. Detalhar todas as opções em um artigo tornaria o texto extenso, então aceitei a sugestão de vocês de gravar um vídeo com informações básicas sobre as possibilidades de investir presentes em nossa economia e sistema financeiro.

Assista ao vídeo e comente:

Lembre-se sempre que você não precisa optar por apenas um tipo de investimento. O interessante é manter uma reserva de emergência em uma opção com boa liquidez e baixo risco (renda fixa e poupança, por exemplo) e então alinhar suas decisões de investimento aos seus objetivos de curto, médio e longo prazos. Quer garantir o estudo dos filhos e a aposentadoria? Considere o mercado de ações com mais carinho. Quer trocar de carro em três anos? Títulos públicos, CDBs e renda fixa em geral são mais indicados.

Sucesso e boa sorte! Siga-me no Twitter: @Navarro

Disciplina, frugalidade e frustração como oportunidades de gerar riqueza

Conrado Navarro

Estava “jogando conversa fora” com um amigo, quando ele me fez uma pergunta muito interessante: “Navarro, como discutir riqueza sem pensar em ganhar muito dinheiro?”. A ideia era discutir riqueza abordando a necessidade de ganhar cada vez mais (salários mais altos, por exemplo), visão comumente popularizada por muitas pessoas.

Não raro, escuto alguns colegas repetindo o famoso mantra de que “é fácil ficar rico quando se tem muito dinheiro”. Será mesmo? Meu caminho de independência financeira passou muito mais pelo quanto fui capaz de economizar e investir que pelo montante recebido de salário ou pró-labore. Eu sempre preferi saber muito bem como gastar, poupar e investir sem depender do dinheiro dos outros (endividamento ou aumentos, dissídios etc.).

Aumentar minhas receitas foi parte do processo, mas o foco essencial estava em definir e respeitar um padrão de vida confortável, mas possível – que me permitisse investir e garantir também outros objetivos. Neste sentido, a disciplina, a frugalidade e a frustração tiveram papéis muito mais importantes que a dependência em relação ao quanto ganhava ou iria ganhar.

A disciplina cria e mantém uma atmosfera de compromisso com meu principal objetivo: liberdade. Consumir sem necessidade ou exagerar nas compras eram atos que entravam em conflito com essa meta, o que era suficiente para me impedir de ir adiante e me tornar uma pessoa consumista. Em 10 anos atingi minha independência financeira e hoje sou livre para muitas coisas, inclusive consumir.

A frugalidade, que já abordei também neste espaço, servia como modelo para meu padrão de vida. Nunca abri mão de meus desejos, mas decidi que os realizaria de acordo com as possibilidades, colocando-os no tempo (curto, médio e longo prazo). Ser frugal é ser sóbrio, moderado, ou seja, é usar o bom senso. O sovina só economiza, o frugal economiza porque quer realizar um sonho – e o faz quando finalmente alcança essa possibilidade.

A frustração representa a realidade do cotidiano. Decidi aceitar que não dava para ter tudo aquilo que desejava no exato momento em que o desejo aparecia. Como muito bem pontua Márcia Tolloti em seu ótimo livro “As Armadilhas do Consumo” (Ed. Campus), quando nosso cada vez maior desejo de satisfação se junta à incapacidade de lidar com a frustração, o resultado é a compra com o dinheiro dos outros. Traduzindo: você compra porque não sabe esperar e se planejar e, como não tem dinheiro, usa o crédito. Endividamento, conhece?

Logo, respondi ao meu amigo, riqueza não tem tanto a ver com o quanto você ganha. Tem a ver com como você enxerga a riqueza (para mim, liberdade e independência são coisas de que não abro mão) e o que você faz, hoje, para alcançá-la. Se você tem objetivos fortes e é capaz de abrir mão do consumo por eles, provavelmente irá alcançá-los. Se não é, ou seus sonhos são fracos demais ou suas desculpas/justificativas são fortes demais.

Para concluir, pense nas pessoas que você conhece: alguns ganham salários relativamente baixos, mas tem patrimônio, legado (imóveis, empreendimentos, padrão de vida confortável, família estruturada, liberdade, possibilidades); outros têm salários altos, mas tudo que fazem é ostentar carros de luxo, roupas de grife e uma “agenda corporativa” digna de pena. A diferença? A tênue linha entre ser feliz e parecer feliz. Mas ai dirão que dinheiro não se mistura com felicidade e outras baboseiras… Tire suas conclusões…

Até a próxima. Siga-me no Twitter: @Navarro

Casamento e independência financeira combinam?

Conrado Navarro

Converso sempre com o Lucas Rossi, editor da versão on-line da Revista Você S/A e Estagiário Y. Comentei com ele que vou me casar em maio deste ano e ele imediatamente lançou uma excelente idéia: “Navarro, que tal escrever um especial de cinco textos sobre casamento, usando a ótica do planejamento financeiro?”. Ótima sugestão, topei na hora. E aqui estou eu justamente para começar o material prometido.

A pergunta que lancei no título é bastante comum no meio em que atuo. De um lado, o homem cada vez mais moderno e afim de curtir seus mimos (eletrônicos, carros, viagens, hobbies etc.); de outro, as cada vez mais poderosas mulheres, com renda crescente e desejos igualmente relevantes (investimentos, formação, itens para casa, viagens etc.). Entre ambos, a dúvida: cabe o conceito de família nesta história?

Família, a palavra-chave que interessa!
A minha visão sobre casamento é bastante óbvia, simples: união com sentido agregador, foco em objetivos comuns (e também individuais) e papel de destaque no quesito cidadania. Para resumir, família. Os desafios estão justamente na interpretação – sempre pessoal – das implicações presentes na construção e manutenção de um lar harmonioso:

  • Para muitos, basta paixão e amor. Durante o namoro, pouco se discute sobre as responsabilidades de uma união. Presentes em abundância, extravagâncias e ostentação costumam povoar o dia a dia de casais com este perfil. O dinheiro é, quase sempre, motivo de discussões pesadas. As expectativas são colocadas em níveis muito elevados, o que sobrecarrega o relacionamento e sua sustentação econômica;
  • Para outros tantos, casar significa apenas “dar o próximo passo”. A expectativa da sociedade é traduzida em pressão e o relacionamento começa a caminhar, ainda que de forma prematura, para o casamento. Casais que namoram há muito tempo, famílias hipócritas ou a situação profissional em vias de mudança costumam influenciar (e precipitar) esta importante decisão. “Já se formou, está trabalhando, então já pode casar”. Eu caí nessa…
  • Para alguns, que seja eterno enquanto dure. E durar representa o esforço pessoal de cada um para com suas responsabilidades e os objetivos/desafios da família criada. Assumir uma atitude adulta significa colocar no papel o que se pretende alcançar, que recursos poderão ser usados e de que forma a família poderá superar melhor suas dificuldades. E aproveitar cada momento com carinho, respeito, admiração, amor e paciência.

Falando em hipocrisia…
Eu vou me casar, e você deve se lembrar de ter lido isso no começo deste texto. Mas, que autoridade tenho eu para diagnosticar e opinar sobre as verdades econômicas e de relacionamento presentes em um casamento? Pois é, aconteceu comigo: já fui casado, em uma decisão pressionada e nada planejada. Pouco tempo depois, me separei.

Trato do tema com naturalidade porque acredito que somos fortalecidos por todas as frustrações e provações a que somos submetidos. Assim, mais do que dicas ou ensinamentos, quero compartilhar um pouco do que aprendi e de tudo aquilo que consegui mudar para finalmente criar uma família especial ao lado de Ana Paula, minha noiva. Tudo com humildade e muita sinceridade.

Se casamento combina com independência financeira? Sem dúvida. Ao longo dos últimos anos, planejamos juntos cada passo, desde o lugar onde vamos morar até os gastos com a cerimônia e Lua de Mel. Fizemos isso abrindo mão de algumas satisfações pessoais momentâneas, mas sem deixar de lado a individualidade, os minutos de silêncio, a relação com a família e as metas individuais, aspectos super relevantes para a autoestima e felicidade.

Leia também os demais artigos da série:

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As armadilhas no caminho da independência financeira

Conrado Navarro

Gosto muito de uma experiência enriquecedora e fácil de colocar em prática. Ao entrar em um banco, momento em que o conforto do ar condicionado refresca seu dia, quais são as coisas em que você mais repara? Dentro da instituição, o que lhe vem à mente? Somente as tarefas que você precisa resolver ali?

Você não presta atenção nas pessoas, seus hábitos no banco e principais dúvidas? E nos profissionais responsáveis por nos atender? E na usabilidade e operação do caixa eletrônico? E no ambiente, nas cores, nas propagandas, nos cartazes? O que lhe chama mais atenção? Por quê?

A realidade é bem simples (e visível)…
Os principais cartazes são de produtos e serviços bastante importantes para o banco. Simples assim. Títulos de capitalização, empréstimos, crédito pessoal, antecipação de receitas, dinheiro emprestado com “condições especias”, financiamento imobiliário, consórcios e por ai vai. O mesmo acontece com as brochuras e panfletos.

E o caixa eletrônico que insiste em ficar trocando o botão “Continua” de lugar, confundindo nossas cabeças e colocando em seu lugar botões de contratação de serviços, financiamentos e sabe-se lá o que mais. E o extrato que vem com toda uma folha dedicada aos “incríveis” benefícios que a instituição criou “só para você”. Você é especial, ora bolas. Não é isso que está impresso na sua folha de cheque?

“Contrate”, “Adquira”, “Peça ao seu gerente”, “Comece já” e outros tantos pedidos (a muitos soam como dicas e, mais perigosamente, ordens). Muito dinheiro gasto em mensagens fortes, bem pensadas e com um único objetivo: conquistar você. E quem sabe tê-lo na conta dos clientes que pagam de 5% a 15% ao mês de juros. Todo o “milagre” ficando a cargo dos juros compostos.

Ora, não é preciso ser muito inteligente para saber que aquilo que as empresas querem que a gente compre é também aquilo que influencia bastante seu lucro. Que o spread bancário brasileiro é alto não é novidade. Que as instituições financeiras de nosso país lucram cada vez mais e com menos risco, também. Temos grande concentração bancária, muita gente ávida por consumir e uma economia sólida que apenas engatinha. Oportunidade para os bancos, mas também para quem busca educar-se financeiramente para evitar armadilhas como as que citei no inicio do texto.

Cansei de ver gente como eu e você, caro leitor, preocupada com as finanças familiares e antenada ao que o dinheiro representa em nossa caminhada sendo taxados de chatos, pão-duros e outras coisas mais. Tudo porque avaliamos e tomamos nossas decisões econômicas de forma mais sensata, com uma espécie de filtro capaz de responder a uma questão muito simples: fazer isso me aproxima ou me distância de minha independência financeira?

Cuidado com as suas conclusões. Bancos, crédito, consumo e abertura econômica são excelentes aliados de um futuro melhor. Futuro que, não tem jeito, só existirá se nele existirem pessoas dignas de bons salários, empregabilidade e qualidade de vida. Ou isso ou as bolhas… do carro, do imóvel, do crédito etc.

Alguém disse “subprime”?
Pois bem, se a história se repete, é hora de pensar seriamente na independência financeira. Se crises são inevitáveis, parece coerente aproveitar o bom momento para se preparar para elas. E ai, quem sabe, comprar quando todo mundo estiver desesperado para vender. E depois vender quando todo mundo estiver desesperado para comprar.

Em salas de aula, tudo isso costuma ser traduzido como capitalismo e explicado de forma bem mais completa (complexa?). O fato é: ou aprendemos a viver nele e aproveitá-lo ou ele viverá aproveitando nossas decisões. Mas, claro, isso você já sabe. Quando o assunto é dinheiro, tudo é óbvio.

Não se esqueça, eu estou do seu lado. Mas de que lado você está?

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Ano Novo com os investimentos em dia

Conrado Navarro

Conforme discutimos no texto anterior, investir com inteligência significa traçar objetivos e realizá-los no tempo certo. Alguns leitores sugeriram que abordássemos as alternativas de investimentos relacionadas aos prazos e mostrássemos alguns exemplos de carteiras de investimento de perfis diferenciados. O artigo de hoje é mais extenso, mas com o nobre objetivo de servir como uma referência rápida para suas dúvidas. Leia-o de acordo com sua disponibilidade.

Investimentos de curto prazo.
Mesmo que bombardeada pela mídia, a caderneta de poupança continua sendo um bom começo para a maioria dos brasileiros. Isenta de Imposto de Renda e taxas, ela costuma render o mesmo (ou mais) que grandes fundos de renda fixa destinados aos correntistas de baixa renda – aqueles cujo aporte inicial necessário é baixo. Isso deve mudar se a Selic voltar a cair para abaixo de 10% ao ano (provavelmente em 2012).

Curto prazo significa liquidez imediata, sem burocracia e por isso a poupança é imbatível. E cuidado com os apelos de consumo dos bancos quando o assunto é curto prazo. Títulos de Capitalização não podem ser considerados investimento (clique e entenda melhor) e empréstimos com a finalidade de consumir trazem juros de até 5% ao mês, algo excessivo e prejudicial.

Estratégia: tenha uma reserva de emergência (pelo menos 6 salários) e dinheiro para consumo, planos de compras e dívidas do dia a dia em investimentos de curto prazo.
Curto prazo: até 1 ano;

Investimentos de médio prazo.
Gosto e invisto bastante no Tesouro Direto. Invisto tanto em títulos préfixados (a taxa de remuneração é conhecida no momento da compra do título), quanto em em títulos pós-fixados (o retorno total é calculado por uma taxa de juros somada a um indicador de inflação).

Não gosto de fundos de renda fixa tradicionais porque eles compram os mesmos títulos da dívida que nós podemos comprar diretamente. Não faz sentido pagar taxa de administração por algo que podemos fazer sozinhos. Basta estudar. Invisto em LTN (Letras do Tesouro Nacional) e NTN-C (Notas do Tesouro Nacional associadas ao IGP-M). Entenda melhor as opções do Tesouro Direto clicando aqui.

Gosto dos títulos federais por três razões simples:

  • Seu risco é praticamente nulo (a chance do país quebrar é remota);
  • A rentabilidade líquida é muito próxima à Selic, com taxa de administração bem menor que a dos fundos conservadores e pouca burocracia;
  • O investimento inicial necessário é baixo (parte de cerca de R$ 200,00).

No médio prazo também costumo recomendar os CDBs (títulos privados) de grandes bancos. O problema é que para conseguir uma remuneração interessante (pelo menos 95% do CDI), os aportes exigidos costumam ser altos. Há também os fundos de renda fixa mistos (ou multimercado), mas é preciso que o aporte inicial seja maior que R$ 10 mil. Só assim podemos encontrar produtos com taxas de administração mais “civilizadas”. A verdade é que para metas de médio prazo o Tesouro Direto é imbatível.

Estratégia: é normal que a maior parte de nossos objetivos esteja no médio prazo, ainda que demoremos a perceber isso. Portanto, reserve de 5% a 10% de suas receitas para aplicações deste tipo.
Médio prazo: 1-5 anos.

Investimentos de longo prazo.
Objetivos e metas para o futuro mais distante dão ao investidor a possibilidade de aumentar sua exposição ao risco. A lógica é simples: o risco maior poderá ser diluido no tempo de investimento proposto. Neste sentido, o mercado de renda variável merece atenção e espaço nos seus investimentos. Afinal, “quanto maior o risco, maior o retorno”. Mas se é arriscado, então precisa ser com cautela. Ou seja, apenas parte dos investimentos deve ser alocada em ações.

Na prática, funciona assim: o investidor que entrou na bolsa em janeiro de 2010 para levantar fundos para comprar um carro em dezembro (curto prazo), levou um tombo. O Ibovespa variou pouco mais de 1%. O outro investidor, aquele que entrou em 2003 com o objetivo de comprar um imóvel em 2010, se deu bem: 300% de ganho real (acima da inflação) no período. Pois é.

Estratégia: demoramos a conseguir diagnosticar um objetivo de longo prazo, mas eles existem. Sustente o hábito de investir de 5% a 10% de sua receita mensal para atingi-los.
Longo prazo: mais de 5 anos.

“Nunca coloque seus ovos em uma mesma cesta”. A citação é lugar-comum em qualquer livro de finanças. Insisto nela. Se você é mais jovem e arrojado, tenha mais ações em sua composição de investimentos (sugiro até 30%). Se é mais conservador, tenha também, mas com menor peso (até 10% do total dos investimentos). E vale fundos de ações, clubes de investimento, fundos de índice (ETFs) e investimento direto. Trataremos melhor destes temas em outros artigos.

Espero ter detalhado melhor como vejo a questão dos investimentos, especialmente daqueles que funcionam para mim. Que 2011 traga a possibilidade de aprendizado que você espera para finalmente colocar em prática seu plano de investimentos. Feliz Ano Novo! Sucesso!

Siga-me no Twitter: @Navarro e @Dinheirama

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