investimento | Você mais rico | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
Carregando

Arquivo da tag: investimento

Hábitos novos versus comportamentos enraizados. Criar em vez de mudar.

Conrado Navarro

O feedback em relação ao dinheiro como um tabu (falei disso no artigo anterior) foi muito positivo, o que mostra que há muita gente disposta a encarar as finanças como um assunto relevante e presente no dia a dia familiar. Essa disposição é importante, mas ela não pode ser mascarada pela angústia gerada a partir da tentativa de mudar de hábitos.

Na prática, o que ocorre nas pessoas é sempre a tentativa imediata de alterar seu comportamento. Isso é bem-vindo, mas da maneira usualmente realizada traz poucos resultados. Farei um paralelo simples entre saúde e dinheiro para insistir na tese de que é mais produtivo focar em novos comportamentos que em consertar velhos hábitos.

A saúde e a alimentação
Imagine aquela pessoa habituada a uma alimentação nada saudável, mas há muitos anos presente em sua vida. Refrigerantes em excesso, muita fritura e carboidratos, poucas frutas e sempre em horários perigosos. De repente ela começa uma dieta que muda completamente a sua “agenda alimentar”.

Ela tem que comer de três em três horas, não poderá ingerir alimentos gordurosos, terá que cortar o açúcar e passar a comer muitas verduras e frutas. Ela terá que alterar sua rotina e se desfazer de velhos hábitos. O que acontece? A maioria das pessoas não consegue seguir a dieta por muito tempo e vive tentando mudar isso. O resultado? Praticamente nulo.

Agora suponha que o acompanhamento profissional dado a essa pessoa inclua a criação de novos hábitos saudáveis antes completamente desconhecidos por ela. Exemplo: ainda que a alimentação esteja totalmente desequilibrada, praticar exercícios (caminhada moderada todos os dias, digamos) e cozinhar a própria comida com a presença de familiares e amigos (pratos saudáveis, agora sim), abrirão em sua rotina duas atividades novas, sem vícios.

Este é um exemplo pessoal. Eu já tive problemas sérios com alimentação e índice de gordura corporal (era clinicamente o “falso magro”) e não conseguia mudar meus hábitos alimentares. Quando experimentei um jeito diferente de encarar a rotina, criando novos comportamentos, passei a ver resultados. Comecei a caminhar, depois a correr e pedalar. Hoje corro 60 quilômetros por semana e meus índices e exames clínicos estão em ordem.

E o dinheiro?
O raciocínio é o mesmo. Insistir em mudar um hábito financeiro perigoso é válido, mas nem sempre dá resultados. O mais interessante é criar hábitos novos e, a partir dos resultados destes novos comportamentos, corrigir a conduta – afinal, quando os benefícios são claros e capazes de nos motivar, os velhos hábitos simplesmente desaparecem e dão lugar aos novos.

O salário cai e o sujeito imediatamente saca todo o dinheiro e gasta, seja pagando contas, seja consumindo. Que ele está fazendo algo errado, isso ele já sabe. A rotina tomou conta. O hábito perigoso é o de consumir, o que provavelmente lhe dá prazer e, em tese, ajuda a aplacar a angústia do dia a dia. E se, com uma aplicação automática programada via Internet banking, ele investisse todo mês, durante 12 meses, uma parte do salário para fazer uma viagem, por exemplo?

O novo hábito é o de investir para alcançar uma meta. A conta corrente ficaria com menos dinheiro e ele continuaria sacando toda a quantia, mas agora esse montante total seria menor e um objetivo (prioridade) está sendo respeitado. Em um ano, o prazer da viagem “acenderá” em sua família uma luz: “Puxa, conseguimos viajar com nosso próprio dinheiro, sem dívidas”. Uma sensação maravilhosa, com certeza. O novo hábito tomou lugar.

Este também é um exemplo pessoal. Antes, eu tinha tudo, mas não tinha nada – comprava porque tinha dinheiro. Hoje sou livre e financeiramente independente porque um dia consegui realizar um objetivo simples: comprar um videogame. E fiz isso tendo que lidar com a frustração de deixar de consumir tudo que gostaria, mas o resultado foi compensador. Desde então, os resultados têm sido fantásticos.

Conclusões
Nosso comportamento é fruto de muitas variáveis. Ambiente familiar, exemplos, educação, formação, cultura e por ai vai. Quando nos propomos a mudar um hábito, decidimos enfrentar todas essas variáveis com a certeza de que vamos vencer, o que dificilmente acontece. Começar algo NOVO e ainda DESCONHECIDO (não praticado) nos liberta dessas amarras. O desapego é importante para curtirmos cada novo passo sem associá-lo ao que já vivemos ou passamos. E os resultados aparecem.

Você tem alguma história semelhante às que contei aqui que deseja compartilhar? Tenha em mente que tratei de aspectos pessoais e exemplos – não tenho nenhuma intenção de desmerecer quem faz dietas altamente restritivas ou tenta de todo jeito chegar ao final do mês com dinheiro na carteira. Meu objetivo é compartilhar o que deu certo comigo e, quem sabe, permitir alguma reflexão na sua vida.

Deixe seu comentário neste artigo ou mande sua opinião para mim no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até a próxima.

Dinheiro: tabu, fator de inclusão ou utopia?

Conrado Navarro

Tenho discutido de forma bem interessante com alguns amigos e leitores nossa relação com o dinheiro. Muitos são incisivos ao afirmar que a maioria de nossos problemas financeiros surge porque decidimos que “fazer parte”, ou seja, pertencer ao grupo, é a única forma de manter alguma dignidade e buscar a felicidade – e que, assim, o consumo e os gastos dele derivados são essenciais para uma vida plena.

Sim, dinheiro é um meio eficaz para tornar a vida em sociedade mais agradável e é fundamental como meio de interação, relacionamento e construção de identidade. No entanto, o “consumismo da inclusão” não pode se tornar uma justificativa para decisões incoerentes e capazes de dirigir a família na direção de graves problemas (endividamento, divórcio etc.).

O fato é que a relação entre dinheiro e sociedade é mesmo bastante íntima e interpretar cada um desses agentes de forma isolada só faz aumentar a angústia e as emoções negativas que costumamos associar às finanças. Alguns dirão que isso é óbvio, o que é verdade.

Concordamos, portanto, que dinheiro é um importante fator dentro do contexto social. A prática, por outro lado, mostra que estamos pouco dispostos a incluir as finanças como um tema a ser discutido com frequência em casa e entre amigos. Ele é importante, mas é tratado no âmbito pessoal e de forma rasa e egoísta.

O estilo “caixa preta” de tratar o orçamento conforta porque permite que uma falsa sensação de controle instale-se e alivie a dureza do dia a dia. Preferimos nos enganar com o clássico “A hora que eu quiser eu resolverei esse problema” a compartilhar a realidade com a família e receber críticas.

Nada mais natural, afinal ao abrir o problema para todos ficamos frágeis diante dos julgamentos dos outros e, a depender da maturidade de todos, é provável que essa situação só gere mais angústia, vergonha e culpa. Pois é, a verdade é que lidar com o dinheiro requer desprendimento, tolerância e muita humildade.

Consumo e dinheiro são parte de nossas vidas, ok. Só isso não basta para cuidar bem do aspecto financeiro de nossas vidas, ok. Lidar com essa realidade sozinho paralisa, ok. Abrir o jogo e pedir ajuda significa assumir que fracassamos, ok. O que fazer? Agir, apesar de tudo isso! Sim, porque ignorar a questão (ou, ainda pior, tratar o dinheiro como algo “ruim”, “do mal”) só aprofunda os problemas, todos eles, financeiros ou não.

Abordar o tabu que envolve as finanças domésticas é sempre complicado, já que muitas escolhas neste campo são feitas a partir de raízes culturais fortes e com base em emoções e situações de momento. Amor, casamento, amizade, saudade, culpa, raiva, frustração, quase tudo que sentimos ou pelo que passamos é capaz de detonar reações financeiramente catastróficas.

Tudo o que eu disse poderia ser resumido em um parágrafo: sabemos de nossos problemas, temos consciência de quais são as atitudes necessárias para mitigá-los e somos capazes de usar as ferramentas disponíveis para organizar todos esses passos. O problema, pois, não é falta de força de vontade ou desinteresse, é mais profundo. Mesmo encrencados, encontramos na zona de conforto desculpas e justificativas (“consumir aproxima”, “comprar deixa feliz” etc.) capazes de fazer o tempo passar. E o tempo passa.

Por fim, admito que textos assim costumam receber poucos comentários, são relativamente menos compartilhados, costumam ser lidos de forma tímida e preocupada. Editores e gente experiente com as palavras costumam dizer que minhas palavras muitas vezes soam como “tapas” na cara dos leitores, e isso não é nada bom. Mas como destruir um tabu sem enfrentá-lo?

Ao falarmos abertamente sobre o tema, suas raízes pessoais e consequências nas diversas esferas pessoais, estamos contribuindo para contar com o dinheiro como um aliado para mais realizações, e assim mais alegria. Espero que você, caro leitor, entenda e participe do debate. Escreva abaixo sua opinião e mande um alô também lá no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até mais.

Relacionamentos melhores farão de você alguém mais rico

Conrado Navarro

Depois de abordar os desafios que costumam nos impedir de alcançar a prosperidade financeira e também a importância da disciplina para alavancar o patrimônio, é hora de falar sobre os primeiros passos do investidor que aceita a responsabilidade de poupar parte do que ganha. Será que começar a investir requer mais que apenas força de vontade? O que as pessoas (e não só você) têm a ver com isso?

O tema parece simples, mas esconde um dilema bastante desafiador: saber que é importante investir é uma coisa, mas pegar o dinheiro todo mês, escolher uma alternativa de investimento para investi-lo e ir até o final nessa decisão é bem diferente. Todos sabemos e gritamos aos “quatro ventos” que investir é importante e necessário, mas o que se vê na prática é outra coisa: poucos investidores.

Ao lidar com esse desafio, nos fechamos e passamos a alimentar muitas inquietações. Aqui destaco algumas:

  • Será que esse investimento que escolhi é mesmo o mais adequado?
  • Será que esse dinheiro não me fará falta no mês seguinte?
  • Como farei para resgatar o dinheiro em caso de necessidade?
  • Como devo gerenciar meus investimentos para manter o controle do meu patrimônio?

Descomplicar ajuda, mas deixa mal acostumado…
Não me espanta que muitos brasileiros acabem optando por investimentos cuja forma de aplicação se assemelha a uma despesa – aquele conceito de que “é preciso ter um carnê ou não conseguirei ter patrimônio”, conhece?. Seguindo apenas esta “filosofia”, no entanto, o brasileiro investirá apenas em produtos tradicionais e pouco rentáveis (títulos de capitalização, que nem investimento é, e previdência privada, por exemplo).

Sim, porque escolher um produto financeiro ou decidir-se por abrir conta em uma instituição independente e que exija de você controle sobre suas operações (principalmente hoje se considerarmos o uso da Internet e de plataformas de negociação, os home brokers) exigirá, além dos trâmites burocráticos, dedicação, organização e, principalmente, objetivos capazes de motivá-lo.

Estou falando daquela hora em que você, depois de ter preenchido todo o cadastro necessário junto ao banco ou corretora, tem que ir até o caixa ou usar os serviços de Internet do banco para fazer uma transferência eletrônica de fundos, digitando sua senha, apertando o ENTER e certificando-se posteriormente de que o dinheiro caiu onde deveria. Quantas vezes você “quase já fez isso”?

E pensar que depois você ainda teria que acessar a plataforma da empresa contratada e decidir que aplicações fazer (que ações, que títulos comprar)? Seu dinheiro sairia de sua conta para outra empresa e dependeria de você clicar em algumas opções de tela para então emitir uma ordem de compra de títulos públicos ou participação societária em empresas de capital aberto. Cansativo?

Seu medo é normalmente alimentado e o paralisa!
É provável que seu cônjuge não entenda o que você quer fazer, que seus amigos o desencorajem por não conhecerem o investimento escolhido e que seu banco lhe diga que você não precisa fazer isso. Como animar-se diante de um cenário assim, não é mesmo? Você fica paralisado e volta correndo ao básico: manejar aplicações apenas dentro do “universo conhecido”, geralmente representado pelas opções demonstradas pelo gerente bancário ou por alternativas de investimento tradicionalmente conhecidas pela família.

Em situações ainda frequentes, há quem crie uma justificativa para adiar essa tarefa de avaliar e decidir-se sozinho. Algo como “a partir do mês (ano) que vem receberei um pouco mais e então terei mais condições reais de investir além da capitalização que já possuo”. Com o sono tranquilizado pela desculpa, a família foca no consumo e deixa para depois o início dos investimentos “fora da caixa” (e normalmente mais rentáveis). E a situação se repete inúmeras vezes, transformando-se em um hábito ruim.

Como encarar esta situação?
Se quiser lidar melhor com as dúvidas no momento de investir, experimente mudar as referências que você possui em termos de investimentos bem-sucedidos. Com isso, quero dizer que você precisa fugir das alternativas óbvias pelo caminho mais inteligente: buscando depoimentos, histórias e contato com pessoas que agiram da forma que você gostaria de agir.

Ler materiais como esse certamente o ajudará a criar coragem para investir melhor, mas não será suficiente porque é com exemplos que realmente ajustamos nossas expectativas e criamos parâmetros capazes de guiar nosso processo de tomada de decisão. Repare, portanto, na importância dos relacionamentos e valorize mais as pessoas que você ainda não conhece.

Enquanto você basear-se apenas no que conhece e em quem julga conhecê-lo bem para investir, suas decisões serão baseadas em expectativas sociais (familiares, de amigos etc.); ao conhecer outros investidores e pessoas que agem de maneira diferente, suas decisões passarão a ser baseadas em expectativas pessoais (você não tem que provar nada a esse grupo).

A diferença é simples. Agir conforme se espera torna você um participante, alguém que repete e que sempre se volta para o meio conhecido ao sentir-se inseguro. Agir conforme novos (e antes desconhecidos) exemplos exigirá de você mais atividade (você se tornará um agente) e humildade, o que aumentará drasticamente sua capacidade de aprender e experimentar.

Que tal? Gostou? Vamos continuar essa discussão no espaço de comentários abaixo ou também pelo Twitter - sou o @Navarro por lá. Abraços e até a próxima.

O melhor investimento é agir mais e falar menos

Conrado Navarro

Sempre que participo de alguma conversa sobre independência financeira, surgem algumas opiniões fortes sobre planejamento financeiro e, principalmente, investimentos. Palavras como “disciplina”, “risco”, “estratégia” e “melhor investimento” são tão frequentes quanto a pergunta crucial “Como ficar rico?”.

À medida que a conversa se desenrola, a tendência é focarmos as avaliações em torno das alternativas financeiras capazes de rentabilizar nosso patrimônio. Bolsa de valores, Tesouro Direto, poupança, fundos de investimento especializados, onde colocar nosso tão suado dinheiro?

Dinheiro, que dinheiro?
Sou obrigado a provocar. “Onde colocar o dinheiro? Que dinheiro? Quanto você tem ou pretende investir? Por quanto tempo?”. Alguns narizes torcidos jogam nos meus ombros o ônus de ter “desvirtuado” a conversa, afinal queremos saber qual é o Santo Graal dos investimentos e não ter esforço para construir patrimônio.

Por que agimos assim? Ora, é simples: ter a informação de qual é o melhor investimento significa que somos bem informados e, como não abrimos nossas decisões financeiras a ninguém, fica a impressão de que estamos conseguindo atingir o sucesso financeiro com o passar dos anos – embora a realidade seja ridiculamente outra: não somos capazes de adiar consumo para poupar.

Poupar é mais importante que escolher o “melhor investimento”!
Um estudo realizado pelo Putnam Institute, um órgão ligado a instituições financeiras nos EUA, intitulado “Defined contribution plans: Missing the forest for the trees” (clique para acessar o PDF), analisou o impacto no crescimento do patrimônio a partir de decisões como escolha de fundos, balanceamento de carteira, alocação de ativos e aportes frequentes maiores (maior capacidade de poupar).

O alvo do estudo foi um cidadão hipotético, vamos chamá-lo de Bob, que passou a aplicar seu dinheiro através de um plano de contribuição iniciado em 1982, aos 25 anos. Para efeitos de análise, Bob recebeu aumentos anuais de salário de 3% e optou por contribuir com 3% de sua renda. Sua empregadora depositou no plano 50% do total de sua renda (até o limite de 6% da renda).

Vou resumir os resultados:

  • Se ele optasse por investir 60% em títulos, 30% em ações e 10% em ativos de alta liquidez, tudo isso através de fundos escolhidos a partir de uma lista dos 25% menos rentáveis da época, e não mexesse em nada, Bob teria em 2011 uma renda anual de US$ 57 mil e um saldo de investimentos de US$ 136 mil;
  • Se Bob optasse pela mesma distribuição acima, mas em fundos listados entre os 25% mais rentáveis da época, ele chegaria em 2011 com patrimônio menor, US$ 126 mil (isso mesmo, menor!);
  • Se ele seguisse o passo anterior, mas mudasse de fundo algumas vezes (entre os 25% melhores) durante este período, Bob chegaria em 2011 com patrimônio de US$ 130 mil;
  • Se ele conseguisse prever os melhores fundos de três em três anos e migrasse durante esse período, ele chegaria em 2011 melhor, mas nem tanto – seu patrimônio seria US$ 166 mil;
  • Ser mais agressivo (se expondo com 80% em ações) colocaria o patrimônio de Bob em algo próximo de US$ 160 mil em 2011;
  • Agora a hora da verdade: se Bob decidisse aumentar sua contribuição de 3% para 4% e voltasse ao primeiro cenário, seu patrimônio seria US$ 181 mil. Subir a contribuição mensal para 8% lhe garantiria um patrimônio de US$ 334 mil em 2011.

O pesquisador W. Van Harlow disse no estudo que “usar o desempenho dos fundos como maior prioridade é um erro. Isso não quer dizer que a rentabilidade da aplicação não interesse, mas nossas análises indicam que o retorno é uma variável menos poderosa quando comparada com o balanceamento da carteira e, acima de tudo, com aportes regulares maiores (maior poupança)”.

Vamos resumir?
Preocupar-se com o melhor investimento não irá ajudá-lo se seu poder de poupança for muito limitado ou se você não se preocupar com isso. Ou seja, é muito mais importante aprender a lidar com as frustrações ao deixar de consumir e passar a poupar mais que conhecer os melhores gestores e seus fundos – o que também é superimportante, mas no seu devido tempo.

Então, lembre-se: primeiro estipule uma meta de poupança para sua renda e comece a poupar para investir em sua independência financeira. Ao conseguir adiar consumo para construir sua liberdade, passe adiante e busque onde rentabilizar essa importante decisão.

Aliar capacidade de poupar e alternativas rentáveis de investimento fará você chegar mais rápido no objetivo de ser livre em relação às finanças. Boa sorte e bons investimentos.

Deixe seus comentários no espaço abaixo ou fale comigo também no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até a próxima e grande abraço.

Endividamento não combina com independência financeira

Conrado Navarro

É difundida entre muitas pessoas, especialmente as mais jovens, a tese de que só é possível construir patrimônio através da compra parcelada e via crédito (empréstimos, financiamentos etc.). O raciocínio é tão simples que chega a assustar: pagar pouco por mês (as famosas parcelas que “cabem no bolso”) não atrapalha o fluxo de caixa e já permite o usufruto do bem.

Em se tratando de interesses maiores, como por exemplo atingir a independência financeira, garantir geração de renda passiva e construir um futuro melhor e mais tranquilo, a lógica do “leve agora e vá pagando” contribui de forma de negativa, já que insere no cotidiano financeiro mais gastos e compromissos financeiros.

Você já deve ter ouvido a máxima das finanças pessoais, que diz que “existem aqueles que recebem juros e aqueles que pagam juros”. Na prática, essa frase retrata a importância de colocarmos nosso dinheiro para trabalhar pelos nossos objetivos, investindo-o e aproveitando o tempo para multiplicá-lo. É a “mágica” dos juros compostos.

Quem opta por comprar tudo agora, sem contar com a própria capacidade de esperar e poupar, apoia-se em dívidas caras – lembre-se que temos os juros mais altos do mundo. A sensação de bem-estar imediato causada pelo consumo cria barreiras complicadas para a importância de aprendermos a fazer algumas contas matemáticas simples.

Funciona assim: você pode poupar mensalmente o valor equivalente à parcela que pagaria no financiamento do carro e comprá-lo à vista daqui três anos. Ou pode optar pelo financiamento em 60 meses e sair com o carro agora. A diferença no valor pago pelo bem será gritante e terá saído de seu bolso.

Ou assim: você pode planejar sua viagem de férias com antecedência de um ano ou mais, economizando e guardando dinheiro para as passagens, gastos esporádicos e compra de moeda estrangeira ou simplesmente aceitar o pacote oferecido pelo agente de turismo e usar o cartão de crédito para suas compras e gastos durante a viagem. Ao optar pelo puro “carpe diem”, muitos acabam entrando no rotativo e a viagem rapidamente muda de sonho para pesadelo.

Aquele seu amigo administrador pode dizer que o endividamento não é tão ruim assim. Cuidado com a interpretação. No ambiente empresarial, a realidade é outra: o crédito serve para investir na capacidade de produção das empresas, o que aumentará o faturamento e, consequentemente, o lucro. Isso se chama alavancagem, mas não é algo que você possa fazer tão facilmente na vida real.

Diante disso, o melhor é mesmo aprender a lidar com os limites de seu padrão de vida e arcar com as consequências de suas escolhas. Não há certo ou errado. O que existe são resultados diferentes, de acordo com as decisões que tomamos. Independência financeira, oras, é uma escolha que não combina com aumento de gastos, mas sim com geração de receita a partir do que conseguimos investir. Não é óbvio?

Viver uma vida frugal por 15 anos pode permitir que você ganhe qualidade de vida durante o restante de sua vida, trabalhando menos e curtindo mais as pequenas coisas; viver intensamente o presente, gastando e consumindo, pode fazer esses mesmos 15 anos passarem “voando”, mas não mudarão a realidade dali em diante: talvez você precise de mais 15 anos para se ajeitar e poder descansar…

Siga-me no Twitter: @Navarro. Até a próxima.