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São Paulo
Germano Luders
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Liderança familiar e finanças pessoais

Conrado Navarro

Você já parou para pensar se lidera o suficiente sua família quando o assunto é dinheiro? Recebi uma dúvida legal de um leitor, que dizia: “E se o problema com as finanças pessoais forem reflexos da liderança (ou falta dela) em casa?”. O que você responderia?

Concordei na hora! A abordagem é perfeita porque lidar com o dinheiro de uma forma inteligente pressupõe olhá-lo como uma ferramenta, não como um fim. Logo, para que o patrimônio seja associado com qualidade de vida e felicidade, é preciso que exista liderança capaz de equilibrar desejos de consumo, prioridades e gastos sociais.

Cabe uma rápida reflexão sobre o que diz meu amigo Alex Arcanjo sobre isso: “Muita gente ainda insiste em dizer que em casa há um ‘chefe de família’, já percebeu? Onde está o líder da família?”. Pois é, por onde anda a liderança em casa para assuntos importantes como o dinheiro?

Algumas sugestões para lidar com a questão:

1. Trabalhe nos propósitos antes de tomar decisões

Trocar o carro agora, começar aquele MBA ou reformar o apartamento? A pergunta mais importante não é essa. Quais são as prioridades e os propósitos da família? Não existe certo ou errado, mas existe o mais adequado para o momento familiar atual (e seu futuro, é claro) e para a relação “necessidade-oportunidade-possibilidade”.

Para descobrir e praticar essa relação, no entanto, é preciso dialogar, ponderar e respeitar as diferenças. Constituir família significa criar laços duradouros com pessoas diferentes de nós, o que significa que teremos que ser capazes equilibrar e realizar nossos sonhos com os sonhos dos demais. O que é mais importante na sua vida agora?

2. Proponha, respeite e participe de reuniões periódicas para tratar das finanças

O fato é que muitas famílias não fazem o controle financeiro porque consideram mexer com números algo “chato”. Bobagem, afinal de contas fazemos muitas coisas chatas no nosso dia a dia. Ah, fazemos porque precisamos fazer? Claro, mas se não tomarmos conta de nosso dinheiro, quem o fará? Pois é.

Uma vez por mês costuma ser suficiente, mas é preciso que essa data seja respeitada. É fundamental também a participação de todos os membros da família, de maneira que as prioridades sejam sempre avaliadas (e revistas, se for o caso) e a realidade financeira do lar exposta e trabalhada de forma única, com responsabilidades e deveres para todos.

3. Ao apontar problemas, aponte também possíveis soluções

Não existe nada pior do aquele tipo que fala que há algo errado, vira as costas e vai embora. Ok, se podemos fazer melhor, então que tal ser parte da solução ou, pelo menos, tentar ajudar indicando algumas saídas? Criticar é bom quando aprendemos com a crítica e possamos crescer a partir dela. Uma “mãozinha” para assimilar isso e enfrentar os problemas faz bem.

Com o dinheiro, não é diferente: a família precisa enfrentar unida o desafio do planejamento financeiro, o que pressupõe que seus integrantes façam questão de participar. Precisamos olhar para a realidade financeira não como uma casualidade, mas como consequência de nossas escolhas. E se fomos os responsáveis pelos problemas, seremos também pela solução. Um exemplo é a questão da renda. Se ela é baixa, precisamos trabalhar para aumentá-la (e não apenas reclamar disso).

Hora de liderar!

Liderar, como podemos perceber, não é uma disciplina apenas para profissionais e empresas, mas um estilo de vida. Exercer nossa influência para realizar e conquistar coisas boas é a atitude desejada dentro de casa, o que implica lidar de forma pró-ativa com o dinheiro.

Você concorda? Tem algo a compartilhar neste sentido? Deixe seu comentário por aqui ou também no Twitter – sou o @Navarro por lá. Até a próxima.

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