Você mais rico

09.11.2010 - 13h35

O papel da frugalidade e da disciplina na construção de riqueza

Quem não quer ficar rico? Atingir o primeiro milhão, parar de se preocupar com dinheiro e comprar tudo o que sempre desejou. Quem não quer? Felizmente, independência financeira não tem nada a ver com isso. Nada. Entrei em uma polêmica sobre o conceito pessoal de riqueza quando escrevi que é possível ser rico sem pensar só em dinheiro. A explicação é simples: enquanto uns pensam no que fazer para gastar seu capital, outros veem nele a possibilidade de ser livres.

Na ocasião, escrevi que ser rico é ter tempo para ser você, sem culpa pelo que abdica para que essa realidade se apresente.

Você trabalha para viver? Ou será que vive para trabalhar? O que faria se recebesse hoje, agora, R$ 100 mil? As perguntas parecem diferentes, é verdade. Não são. O padrão de vida que você leva diz muito sobre suas atitudes financeiras. É a partir dessas ações que construímos, ou não, nossa independência financeira. Ser livre não tem relação com quantos “isso” ou “aquilo” você pode comprar. Só é rico quem é capaz de viver um padrão de vida sustentável, hoje, amanhã e depois.

Mas como manter um padrão de vida coerente em uma sociedade que se mede pela intenção de pertencimento e ostentação? Se prefere uma reflexão mais amena, como equilibrar desejos, necessidades, manias e exageros?

Disciplina. Organização. Controle.

Falando assim parece uma chatice. As palavras são fortes, carregam um sentido de restrição, mas tudo não passa de uma visão simplista e leiga sobre o que elas realmente representam no dia-a-dia de alguém bem-sucedido. Só entende o poder de transformação dessas palavras quem tem objetivos de vida capazes de despertar-lhes amor, motivação e senso familiar.

O que faz alguém que não sabe onde quer chegar e prefere manter-se no piloto automático? Ora, desdenha de quem tem metas, se endivida e mente, para si e para a família. Estou certo de que você conhece as principais desculpas para não começar a cuidar melhor dos detalhes financeiros da família. Dizem que:

  • “É difícil, complicado”. Gastar é muito mais fácil, confiar na contabilidade mental também;
  • “Dá trabalho”. Anotar, somar, analisar, rever hábitos, fazer provisões, deixar de consumir, tudo isso cansa;
  • “Não dá tempo”. A correria do dia-a-dia é muito grande, hoje se trabalha demais e o pouco tempo que sobra tem que ser usado no bem-estar familiar.

Quanta justificativa furada, não? A vítima vive um pesadelo e implica com quem vive um sonho. Por que ser assim? Defesa? Egoísmo? Não seria melhor assumir a responsabilidade e decidir mudar? Desistir de mudar parece muito mais fácil, infelizmente. A lista de desculpas esfarrapadas poderia ser muito mais longa.

A verdade é clara: quem se comporta como vítima foca sua atenção nos problemas e dificuldades, pensa de forma negativa sobre seu próprio potencial de transformação. Vê no sucesso dos outros a razão de seu fracasso. A vítima sente culpa e inveja em excesso, ainda que não admita.

A essa altura parece que sovina é sinônimo de felicidade. Não é bem assim. Frugal é a palavra que define o estilo de vida sustentável que defendo. Experimente buscar essa palavra no dicionário: moderado, sóbrio. Frugalidade significa viver com coerência, mantendo objetivos como motores motivacionais, respeitando e revendo prioridades. O sovina vive só para economizar, se privando.

O sovina compra o mais barato; o frugal faz uma análise de custo/benefício. O sovina compra estritamente o necessário; o frugal satisfaz seus desejos, mas de forma a respeitar seus objetivos; O sovina avalia só preço e contesta o produto; o frugal contesta o preço de acordo com o produto. O sovina pensa que é disciplinado, quando na verdade é um escravo; o frugal pauta suas decisões de acordo com suas metas e vê no dinheiro um aliado para alcançá-las.

Disciplina. Organização. Controle.

Disciplina para respeitar o padrão de vida, as possibilidades de consumo da família e as necessidades de investimento com foco em objetivos claros. Disciplina para abrir mão dos gastos que não trazem satisfação e redirecionar essa energia para os verdadeiros momentos de felicidade. Disciplina para discutir a tomada de decisão, independente do âmbito.

Organização para manter-se em dia com seus compromissos sem se culpar pela falta de tempo. Organização para ter tempo. Organização para sempre ter tempo.

Controle para medir, avaliar sua evolução e comemorar os passos rumo ao seu sonho maior. Controle para saber exatamente o que precisa ser feito. Controle para dormir tranquilo.

Ainda parece chato? Sinto dizer que liberdade não é poder fazer tudo que quiser. Isso é ser irresponsabilidade. Liberdade é construir patrimônio com o objetivo de ser feliz. Liberdade é estar preparado para fracassar, se levantar, fracassar de novo, insistir. Tudo isso porque a vida é uma sucessão de eventos aleatórios. Muita coisa fora de nossos planos acontece. Para aproveitar ou minimizar essas oportunidades é preciso estar preparado. E ser feliz.

A palavra-chave do dia é coerência. Fazer o possível, dentro de limites claros e constantemente reavaliados. Experimente. Até a próxima.

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Comentários (11) 

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  • Aguiar

    Gostei muito de suas palavras, estou nesta busca, já gastei muito e agora estou no momento de criar valor para meu futuro. Não é fácil perante a várias ten...

  • Ana

    Olá Navarro! Gostei muito do seu texto. Me fez parar par refletir em algumas coisas e deu algumas respostas. Vou tentar aplicar no dia-a-dia. obrigada pela dic...

  • Gilvan Dias

    Muito bom, esse conteúdo que você disponibilizou estar de parabéns pelo trabalho espero que em breve eu possa contar com os seu artigo para poder continuar...

  • Pingback: Disciplina, frugalidade e frustração como oportunidades de gerar riqueza « Você mais rico

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