20.03.2013 - 09h18

A “equação da picaretagem”

Como ter mais dinheiro? Existem milhares de respostas possíveis para esta pergunta, mas talvez a mais óbvia e efetiva seja: “Não perdendo dinheiro”.

O gerenciamento de riscos é uma peça chave em qualquer planejamento financeiro, seja ele pessoal ou empresarial. Em qualquer circunstância, é muito importante controlar as perdas.

Pessoas e empresas perdem dinheiro basicamente de duas formas. Uma delas é por conta de gerenciamento de riscos deficiente. Não nos preparamos adequadamente para contingências e eventos ruins que podem acontecer e acabamos tendo perdas por conta disso. Um exemplo típico: Você foi bancar o atleta de fim de semana, tropeçou, caiu no chão e quebrou a perna. Vai para o hospital e não tem plano de saúde. Resultado? Prejuízo, uma tala de gesso e alguns dias de molho (que podem representar mais prejuízo ainda).

A outra forma de perder dinheiro é, simplesmente, fazendo bobagens. E quer bobagem maior do que cair em um golpe disfarçado de investimento ou oportunidade de negócios e que promete muito dinheiro rápido, fácil e sem risco?

Pois é. Apesar de esse tipo de golpe ser mais velho que “guaraná com rolha” (as famosas pirâmides ou “esquemas Ponzi”), as pessoas continuam caindo nele como se fosse novidade. E isso voltou a ser um assunto “da moda” no exato momento em que escrevo este texto, com a imprensa fazendo várias referências ao que se acredita ser, possivelmente, o maior golpe da história do Brasil.

Quando escrevi meu primeiro livro, chamado “MoneyFit” (publicado em 2010), dediquei um capítulo inteiro a essa questão dos golpes e picaretagens. Como identificar golpes e como não ser vítima das arapucas.

No livro, em determinado momento, eu falo sobre algo que chamei de “equação da picaretagem”, que eu represento da seguinte forma:

Vítima + Picareta + Ambiente Favorável = Picaretagem

A vítima é uma pessoa que tem como atributos a ingenuidade ou a ganância (talvez os dois juntos). O picareta é o indivíduo que tem como atributos a ganância e a desonestidade, podendo tanto ser o “cabeça” do esquema (o “picaretão”) ou aqueles indivíduos que trabalham “no varejo”, tentando arrumar incautos para entrar no golpe, fornecendo dinheiro novo para que a “pirâmide” continue crescendo (os “picaretinhas”).

O terceiro fator é o “ambiente favorável”. Temos um ambiente favorável às picaretagens quando temos uma legislação inadequada e cheia de brechas, autoridades policiais omissas ou deficientes e um sistema judiciário lento e que não pune adequadamente os criminosos.

Uma situação econômica ruim pode potencializar esse “ambiente favorável” aos golpes, principalmente quando afeta negativamente o nível de emprego. Nesse tipo de circunstância, as pessoas ficam mais tentadas a procurar soluções pouco ortodoxas para seus problemas financeiros.

Existem pessoas que realmente “caem como patos”. Se deixam seduzir pelas promessas e acabam entrando com tudo o que têm e o que não têm num esquema furado desses. Mas é surpreendentemente grande o número de pessoas que entram no esquema SABENDO EXATAMENTE o que estão fazendo. Pessoas que sabem que estão entrando numa pirâmide e encaram isso como um “investimento de risco”. Colocam o dinheiro (uma quantia que representa uma perda tolerável) e apenas torcem para que consigam ficar fora da “base” da pirâmide, que é onde está a maioria das pessoas que entram no esquema e que vão terminar sem nada. O que vier é lucro.

Pensando exclusivamente do ponto de vista financeiro, é uma ideia que até faz algum sentido. Tem pessoas que chegam a criar “sistemas” para entrar em pirâmides, definindo parâmetros como a data de criação, o valor “investido” e um prazo previamente estipulado para recuperar o que der e pular fora, deixando o “abacaxi” para os demais.

Pode fazer sentido do ponto de vista financeiro, mas não faz sentido do ponto de vista moral. Esquemas de pirâmide envolvem, necessariamente, colocar outras pessoas na jogada. Pessoas que correrão um risco ainda maior de perder tudo o que colocaram. E muitas vezes essas pessoas não têm nenhuma noção de onde estão entrando, acreditando realmente que aquilo se trata de uma oportunidade legítima e colocando, às vezes, os recursos de uma vida inteira naquela furada.

André Massaro
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11.03.2013 - 09h29

Educação financeira não tem nacionalidade

Os leitores habituais deste blog já devem ter reparado que, com frequência, escrevo sobre coisas que acontecem fora do Brasil. Isso se deve a vários motivos, mas dois se destacam: o primeiro é que acontecem coisas interessantes lá fora, que o leitor brasileiro médio não fica sabendo e que podem fornecer informações e insights importantes para a gestão financeira pessoal. O segundo motivo é que eu fico realmente incomodado quando ouço coisas como “o brasileiro não tem educação financeira”, “o brasileiro não sabe investir dinheiro”, “o brasileiro isso”, “o brasileiro aquilo”…

A educação financeira deficiente e a pouca habilidade no trato no dinheiro não é, nunca foi e jamais será um problema “do brasileiro”. É um problema que diz respeito ao ser humano, independentemente de nacionalidade, gênero ou etnia.

Para (mais uma vez) tentar demonstrar isso, vou colocar a seguir alguns trechos de uma reportagem que li recentemente. Esses trechos foram traduzidos e editados por mim, de forma a ocultar a que país a reportagem diz respeito. Deixarei para divulgar isso no final.

“Um fato inconveniente é que o crescimento econômico está sendo impulsionado principalmente pelo boom das commodities alimentado pela China e seu apetite por matérias-primas e combustíveis”.

“Um outro fator que impulsiona o crescimento é o consumo doméstico. E esse consumo é grandemente facilitado pelo fácil acesso da população a cartões de crédito. Desde a metade da década passada, os bancos têm sido muito eficientes em convencer as pessoas a adquirirem aquilo de que elas não precisam, com o dinheiro que elas não têm, para impressionar pessoas que elas não conhecem”.

“Oferecer crédito barato e de fácil acesso é uma estratégia de crescimento econômico insustentável.”

Declaração do autor da matéria: “Espremido em um enorme congestionamento de trânsito há alguns meses, eu pude ver diversos adesivos nos para-choques traseiros de automóveis sofisticados onde se lia ‘Não bata em meu carro, eu ainda estou pagando por ele’.”

Mas, afinal, de que país é esse que estamos falando? Talvez com exceção desses pitorescos adesivos de para-choques (que eu ainda não vi nada parecido por aqui, mas sei que a maioria dos carros novos que circula nas ruas não está paga), tudo que foi dito se aplica perfeitamente ao Brasil.

Bem, o país ao qual a matéria se referia é a Indonésia, gigante asiático e, assim como o Brasil, uma economia emergente que vem chamando a atenção do mundo. A matéria se chama “A False Hope? Indonesia’s Economic Miracle” (Uma falsa esperança? O milagre econômico da Indonésia) e foi publicada em fevereiro de 2013 pela revista The Diplomat (clique aqui para ler a versão original).

Nós brasileiros não somos “especiais”. Não somos melhores nem piores que ninguém. Somos seres humanos que “trocam os pés pelas mãos” quando se trata de dinheiro e que estão sujeitos às pressões consumistas e sociais como qualquer um, em qualquer país.

André Massaro
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04.03.2013 - 13h16

Banco é lugar de investir dinheiro?

A pergunta que usei como título deste artigo provavelmente será feita com frequência cada vez maior daqui para frente. Estamos “apenas” no início de 2013. E 2013 é o primeiro ano após o evento que, na minha visão, representou a morte e o renascimento do mercado financeiro brasileiro: a mudança nas regras da Caderneta de Poupança em três de maio de 2012.

No exato momento em que escrevo este artigo, ainda se especula muito se os juros vão ou não subir. Ainda que subam, uma coisa não muda: agora não temos mais uma opção de investimento com uma rentabilidade “garantida”, como era o caso da antiga poupança com seu 0,5% ao mês. Os efeitos práticos dessa mudança não foram tão profundos e poderão até ser anulados caso os juros subam, mas o investidor brasileiro “médio” não mais poderá fazer seus planos de longo prazo contando com a certeza de que “pelo menos meio por cento ao mês está garantido”.

A tendência dos juros brasileiros, no longo prazo, ainda é de baixa. Tudo bem, temos a inflação “assustando” e outros fatores que podem impactar as coisas no curto prazo, mas ainda estamos muito descolados dos juros que são praticados no resto do mundo. Em economias desenvolvidas, como EUA, Europa e Japão, as taxas básicas oscilam entre zero e um por cento AO ANO. Algumas economias latino-americanas mais estáveis, como Chile, Peru, Colômbia e México, têm taxas básicas (equivalentes à nossa Selic) entre 4% e 5% ao ano. Observem como ainda estamos bastante acima do que se pratica mundo afora (estamos com 7,25% no momento).

O que podemos aprender observando essas economias mais desenvolvidas é que, em cenários de juros baixos, a vida do investidor fica bastante complicada. Os retornos caem, a volatilidade aumenta  (e o risco também) e o mercado, como um todo, fica muito mais complexo. Em 2002, quando a taxa Selic era de 25% ao ano, bastava ir a qualquer banco e investir em qualquer coisa recomendada pelo gerente que, como num passe de mágica, estávamos ganhando dinheiro. O retorno da taxa era tão alto que sequer sentíamos o efeito dos custos administrativos, dos impostos e da inflação.

Agora é diferente. O dinheiro já não vem tão facilmente e o cliente de banco (em particular aquele de nível socioeconômico mais alto e mais bem informado) já começa a ficar um pouco desconfiado e a fazer questionamentos que antes ele não fazia. Aqui no Brasil, muitos investimentos mais “simples”, que sempre foram populares, já estão rendendo abaixo da inflação (como a poupança e alguns fundos). Não devemos ficar surpresos com isso, basta ver o que acontece lá fora. Nos EUA, por exemplo, um CDB (que lá eles chamam apenas de “CD”) com cinco anos de duração, emitido por um banco de primeira linha, paga menos que 1% ao ano em média. Considerando que a inflação atual deles está em 1,6% ao ano, não é um cenário muito animador, não é mesmo?

Fora do Brasil, em particular nas economias mais desenvolvidas, ir ao banco para investir dinheiro soa como ir à sorveteria para comprar uma pizza. Talvez eles até vendam pizzas na sorveteria, mas não é o “lugar certo” para fazer isso. Quem vai ao banco, nesses lugares, vai em busca de crédito e de serviços bancários ou, no máximo, em busca de investimentos líquidos e de curto prazo para aquela famosa “reserva de emergência”, como as savings accounts (que podemos comparar grosseiramente à nossa caderneta de poupança).

Quem quer investir dinheiro “seriamente” acaba procurando uma empresa de gestão de recursos ou uma corretora de investimentos. É raro recorrer aos bancos, mas isso não significa que eles tenham desistido do mercado. Lá, como aqui, grandes bancos oferecem “consultorias de investimentos” e outras iniciativas para tentar promover seus produtos, mas o cliente mais bem informado e mais educado financeiramente não cede a esses apelos tão facilmente.

E aqui no Brasil, será que vai ser assim no futuro? Difícil saber, mas a história econômica brasileira mostra que nossos bancos (pelo menos os de grande porte) são bastante resilientes. Eles se adaptaram à era da hiperinflação, se adaptaram à subsequente era da inflação baixa, se adaptaram à era dos juros baixos (ou “menos altos”, se preferirem), então é razoável apostar que eles vão conseguir se adaptar a mais essa mudança, até porque, apesar dos pesares, alguns bancos brasileiros são bastante competentes na gestão de recursos de clientes.

Enfim, banco é lugar de investir dinheiro? Se você perguntar a um habitante de algum país do hemisfério norte minimamente esclarecido sobre assuntos financeiros, muito provavelmente a resposta será um sonoro “não”. Lá fora, as instituições que trabalham exclusivamente com investimentos não dão moleza para os bancos comerciais.

E aqui, como vai ser no futuro? Será que nossos “bancões” vão assimilar mais essa pancada e prevalecerão no mercado? Esse é um embate que os investidores deverão acompanhar com muita atenção nos próximos anos e será um importante capítulo da formação do novo mercado financeiro brasileiro, que está apenas começando.

André Massaro
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28.02.2013 - 07h14

Ranking das bolsas mundiais – janeiro de 2013

 

André Massaro
www.andremassaro.com.br

25.02.2013 - 09h28

A única vantagem da caderneta de poupança

Todos sabem que a caderneta de poupança “não é mais aquela”. Desde três de maio de 2012, estão em vigor as novas regras que acabaram com a obrigatoriedade de pagar um rendimento fixo mínimo de 0,5% ao mês. Foi uma medida necessária e positiva para a economia brasileira, que permitiu a subsequente queda da taxa Selic.

A caderneta de poupança era um dos fatores que estavam “travando” a taxa de juros, impedindo reduções significativas. Agora, ao menos em tese, o caminho está livre para outras reduções na taxa básica, sempre lembrando que, na maioria das economias desenvolvidas, as taxas equivalentes à nossa Selic estão hoje próximas de zero.

Com a mudança, a poupança perdeu seu grande atrativo, que era exatamente um rendimento mínimo “garantido”. No entanto, desde a entrada em vigor das novas regras, a captação da poupança vem batendo recorde atrás de recorde, intrigando economistas, especialistas em finanças e a própria mídia.

A única explicação para esse fenômeno é, na minha visão, o hábito e o desconhecimento do brasileiro médio sobre outras opções de investimento, que são tão seguras quanto a poupança e oferecem maior retorno. Afinal, fomos doutrinados ao longo de muitos anos para acreditar que a caderneta de poupança era o investimento mais adequado para o pequeno investidor, e velhas crenças não morrem tão facilmente assim.

Quais são as características da poupança e o que poderia justificar o apego do investidor brasileiro e ela?

- A rentabilidade dela é ruim;

- A segurança que ela oferece é igual aos demais depósitos bancários (Fundo Garantidor de Crédito) e inferior à dos títulos públicos. Não há vantagem aqui;

- A liquidez é boa, mas se perde rendimento caso o dinheiro seja sacado antes da data de aniversário. Existem opções de investimento que oferecem liquidez imediata sem esse inconveniente;

- Isenção de Imposto de Renda. Porém, com a rentabilidade tão baixa, muitos títulos (como alguns CDBs) estão oferecendo retornos maiores mesmo considerando a mordida do leão pela alíquota máxima…

Qual é, então, a vantagem da poupança? Onde ela se destaca? Alguns especialistas dizem que, pela sua simplicidade, a poupança é um bom instrumento para o investidor tomar um primeiro contato com o mercado financeiro e começar a investir, sendo assim um investimento “de aprendizado”… Espera! Como assim? Simplicidade?

A poupança tem TR (Taxa Referencial, uma coisa tão obscura que até profissionais do mercado financeiro têm dificuldade em entender), tem “data de aniversário”, tem taxa de juros que varia em função de outra taxa (a Selic). Onde está a simplicidade? Não consigo entender onde a poupança é mais simples do que, por exemplo, um CDB prefixado.

Mas outro dia estava tendo um pensamento “maligno” (em minha atividade profissional às vezes me deparo com cenários extremos) e lembrei que o dinheiro depositado em caderneta de poupança, até o limite de quarenta salários mínimos, é considerado impenhorável pela Justiça. Enfim, um ponto onde a caderneta de poupança é realmente campeã: Proteção patrimonial (ainda que limitada) em caso de “encrencas judiciais”.

Em circunstâncias normais, considerando as novas regras da poupança, minha recomendação aos investidores é que procurem outra coisa para investir. Porém, se você está encrencado com a Justiça ou está pensando em dar um “chapéu” em alguém no futuro, parabéns, você achou o seu investimento ideal: Caderneta de poupança!

P.S.: Caso eu tenha falhado em deixar clara a ironia deste texto e alguém resolva ter alguma “ideia brilhante” inspirada em algo que leu aqui, quero lembrar que a Justiça brasileira pode desconsiderar a impenhorabilidade da poupança quando há indícios de má-fé (link aqui). Portanto, se fizer, faça bem feito.

André Massaro
www.andremassaro.com.br

19.02.2013 - 08h44

Dívida não é problema

Ao ler o título deste artigo, talvez você ache que eu enlouqueci ou então que sou um sujeito absolutamente insensível, especialmente se considerarmos que mais de 60% das famílias brasileiras têm dívidas (segundo a Confederação Nacional do Comércio em Janeiro de 2013) e que o número de pessoas superendividadas vem crescendo de maneira preocupante.

Mas a verdade é que, independente do grau de sofrimento e angústia que elas causam, as dívidas não são um problema. Elas são a CONSEQUÊNCIA.

O endividamento, em si, não passa de um mero “fenômeno aritmético”. Ganhamos “X” e gastamos “Y”. Se “Y” for maior que “X”, vai faltar dinheiro e essa falta precisa ser coberta de alguma forma, simples assim.

O que causa o endividamento é, então, o desequilíbrio financeiro. O desequilíbrio é o VERDADEIRO problema. E as causas do desequilíbrio financeiro podem ser extrínsecas ou intrínsecas.

Causas extrínsecas

O desequilíbrio tem causas extrínsecas quando a pessoa vive em uma situação de equilíbrio financeiro, mas esse equilíbrio é perturbado por algum evento externo inesperado de efeitos catastróficos, como uma perda repentina da fonte de renda, um problema de saúde complexo (e caro), uma decisão judicial desfavorável ou outros eventos negativos sobre o qual não temos controle.

Causas intrínsecas

Quando o desequilíbrio não é causado por algum evento “disruptivo”, dizemos que ele tem causas intrínsecas. Isso significa, sem meias palavras, que a pessoa endividada é responsável pela sua situação (ainda que não perceba desta forma), seja por adotar um estilo de vida economicamente insustentável (sempre gastando mais do que ganha), seja por puro descontrole financeiro (muito comum hoje em dia, as pessoas vão acumulando “parcelinhas” mensais e, quando se dão conta, estão afundadas em dívidas) ou então por querer dar um passo maior que a perna.

Quando o desequilíbrio tem causas extrínsecas, faz todo sentido a pessoa adotar medidas financeiras, como renegociação de débitos ou troca de dívidas caras por outras mais baratas e de prazo maior, para restabelecer o equilíbrio financeiro que JÁ EXISTIA antes do evento catastrófico. Temos aí um problema puramente financeiro.

Agora quando o desequilíbrio é intrínseco, fruto de um estilo de vida insustentável, adotar medidas financeiras como renegociação de dívidas só vai fazer com que a pessoa leve um pouco mais de tempo para “quebrar” de vez. Isso acontece porque esse tipo de desequilíbrio não é um problema financeiro, é um problema comportamental. Não se pode consertar problemas comportamentais com ferramentas financeiras. Problemas comportamentais são consertados com, bem… Mudanças de comportamento!

Apenas quando o comportamento muda e a pessoa adota um estilo de vida adequado às suas possibilidades é que passamos a ter um problema financeiro, que é resolver as dívidas que ficaram pendentes. Aí sim, e só neste momento, as ferramentas financeiras têm verdadeira utilidade.

Eventos catastróficos acontecem, mas a maioria das pessoas endividadas atualmente é vítima de um desequilíbrio financeiro intrínseco, em geral associado ao consumo inconsequente que temos presenciado nos últimos anos.

O mundo das finanças pessoais é fascinante, pois pelo menos 90% dos problemas financeiros não são verdadeiramente financeiros, e sim comportamentais, emocionais ou até mesmo morais.

Muito se escreve e se fala sobre finanças pessoais. Não faltam blogs (como este), livros, programas de TV, cursos etc. Mas nada disso seria necessário (e praticamente 100% dos problemas financeiros do mundo sumiriam da noite para o dia) se as pessoas passassem a observar e seguir a sabedoria contida em apenas quatro palavras:

“VIVA CONFORME SUAS POSSIBILIDADES”

André Massaro
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14.02.2013 - 08h31

Seu smartphone pode salvar suas finanças

Por esta eu não esperava. O smartphone, essa ferramenta tão útil e viciante que, segundo alguns, é um vilão responsável pela deterioração das relações sociais (afinal, onde quer que a gente vá, as pessoas estão vidradas em seus aparelhos, digitando freneticamente e sem sequer tomar conhecimento das outras pessoas que estão por perto), está se tornando um grande aliado das nossas finanças pessoais. E não estou falando de (mais) um daqueles aplicativos de controle financeiro, que todo mundo concorda que é “muito útil e suuuuuuuuperinteressante”, mas que na prática ninguém usa.

Ganhamos um aliado, mas um aliado involuntário. O smartphone ajuda nossas finanças de uma forma muito simples: nos distraindo. Nos distraindo a ponto de, literalmente, nos “esquecermos de gastar”.

Há poucos dias, uma reportagem do jornal Financial Times (link aqui) se referiu aos smartphones como “antolhos móveis” (apenas para refrescar a memória, antolhos são aquelas “coisas” que cavalos de corrida usam na cabeça para impedi-los de olhar para os lados e, consequentemente, se distrair).

A matéria fala sobre a brutal queda na venda de revistas em bancas e supermercados nos Estados Unidos no ano passado, queda que foi muito mais acentuada naquele segmento de revistas de moda e de fofocas, em que grande parte das vendas é feita em filas de caixas de supermercado e farmácias. O termo “antolhos móveis” foi criado pelos executivos das empresas que publicam essas revistas para explicar como o uso de smartphones está fazendo com que as pessoas não prestem atenção ao que está sendo oferecido nas filas (que é, ou pelo menos era, o local perfeito para induzir as pessoas a comprar “bobagens” por impulso). Fabricantes de outros produtos tipicamente vendidos em caixas de supermercado, como balas e chicletes, reportam fenômeno semelhante.

Então funciona mais ou menos assim: a pessoa fica na fila do supermercado um tempão e, ao invés de pegar uma revista ou um doce, fica se entretendo (ou talvez até trabalhando) com o smartphone. Ela nem sente o tempo passar e com isso um pequeno golpe no orçamento doméstico é evitado.

Obviamente, os profissionais de marketing dessas empresas já devem estar “queimando os neurônios” para tentar achar uma forma de conquistar a atenção das pessoas novamente, mas nesse intervalo tudo que podemos dizer é: quando estiverem numa fila, usem seus smartphones “sem dó”. O bolso agradece.

André Massaro
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13.02.2013 - 16h09

Ranking das bolsas mundiais – dezembro de 2012

Em dezembro ocorreram algumas pequenas alterações no ranking em relação ao mês anterior.

As bolsas de Tóquio e Londres inverteram posições (por uma margem pequena), assim como a bolsa indiana NSE e a bolsa da Suíça.

A BM&FBovespa continua na mesma posição. No geral, um pequeno aumento de volume (em dólares) em relação a novembro.

André Massaro
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31.01.2013 - 08h18

A (nova) era da responsabilidade individual – Parte 4

(Para ver a terceira parte deste artigo, clique aqui)

Se você está lendo esta quarta (e última, espero) parte deste ensaio, é bastante provável que já tenha lido as três anteriores. Se este é o caso, quero antes de tudo agradecer sua paciência, atenção e disposição para chegar até aqui. Ensaios longos e divididos em partes não são uma coisa usual em blogs. Aliás, a maioria dos especialistas em mídia digital diz que o tipo de artigo ideal para um blog de sucesso é aquele curto, rápido, objetivo, fácil de ler e, de preferência, cheio de “dicas” (exatamente o contrário deste aqui).

Minha experiência com blogs (este já tem mais de um ano) diz que essa visão é correta e, de fato, artigos com as características descritas têm mais “audiência”. Porém, às vezes me sinto obrigado a escrever artigos como este, que saem um pouco do padrão, para lançar uma visão que servirá como base para muitos outros artigos que serão publicados no futuro.

Aqui, tratamos de finanças pessoais, investimentos e, principalmente, educação financeira. Educação financeira é algo que diz respeito essencialmente ao indivíduo, à forma como ele gere seus recursos. A educação financeira não tenta consertar o mundo – ela tenta consertar pessoas. O mundo simplesmente “existe” e não está nem aí para o que a gente pensa dele. As circunstâncias econômicas estão fora do controle da maioria dos indivíduos. As taxas de juros podem subir ou cair, as regras previdenciárias podem mudar para melhor ou pior, o desemprego pode aumentar ou não e por aí vai. Obviamente, o indivíduo tem capacidade de interferir no rumo das coisas, mas é uma capacidade limitada na maioria dos casos. A educação financeira tem como objetivo dar poder ao indivíduo para que ele possa sobreviver e, de preferência, prosperar em qualquer cenário econômico. A responsabilidade individual, aliada a uma boa educação financeira, será cada vez mais a chave do sucesso pessoal, pois só assim conseguiremos nos adaptar e lidar com as incertezas de um mundo cada vez mais complexo. De forma análoga, a falta de responsabilidade individual, a negligência, o desinteresse pelas coisas e a crença de que o mundo, o governo ou seja lá quem for vai “cuidar de nós” será o caminho certo para a ruína.

Como vimos ao longo do artigo, o cenário previdenciário era praticamente inexistente na era pré-Bismarck. Aquela era, de fato, uma era de responsabilidade individual. Depois, evoluiu para uma era de responsabilidade social/governamental, apoiada em um sistema de seguridade muito bem intencionado, porém pesado, caro e ineficiente. Agora vemos o sistema entrar em colapso e, gradualmente, por absoluta necessidade e falta de sustentabilidade econômica do sistema, a responsabilidade e os riscos vão sendo “devolvidos” para o indivíduo.

Se formos tentar traçar uma “linha evolutiva” dos produtos previdenciários, podemos começar com o sistema de seguridade pública baseado no esquema de benefícios definidos. Depois vem a previdência complementar, que cada vez mais deixa de ser “complementar” para virar “principal”.

Inicialmente, a previdência complementar seguia pelo modelo de benefício definido, mas ele já foi quase totalmente abandonado em favor do sistema de contribuição definida, onde o risco do mercado financeiro e o risco da longevidade são “empurrados” para o indivíduo.

Será que o sistema público seguirá pelo mesmo caminho, adotando o modelo de contribuição definida? Difícil saber, mas já há algumas experiências em andamento em alguns países (inclusive um deles bem pertinho de nós…).

A alternativa ao sistema de previdência, seja público ou privado, é a pessoa investir de forma autônoma em um portfólio de investimentos que será a base de sua aposentadoria. Diga-se de passagem, muita gente faz isso. Quem não conhece, por exemplo, alguém que comprou imóveis ao longo da vida e hoje vive de aluguéis desses imóveis? Pode ser também alguém que acumulou ações de empresas que pagam dividendos ou outros investimentos. Na verdade, isso não importa neste momento.

Fazer uma carteira de investimentos “autogerida” para a aposentadoria pode ser a melhor ou a pior coisa do mundo, dependendo de quem está fazendo. Quem parte para esse caminho assume o risco do mercado financeiro, da longevidade e também o risco da gestão do dinheiro. Para uma pessoa bem educada financeiramente, que procura gerar a maior renda possível durante a vida ativa, acumula dinheiro e o investe de forma sensata, este é o cenário dos sonhos (e, acredite, isso é possível com conhecimentos financeiros BÁSICOS). Já aquele sujeito financeiramente “bagunçado”, que não entendeu que a responsabilidade é dele, terá sérios problemas se optar por esse caminho.

A autogestão dos investimentos pode ser interessante, entre outras coisas, por reduzir os custos, como taxas de administração e coisas do gênero. E em um cenário de juros baixos e retornos financeiros cada vez mais minguados, esses custos ficam bastante evidentes. Só que um portfólio autogerido não se beneficia de algumas vantagens fiscais desfrutadas por fundos de previdência privada.

Por isso, eu acredito que, em algum momento, seguindo essa “linha evolutiva” dos produtos previdenciários e a lógica de que o indivíduo assumirá cada vez mais a responsabilidade e os riscos da aposentadoria, teremos no Brasil contas individuais de aposentadoria inspiradas nas IRA (Individual Retirement Accounts) americanas, onde o indivíduo deposita o dinheiro e pode investir nos ativos financeiros de sua preferência, seguindo uma estratégia de investimentos personalizada (diferente de um fundo previdenciário onde há um gestor profissional e não se pode interferir no que está sendo feito). Uma conta assim desfrutaria de benefícios fiscais similares aos fundos previdenciários (para permitir um efeito de capitalização mais intenso) e mecanismos para inibir ou mesmo proibir o uso desse dinheiro antes da efetiva aposentadoria. Inclusive, sei que há gente séria no mercado financeiro brasileiro que está estudando coisas nessa linha neste exato momento.

Algo assim seria uma alternativa viável ou mesmo um complemento aos fundos de pensão e previdência abertos. A economia como um todo também se beneficiaria muito, pois seria uma grande contribuição à poupança interna. É mais dinheiro para investimentos e desenvolvimento.

Para o indivíduo, o melhor seria continuar com o sistema de benefício definido, que já sabemos que não é viável. Mas ter a opção de, além de participar de fundos de pensão ou fundos previdenciários abertos, gerir seu próprio patrimônio de aposentadoria, desfrutando de benefícios fiscais, é provavelmente o cenário “menos pior” entre aqueles que são economicamente viáveis. Aumenta a responsabilidade do indivíduo, mas também aumenta seu poder.

André Massaro
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24.01.2013 - 11h44

A (nova) era da responsabilidade individual – Parte 3

(Para ver a segunda parte deste artigo, clique aqui)

No artigo anterior, achei importante falar um pouco sobre as diferenças básicas de um plano de benefício definido e um de contribuição definida, pois em minha atuação profissional de consultoria financeira, seja atendendo clientes independentes ou funcionários de empresas, me chama muito a atenção a quantidade de pessoas que não conhece a diferença desses dois modelos e acaba tomando decisões financeiras que leva a grandes frustrações.

Vamos ver um exemplo típico: no Brasil, os dois produtos mais populares de previdência privada são o PGBL e o VGBL. Ambos são planos de contribuição definida (hoje em dia, planos privados de benefício definido abertos a novos participantes são praticamente inexistentes). O cliente vai ao banco ou ao corretor de seguros com uma ideia na cabeça: “quero me aposentar em vinte anos ganhando cinco mil reais por mês”.

A pessoa que estiver atendendo vai fazer uma simulação (é possível, inclusive, fazer essas simulações nos sites de alguns bancos na internet) e vai dizer “ok fulano, para se aposentar nessas condições, o senhor precisa depositar X por mês no fundo”.

Nosso cliente “típico” só tem uma ideia fixa na cabeça: “cinco mil reais por mês”. Ele não vai prestar atenção quando o atendente estiver explicando as características do produto e vai assinar o contrato de adesão sem ler; afinal “ler é para os fracos”. Ela vai dormir tranquilo, sonhando com sua aposentadoria de cinco mil reais, até que um dia alguém (talvez até eu mesmo) vai explicar para ele que aquela simulação não é uma coisa “garantida” e sim uma estimativa, que considera uma taxa de juros “X” e uma expectativa de vida “Y” e que, se essas condições mudarem, todo o resto muda (para o bem ou para o mal).

Neste momento, o cliente típico fica muito bravo e começa a dizer coisas como “meu banco está me enganando!”. Aí ele resolve ler o contrato (isso se ele não o jogou fora) e descobre que realmente não há nada “garantido” ali. É um momento de grande frustração para o cliente, e provavelmente ele sairá dali falando coisas que contribuirão ainda mais para a má fama do sistema financeiro.

Bem, não quero aqui fazer uma defesa do sistema financeiro. Todos sabemos que o mundo das finanças não é exatamente o convento das freiras carmelitas, mas uma parcela significativa da má imagem do sistema é culpa, sim, do cliente! O cliente que é passivo, que não faz sua “lição de casa”, que não lê aquilo que assina e que alimenta para si expectativas irreais e fantasiosas.

 “Ah, mas o gerente do banco deveria chamar mais a atenção dos clientes para os riscos…”. Sim, ele deveria. E sou até capaz de apostar que ele faz isso, mas é importante lembrar que ele está ali para vender produtos financeiros e não para ser seu amigo.

Como qualquer pessoa que está tentando vender algo, o gerente do banco terá uma tendência a ressaltar os pontos positivos e minimizar os pontos negativos daquele produto. Você acha que isso é errado, antiético ou imoral? Bem, pode até ser mas, se for, então 95% de todas as pessoas que já fizeram uma entrevista de emprego passarão o resto da eternidade ardendo nas chamas do inferno… Porque isso é exatamente o que nós fazemos!

Mais um ponto a favor da responsabilidade individual? Sim, então vamos começar a dar um pouco mais de atenção às coisas que fazemos e parar de acreditar que o governo, os bancos, as empresas e as pessoas em geral têm a obrigação de nos proteger de nós mesmos.

A seguir, fiz um gráfico para demonstrar a evolução da responsabilidade do “sistema” (governos e empresas) sobre o indivíduo. É um gráfico meio tosco, mas acho que ele passa a ideia. Vemos uma grande aceleração no Século XIX e uma tímida inversão de tendência mais para o final do Século XX, que é quando o modelo começou a dar indícios claros de que ia entrar em colapso.

No período pré Bismarck, como já vimos, a responsabilidade pela seguridade era 100% individual e não havia uma rede pública estruturada de proteção social. Depois, os demais estados começaram a aderir ao modelo e um avanço ainda maior ocorreu quando empresas privadas começaram a oferecer planos de pensão para seus funcionários.

O modelo vigente era de benefício definido, mas em algum momento as empresas começaram a “espanar”. Quando uma empresa cria um plano de pensão cujo custeio é feito pelo funcionário, mas ele garante uma renda vitalícia, o que acontece quando esse aposentado vive mais que o previsto? Bem, ele precisa receber o dinheiro, pois há uma obrigação contratual ali. E quem vai pagar essa diferença? Ora, a empresa! Afinal quem assumiu a obrigação?

E de onde a empresa vai tirar dinheiro para isso? Ou vai tirar dos seus lucros ou então vai pedir uma “ajudinha providencial” para o governo…

No caso da previdência pública, a mesma coisa acontece e o governo precisa desviar recursos de outros lugares (educação, segurança etc.) para pagar os aposentados e pensionistas.

Ou seja, no modelo de benefício definido, seja público ou privado, quem paga a conta dessa diferença é VOCÊ! Sim, você mesmo. Quando ocorre um “rombo” na previdência pública, é você, contribuinte, quem vai pagar a conta. Agora, quando o mesmo acontece com uma empresa que precisa cobrir o fundo de pensão dos funcionários, quem paga também é você; afinal de contas, esse dinheiro é subtraído do lucro da empresa e, adivinhe só quem é um dos acionistas daquela empresa que está dando menos lucro do que deveria? O SEU fundo de pensão ou previdência complementar, ou talvez você mesmo, diretamente, se tiver investido em ações daquela empresa através da bolsa de valores.

“Mas e se a empresa recorrer ao governo?”. Bem… Você quer mesmo que eu explique?

Ninguém quer pagar essa conta, por isso empresas começaram a migrar para planos de pensão de contribuição definida, onde elas muitas vezes acabam depositando dinheiro para os funcionários como um benefício trabalhista (o chamado “match”), mas não têm a obrigação de salvar a pele de todo mundo se o dinheiro acabar no meio do caminho, seja por que as pessoas acabaram “vivendo demais” ou porque o desempenho dos mercados financeiros não foi o esperado. Inclusive, algumas empresas (fora do Brasil) foram ainda mais longe e instituíram não fundos de pensão, mas sim contas individuais de previdência como as famosas “401k” dos Estados Unidos, onde o funcionário assume a responsabilidade, inclusive, de tomar as decisões de investimento.

Os governos, usualmente, se movem em ritmo mais lento que o segmento privado; por isso, o modelo predominante ainda é o de benefício definido, mas em alguns países isso já começa a mudar, pois a pressão sobre o caixa público e o contribuinte está insuportável. O Brasil deu recentemente um passo importante nessa direção, ao alterar o sistema de previdência do funcionalismo público para o modelo de contribuição definida, mas a previdência social “geral” ainda é de benefício definido.

As empresas privadas que têm planos de benefício definido, em sua grande maioria, já não aceitam novos contribuintes, apenas aqueles que já estavam lá podem usufruir desse modelo. Inclusive, muitas empresas têm adotado medidas para tentar persuadir os funcionários a mudar de sistema, algumas até oferecendo recompensas generosas para quem aceitar a mudança.

Bem, vendo apenas pelo lado do funcionário, quem está num fundo de pensão de benefício definido tem uma “mosca branca de olhos azuis” nas mãos e deve fazer o que for preciso para continuar no sistema. Já do lado da empresa, cada funcionário que ela consegue transferir de um fundo de benefício definido para outro de contribuição definida é uma “encrenca a menos” para ela.

Continua no próximo post.

André Massaro
www.andremassaro.com.br