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Germano Luders
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Erros financeiros que as mulheres cometem

André Massaro

Antes que alguém me acuse de discriminação, quero avisar que o artigo “erros financeiros que os homens cometem” já está na fila de produção!

Quando me envolvi com finanças pessoais e educação financeira, há alguns anos, eu tinha uma grande dificuldade em entender o conceito “finanças para mulheres”. Para mim, dinheiro nunca teve sexo e era com grande ceticismo que eu via um monte de livros, seminários e outras coisas do gênero, voltados exclusivamente para o público feminino. Para mim, que até então estava com a cabeça mais alinhada com o universo das finanças corporativas e do mercado de capitais, esse papo de “finanças para mulheres” não passava de um oportunismo comercial barato, uma “forçação de barra” desnecessária.

Ainda hoje tenho uma certa resistência, mas progressivamente ela está caindo, à medida que surgem mais evidências de que as mulheres são melhores investidoras que os homens (clique aqui), e também que temos padrões de consumo diferentes.

Então, dando continuidade à nossa série sobre “erros financeiros” (clique aqui para ver o artigo voltado aos erros dos jovens e aqui para o das pessoas mais velhas), vamos ao nosso “terceiro capítulo”, no qual veremos alguns erros financeiros comuns cometidos pelas meninas.

1- “Comproterapia”

Talvez o mais clássico dos erros financeiros atribuídos majoritariamente às mulheres (lembrando que muitos homens são altamente consumistas também).

Precisamos ser extremamente cuidadosos quando as compras viram uma forma de autoindulgência, uma ferramenta para tentar aliviar angústias e outras dores emocionais.

O que vou dizer agora pode ser um pouco desconfortável, mas fazer compras não é “terapia” nem aqui, nem na China e nem em lugar nenhum. Quando compramos desenfreadamente para tentar aplacar nossos “grilos” psicológicos, isso é um vício, e não uma coisa terapêutica.

Comprar simplesmente por comprar, sem ter um motivo (ou então abusar da racionalização e das justificativas furadas para distorcer a realidade e se convencer de que aquela compra era “necessária”), é uma coisa negativa e que pode causar problemas não só na esfera financeira, mas também na familiar, na profissional e às vezes até na esfera legal.

Em situações extremas, esse tipo de comportamento é uma patologia, que exige uma intervenção profissional.

Novamente, ressalto que a “comproterapia” não é uma exclusividade feminina, mas as mulheres acabam sofrendo mais as consequências, até por causa de diferenças no padrão de compras.

2- Evitar o assunto

“Finanças” não é o assunto mais divertido do mundo. Eu mesmo, que sou da área, sou o primeiro a reconhecer. Agora, entre nós, algumas mulheres parecem levar um pouco longe demais a resistência ao assunto, ao ponto de nem quererem ouvir falar…

Quando chegam os extratos bancários por correio ou email, muitas nem abrem para não “se aborrecerem”. E assim o descontrole e o caos financeiro se instalam… (E eu nunca vi a situação financeira de uma pessoa melhorar espontaneamente).

3- Delegar ou “delargar”?

Como consequência do erro discutido anteriormente (de evitar o assunto a qualquer custo), algumas mulheres entregam a sua vida financeira “de bandeja” para outra pessoa, normalmente o marido (quando são casadas). Enfiam na cabeça que “finanças é assunto de homem” e não querem nem saber… Até a hora em que algo dá errado e elas são pegas de surpresa.

Não existe essa coisa de “finanças é assunto de homem”. Aliás, sendo eu um homem que trabalha com finanças, meu conselho às mulheres seria “não confie nos homens para cuidar das suas finanças, pois fazemos muito mais bobagens do que vocês imaginam”!

4- Esquecer que pode viver mais que o marido

Estatisticamente, em praticamente todos os lugares do mundo, as mulheres têm uma expectativa de vida maior que os homens. No Brasil essa diferença é, atualmente, de mais de sete anos em média.

Tudo bem que estamos falando de médias nacionais, mas sete anos são bastante tempo. Se considerarmos que a maioria das mulheres acaba se casando com homens mais velhos (ainda que apenas ligeiramente mais velhos), esse período em que ela pode viver sem o marido (e consequentemente sem a renda dele) aumenta ainda mais.

Este é apenas mais um motivo pelo qual as mulheres devem ser bastante cuidadosas em seu planejamento financeiro de longo prazo.

5- Não saber dizer “não”

Mulheres são geneticamente mais propensas a “tomar conta” das pessoas (é o tal instinto maternal em ação…) e, por conta disso, muitas acabam colocando as necessidades alheias à frente de suas próprias necessidades.

Esse tipo de comportamento, por si só, já é o suficiente para causar grandes estragos financeiros. Mas o estrago pode ser substancialmente maior quando a mulher acaba se relacionando com pessoas cronicamente dependentes, abusivas ou mesmo que agem de má fé.

É aquele namorado que vive endividado (mas que sempre tem uma “grande oportunidade” em vista), o marido “encostado”, o filho que pede (e ganha) tudo que vê pela frente e por aí vai. Isso para não falar em golpistas talentosos e sedutores sobre os quais sempre ouvimos histórias.

Assim como nos artigos anteriores sobre “erros financeiros”, este aqui não é uma lista completa (o que seria impossível); por isso, se você tem algum exemplo de erro financeiro que mereça ser mencionado e que não está aqui, fique à vontade para usar a área de comentários aí embaixo ou então visite a página do blog “Você e o Dinheiro” no Facebook e deixe seu recado por lá!

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