10.04.2012 - 18h04

Projeto REDD por caminhonetes

No dia 9 de abril, foi veiculada uma notícia de que o cacique Marcelo, da tribo cinta-larga, trocou o compromisso de venda de créditos de carbono do tipo REDD (referente à redução de emissão do desmatamento e da degradação florestal) por duas caminhonetes. É importante entender que projetos REDD não são elegíveis no âmbito do Protocolo de Quioto, sendo então desenvolvidos somente no mercado voluntário, especialmente no Voluntary Carbon Standard (VCS).

Os projetos voluntários não necessitam de uma carta de aprovação do governo brasileiro como acontece nos projetos MDL. Contudo, o governo está atento, principalmente a FUNAI. Esses projetos dificilmente irão para frente dado o complexo e sensível mundo das terras indígenas. A FUNAI não permitirá que empresas privadas tirem direitos dos índios. Vale ressaltar que a empresa que deu os carros para o cacique Marcelo, a ViridorCarbon Services, não é brasileira e está procurando investidores no projeto, desde que sua comissão seja de 19,5% do volume financeiro dos créditos de carbono.

09.04.2012 - 10h22

Financiamento sustentável

A empresa Ecofrotas lançou uma linha de financiamento sustentável voltada para que pequenas e médias empresas renovem suas frotas de veículos. Com boas taxas de juros (0,41% + IPC-Fipe), prazo de até 60 meses e carência de 12 meses, a linha visa reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) no do setor de transporte. Vale lembrar que só no Estado de São Paulo esse setor contribui com 40,5% das emissões. Para mim, é um exemplo de iniciativa ganha-ganha, as empresas ganharão e o meio ambiente ainda mais.

05.04.2012 - 12h33

Panamá: índios x UHE Barro Blanco

Há poucos dias, postei uma notícia sobre a contestação do projetos de carbono da Usina Hidroelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Pelo visto, isso não está acontecendo só aqui. No Panamá, a população indígena Ngöbe-Buglé está contestando o registro do projeto da Hidroelétrica de Barro Blanco. Novamente, sem nenhum tipo de julgamento de quem está certo, vale ressaltar algumas das regras ONU para essa questão:

1) O projeto tem que trazer desenvolvimento sustentável para o país e o mesmo recebeu uma carta do governo dizendo exatamente isso.
2) O projeto precisa seguir todos os requerimentos legais do país.
3) A divisão entre potência instalada e área alagada deve ser superior a 4 W/m2.

O projeto foi registrado como 28,8 MW de potência instalada, tornando essa divisão bem superior a 4 W/m2. Contudo, os críticos dizem que o estudo de impacto ambiental apresentado foi para um projeto preliminar no qual a hidroelétrica teria somente 19 MW. Se isso for verdade, o projeto não passaria pelos critérios 2 e 3 e não poderia ter sido registrado.

04.04.2012 - 14h44

Clima, oportunidades e riscos

A Unidade de Inteligência da UK Trade &Investment (UKTI) publicou recentemente um relatório sobre como o mundo dos negócios estão se adaptando às mudanças antecipadas no clima global e as potenciais oportunidades e riscos associados às mesmas. O que mais me chamou a atenção foi o fato nove em cada dez empresas sofreram impactos climáticos nos últimos três anos. Quem tiver interesse em se aprofundar, procure pelo relatório “Adapting to an uncertain climate: a world of commercial opportunities”.

03.04.2012 - 14h46

Créditos na UHE Santo Antônio

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, localizada em Rondônia, está buscando o registro de seu projeto de carbono no MDL. Caso seja aprovado, esse projeto irá gerar cerca de 51 milhões de créditos de carbono.

Diversos órgãos, ONGs e outras organizações são contra a usina e estão discutindo se ela deveria poder ou não receber esses créditos de carbono. Contudo, olhando só a parte técnica e não tendendo a lado algum, é certo que ela possui todas as licenças ambientais e está dentro dos critérios de elegibilidade para projetos de carbono da ONU. Existe emissão na degradação da biomassa que ficará alagada? Sim, contudo, a ONU sabe disso e tem critérios específicos para essa questão. Assim, não há nada errado da hidrelétrica requerer os créditos. Podemos sim discutir a adicionalidade financeira do projeto de carbono.

O projeto sairia do papel se não fosse o incentivo financeiro dos créditos de carbono? Se a resposta for sim, então o projeto não poderia receber esses créditos. Contudo, a prova da adicionalidade é muito discutida, inclusive na própria ONU. Ela está atualmente definindo linhas de base setoriais, onde certos investimentos já seriam adicionais automaticamente.

30.03.2012 - 09h49

MDL mais rápido?

É o sonho de desenvolvedores de projetos, consultores e certificadores e, finalmente, pode ser tornar realidade. O Comitê Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) aprovou padrões para setores industriais, o que tende a agilizar o tempo de registro de um projeto de carbono na ONU. Uma das grandes dificuldades na aprovação de um projeto é a comprovação de uma linha de base de emissão. Essa era específica projeto a projeto.

Agora, a tendência é utilizar as novas linhas de base de emissão padronizadas por setor. Assim, passa a não ser necessário descrever, justificar e validar cada linha de base de projeto individualmente.

29.03.2012 - 09h34

Frotas sustentáveis

A redução de emissão da frota de veículos é um desafio constante, mas não fácil. Usar biocombustível em maior quantidade é sempre ótimo, mas muitas vezes surgem dúvidas quanto à tecnologia. Exemplo: utilizar um diesel com uma maior fração de biodiesel (atualmente utilizamos 5%) iria prejudicar o motor do meu veículo?

Há iniciativas na área de gestão de frotas que merecem a nossa atenção. Existem hoje no mercado dispositivos que permitem saber, em tempo real, o quanto cada veículo está emitindo e o momento certo de realizar o serviço de manutenção.

Há também um novo conceito, o EcoDriving, que busca a capacitação de motoristas para que estes reduzam suas emissões. Mas funciona? Sim. A AES Eletropaulo não só conseguiu uma redução de emissão como também economia financeira de 13% com a gestão sustentável de frota.

28.03.2012 - 09h06

Mercado nacional de carbono

Entre 1997 e 2009, sete países ou governos subnacionais implementaram programas que criaram demandas ou ofereceram guias para o mercado voluntário de compensação de emissão de carbono. Em quatro anos, entre 2009 e 2013, outros nove programas surgiram ou devem ser lançados.

Analisando os programas existentes, o preço médio reportado foi de US$ 11,00 /tCO2e. Em outra palavras, as empresas estão dispostas a pagar o dobro do valor médio (US$ 6,00/tCO2e) dos créditos voluntários existentes mundiais como os do Voluntary Carbon Standard (VCS), desde que esses sejam créditos de programas governamentais domésticos. Por quê? Isso se deve ao fato de que seus benefícios estão associados a clientes e funcionários locais; as compras conectam com as metas governamentais e as compensações dentro de programas governamentais são consideradas de menor risco quando comparadas ao simples fato de se compensar comprando créditos do mercado global.

Um mercado brasileiro vai surgir nos próximos anos. Já está em discussão no governo federal e na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Estamos no rumo certo.

26.03.2012 - 10h37

Dinheiro para projetos verdes

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) cedeu um empréstimo de US$ 100 milhões para o Banco Itaú BBA para financiar projetos verdes no Brasil e em alguns outros países da América do Sul. Projetos que visem a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) podem tirar proveito desse tipo de financiamento, que possui excelentes taxas de juros.

Creio que esse é o caminho certo. Temos, de um lado, o braço financeiro, dando incentivos a projetos verdes e levando em conta variáveis ambientais nas análises de risco. Do outro, a sociedade, investindo em projetos diferenciados e alterando nosso rumo para um futuro de baixo carbono.

23.03.2012 - 09h37

Emissões em trânsito

O cálculo de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) é uma tarefa que requer conhecimento e uso de ferramentas e fatores de emissão apropriados. Aqui no Brasil, são usadas com frequência as metodologias do IPCC, o GHG Protocol e, claro, a ISO 14064-1. Outra fonte muito confiável é o Departamento de Meio Ambiental, Alimento e Assuntos Rurais (DEFRA) da Inglaterra.

Geralmente, utilizam-se os fatores DEFRA aqui no Brasil quando se quer calcular a emissão do transporte de uma carga em um caminhão ou navio que também está transportando outras cargas. Os valores de fatores de emissão DEFRA foram atualizados recentemente. Acesse: http://www.defra.gov.uk/environment/economy/business-efficiency/reporting/