21.06.2013 - 12h13

China cria mercado interno de carbono

O maior emissor de Gases de Efeito Estufa do mundo lançou o projeto piloto de regime de comércio de emissões, que abrangerá até sete áreas em 2014 e tem pretensão de cobrir a China inteira em 2015. Com isso, o governo de Pequim pretende reduzir até 2020 a quantidade de dióxido de carbono emitida por unidade de produto interno bruto em 40% a 45% dos níveis de 2005.

A cidade de Shenzhen, a primeira das sete áreas pilotos (e a menor em termos de volume de emissão de GEE), é uma das zonas econômicas especiais da China, que oferecem facilidades de investimentos à iniciativa privada. Inicialmente, seu programa de cap-and-trade incluirá 635 empresas. A bolsa de Shenzhen negociou 21.112 toneladas de carbono num total de oito operações, no valor de 613.236 yuan, de acordo com um vídeo de apresentação divulgado esta semana.

As primeiras licenças de CO2e foram negociados entre  28 e 30 yuans (US$ 4,83) por tonelada métrica, ou seja, 22% menos do que o preço das licenças europeias, que hoje custam € 4,70 por tonelada (US$ 6,65) na bolsa ICE Futures de Londres, a maior do mundo no mercado de carbono em volume negociado.

As penalidades para o não cumprimento do novo programa de emissões podem ser baixas demais para representar uma ameaça real, de acordo com Tomas Wyns, diretor do Center for Clean Air Policy, que participou como consultor na estruturação do mercado de carbono de Hubei. Se os lucros superam os custos de desrespeitar a lei, as empresas não têm incentivo para reduzir a poluição. Outro motivo de preocupação dos reguladores é a corrupção oficial.

*post desenvolvido por Natalia Pasishnyk, consultora da Keyassociados.

17.06.2013 - 15h01

Novo centro de dados do Facebook utiliza energia renovável

Na semana passada o Facebook abriu seu primeiro centro de dados fora dos EUA. Ao contrário daqueles que estão localizados em território americano, que vinham recebendo várias críticas de ONGs ambientalistas, este é o primeiro a usar 100% de energia renovável.

O novo centro está localizado na borda do Círculo Ártico, em Luleå, na Suécia. Alimentado por energia hidrelétrica gerada localmente, ele usa o resfriamento natural ao invés de unidades de ar condicionado com alto consumo de energia.

O centro é um dos mais eficientes no mundo. Conforme o Facebook, a eficiência de uso de energia da instalação deve ser de 1,07, ou seja, para cada watt consumido pelos principais equipamentos de TI, os equipamentos de apoio consomem 0,07 watts. Para efeitos de comparação, o Facebook ultrapassou até o Google, cujo indicador apresenta valores entre 1,08 e 1,12, enquanto a média da indústria de TI encontra-se na faixa de 1,5-1,8.

Conforme o Facebook, “o fornecimento de energia não é apenas de fonte renovável, mas também é confiável o suficiente para que a quantidade de geradores de emergência fosse reduzida em 70%”.

*post desenvolvido por Natalia Pasishnyk, consultora da Keyassociados.

14.06.2013 - 11h56

Nova York vai investir US$19,5 bi para adaptar cidade às mudanças climáticas

Enquanto o mercado regulado de carbono, que indiretamente visa prevenir as mudanças climáticas por meio do estímulo às reduções das emissões de gases de efeito estufa (GEE), está em baixa, os projetos de adaptação para os efeitos das mudanças climáticas vem ganhando força.

Na última terça-feira, o prefeito de Nova York Michael Bloomberg anunciou um plano de US$19,5 bilhões para proteger a cidade de tempestades e outros eventos extremos provocados pela mudança do clima. Esse é um dos maiores e mais ambiciosos projetos do tipo já proposto para as grandes cidades dos Estados Unidos. Entre outras coisas, ele inclui a construção de paredes removíveis contra as inundações e de casas e hospitais à prova d’água, a adaptação da infraestrutura e sistema de esgoto, bem como a defesa da parte costeira com diques, barreiras, dunas reforçadas etc.

“Em meados deste século, até um quarto da área terrestre de toda a cidade de Nova Iorque, hoje habitada por 800 mil moradores, estará na planície de inundação”, disse Michael Bloomberg, acrescentando que “40 milhas da beira-mar [da cidade] vão sofrer inundações regulares durante as marés comuns”. Segundo ele, não se pode mais se dar ao luxo de debates ideológicos. “A questão principal é que não podemos correr o risco.”

Em outubro do ano passado, Nova York sofreu com o furacão Sandy, que matou 42 pessoas na cidade. As perdas dos Estados Unidos com esse evento somaram US$ 65 bilhões.

*post desenvolvido por Natalia Pasishnyk, consultora da Keyassociados.

11.06.2013 - 10h37

Brasil cumpre 65% de sua meta de redução de emissão de GEE

O Brasil já cumpriu 65% de sua meta de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE). Tudo isso graças à redução do desmatamento na Amazônia, conforme dados divulgados esta semana pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Enquanto as emissões, em 2005, atingiram 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2eq), em 2010 elas recuaram para 1,25 bilhão.

De acordo com as informações mais recentes, as emissões no setor de “uso da terra e florestas” (que inclui o desmatamento) caíram 76%. Por outro lado, todos os outros setores tiveram aumento: energia (21,4%), indústria (5,3%), agropecuária (5,2%) e tratamento de resíduos (16,4%).

Assumida de forma voluntária em 2009 pelo governo, a meta estabelece uma redução das emissões nacionais entre 36,1% e 38,9% até 2020 em relação ao que poluiria se nada fosse feito.

*post desenvolvido por Marco Fujihara, diretor da Keyassociados. 

06.06.2013 - 14h13

Decisão da China cria saia justa para EUA e Brasil*

O anúncio da China, o país do mundo que mais polui, de que deve limitar a partir de 2016 as emissões de gases efeito estufa (GEEs) para parcela das indústrias,  é uma sinalização muito positiva para o mundo, mas cria uma saia justa para algumas nações como Estados Unidos e Brasil. Durante as Conferências Climáticas das Organização das Nações Unidas, a resistência da China em assumir metas de redução de emissões vinha sendo apontada como um entrave para um acordo global sobre essa questão. A proposta dos chineses, anunciada no final de maio, ainda precisa ser aprovada pelo gabinete do governo de Pequim. Entretanto, as chances de aprovação são grandes, pois conta com o apoio do presidente Xi Jinping.

Com o avanço dos chineses, os EUA, segundo maior emissor global, se sentirão pressionados a aceitar também metas de redução. O mesmo deve acontecer com outros grandes emissores, como o Brasil. A situação favorecerá o próximo encontro mundial que tratará do assunto, abrindo a possibilidade para que, desta vez, chegue-se a um acordo que gere de fato reduções relevantes de emissões de GEEs. Espera-se, portanto, que o exemplo chinês se espalhe e floresça.

*post desenvolvido por Marco Fujihara, diretor da Keyassociados.