27.04.2012 - 09h25

Exemplo brasileiro

Enquanto o governo e autoridades brasileiras discutem a regulamentação de um sistema de metas de redução e o estabelecimento de um mercado formal de comércio de emissões no País, o mercado voluntário começa a responder às expectativas internacionais. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui desde 2011 uma norma que regulamenta o mercado voluntário de carbono, a NBR 15.948:2011.

A norma pretende servir como ferramenta complementar a qualquer padrão que possa ser utilizado no Brasil, dentre eles o VCS, VER, Gold Standard e MDL, fornecendo orientações de boas práticas. Algumas das principais vantagens dessa norma para o mercado são a mitigação do risco aos potenciais compradores de certificados, reforço à credibilidade do mercado voluntário e servir como uma garantia adicional à integridade das transações.

No médio prazo, espera-se que a norma possa servir como referência para o estabelecimento de um esquema interno de comercialização de emissões no Brasil e também possa aumentar a participação do País em mercados regulados e voluntários ao redor do mundo.

*Colaboração da consultora Marcela Paranhos, da WayCarbon (mparanhos@waycarbon.com)

26.04.2012 - 11h42

México: lei geral para mudanças climáticas

Na última quinta-feira (19), o senado mexicano aprovou a lei geral para mudanças climáticas, que ainda precisa ser promulgada pelo presidente Felipe Calderón. Da forma como está, a nova legislação propõe metas de corte das emissões de GEE em 50% até 2050, em relação aos níveis registrados no ano 2000. A aprovação representa um importante passo do governo mexicano em direção ao estabelecimento de um mercado interno de cap-and-trade.

Além dos avanços internos para o país, a aprovação da nova legislação representa também um marco, já que será o primeiro país em desenvolvimento a colocar esse tipo de meta de forma clara em lei e fornecer autoridade regulatória explícita para suas agências.
Internamente, a nova legislação irá ajudar o país a transformar seu setor energético, hoje fortemente baseado em combustíveis fósseis.

*Colaboração da consultora Marcela Paranhos, da WayCarbon (mparanhos@waycarbon.com).

25.04.2012 - 10h43

MDL: já são 4 mil projetos registrados

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) tem por objetivo auxiliar as nações que fazem parte do Anexo I do Protocolo de Kyoto a reduzir suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) por meio da promoção do desenvolvimento sustentável em nações signatárias que não fazem parte desse anexo. No último dia 13, o site oficial da UNFCCC divulgou o registro do projeto de numero 4.000 dentro do MDL.

O responsável por atingir essa marca foi o projeto relativo a uma planta de energia eólica na Índia, que tem a expectativa de reduzir 21.807 toneladas de CO2eq por ano. Os 4.000 projetos registrados estão distribuídos em 74 países em desenvolvimento, sendo que 1.500 já foram capazes de emitir 900 milhões de certificados de redução de emissões.

*Colaboração da consultora Marcela Paranhos, da WayCarbon (mparanhos@waycarbon.com).

24.04.2012 - 14h50

Dúvidas na Argentina

O recente anúncio de reestatização de 57% do controle acionário da petrolífera YPF pelo governo argentino em detrimento da Repsol, atual detentora dessa fatia da empresa, trouxe aos mercados uma série de incertezas em relação ao posicionamento da presidenta Cristina Kirchner. Além das consequências políticas e econômicas que estão sendo amplamente discutidas, está em jogo a propriedade dos créditos de carbono relativos a projetos de MDL que a Repsol desenvolveu em refinarias da YPF.

De acordo com informações da agência Thomson Reuters, caso seja concretizada, a reestatização deixará a espanhola Repsol com um déficit de 300 mil toneladas de CERs. A Repsol participa de dois projetos que promovem a redução de emissões de GEE por meio da recuperação de gases residuais de queima.

*Colaboração da consultora Marcela Paranhos, da WayCarbon (mparanhos@waycarbon.com).

20.04.2012 - 11h56

NAMA Database

Foi relançado o banco de dados de NAMA (http://namadatabase.org), que visa acompanhar o desenvolvimento Ações de Mitigação Apropriadas. Essas ações são as metas voluntárias dos países não-anexo I do Protocolo de Quioto!

19.04.2012 - 11h10

252 milhões de créditos de carbono

O dia 30 de abril é a data em que as empresas que participam do comércio de carbono na Europa (EU-ETS) precisam entregar seus créditos para cobrir suas emissões. Para este ano, a expectativa é que sejam entregues cerca de 252 milhões de créditos, representando 84% a mais do que no ano passado. Um dos motivos para o grande volume é o atrativo valor e o fato de os créditos de gases industriais não serão aceitos a partir de 2013.

17.04.2012 - 10h05

Hidrelétrica no mar?

Para que os sistemas de eletricidade se tornem mais limpos e eficientes, existe a necessidade de melhorarmos nossos estoques de energia. Segundo o Electric Power Research Institute (EPRI), empresa independente de pesquisa no setor energético, reservatórios de água são a principal forma de se armazenar energia, contando com cerca de 99% desse insumo armazenado no mundo.

Novas idéias estão surgindo nessa linha. Uma que me chamou a atenção foi a de Gottlieb Paludan, de uma empresa de arquitetura holandesa. Ele sugere a construção de ilhas energéticas, as chamadas Green Power Island. Seriam ilhas com torres de energia eólica e um profundo reservatório de água. A energia eólica seria utilizada para bombear água do reservatório de volta para o mar. Para se utilizar a energia, bastaria deixar a água do mar entrar novamente no reservatório por gravidade e utilizar turbinas para a geração de eletricidade.

Essa solução pode ser um caminho para países que já consumiram seus principais potenciais hidrelétricos e que possuam uma grande costa marítima, como é o caso de Brasil.

13.04.2012 - 14h13

2011 entre os anos mais quentes da história

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou que o ano de 2011 foi um dos mais quentes já registrados na história. Mesmo tendo ficado abaixo do ano de 2010, o ano de 2011 teve temperatura média 0,4 graus acima da média entre 1961-1990. É importante lembrar que o mundo luta hoje contra o aquecimento global devido às atividades antrópicas e que a meta é limitar o aquecimento em no máximo até 2oC até o final do século.

Na velocidade atual, será difícil conseguirmos esse resultado e teremos eventos climáticos extremos, com perdas econômicas e sociais cada vez maiores.

12.04.2012 - 08h56

Ceará eólico e autossuficiente

Eu já postei várias informações sobre o mercado e projetos eólicos no Brasil, mas o que o me chama mesmo a atenção é o que acontece no Ceará. Até 2007, ele dependia totalmente de fornecedores de outros estados, mas, atualmente, já possui 18 parques eólicos, que totalizam 519 MW. Isso representa 56% da produção eólica nacional. O Ceará também já possui outras 69 usinas contratadas, ou seja, mais 1818 MW até 2016. Com essa energia, o estado caminha para ser autossuficiente!

11.04.2012 - 18h24

Projeto solar de 50 MW!

Quem achava que o momento da energia solar não havia chegado e que só existiam pequenos projetos se surpreendeu com o pedido da MPX para ampliação da Usina Solar de Tauá. Esse é o único projeto solar ligado à rede brasileira (SIN) e possui 1 MW de potência. O pedido feito junto à Secretaria de Meio Ambiente do Ceará é para uma ampliação para 50 MW.

Projetos solares possuem grande potencial para projetos de carbono, seja no MDL ou no mercado voluntário. Essa tecnologia ainda é cara e, portanto, o incentivo financeiro dos créditos de carbono é ainda mais importante para que projetos desse tipo saiam do papel, fortalecendo, assim, sua adicionalidade.