09.02.2012 - 14h06

UE e China: guerra no ar?

Na última segunda-feira (06), o governo chinês tomou medidas restritivas em relação à diretiva que entrou em vigor em 1 de janeiro deste ano na União Européia (UE) que obriga todas as companhias aéreas que pousam e decolam em aeroportos dos países que compõem o bloco econômico a participarem do Emission Trading Scheme (EU ETS), o comércio europeu de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Em resposta, o governo chinês declarou que as companhias aéreas chinesas não participarão do EU ETS sem sua autorização oficial. “Esta diretiva viola os princípios de responsabilidade sobre as emissões da UNFCCC, bem como as leis internacionais de aviação”, declarou o governo chinês. Eu seu site oficial, o governo declarou também que “irá considerar uma posição unilateral para proteger os interesses de seus cidadãos e as empresas aéreas chinesas, enquanto estuda medidas adicionais.”

Em linha com a posição da China, o congresso norte-americano também anunciou nesta terça feira (7) que condena a taxa de carbono da forma que está sendo implementada e fará de tudo para combater esta medida europeia.Segundo fonte da agência de notícias Reuters, um grupo de 26 países irá se encontrar no próximo dia 21 em Moscou, na Rússia, para discutir um plano de ação para ir contra a UE. Estes países, inclusive o Brasil, são contrários à diretiva, uma vez que o comércio de emissões é uma medida regional, viola a Convenção de Chicago e as leis internacionais de aviação civil.

02.02.2012 - 14h11

A presença brasileira na Rio+20

É cada vez mais notória a participação do Brasil na discussão de diversos temas de relevância mundial, como rodadas de negociação na Organização Mundial do Comércio (OMC) e agenda ambiental. Uma grande oportunidade para o País tentar consolidar sua imagem de conciliador e fortalecer o posicionamento que tem assumido nas reuniões da Conferência das Partes das Nações Unidas é a realização da Rio+20, em junho deste ano, em pleno momento de furor e incertezas que assolam as grandes economias do G8.

Exemplo da participação e requisição do Brasil foi a publicação do estudo “Pessoas Resilientes, Planeta Resiliente: Um futuro que vale escolher”, produzido por uma comissão de especialistas criada em 2010 por Ban-Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que congrega chefes e ex-chefes de Estado, ministros, empresários e representantes da sociedade civil.

Denominado “Painel de Alto Nível”, conta com a participação da brasileira e ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que fez uma série de sugestões durante a estruturação do documento, que preza pela determinação dos custos que atividades produtivas causam ao ambiente e pela valoração dos serviços ambientais. O relatório sugere aos governos o estabelecimento de padrões de produção e exploração de recursos naturais de maneira sustentável, além da criação de índice de desenvolvimento sustentável até 2014. Ressalta, ainda, a necessidade de uma base científica para as propostas de governança e desenvolvimento sustentável.

De modo semelhante, como era de se esperar, o Brasil possui algumas proposições para a Rio+20 e, como já escrevi neste blog, poderá obter sucesso. Dentre elas, destaca-se a proposição de metas econômicas, sociais e ambientais, que, apesar de voluntárias (provavelmente serão), sinalizarão compromissos assumidos pela comunidade internacional.

De fato, o País vem assumindo um papel de liderança na condução das temáticas a serem abordadas na Rio+20. Por isso, caberá a ele fazer uso da sua habilidade política para manter uma cúpula alinhada proativamente para conquistar uma segunda medalha, após vinte anos da ocorrência da primeira conferência, a ECO 92, há 20 anos. Caso contrário, poderá patinar por mais algum tempo até uma outra oportunidade no avanço das negociações entre as nações na agenda da sustentabilidade.

*Colaboração de Luiz Serrano, consultor da WayCarbon.

16.01.2012 - 13h23

A necessidade e urgência de pensar em se adaptar

Debatemos intensamente aqui sobre como mitigar emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), como anda a disposição do mundo em lidar com o tema, a evolução dos mercados de carbono e como isso impacta nossa competitividade. Isso se faz relevante uma vez que ainda estamos muito longe de regular nossas emissões em um nível que permita um sono tranqüilo, sabendo que não aqueceremos o Planeta acima dos dois graus combinados. De toda forma, está claro até o momento que estamos muito longe dos nossos objetivos, logo estamos expostos aos efeitos das mudanças do clima que devem e vêm acontecendo.

Nesse sentido, cabe abrir uma discussão sobre como estamos lidando com o tema adaptação. Em um primeiro momento, cabe entendermos esse conceito. Ações de adaptação partem de um diagnóstico sobre como uma empresa, setor, instituição ou mesmo região, estão expostos aos efeitos da mudança do clima que devem vir.

O passo seguinte seria entender qual seria a resiliência da situação estudada em relação a essa exposição, ou seja, como uma empresa ou região, por exemplo, está preparada para lidar com essa exposição, uma vez que o efeito seria o cruzamento da exposição com a resiliência. A partir daí, é importante avaliar opções tecnológicas e de equacionamento financeiro para lidar com os efeitos indesejados, buscando minimizar custos e buscar efeitos positivos.

04.01.2012 - 12h56

O mapa do caminho irlandês para 2050

A Agência Irlandesa de Energia Sustentável (SEAI) desenvolveu e publicou recentemente uma série de estudos em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA) traçando as possibilidades e meios para que a Irlanda se desenvolva de forma mais sustentável e limpa. O estudo se concentra principalmente em três áreas de atuação: smart-grid, energia eólica e veículos elétricos.

A maior fonte das emissões das nações européias provém do consumo de combustíveis fósseis (importado) para aplicação nas áreas de transporte e geração de calor. Assim, as três áreas nas quais foca o estudo indicam caminhos que possibilitarão à Irlanda que sua eletricidade, oriunda atualmente de termelétricas fósseis, seja gerada cada vez mais por meio de plantas eólicas on-shore e off-shore e gerenciada com tecnologias smart-grid.

A idéia do estudo atual é complementar os estudos feitos pelas mesmas agências nas áreas de geração de energia oceânica, bio-combustíveis e também eficiência energética e que foram publicados em novembro de 2010. O mapa do caminho (tradução do inglês “roadmap”) demonstra o potencial que o país tem para explorar positivamente seus recursos energéticos internos, reduzir as emissões de CO2, diminuir a dependência de importação de combustíveis fósseis e a criação de empregos na economia de baixo carbono.

29.12.2011 - 15h03

Temos que imaginar um futuro diferente

A frase “Temos que imaginar um futuro diferente” foi dita por Ban Ki-moon, Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto falava sobre a participação popular na organização da Conferência Rio+20, que será realizada em junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro. A 1ª Conferência de Meio Ambiente realizada pela ONU no Rio ocorreu em 1992 e ficou mundialmente conhecida como ECO 92. O evento foi um divisor de águas na área da política ambiental internacional por ter sido ali o início da Convenção de Mudanças Climáticas (UNFCCC), da Convenção sobre Diversidade Biológica (UNCDB) e da Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD).

No entanto, passados quase 20 anos desde a ECO 92, ainda falta muita coisa a ser feita pelo meio ambiente e pela inclusão da população nas decisões sobre o futuro da humanidade. Ainda há esperança? Sim, há! Não podemos de modo algum pensar que está tudo perdido, pois, se assim o fizermos, deixaremos de aproveitar a chance de utilizar o conhecimento científico acumulado até hoje para construir uma civilização mais equânime e sustentável.

Há de se tomar consciência de que muitas das nossas esperanças não podem ser depositadas nas mãos dos nossos representantes, pois eles têm limitações tanto quanto cada um nós. Dessa forma, temos que buscar vias que possibilitem a participação qualificada de todos e todas nos processos decisórios para que mais vozes sejam ouvidas e melhores decisões sejam tomadas.

23.12.2011 - 10h07

O Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

No dia 2 de dezembro foi publicada, no Diário Oficial da União, a Lei nº 12.533, que decreta 16 de março como o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Segundo o texto da lei, “as escolas promoverão atos, eventos, debates e mobilizações relacionados a medidas de proteção dos ecossistemas brasileiros”.

A idéia é boa e, se bem utilizada, pode trazer ganhos futuros, ajudando a mudar o comportamento das novas gerações. No entanto, refletindo acerca das inúmeras datas comemorativas instituídas em nosso calendário, me pergunto: o Dia do Índio (19 de Abril) tem ajudado a divulgar efetivamente a história, o sofrimento, a opressão e as demandas indígenas? Foram criados meios que propiciem a eles as condições para uma sobrevivência digna, física e culturamente?

E o Dia da Consciência Negra (20 de Novembro), que é comemorado quase que exclusivamente pela população negra, em vez de ser uma data de celebração multirracial da vitória de todos os brasileiros sobre a escravidão? Ou o Dia Mundial das Florestas (21 de Março) ou o da Árvore (21 de Setembro)? Têm sido bem “comemorados”? Alguém sabe que o Dia Mundial dos Oceanos (08 de Junho) existe?

15.12.2011 - 17h35

Tudo depende do humor de quem olha

Após as notícias de Durban, a vida segue e a expectativa era sobre como o mercado absorveria e refletiria as decisões escritas lá. No primeiro momento houve uma reação positiva em termos de preços de carbono, o que pareceu estar em conformidade com as expectativas gerais, mas logo em seguida os preços despencaram. Quais seriam as explicações para o menor preço de carbono desde o início de operação desse mercado? E por que se preocupar com isso?

Tentando responder de trás pra frente, a importância está na continuidade e na confiança em instrumentos de mercado como armas efetivas de redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).Digo isso porque esses instrumentos foram os mais efetivos na contribuição para reduções de emissão de forma sustentável até o momento, só perdendo para as crises econômicas que derrubaram consumo de energia em países desenvolvidos, o que convenhamos, não é sustentável. Deixar esse mercado virar pó é o mesmo que matar o formato que mais entregou resultado e afastar investidores e empresas do mesmo por um bom tempo.

A segunda pergunta é mais complexa de responder e até certo ponto está atrelada à crise que vem derretendo economias desenvolvidas, principalmente na Europa. Queda de consumo de energia e derrubada de preço do petróleo contribui para esse cenário de preço, mas outras causas existem. O mercado, nos últimos dois anos especialmente, tem sido mantido por operações de tesouraria que visam comprar carbono agora e realizá-los no futuro, quando os preços estariam em alta. Ou seja, a expectativa de preço futuro garante o preço presente, e essa expectativa é altamente sensível à percepção de riscos. Com um cenário pessimista em relação a diversos fundamentos da economia europeia, os “players” do mercado de carbono passam a enxergar mais o lado negativo das coisas, o que leva a uma avaliação de riscos mais conservadora e uma derrubada de preços.

12.12.2011 - 17h17

O significado das decisões na COP 17

Com a decisão de formar um acordo global com metas legais para gases de efeito estufa (GEE), a criação de um fundo verde de US$ 100 bilhões anuais (ambos a partir de 2020) e a extensão do acordo de Quioto entre alguns países, a COP 17, em Durban (África do Sul) terminou na última sexta-feira com algumas resoluções decisivas para a proteção do clima. Esses movimentos têm pelo menos duas implicações importantes.

A primeira é que, a partir de 2020, iniciaremos finalmente uma reformulação séria da economia global, pois, entrando em vigor com atraso, as metas para a redução de GEE vão ter que ser ambiciosas para gerar efeito. A segunda implicação é que, até 2020, será mantido pelo menos o status quo referente a tecnologias ambientais, embora, de certa forma, entraremos em uma longa fase de transição, em que alguns países tentarão avançar e antecipar mudanças mais profundas, enquanto outros irão acelerar a implementação de tecnologias envelhecidas, como termelétricas a carvão. 

*Colaboração do consultor Martin Studte, da Unidade de Negócios de Sustentabilidade da Keyassociados.

12.12.2011 - 15h47

Durban: boas e más notícias

Domingo, 6 horas da manhã em Durban e começa a plenária que encerraria a 17a Conferência das Partes sobre mudança do clima. Sob a ótica dos negociadores, que vinham de duas COPs com resultados muito ruins – a de Copenhague, que pôs em xeque o modelo multilateral da ONU, e a de Cancún, com avanços tímidos de pouca relevância, os resultados na África do Sul foram um gol de placa, em especial para a União Europeia.

Em uma só tacada, o bloco econômico europeu manteve o segundo período de compromisso de Quioto, ainda que enfraquecido pela ausência de alguns países importantes como Japão, Rússia e Canadá, como também amarrou um compromisso de um novo acordo com participação ativa de países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia, além do desenvolvido Estados Unidos.

Do lado negativo, realmente os resultados da convenção não endereçam os problemas com a força que deveria, não garantem que vamos conseguir limitar o aumento de temperatura nos dois graus Celsius acima da temperatura no período pré-industrial e mesmo o modelo multilateral ainda permanece sob suspeita. A falta de ambição realmente é um problema e a forma em que os textos saíram deixam dúvidas no ar.

09.12.2011 - 12h49

O dia D de Quioto e outras definições

Chegou o dia das definições em Durban. Normalmente, essas definições não necessariamente são fechadas hoje, podendo se estender até amanhã, o que é mais provável. Isso porque alguns espinhos ainda precisam ser tirados do caminho e posições precisam ser revistas.

No âmbito do Protocolo de Quioto, a definição do segundo período de compromisso dirá se teremos uma sobrevida do protocolo até que um novo acordo seja negociado, até 2020, provavelmente. Essa é a proposta da União Europeia, que vem ganhando cada vez mais convergência de outros países.

Brasil e China parece toparem, os Estado Unidos em sua última conferência de imprensa disse que pode ser, mas como disse o representante das pequenas ilhas, não adianta dizer para a imprensa, e sim dizer na sala de negociação e colocar no texto final. Ainda, a Índia parece também distante, mas pode ser trazida mais para próximo do centro pela influência dos demais países do BASIC. Como cartada final a União Europeia disse que essa proposta vale se os grandes emissores se engajarem, e nisso está o fiel da balança.