Tenho 10 anos de carreira e nunca preparei um currículo | EXAME.com
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Tenho 10 anos de carreira e nunca preparei um currículo

Fernando Mantovani

De tempos em tempos, chega ao mercado um perfil particular de profissional: pessoas com mais de 10 anos de carreira que nunca prepararam um currículo ou fizeram uma entrevista de trabalho na vida. Em geral, o primeiro emprego foi originado a partir de um estágio ou programa de trainee e a partir daí o profissional desenvolveu a carreira dentro de uma única empresa, seja na mesma função, seja em posições ou áreas diversas. Fato é que processos seletivos de estágio/trainee e recrutamentos internos são bem diferentes dos processos de recrutamento profissional. As exigências e a forma de aplicação são outras.

A primeira dificuldade desses profissionais quando vão a mercado em busca de recolocação é como preparar o currículo. Certa vez, analisei o CV de uma jovem profissional que, nos seus quase 30 anos, tinha desenvolvido a carreira dentro do mesmo grupo empresarial. Ao longo de 10 anos, havia evoluído hierarquicamente e passado por algumas das companhias do grupo.

A forma como ela tinha estruturado o currículo parecia que não parava em emprego nenhum. Para cada passagem apresentava o nome de uma empresa diferente sem identificar que se tratava de um conglomerado e que as experiências, relativamente curtas, faziam parte de um projeto maior. No caso, eu apenas estava dando uma assessoria para a profissional, se fosse um processo de recrutamento real, em que ela submetesse o currículo daquela forma, provavelmente não seria selecionada para seguir adiante.

Outro ponto desafiador para esse perfil é o momento da entrevista. Mesmo que a pessoa tenha mudado de área ao longo de 10 anos em uma mesma empresa, de certa forma ao se candidatar para oportunidades internas, havia um sólido histórico a seu favor. Em um processo seletivo de mercado, ela precisa provar para um desconhecido que é o profissional ideal para preencher a vaga. O nervosismo natural desse momento aliado à falta de experiência nesse tipo de conversa podem acabar prejudicando o candidato.

Ter estabilidade no currículo é sim muito importante para a carreira. Isso não quer dizer que se deve ficar totalmente à parte do mercado de trabalho. Não sou muito a favor do “teste de carreira”, quando a pessoa participa do processo seletivo só para saber se está bem avaliada. Há outros meios de se atualizar em relação às tendências de recrutamento e seleção, desde como redigir o currículo até a fase de entrevistas. A internet tem materiais ricos a esse respeito. É bom sempre estar preparado, nunca se sabe quando vai precisar colocar esses conhecimentos em prática.

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