Startup Blog

25.09.2013 - 19h35

Você já fracassou hoje?

Recentemente me deparei com esse genial infográfico do Funders and Founders, que lista os muitos fracassos que empreendedores, escritores e inventores de sucesso amargaram ao longo de suas trajetórias. O honorável Sir Richard Branson, fundador do grupo Virgin, por exemplo, falhou “apenas” 400 vezes antes de acertar:

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Inspirada por esses fantásticos números, resolvi compartilhar aqui com vocês minha própria história de fracasso – e um pouco do que eu aprendi com ela.

Tudo começou pouco mais de um ano atrás, quando eu era uma jornalista com mais de 10 anos de carreira, trabalhando aqui neste mesmo site, como editora de Economia – um posto cobiçado por muitos colegas de profissão, em uma publicação referência no mercado. E fazia o que sempre adorei fazer: escrever.

Até que um belo eu decidi que o que eu queria fazer de verdade era outra coisa. Eu queria empreender. Na verdade a decisão não foi assim tão repentina, nem tão simples (quase nada na vida é).

A semente havia sido plantada anos antes, quando comecei a cobrir empreendedorismo e startups, também aqui neste mesmo site. Foi conversando com investidores e empreendedores que eu percebi que tinha muito em comum com eles, em especial, o desejo de inovar, criar, correr riscos e de mudar o mundo.

E decidi colocar a mão na massa. Junto com dois amigos, comecei a trabalhar em um projeto de startup. Em junho de 2012, achei que era a hora de deixar meu emprego para me dedicar a ele e mergulhar de cabeça no empreendedorismo.  Era o princípio do meu primeiro fracasso, mas também o início de ciclo de muitos aprendizados, alguns dos quais, compartilho aqui com vocês:

Fracassar é ótimo

O melhor conselho que eu já ouvi de um investidor foi: “só tem uma coisa melhor para um empreendedor que fracassar: fracassar rápido”. E foi isso que eu fiz. Logo que saí do meu emprego, tive que encarar a dura realidade de que a startup que eu tinha criado não ia pra frente.

Os motivos foram vários e não cabe aqui falar de cada um deles – talvez em um post futuro –, mas o fato é que em pouco tempo tive que tomar a decisão de abortar a missão. Não foi fácil, mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Nos poucos meses de vida do projeto, aprendi muito sobre como validar uma ideia, como criar um produto, como gerenciar um projeto, como abrir uma empresa (e todas as burocracias envolvidas) e como fechar uma empresa (mais burocracias ainda). Foram alguns acertos e muitos erros. Cada um deles me ensinou lições valiosas.

Fracassar é barato

O melhor de tudo é que fracassar no mundo digital é relativamente barato. Obviamente, não estou dizendo que não custa nada. Dediquei muito tempo, muita energia e algum dinheiro ao projeto. Mas não considero que tenha saído perdendo. Pelo contrário. Tudo que eu aprendi nesse curto período valeu mais que qualquer MBA da vida (e definitivamente custou bem menos).

Além disso, fracassar hoje é comparativamente muito mais barato que no passado. Basta lembrar dos prejuízos milionários que as pontocom que quebraram em 2000 amargaram.

Abraçando a filosofia lean e tirando proveito dos baixíssimos custos de hospedagem e dos atalhos que temos hoje para criar produtos digitais (como templates prontos para WordPress, ferramentas de landing page, crowdfunding, etc.), é muito mais barato tirar uma ideia do papel e testar se ela funciona antes de sair gastando milhões com ela.

Fracassar é só o começo 

Muita gente encara o fracasso como o fim da linha. No meu caso, foi o começo. Foi o que me abriu horizontes para outras oportunidades e me ajudou a ver para onde fazia mais sentido ir. Acima de tudo, me ajudou a entender o que eu não queria e o que eu não podia fazer.

Um exemplo: meu projeto de startup “fracassado” era na área de educação – um assunto pelo qual eu sou apaixonada desde sempre, mas um meio no qual eu transitei pouco. A princípio, isso não me parecia um problema. Mas percebi que, na prática, faz toda diferença entender a dinâmica e ter uma boa rede de contatos no mercado em que você vai atuar.

Também descobri que, às vezes, a oportunidade está batendo à sua porta e você não consegue enxergar. Ouvi certa vez de um colega empreendedor que quando você está perto de mais de uma coisa, fica difícil enxerga-la. Faz sentido. Encoste o nariz em uma parede e tente vê-la como um todo. Impossível. Mas se afaste um pouco e tudo ficará mais claro e nítido.

E não há nada como um bom fracasso para fazer com que você dê vários passos atrás e repense tudo.

Por isso, meu humilde conselho para que você que quer empreender, mas tem medo de errar é: tente e, se tiver que fracassar, fracasse. Mas fracasse com prudência e fracasse rápido. Logo você estará pronto para levantar e olhar tudo de uma nova perspectiva – e, quem sabe, acertar na próxima.

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