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Ser tecnólogo é válido?

Sidnei Oliveira

Nos últimos anos, acompanhamos um considerável crescimento na fundação e proliferação dos cursos de graduação tecnológica, os famosos tecnólogos. Esses cursos possuem rápida duração (geralmente de dois anos), prometem foco em aspectos técnicos e práticos, custos menores em relação aos tradicionais cursos de graduação (bacharelados e licenciaturas) e maior objetividade, alegando serem ideais para a atual situação e exigências do mercado.

Segundo dados do Censo Educacional de 2009, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), as matrículas nos cursos de graduação tecnológica no Brasil subiram de 81,3 mil em 2002, para 680,7 mil no final de 2009. É um crescimento de quase dez vezes durante o período pesquisado e, desde a publicação desse relatório, esse número continua aumentando por um conjunto de fatores.

Na opinião de Diego Torres, redator e roteirista, o mercado acenou uma carência emergencial de mão de obra específica, por isso melhorou o nível dos salários e de carreira para quem tivesse uma formação qualificada. Ele constatou: “Os profissionais, cada vez mais apressados em ascender profissionalmente, buscaram opções práticas de formação para atender à necessidade do mercado, enxergando boas possibilidades de crescimento. Foi nesse momento que as instituições de ensino superior perceberam uma oportunidade de aumentar o número de matrículas (ganhos) e viram nos tecnólogos a solução imediata para esse dilema, vendendo um “hibridismo suprassumo” entre o ensino específico e a fundamentação das tradicionais graduações, com a praticidade, especificidade e objetividade dos cursos técnicos”.

A fusão desses elementos foi amplamente aceita e o resultado não poderia ser diferente: criou-se um novo universo educacional com a eclosão dos tecnólogos no Brasil e, em meio a esse novo cenário, há um debate importante no mercado e na academia sobre as vantagens e desvantagens dos cursos tecnológicos.

Por ser um curso com uma evidente característica pragmática, há quem entenda que o aluno/profissional que ingressa no tecnólogo perde uma carga significativa de conteúdo, conhecimento teórico e, principalmente, capacidade analítica, que seriam muito importantes para maior qualidade na estruturação de sua vida profissional e pessoal.

Já os defensores dos tecnólogos acreditam que esse novo nicho de formação está emparelhado com o dinamismo do mercado e proporciona uma sólida oportunidade de o profissional começar a galgar cargos e notoriedade mais cedo do que o convencional.

Mauricio Sampaio, educador e pedagogo, apresenta uma visão bastante lúcida e argumenta: “O que tenho visto é que o curso tecnólogo, hoje, se tornou a primeira opção para muitos jovens que estão iniciando a vida acadêmica. Sem dúvida, para as pessoas que precisam de uma colocação rápida no mercado, até por questões financeiras, o tecnólogo é um excelente caminho, porém, o curso tradicional, tanto bacharelado como licenciatura, devem fazer parte do projeto de qualquer estudante. Sempre defendo esta tese, a tese de que existem prioridades e o tempo certo na vida. Não acredito que um caminho iniba o outro ou seja mais prejudicial, creio que existem momentos certos para escolhas certas”.

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