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Desenvolver talentos ou importar?

Sidnei Oliveira

Muito se fala da falta de talentos nas mais diversas áreas de atuação. Ao mesmo tempo em que isso acontece em nosso país, lá fora, os jovens estrangeiros começam a olhar o Brasil como uma oportunidade de crescimento profissional. Especialistas alertam para as grandes tendências do mercado de trabalho e mostram oportunidades nas áreas de Tecnologia da Informação, Infraestrutura, Petróleo e Gás, Sustentabilidade e Terceira Idade.

Tadeu Patané, especialista em carreiras e profissões, diz que faltam mãos para dar conta dessa nova demanda. Ele exemplifica: “Segundo a FINEP – Agência Brasileira de Inovação –, o Brasil sofre com a falta de engenheiros, área considerada estratégica para o atual momento do país. Ainda, de acordo com a Consultoria IDC, existe atualmente no Brasil uma carência de cerca de 39,9 mil profissionais de tecnologia. E até 2015, esse número deve crescer para 117 mil vagas. Com esse cenário é evidente que, cada vez mais, as empresas de Recursos Humanos busquem, nas universidades, uma forma de atrair seus melhores alunos para participarem dos programas de estágios e trainees em grandes empresas, mas ainda assim, não é suficiente”.

Do outro lado, as escolas se veem obrigadas – e que bom que isso acontece – a realizar trabalhos de orientação profissional para ajudar os alunos a escolherem sua profissão com mais segurança. Pesquisas realizadas pela Teenager Assessoria Profissional, com jovens de até 17 anos, apontam suas principais dúvidas no momento de escolher a profissão: como está o mercado de trabalho em que pretendo atuar? Como é o dia a dia do profissional? Como saber se tenho o perfil adequado para tal?

Para Bruno Junqueira, responsável pelos programas de jovens talentos na Natura, a questão tem origem na base educacional: “Partimos do princípio de que o aluno já tem muito bem resolvido o seu caminho de carreira. Só que, na verdade, pairam mais dúvidas que certezas, portanto, é essencial que, além do conhecimento técnico, o assunto em pauta seja aprender a viver e conviver em um mundo cada vez mais competitivo”.

O Brasil é a “bola da vez”! Está na hora de as empresas começarem um relacionamento com os jovens ainda nas escolas. Se uma empresa de T. I. reclama que não terá profissional suficiente em 2020, por que não começar um trabalho de preparação, ainda que seja dentro das escolas? Levar informação aos jovens sobre a área, o mercado, o perfil, é, sem dúvida, valorizar o profissional do futuro.

Para Bruno temos que ter visão de longo prazo: “Creio que o Brasil, principalmente em educação, ainda apresenta sérios reflexos de país colonizado e isso dificulta uma atitude mais protagonista”.

Tadeu conclui: “É sabido que um jovem que escolhe sua profissão de forma consciente da decisão aproveitará melhor seu curso superior e será um profissional talentoso e bem-sucedido. Bom para ele, bom para a universidade, bom para a empresa, bom para o Brasil, bom para o mundo.

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