Blog do Sidnei Oliveira

26.03.2012 - 11h21

A Comunicação nas Lideranças: eu falo, tu interpretas…

Comunicar-se bem demanda, antes de tudo, aprender a ouvir e compreender a intenção do outro, inclusive, pelo que não é falado. Aliás, as palavras representam apenas o que está na superfície. O corpo ilustra aquilo que desconforta e não consegue ser expresso. O que não é dito, mas fala muito mais. Esse processo requer um conhecimento no qual nem todo líder é versado.

A comunicação torna-se fluída somente quando o ponto de vista do outro é compreendido e acolhido, independente do quão diferente possa ser das convenções em pauta. Quando a realidade do outro consegue ser entendida, a linguagem é usada com muita precisão e promove resultados bastante positivos no processo de entendimento entre o líder e seus colaboradores.

Quando um líder deseja que as pessoas ao seu entorno tenham a obrigação de saber interpretar o que ele quer dizer, está, na verdade, contribuindo para que ocorram ruídos e bloqueios no processo de comunicação. Afinal, se a boa comunicação é privilégio de poucos, o que dizer da leitura de mente.

Segundo pesquisa realizada pela DMRH, empresa de consultoria em recursos humanos, “47,9% dos profissionais brasileiros estão insatisfeitos com a comunicação no trabalho, e 60% não entendem quais são as suas metas dentro da empresa”. Esse número sugere uma atenção especial quando vinculado à capacidade de realização das pessoas, as quais precisam necessariamente entender o que e como fazer para que possam desempenhar o melhor de si mesmas.

Se o líder pretende conquistar a habilidade de bom comunicador, é bom estreitar vínculos com seus colaboradores para entender como suas necessidades e expectativas influenciam a forma como apreendem e transmitem suas mensagens, antes de ceder ao impulso de imputar aos mesmos o insucesso dos resultados.

O líder, antes de comunicar-se com sua equipe, deve assegurar-se, sempre, de que sua fala está coerente com a mensagem que deseja transmitir. Nesse contexto, pensar previamente e adequar o pensamento à escuta do grupo ajuda a organizar as etapas da conversação para que sua fala seja entendida e as pessoas que o escutam acompanhem e compreendam, com segurança, o conteúdo comunicado.

É valido ressaltar, também, que as palavras sem sentimento tornam-se vazias e sem conotação, portanto, é essencial considerar o conteúdo emocional da mensagem. Quando as pessoas sentem que o que está sendo dito é verdadeiro, acatam a mensagem com mais facilidade. A autenticidade do líder dá credibilidade a mensagem. É imperativo que suas ações ilustrem sua fala.

A consistência do discurso está diretamente vinculada ao sentimento impresso na transmissão da mensagem, a qual torna-se convincente apenas quando permeada pelo sentimento sincero de quem fala em convergência com a pessoalidade de quem ouve.

Nem todas as mensagens vestem todos os ouvidos. A comunicação, portanto, deve ser customizada.

Waleska Farias

Waleska expõe com excelência um tema tão importante não somente nas relações profissionais, mas em qualquer tipo de relação. E mais: encerra o artigo com a importante colocação “a comunicação deve ser customizada”. No ambiente profissional, por exemplo, a comunicação com o líder poderá ser de um modo e em um happy hour com o mesmo profissional, poderá ser de outra forma. Portanto, o ambiente, a pessoa e o bom senso determinarão como personalizar essa comunicação.

Carl Gustav Jung, psicanalista analítico, falava que o ser humano utiliza de personas para uma adaptação social. Personas são como máscaras, ou seja, características desenvolvidas para os diferentes “papéis” que exercemos em nossos meios. Uma mesma pessoa age diferentemente no papel de mãe, esposa, profissional, aluna e por aí vai. Portanto, desempenhar diferentes papéis e comunicações customizadas é essencial, mas com o cuidado de não perder a própria essência jamais!

Geraldine Ravaglio

Para que a boa comunicação aconteça é preciso que ela esteja associada a outra palavra que é coerência. Não há como considerar uma mensagem verdadeira sem que ela esteja envolvida com uma atitude coerente, pois realmente há muito mais em uma mensagem do que seu próprio conteúdo dito.

Em tempos de relações virtuais, a comunicação torna-se um processo ainda mais complexo e é necessário dar um peso muito maior às interpretações possíveis para cada mensagem que transmitimos, principalmente para as “entrelinhas”. Afinal, nem sempre é possível demonstrar coerência apenas em uma mensagem, mas sim em todo o estilo de vida que se leva.

 Sidnei Oliveira

Waleska Farias, Coach e Consultora de Gestão de Carreira e Imagem. Pós-graduanda em teoria psicanalítica (UVA). Graduada em comunicação social com especialização em relações públicas e marketing.

Geraldine RavaglioPsicóloga e Psicoterapeuta (Gestalt Terapia), seis anos de atuação em Recursos Humanos e Consultora da Kantu Educação Executiva.

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