Primavera Árabe e Outono Brasileiro | EXAME.com
São Paulo
Germano Luders
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Primavera Árabe e Outono Brasileiro

Danilo España

“O outono chegou. E as folhas já secas que não pertencem mais à grande árvore se destacam naturalmente, deslizam com a gravidade ao chão, onde se tornarão parte do todo novamente.”

Assistimos há pouco a Primavera Árabe e agora chegou a vez do Outono Brasileiro. A Primavera Árabe aconteceu durante nossa volta ao mundo, eu e a Luah estávamos na Jordânia e tínhamos o Egito como próximo destino a ser visitado, mas os ânimos estavam bem exaltados por lá. Ruas viraram cenário de guerra, o museu do Cairo estava fechado e a situação era bem complicada. Como não conseguimos cancelar nosso voo para o Cairo, pois ele fazia parte da nossa passagem volta ao mundo, adiantamos o máximo que foi possível a data de saída do país, o que fez com que passássemos uma noite mal acomodados nas cadeiras do aeroporto do Cairo até pegarmos o voo para Turquia no dia seguinte, onde a situação era normal.

Dizem que o Brasil é um país imaturo política, social, culturalmente, por sermos um país jovem nos atribuem essa qualidade. Mas a maturidade não é mensurada apenas pelo tempo de existência, maturidade é algo diretamente relacionado com atitudes guiadas por valores éticos. É a assertividade que não necessariamente advém da experiência anterior, mas sim da lucidez autêntica que pode surgir em pessoas de qualquer idade, classe social, credo ou raça.

Frases como “O gigante acordou” ou “Verás que um filho teu não foge à luta” escancaram uma verdade irrefutável, motivaram a aparição de uma verdade que demorou pra se tornar verdade, a qual espero que dure o quanto for necessário e se manifeste sempre que for necessário.

Passamos muitos anos engasgados e ao mesmo tempo acomodados, mas uma nova motivação chegou. Nasce e floresce de maneira ácida e também poética, um movimento que leva o ser humano à ação, o leva para fazer valer seus direitos. Estamos vendo movimentos de paz caminhar pelas ruas juntando milhares, bastante maduros pelo curto tempo de existência, revelando propósitos comuns, insatisfações e necessidades comuns, sonhos comuns. Uns carregam flores, outros bandeiras brancas e faixas com suas opiniões tatuadas.

Mas onde está o senso comum quando não nos manifestamos? Aí o “comum” simplesmente não existe … nada existe se não é manifestado, talvez só falcatruas existam sem serem manifestadas. Mas quando queremos algo, o que quer que seja, devemos manifestar nossas vontades. Só assim o outro poderá a nós unir-se e assim co-criarmos uma nova realidade.

Cada um tem um canal de comunicação mais aberto e preparado a entender determinada linguagem. Por isso existem manifestações verbais, manifestações populares, escritas, artísticas, lúdicas, poéticas, musicais, virtuais, etc … o que importa é se manifestar!

Acabamos de assistir à um episódio incrível na história do nosso país, em que vontades se manifestaram. Meu maior desejo e o motivo do meu manifesto (escrito) é que as pessoas continuem manifestando suas vontades para que as idéias sejam organizadas, os pedidos, ações e objetivos estejam claros pois só assim haverá foco e luz sobre as questões que devem ser resolvidas, melhoradas ou intoleradas.

Que este seja um momento de sucesso para os pedidos justos pelos quais o povo brasileiro clama indo às ruas. Pelo direito sagrado de ir e vir, pelo mérito aos nossos esforços, pela justiça na sua forma mais ampla e universal.

Danilo España


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