Depois da alta puxada pela elevada liquidez global neste inicio de 2012, o mercado de ações deve entrar em uma fase bastante técnica. Há diversos fatores que indicam que o ritmo de valorização recente nos mercados dificilmente será mantido, o que implica que os investidores devam estar mais atentos a oportunidades de mercado.
Processos de rápida correção de preços podem trazer exageros. Parece ser este o caso agora: desde meados de dezembro de 2011, o SP500 subiu aproximadamente 22%, com o Ibovespa acompanhando o movimento global e registrando uma alta próxima a 24%.
Mais importante, parte da valorização recente das bolsas pode estar associada ao comportamento da volatilidade global. Com a redução da probabilidade de ruptura nos mercados, a volatilidade caiu de modo relevante, destravando parte da liquidez empoçada. Há, no entanto, pouco espaço para novas quedas na volatilidade, que já opera em patamares historicamente baixos. Superadas as incertezas mais agudas em relação à Europa e à China, a questão agora é identificar o fôlego da recuperação global.
Por este aspecto, os sinais são confusos, uma vez que a desalavancagem de governos e famílias deverá reforçar as condições ainda frágeis de renda e crédito nas economias centrais. Da mesma forma, a China caminha para taxas mais baixas de crescimento, o que tem gerado ruídos devido ao peso da Ásia na economia mundial. Da mesma forma, novas altas poderiam vir pelo aumento de liquidez no mundo. Um novo programa de afrouxamento quantitativo nos Estados Unidos, no entanto, parece pouco provável.
Neste caso, vem sendo construído relativo consenso entre analistas de que não há uma tendência de valorização. Justamente por isso, a melhor estratégia é estar atento a oportunidades.


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Roberto Padovani
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