As cotações do petróleo têm se elevado ao longo dos últimos quatro meses, impulsionando os preços internacionais de gasolina. Como resultado, a defasagem entre preços domésticos e internacionais do combustível se ampliou, aumentando a pressão para que a Petrobras reajuste seus preços internos.
Calcular a defasagem não é um exercício simples e, por isso mesmo, pouco preciso. Um exercício feito pelo economista Bruno Surano mostra que a defasagem pode estar oscilando ao redor de 10%. Este resultado foi feito a partir da comparação entre preços médios da gasolina pura – sem etanol e sem impostos – cobrados pela Petrobras com os preços internacionais praticados no golfo do México, sem frete.
Ainda que esta não seja a maior defasagem já registrada nem a mais longa, o reajuste pode, de fato, ocorrer. As perdas da Petrobras ocorrem em um momento em que a empresa se prepara para grandes investimentos. Além disso, um eventual reajuste de preços pode ser compensado pelo aumento da proporção de etanol na gasolina vendida ao consumidor e pela redução de impostos (CIDE). Dependendo da combinação que for feita, o impacto final sobre a inflação pode ser de até 0,2 pontos percentual no IPCA do ano.
Por último, este impacto na inflação pode ser acomodado tanto pelo comportamento mais favorável do IPCA neste início de ano quanto pela contribuição favorável de outros preços administrados. Os incentivos sugerem, portanto, que o reajuste venha.


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Roberto Padovani
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