O Banco Central publicou um trabalho de um de seus diretores, Luis Awazu Pereira, que sugere um novo modelo de condução da política monetária. O texto é “Sudden floods, macroprudention regulation and stability in an open economy”.
Segundo este trabalho, em um mundo caracterizado pela elevada liquidez, os bancos centrais podem usar outros instrumentos de política que não apenas a taxa de juros. A idéia é que diante do súbito aumento de liquidez global e das preocupações que este cenário gera sobre preços de ativos – como o câmbio – e sobre a estabilidade financeira, o papel da regulação bancária anticíclica tende a ser reforçado e pode mitigar os efeitos dos influxos de capitais.
A racionalidade está no fato de que a manutenção de juros elevados reforça os ingressos de capitais e, com isso, estimula ainda mais o crédito, o crescimento e eleva os riscos inflacionários. Em momentos como o atual, instrumentos prudenciais complementares à taxa de juros podem ser mais apropriados para manter a estabilidade econômica.
Esta estratégia, no entanto, não está livre de custos. Segundo o trabalho, a utilização da regulação bancária como instrumento de gestão de política de curto prazo pode atrapalhar a ancoragem das expectativas de inflação. De fato, sem saber com segurança quais instrumentos podem ser utilizados, em que momento e com que intensidade, os analistas dificilmente poderão estimar o comportamento da inflação.


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Roberto Padovani
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