O discurso de Ben Bernanke no Congresso norte-americano indicou que o FED não tem intenção de implementar um novo programa de afrouxamento quantitativo. O sinal faz sentido. Sem um colapso financeiro e institucional na Europa, a probabilidade de uma forte queda na bolsa americana também se reduz. Neste caso, o FED não precisa intervir para sustentar preços de ativos e, com isso, a riqueza e a confiança nos Estados Unidos.
Da mesma forma, a forte liquidez global, a alta recente nos preços das commodities, em particular o petróleo, e os patamares mais elevados de inflação nos Estados Unidos tendem a reduzir a eficácia de um novo programa de afrouxamento quantitativo. Quanto mais o banco central norte-americano injeta recuros no mercado, maior a inflação e, portanto, menor o poder aquisitivo do consumidor nos Estados Unidos. Além disso, mais inflação no mundo implica menor crescimento global, o que é ruim para as exportações norte-americanas. Neste caso, os efeitos positivos de uma eventual desvalorização do dolar perde efeito.
Diante deste cenário, há cada vez menos fundamentos para se imaginar que o rally registrado nos mercados desde o final do ano passado tenha fôlego. Bernanke colocou água na fervura.


Expandir todos os 0
Roberto Padovani
Para deixar um comentário você precisa se identificar. Escolha um dos tipos de identificação abaixo:
Termos de uso | Comentários sujeitos a moderação