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20.01.2012 - 14h23

Occupy NY: nosso pálido “maio de 68″

A crise bancária parece ter deixado tudo mais sem graça. Ano passado passei pelo Zuccotti Park e, não fosse a música, mal teria percebido que estava diante do epicentro do occupy NY. A manifestação se espalhou pelo mundo e foi um canal de repúdio aos excessos do mercado financeiro. Os jovens de classe média tomaram de assalto o espaço público de modo espontâneo e criativo. Vários artistas e intelectuais se envolveram: o discurso inflamado de Slavoj Zizek, a música de Ry Cooder e o apoio das celebridades de Holywood lembraram a efervescência de Maio de 68 em Paris.

No “assalto ao céu” da França de 68, os jovens também ocuparam ruas e universidades Da mesma forma, a indignação e as reivindicações eram difusas, não havia lideranças nem organização formal. Assim como hoje, mesmo sem coordenação, houve simultaneidade global. Diferentemente do Occuppy NY, no entanto, o Maio francês foi uma revolução de costumes. A agitação que empolgou uma geração logo se transformou em crise política e, mais importante, em ruptura cultural. Talvez por simbolizar o mal-estar de uma época e o sentimento de inadequação cultural, social e político, contagiou a sociedade francesa: uma greve geral parou o Pais, a desobediência civil suspendeu as instituições por três meses intensos.

Hoje estamos longe de uma ruptura cultural ou de uma “aventura pelo impossível”. A empolgação é muito menor. Enquanto maio de 68 foi uma brecha na história, occupy NY parece ser a reafirmação da própria história: como em toda crise financeira dos últimos séculos, há uma revolta contra políticos e banqueiros, mesmo sabendo que todos tenham se beneficiado da exuberância econômica das bolhas. O movimento é previsível e óbvio. Da mesma forma, a penúria econômica atual não permite o encantamento. Estamos distantes da alegria e leveza do crescimento econômico dos anos 60. É triste, mas o mais próximo que chegamos de maio de 68 foi o occupy NY.

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