Novas Arenas

09.08.2012 - 16h46

A profissionalização do futebol, o Santos, e lembranças do passado.

A cultura do amadorismo ainda prevalece nos clubes brasileiros colocando a profissionalização do nosso futebol “em cima do telhado”.

Os clubes, em grande parte fechados, e dominados por “panelinhas” de conselheiros, ex-presidentes, e “amigos”, entre outros, tentando manter o clube como um feudo, e empenhados em dificultar a democratização e profissionalização dos mesmos, encontram-se naquele chamado “ponto de decisão”. Ou se livram de ranços oriundos do passado amador ou caminharão para a estagnação.
Há alguns anos atrás recebi um convite de um grande clube brasileiro para assumir uma posição de coordenação envolvendo o planejamento de longo prazo e o futebol. Ou seja, pensar o clube no longo prazo e ajudar a alta direção na transição para uma profissionalização mais profunda.
Marcada a reunião decisiva, que seria realizada com o presidente e 4 conselheiros, tentei imaginar o que me seria perguntado. E apostei tudo que, em primeiro lugar, eles iriam querer saber os meus conhecimentos sobre o clube, sua cultura, história, impressões sobre a situação atual etc.
Cheguei, me apresentei, e recebi a primeira pergunta. “Você é torcedor de que time ???”, acompanhada de uma singela explicação. “Sabe como é, os conselheiros e a torcida pressionam ainda mais quando descobrem que cargos importantes no clube são exercidos por não torcedores”.
Incrível, mas essa era a maior preocupação deles. Fiquei indeciso na resposta. Poderia mentir e dizer que era torcedor do clube “desde pequeninho” para satisfazê-los, ou poderia dizer a verdade, revelar meu clube de preferência, e a partir daí sofrer um processo de “fritura” progressivo.
Acabei optando por uma terceira via. Não respondi, cumprimentei a todos, agradeci pela oportunidade, e ganhei a rua.
Meses depois pensei à respeito, e por algum tempo cheguei a me arrepender, pois são oportunidades que não aparecem todos os dias.
Pois bem, se eu ainda tinha alguma dúvida sobre minha atitude, essa se dissipou na semana passada. O Santos, através de ação de seu presidente, implementou no clube um modelo de buscar no mercado, e a valores de mercado, profissionais para vários cargos executivos do clube. Alguns conselheiros fazem pressão pela demissão de alguns deles, insatisfeitos não só pela falta de resultados, mas também porque um dos profissionais seria torcedor do Corínthians. Ora, se o profissional não correspondeu, que seja substituído. Situações como “dedicação integral”, e desempenho, são importantes e precisam ser tratadas, mas a filosofia, o modelo profissional precisa ser mantido.
Só espero que o presidente do Santos não ceda a essa “cultura” amadora, pois estará certamente prestando bons serviços à profissionalização da gestão esportiva no Brasil.

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