Novas Arenas

16.03.2012 - 10h41

Ainda vale a pena jogar na Europa ?

Essa semana foi divulgado um Relatório interessante elaborado pela britânica EIU (Economist Intelligence Unit), sobre “competitividade urbana”, ou seja, os fatores que tornam cidades mais atrativas do que outras. E o mencionado Relatório, conclui que as megaurbes brasileiras analisadas (Rio e São Paulo) são pouco competitivas comparativamente a outras grandes cidades, sobretudo européias e americanas. Para a consultoria, o mau desempenho em um ranking de 120 cidades se dá pela falta de sustentabilidade e aspectos da qualidade de vida que podem ser obtidos mais facilmente em outras cidades mundiais, como as dos países desenvolvidos.
Um ítem do documento em especial, atraiu minha atenção. Foi o relativo a “Atração de talentos”. A cidade de Nova York foi considerada a primeira do ranking da EIU, seguida por Londres e Paris. Das 30 cidades mais bem colocadas na lista, 24 estão nos EUA ou na Europa, pois apesar do impacto da crise econômica, essas cidades continuam atraindo mais negócios, capital, talentos e turismo, notou o relatório.
“A vantagem mais significativa que as cidades dos países desenvolvidos têm é sua capacidade de atrair os melhores talentos do mundo. As cidades americanas e europeias dominam a categoria do capital humano no índice”, observou a pesquisa.
“Isso se deve principalmente à qualidade dos sistemas educacionais e à mentalidade empreendedora de seus cidadãos. Mas outros fatores melhoram seu desempenho também, como as atividades culturais e a qualidade de vida geralmente boa.”
E o que isso tem a ver com o nosso futebol ? Muita coisa.
Há poucos anos atrás, o jogador Zé Roberto, à época jogador do Santos, anunciou que apesar de receber cerca de R$ 500 mil mensais (maior salário do futebol brasileiro naquele momento), ele e a família desejavam retornar à Alemanha, entre outras coisas pela insegurança das nossas cidades, que os deixavam permanentemente sobressaltados. Lembro que a sinceridade das declarações renderam-lhe muitas críticas, principalmente por parte daquela imprensa de analistas rasos, que acreditam que o interesse de um profissional em jogar/trabalhar num grande centro europeu, deve-se única e exclusivamente a razões financeiras. Que se iludem pela propaganda oficial enganosa de que, por sermos o 5º maior PIB mundial, somos os “reis da cocada preta”. Esse estudo serve para que a máscara caia, e mostre a essas pessoas que morar em Londres ou Paris, por exemplo, é atraente, independente das razões financeiras envolvidas. Esse pessoal precisa saber, que apesar de nossa posição em termos de PIB, nossa posição no ranking mundial de IDH é horrorosa, e que levaremos muitas e muitas décadas para nos equipararmos em poder aquisitivo, a americanos, e europeus. Nossos grandes jogadores continuam desejando jogar na Europa, não somente para fazer a tal “independência financeira”, mas pelos motivos que o relatório do EIU aponta. É um desejo compreensível e natural de todo profissional que deseja, ao menos por algum tempo, desfrutar de vantagens que nossas cidades não podem oferecer.
Eles só não falam abertamente, porque a patrulha dos ufanistas é implacável.
Então, vale a pena jogar na Europa ? Vale e muito. Não por dinheiro, ou pela tola vaidade de ser “o melhor do mundo”, mas por todas as razões que o EIU apresentou em seu Relatório.

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