São Paulo
Germano Luders
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Ainda vale a pena jogar na Europa ?

Ricardo Araujo

Essa semana foi divulgado um Relatório interessante elaborado pela britânica EIU (Economist Intelligence Unit), sobre “competitividade urbana”, ou seja, os fatores que tornam cidades mais atrativas do que outras. E o mencionado Relatório, conclui que as megaurbes brasileiras analisadas (Rio e São Paulo) são pouco competitivas comparativamente a outras grandes cidades, sobretudo européias e americanas. Para a consultoria, o mau desempenho em um ranking de 120 cidades se dá pela falta de sustentabilidade e aspectos da qualidade de vida que podem ser obtidos mais facilmente em outras cidades mundiais, como as dos países desenvolvidos.
Um ítem do documento em especial, atraiu minha atenção. Foi o relativo a “Atração de talentos”. A cidade de Nova York foi considerada a primeira do ranking da EIU, seguida por Londres e Paris. Das 30 cidades mais bem colocadas na lista, 24 estão nos EUA ou na Europa, pois apesar do impacto da crise econômica, essas cidades continuam atraindo mais negócios, capital, talentos e turismo, notou o relatório.
“A vantagem mais significativa que as cidades dos países desenvolvidos têm é sua capacidade de atrair os melhores talentos do mundo. As cidades americanas e europeias dominam a categoria do capital humano no índice”, observou a pesquisa.
“Isso se deve principalmente à qualidade dos sistemas educacionais e à mentalidade empreendedora de seus cidadãos. Mas outros fatores melhoram seu desempenho também, como as atividades culturais e a qualidade de vida geralmente boa.”
E o que isso tem a ver com o nosso futebol ? Muita coisa.
Há poucos anos atrás, o jogador Zé Roberto, à época jogador do Santos, anunciou que apesar de receber cerca de R$ 500 mil mensais (maior salário do futebol brasileiro naquele momento), ele e a família desejavam retornar à Alemanha, entre outras coisas pela insegurança das nossas cidades, que os deixavam permanentemente sobressaltados. Lembro que a sinceridade das declarações renderam-lhe muitas críticas, principalmente por parte daquela imprensa de analistas rasos, que acreditam que o interesse de um profissional em jogar/trabalhar num grande centro europeu, deve-se única e exclusivamente a razões financeiras. Que se iludem pela propaganda oficial enganosa de que, por sermos o 5º maior PIB mundial, somos os “reis da cocada preta”. Esse estudo serve para que a máscara caia, e mostre a essas pessoas que morar em Londres ou Paris, por exemplo, é atraente, independente das razões financeiras envolvidas. Esse pessoal precisa saber, que apesar de nossa posição em termos de PIB, nossa posição no ranking mundial de IDH é horrorosa, e que levaremos muitas e muitas décadas para nos equipararmos em poder aquisitivo, a americanos, e europeus. Nossos grandes jogadores continuam desejando jogar na Europa, não somente para fazer a tal “independência financeira”, mas pelos motivos que o relatório do EIU aponta. É um desejo compreensível e natural de todo profissional que deseja, ao menos por algum tempo, desfrutar de vantagens que nossas cidades não podem oferecer.
Eles só não falam abertamente, porque a patrulha dos ufanistas é implacável.
Então, vale a pena jogar na Europa ? Vale e muito. Não por dinheiro, ou pela tola vaidade de ser “o melhor do mundo”, mas por todas as razões que o EIU apresentou em seu Relatório.

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