Muito se tem discutido sobre a falta de leitos nas cidades-sedes. Mas, que tipo de demanda será essa ?
Várias cidades brasileiras possuem déficit em suas capacidades hoteleiras. Em 2011. Projetando 2014, não apenas hotelaria mas capacidade aeroportuária, telecomunicações, e mobilidade urbana tambem preocupam (em alguns casos o melhor seria escrever assustam…).
Analisando apenas o quesito hospedagem, essa é uma questão que, além de incentivos, o governo federal tem pouco a fazer. É o setor privado que precisa investir e resolver essa questão. E setor privado não investe como governo, por que os recursos não pertencem “à viúva”. A decisão de investir não é baseada no “temos que” mas sim no “existe demanda ?”, “existe viabilidade ?”, “existem recursos alocáveis ?”. De uma forma geral, a resposta do setor privado a esse desafio tem sido positiva pois notícias de novos empreendimentos hoteleiros em gestação se multiplicam na imprensa. Entretanto, o que me preocupa não é a quantidade de leitos em construção, mas se esses leitos serão os demandados pelo “turista de mega evento”. Numa análise rápida, quem seriam esse turistas ? Bem, em termos de mega evento de futebol, os maiores emissores de turismo são os países europeus (no caso do Brasil, receberemos também uma quantidade significativa de turistas latino americanos). E esses países, que encerram 2011 encerrados em dúvidas e incertezas, como estarão em 2014 ? Impossível prever. Se a crise persistir, teremos bem menos turistas do que muitos imaginam. E mesmo na hipótese otimista de uma Europa recuperada, esse tipo de turista é o que se chama de “turista PF”, bem diferente do “turista PJ”. Esse último, é o turista de negócios, aquele que não sabe quanto custaram as passagens, não se preocupa com o valor das diárias do hotel, não escolhe os pratos no restaurante pela coluna da direita, e circula de táxi prá lá e prá cá. Em resumo, não é ele quem paga as despesas. O PF ao contrário, para vir ao Brasil terá que programar férias com grande antecedência, e para ficar por aqui pelo menos 20 dias e talvez acompanhar sua Seleção por algumas cidades, vai usar transporte público, comer fast food, pechinchar nas compras, e claro, se hospedar no lugar mais barato e decente que puder encontrar. E apesar de tudo isso, sabe que a diversão sairá cara, até porque sairá do próprio bolso. Na Copa da Africa, 85% do fluxo turístico buscou hotéis de até 3 estrelas. Quando as opções terminaram, passaram a alugar quartos de residentes locais. Muitos hotéis de 4 e 5 estrelas, vários foram construídos, ficaram com a taxa de ocupação em apenas 70%. Haviam vagas, mas por US$ 500 a diária, os turistas preferiram os quartinhos locais porque a massa de turistas de mega eventos são turistas PF. Em suma, algumas cidades preparadas para receber turistas PJ podem não estar preparadas para receber uma grande quantidade de turistas PF, e outras podem estar aumentando o número de leitos para o tipo de turista errado. Eu pessoalmente não acredito nas projeções “oficiais” sobre a quantidade de turistas que iremos receber em 2014. Como em muitos outros ítens, as expectativas são superestimadas, e o impacto geral proporcionado, em todos os sentidos, superdimensionado. Mesmo assim, é bom que nossos empreendedores não planejem seus investimentos pensando nos 30 dias de Copa, mas pensando numa demanda real e consistente para vários anos à frente.



















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Ricardo Araujo
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