Volta e meia recebo testemunhais de leitoras, me pedindo para escrever sobre a experiência e rotina da mulher profissional, os múltiplos papéis da executiva numa sociedade de carreiras profissionais igualmente competitivas e estressantes, independente do gênero.
Desafio difícil, terreno desconhecido… Mas resolvi tentar, baseado em muita observação, testemunhais recebidos, troca de experiências e um pouco de intuição (confesso que tenho até medo de usar essa palavra quando me dirijo ao universo feminino…).
Verdade 1: As mulheres estão ocupando um espaço cada vez maior e mais significativo no mercado de trabalho. É só olhar em volta na sua empresa. Mais e mais colegas mulheres, às vezes times inteiros de mulheres – um verdadeiro exército de progesterona. Talvez não tantas chefes mulheres (ainda), principalmente em posições hierárquicas mais altas, mas acredito que isso seja apenas uma questão de tempo e de mudança cultural.
Verdade 2: As pesquisas ainda apontam um certo preconceito (das empresas, talvez por serem na maioria dos casos ainda geridas por homens, e portanto, dos homens também) no quesito salarial. As mulheres ainda ganham menos do que os homens. Criam menos? Não. Produzem menos? Não. Ralam menos? Não. Por isso, me pergunto quanto tempo esse “ainda” vai durar.
Verdade 3: As mulheres tem mais atenção para detalhes, para o acabamento, para a gestão de pessoas. Isso tem a ver com sensibilidade, com uma lente que liga melhor o pensar e o sentir, e que não veio incluída no chip da maioria dos homens. Já trabalhei com times com muitas mulheres, e vivi o lado luz e sombra dessa característica: luz pelos detalhes, pelo aprofundamento de conceitos, por novas formas de se abordar um problema; sombra pelo ímpeto de quererem rediscutir e reavaliar de forma recorrente todos os pontos-chave de projetos (parece que o código “bom inimigo do ótimo” também não veio no chip de muitas mulheres…).
Verdade 4: As mulheres tem uma parabólica multicanal que nós, homens, nem entendemos como funciona. Basta observar as algumas executivas, capazes de analisar um projeto, falar ao telefone para resolver assuntos dos filhos e, ao mesmo tempo, escutar uma conversa paralela que está acontecendo ao seu redor, no escritório (com opinião para tudo e todos os assuntos, sempre!).
Verdade 5: As mulheres são tão ou mais estressadas do que os homens (embora muitos homens não concordem com isso). Além da credencial de executiva (que trabalha muito, que quer ocupar seu lugar no mercado de trabalho, que luta contra eventuais preconceitos para crescer na carreira), a mulher tem a credencial de esposa, a de mãe e a de dona de casa. Ou seja, ao sair (ou antes de entrar) no escritório, as mulheres normalmente tem que arrumar tempo para supermercado, acompanhamento da escola dos filhos, atenção para o marido (embora este item seja discutível como prioridade…) e cuidados com ela mesma (salão, unhas, depilação e todas essas coisas meio incompreensíveis na perspectiva dos homens).
Os homens que estão comigo ate essa altura do texto podem argumentar que o stress masculino é tão grande quanto, afinal também temos nossas carreiras, somos maridos e pais. Mas o fato é que a grande maioria dos homens coloca a carreira em 1º plano, e as relações pessoais acabam encaixadas no que dá (casamento e filhos). Para a mulher, é tudo ao mesmo tempo, com a mesma importância. Quando um filho tem dor de garganta de madrugada, ele pede pela mãe. Quando a rotina doméstica se altera, são as mulheres que entram em ação. Quando a geladeira começa a esvaziar, via de regra é a mulher que socorre (corre?) a família. E, por mais que neguemos, a maioria dos homens conta que as mulheres façam o supermercado, cuidem dos filhos e de nós, maridos, fora a rotina do escritório. Conheço muitas executivas que vão ao supermercado por volta da meia-noite, quando os filhos estão dormindo (e os maridos também), as que trabalham até a madrugada depois que o auê banho/lição de casa/jantar acalmou, as que chamam cabeleireiros em casa de manhã bem cedo para cuidar do visual. Isso porque a mulher pode tudo: trabalhar, cuidar da casa, atender os filhos, organizar, mandar e desmandar. Ela só não consegue se olhar no espelho com o cabelo sem a coloração em dia, com as unhas quebradas, ou sem uma visita periódica ao depilador (não sei nada sobre isso, apenas relato alguns testemunhais e o que vejo acontecer na minha casa!!).
E como manter todos estes papéis em dia, sem se deixar de lado? Como administrar tantas exigências geradoras de stress? Tarefa hercúlea, ou melhor, diânica. O equilíbrio se torna ainda mais importante, para que a mulher possa, no meio deste turbilhão, tentar preservar algum tempo para si mesma, para seu auto-conhecimento, para a avaliação continua de suas prioridades, para construir e viver a vida que ela quer, resultado de suas escolhas.
Não se trata de competir com os homens, mas sim, de saber até onde elas querem ir.
Esposas e gestoras? Mães e Líderes? Amigas e Estrategistas? Sedutoras e CEOs?
Dá para conciliar? Cada uma tem sua própria resposta, pois sabe o que quer, o que busca, o que prioriza, o que mais lhe importa. O fundamental é refletir sobre esta rotina, sobre as conquistas na carreira e seus reflexos na vida pessoal (da mesma forma que todos os homens devem fazer).
Refletir para buscar equilíbrio, felicidade e realização.
Como mulher, como profissional, como ser humano.
Entre em contato! Mande seu testemunhal, comentário ou sugestão de tema para textos: andre@proposito.com.br


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André Caldeira
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Augusto Barbosa Lima
André, O grande diferencial das mulheres em relação a nós homens está na maternidade. Diferencial que lhes deu, quase que gratuitamente, uma caracterís...
Augusto Barbosa Lima
André,
O grande diferencial das mulheres em relação a nós homens está na maternidade. Diferencial que lhes deu, quase que gratuitamente, uma característica única: a doçura.
Se elas souberem alinhar esta competência diferencial às competências adquiridas no trajeto da carreira e souberem não perder a leveza, beleza, suavidade e graça – características que lhes são exclusivas, num futuro não muito distante, quando perguntarem qual nossa ocupação, iremos dizer: Do Lar.
André Caldeira
Caro Augusto, muito bem observado! Temos que cuidar muito do nosso QE. Abraços e sucesso.
André Caldeira
Caro Augusto, muito bem observado!
Temos que cuidar muito do nosso QE.
Abraços e sucesso.