Parece que as empresas e as pessoas estão um pouco confusas com alguns conceitos simples e primordiais de comunicação. Muito se fala no quanto hoje o contato é principalmente digital, como se isso fosse um fim em si. Porém, a tecnologia nada mais é do que mais uma ferramenta a serviço de um objetivo que continua sendo o mesmo: melhorar a comunicação entre as pessoas.
A facilidade e a rapidez que as mídias sociais hoje nos proporcionam — contato, compartilhamento, atualização, colaboração, entretenimento etc — só fizeram acirrar nossas demandas e desejos por uma sociedade mais interativa. Essa interação envolve também a comunicação face a face, tanto nas empresas quanto na vida pessoal.
Em outras palavras, as mídias digitais só aumentaram a nossa percepção de que a comunicação continua sendo o bem mais precioso para se conseguir tudo, ou quase tudo. No entanto, muita gente ainda encara mídia social de maneira equivocada. Não é padaria, não produz em série, não usa sempre a mesma receita.
Quer engajar seus funcionários em um projeto? Faça-os participarem, converse com eles, mantenha-os informados. As mídias digitais ajudam no processo? Claro que sim, mas da mesma forma que reuniões pessoais, eventos, trabalho em equipe, conversas olho no olho. Depende do momento e da situação. As mídias digitais são poderosas ferramentas para facilitar e acelerar o processo, mas talvez elas façam muito menos sucesso e sentido em certos ambientes do que o bom e velho bate papo.
Conversar ao vivo não é pecado
Será que, por exemplo, as comunidades afetadas pela usina hidrelétrica de Santo Antonio, em Rondônia, têm essa familiaridade toda com computadores? E mesmo que tivessem, não preferem eles ouvir da boca de técnicos e engenheiros como suas vidas serão impactadas pela usina? A conversa direta, pessoalmente, em reuniões com os moradores, é o que tem garantido à Odebrecht, líder do consórcio construtor, a compreensão e o apoio das pessoas para a obra.
Estratégia semelhante foi utilizada pelo grupo sucroenergético USJ e pela Cargill, multinacional no setor de alimentos, ao anunciarem a criação da joint-venture SJC Bioenergia. A nova empresa passou a ser a gestora das usinas de açúcar e etanol São Francisco e Cachoeira Dourada, ambas em Goiás, originalmente controladas somente pelo Grupo USJ. A novidade, os planos para o futuro e as informações relevantes foram contadas aos funcionários dessas usinas diretamente pelo presidente da USJ e o diretor da Cargill, em uma grande reunião presencial. Olho no olho versus tecnologia. O resultado? Otimismo, tranquilidade e confiança.
Não estou dizendo que as mídias sociais não são boas. Ao contrário. Mas usar as mídias sociais e qualquer tecnologia digital somente por usar, sem entender o contexto e o que realmente serve ao público que você quer atingir, é um desperdício de tempo, dinheiro, recursos humanos. E, no final das contas, a frustração pelo insucesso da comunicação será dura de engolir.



















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Mariaela, A Forrester Reserach utiliza muito o conceito de perdil tecnográfico para que possamos entender a relação de cada público alvo com as ferrament...
Maria Fernanda Lacerda
Mariaela,
A Forrester Reserach utiliza muito o conceito de perdil tecnográfico para que possamos entender a relação de cada público alvo com as ferramentas de tecnologia e comunicação que dispõe. Alguns destes grupos certamente não estão aptos para a utilização de QR Codes e discussão em fóruns on-line, por exemplo. Essa percepção é vital para qualquer tipo de ação na Internet…
Ótimo texto.
Abraços
Luciano Palma
É sempre bom ler os textos da Mariela. Uma visão coerente e abrangente! A comunicação boca-a-boca, a conversa direta, tem muito mais de SOCIAL do que muita...
Luciano Palma
É sempre bom ler os textos da Mariela. Uma visão coerente e abrangente!
A comunicação boca-a-boca, a conversa direta, tem muito mais de SOCIAL do que muitas “ações e promoções” que estão sendo feitas (e alardeadas) nas mídias SOCIAIS.
O que tem de SOCIAL sortear um iPad pelo Twitter? O fato da ferramenta online levar esse nome? Pois uma conversa é muito mais SOCIAL do que isso!
Tem muitas empresas usando ONLINE, DIGITAL e SOCIAL como sinônimos. Grande engano. Dá prá ser SOCIAL sem ser DIGITAL. E não é porque é ONLINE (em “mídias sociais”) que a interação está sendo, de fato, SOCIAL.
FELIZ 2012, Mariela, continue compartilhando seus textos conosco!!!
Mariela Castro
Luciano, muito obrigada! Você é sempre tão preciso e lúcido nas suas análises! obrigada por compartilhar suas ideias aqui também! Um ano muito iluminado p...
Mariela Castro
Luciano,
muito obrigada! Você é sempre tão preciso e lúcido nas suas análises! obrigada por compartilhar suas ideias aqui também!
Um ano muito iluminado pra você também!
grande abraço