Primeiro as pessoas correm para postar no Twitter, Facebook ou no seu próprio blog. Depois elas param para avaliar/criticar/pensar no que acabaram de ver e de compartilhar online, pensando que “se tiver alguma coisa errada eu corrijo depois”. A pressa é por postar antes que alguém o faça – por mais que você sequer se dê ao trabalho de checar os fatos.
O comentário do jornalista Benjamin Jackson, do New York Times, no último dia da Social Media Week São Paulo, veio totalmente ao encontro do que acredito em termos de relevância e conteúdo nas redes sociais.
O dilema da velocidade de ser o primeiro a postar alguma coisa versus a qualidade desse conteúdo tem assolado as redes sociais e passou a ser um grande problema para todos os que, de alguma forma, consomem conteúdo na internet.
Até onde o que você lê ou assiste é correto, preciso, confiável? Nessa cultura da alta velocidade, poucos param para fazer uma análise crítica. “Manter-se em alta velocidade, antes uma aventura estimulante, vira uma tarefa cansativa”, diz o sociólogo Zygmunt Bauman.
A mobilidade e a tecnologia facilitaram a vida das pessoas dispostas a gerar conteúdo. Mas para onde vai esse conteúdo, quem consome, quanto tempo se gasta para produzir uma informação que realmente valha a pena?
Em uma conversa que tive esta semana com um grupo de profissionais de comunicação de empresas do porte de IBM, Oracle, Sky e Metrô de São Paulo, entre outras, a convite da agência de comunicação KlaumonForma, ficou muito claro que nossa maneira de usar a internet impacta a percepção que temos do mundo e como interagimos com as pessoas, e também afeta as relações entre as empresas e seus funcionários e clientes.
Por fim, é importante não reforçar a dicotomia entre tradição/qualidade e inovação/tecnologia. Uma coisa não tem a ver com a outra e, principalmente, não exclui a outra. O New York Times, por exemplo, é um jornal super tradicional e antigo (foi fundado em 1851) e, ao mesmo tempo, foi pioneiro no lançamento de sua edição para tablets e smartphones. O que vale, como sempre, é a qualidade do conteúdo, não importa a mídia.


Expandir todos os 8
Mariela Castro
Para deixar um comentário você precisa se identificar. Escolha um dos tipos de identificação abaixo:
Termos de uso | Comentários sujeitos a moderação
Ligia Marques
Olá Mariela! Muito oportuno seu artigo.A postagem impulsiva nas mídias sociais, tanto de caráter pessoal quanto corporativo pode trazer sérios problemas. A...
Ligia Marques
Olá Mariela!
Muito oportuno seu artigo.A postagem impulsiva nas mídias sociais, tanto de caráter pessoal quanto corporativo pode trazer sérios problemas. A credibilidade (ou falta dela) é uma consequencia natural quando todos tem a chance de serem fontes de informação.
Num nível mais profundo,percebemos também uma crescente angústia social gerada pela impossibilidade de estarmos em todos os locais ao mesmo tempo e o tempo todo. Eugenio trivinho comenta muito bem sobre essa melancolia da era pós moderna.
Num nível mais superficial e acessível ao grande público, comentamos esses riscos no livro Etiqueta3.0 que a convido a conhecer pelo site http://www.etiqueta3ponto0.com.br e fanpage : http://www.facebook.com/etiqueta3ponto0 . Será um grande prazer tê-la entre nós.
Um abraço,
Ligia Marques
Maria Fernanda Lacerda
Além de tudo o que mencionou, é preciso lembrar que o verdadeiro valor da informação vem da análise crítica. Notícias soltas dificilmente são inseridas ...
Maria Fernanda Lacerda
Além de tudo o que mencionou, é preciso lembrar que o verdadeiro valor da informação vem da análise crítica. Notícias soltas dificilmente são inseridas num contexto apropriado.
Abraços!
Mariela Castro
Olá Ligia! A angústia pela impossibilidade de estar em todos os lugares, ler todas as notícias, blogs, sites interessantes etc é mesmo uma constante. É por...
Mariela Castro
Olá Ligia!
A angústia pela impossibilidade de estar em todos os lugares, ler todas as notícias, blogs, sites interessantes etc é mesmo uma constante. É por isso que defendo que a gente use o tempo (que já é curto) para coisas que realmente valem a pena, e não desperdice com a grande quantidade de conteúdo inútil e vazio que circula na rede. A questão da credibilidade é outro ponto. As pessoas têm a tendência a acreditar em tudo o que leem, sem checar se aquilo é verdadeiro. Pior: replicam e replicam e a informação errada ganha dimensões incalculáveis!
Vou dar uma olhada no seu livro, obrigada por compartilhar!!
abraços!