24.05.2011 - 09h45

Viva a metade cheia do copo!

A vida é boa, gente. A questão é conseguirmos manter dentro de nós mesmos um frescor equivalente àquele com que a vida ao redor nos brinda.

Você sente medo de vez em quando? Ondas de cagaço, de paúra, de insegurança – ao olhar para o futuro, ao olhar em volta, ao olhar para você mesmo? Sente o coração apertar, a mente pesar, as mãos ficarem frias? Eu também.

Poderia declarar que isso é simplesmente humano – embora nenhum humano goste de admiti-lo, nem em público nem para si mesmo. Poderia alegar que medo é só a velha ansiedade em ação. Também poderia dizer que o medo é um amigo (desde que você não se deixe paralisar por ele), uma sensação que tem o poder de livrar a sua cara de muitas frias. Mas não é sobre nada disso que quero falar.

Eis o tenho a dizer: sentir medo, meu amigo e minha amiga ingênuos, antes que tudo, não é vergonha para ninguém. Só pode ser corajoso quem sente medo. Sem medo não existe coragem. Assim como não existe glória sem adversidade. Assim como não existe superação sem obstáculo. Por favor, não alimente os seus medos. Mas também não tenha medo de senti-los. O medo é um convite a que você cresça, avance, pule da cama ou do sofá com sangue no olho e beba a vida como ela gosta de ser bebida – como um copo perfeito da bebida que você mais gosta.

03.05.2011 - 16h31

Bilhete ao meu amigo que deu certo na vida

Você, sem se apressar, sem correr ostensivamente atrás de nada nem de ninguém, sempre conseguiu conquistar no tempo certo (o seu timing) tudo aquilo que queria. Eu lhe admiro muito por isso, brother

Cara, como é bom te ver bem. Eu gosto de me sentir bem com o sucesso dos amigos. Tenho lido que isso é um sinal de quem tem caráter – a capacidade de ficar contente com o êxito alheio. Então vai ver que eu tenho algum caráter. Ao menos no que se refere ao que sinto ao lhe ver vencendo na vida. Acompanho sua trajetória há mais de dez anos. E torço por você. Sei que você partiu lá de atrás. E foi vindo em direção à classe média, em direção ao padrão de vida que almejava ter. Você sempre admirou a mim e a outros caras em quem talvez mirasse quando começou sua caminhada. No entanto, isso nunca se transformou em inveja, em cobiça, em qualquer emoção negativa. Nunca me senti ameaçado por você.  Nunca senti que você quisesse o que era meu, ou que desejasse que eu deixasse de ter alguma coisa que você não tinha, ou que você tivesse a sensação de que eu precisaria perder para você ganhar. Mesmo quando eu já estava dentro de um sedan bacana da firma e você ainda rodava numa moto de baixa cilindrada – que era sua ferramenta de trabalho, inclusive. Então acho que, na verdade, por tudo isso, quem tem caráter nessa história mesmo é você. Porque se é grande você olhar com simpatia para um outro cara que está atrás na estrada, e torcer genuinamente por ele, como eu fiz por você, é maior ainda manter a compostura e o amor diante de um cara que está à sua frente, como você fez por mim.

29.04.2011 - 12h07

O dia em que eu chorei em público

A gente continua andando, olhando para a frente, como deve ser, só que com um pedaço enorme do coração enterrado lá atrás, once upon a time, somewhere in past...

Hoje faz uma semana da Festa de 25 anos da minha Turma de adolescência. Foram trinta e seis horas, um bar, dois restaurantes e uma baladaça inesquecíveis. O tempo é mesmo implacável: ainda estamos nos recuperando da comemoração e a própria comemoração já faz aniversário. Ela também já virou passado – exatamente como tudo que ela se dedicava a celebrar. Passou. Virou memória.

Às vezes eu dava dois passos para trás, saía da cena, e ficava olhando a Festa meio que de fora, por alguns momentos. Ficava observando a Turma em movimento espontâneo – os abraços, os reencontros, os instantes de histeria coletiva, os olhares, as trocas silenciosas, os amassos e estrangulamentos amorosos, os pequenos e os grandes filmes acontecendo à minha frente. Em determinado momento, eu estava ali, encostado no balcão do bar, capturando aquilo tudo pela última vez. Já eram quase cinco horas da manhã. A Festa estava acabando. Mais da metade das pessoas já tinha ido embora. Então alguns amigos do núcleo duro da Turma começaram a se despedir. E aquela sensação de fim me pegou de frente, em cheio. E quando eu vi, estava chorando em cena aberta. A iminência da despedida inevitável – que deixava tanta coisa para trás, outra vez – me fulminou. Então chorei ali, escorado na parede, encolhido no meu canto.

26.04.2011 - 09h37

Sobre sentir saudade (2006)

 
A nostalgia é um veneno quente que transforma eventos felizes em memórias tristes

Eu tenho uma turma de amigos muito especial, diferente de qualquer coisa que já tenha visto acontecer por aí. E nós nos entregamos a um exercício igualmente raro: a cada 5 anos nos encontramos para uma grande balada em Santa Maria, no coração do Rio Grande do Sul, a cidade em que todos morávamos quando nos cruzamos na vida, quando viramos adultos e éramos os donos do mundo, quando o futuro era nosso e uma conexão mágica, meio com jeito de Hollywood se estabeleceu entre nós, para não desaparecer jamais. (Pense, na época, num filme teen dos anos oitenta, com espírito eufórico, como Curtindo a Vida Adoidado, ou então, hoje, numa comédia romântica com gente de meia idade se reencontrando, em que tudo dá certo, em que a emoção aflora, e em que você sai do cinema leve e enlevado).  

 Nós estabelecemos o ano de 1986 como marco para contar o tempo da nossa amizade. Acho que fui eu mesmo que criei quase sem querer - referência explícita ao Legião – esse meme, num texto nostálgico que escrevi e enviei por carta para uma dúzia ou mais de amigos da Turma, ainda no finzinho dos anos 80. Eu fui talvez o primeiro a sair de Santa Maria para encarar a vida, ainda aos 17, e me via debaixo de um tempo bastante duro em Porto Alegre, na faculdade, me ambientando na cidade nova e morrendo de vontade de voltar para a minha passárgada, para a minha gente, que ainda estava por lá. Aprendia ali, pela primeira vez, quem sabe, que não há volta possível. Que só se vive para a frente. E que não é possível ser Ferris Bueller para sempre. Em breve quase todos os amigos também zarpariam dali em diáspora, para cair na vida, para ganhar a vida, uma diáspora que ainda não acabou, e nem vai acabar nunca. Você está sempre em movimento. E as pessoas que você ama também. Você já não é o mesmo de ontem, e muito menos o mesmo da semana passada. E elas também não. Nós somos todos pontos em movimento. Nos cruzamos por determinado tempo. E depois nos afastamos para sempre. E quando por ventura voltamos a nos aproximar, antes de nos afastarmos de novo, nós já somos outras pessoas. Talvez a graça do reencontro, por tudo isso, deva ser mesmo redescobrir, reinventar, renovar – e trazer a relação sempre para o presente. Isto é saudável e constroi. Ao invés de recuperar, resgatar, desenterrar – tentando dar as mãos e voltar ao passado. Este é um exercício de sofrimento – porque o passado não existe mais. De qualquer modo, meu texto, aquele desabafo de saudade – que grafafa pela primeira vez, quero crer, a Turma com T maiúsculo - circulou entre a galera. E os dois memes pegaram. Podia ser 1987. Mas assumimos 1986 - talvez, de fato, o ano mais charmoso das nossas adolescências – como o nosso marco zero. E, desde então, somos a Turma. Com T maiúsculo. Ponto.

O maluco é que não somos uma turma de formatura. Não éramos todos colegas em uma mesma classe. Não pertencíamos sequer a um único colégio – embora a gente dê ao nome da Turma o complemento ”do Cilon”, em referência à escola, Cilon Rosa, em que a maioria de nós estudava. A Turma é, antes que tudo, um ajuntamento geracional. Éramos a Turma da cidade. Uma horda brilhante, gerada por combustão espontânea, por acaso e necessidade, de modo orgânico e invencível, na piscina do clube, nos salões dos bailes de debutantes, nos catálogos de brotos, nas festinhas de garagem. O que somos, então? Um coletivo de meninos e meninas que conviveram mais ou menos entre 1985 e 1989, no auge do rock nacional (o que nos empurrou ainda mais na direção desse sentimento de geração e de pertencimento ao grupo), que se encontravam todo dia, e em várias noites, todo fim de semana, em inúmeras junções, saraus, matinês, audições, mingaus, praias, jantares (ainda que fosse um xis galinha salada com coca), tertúlias, chocolates quentes com pipoca e baladas. Éramos mais de 40. As melhores festas começavam quando chegávamos e terminavam quando íamos embora. Éramos charmosos, os donos do pedaço e sabíamos disso. Ou ao menos era assim que nos víamos. Andávamos sempre juntos – beijando na boca, perdidamente apaixonados, terrivelmente descornados, brigando, reatando, paquerando, selando amizades para a vida toda, desvendando o sexo, descobrindo o amor, tendo filhos precocentemente, experimentando as primeiras drogas, formando casais que estão juntos até hoje, sofrendo juntos as dores das primeiras experiências de morte, desabrochando para a vida juntos, marchando juntos por aquela ponte trepidante que leva da puberdade à vida adulta. Juntos. Juntos. Sempre juntos. 

A primeira festa de reencontro da Turma foi em 1996. Comemorávamos os nossos 10 anos. Numa festa relativamente pequena, na casa espaçosa de um dos nossos amigos queridos – onde costumávamos fazer algumas de nossas junções juvenis dez anos antes. Tínhamos todos ali mais ou menos 25 anos e estávamos em começo de carreira, na batalha, recém formados ou formandos. Eu enviei uma VHS do Japão, onde cursava meu MBA, com um depoimento para a Festa – a gente grafa com F maiúsculo também. Uma amiga querida ligou de Aracaju, onde começava sua trajetória profissional, e falou com todo mundo. Foi bem bacana. E vimos que era bom. 

Em 2001 nos encontramos de novo – 15 anos de Turma. Estávamos todos virando a casa dos 30. E já deslanchando na vida. Alugamos um lugar. Com DJ, salão decorado, cerveja gelada – e até champanhe, para quem se dispusesse. E todos os caminhos possíveis, por via aérea ou terrestre, de carro ou de ônibus ou de camelo – ops, de novo! -, nos conduziram às dezenas para Santa Maria. Éramos uns 60 convivas. Todo mundo ainda jovem, subindo a ladeira em direção ao auge. Todo mundo feliz por estar junto. E por constatar o quanto ainda estava vivo aquilo que nos unia. 

Em 2006, eu tinha 35. E éramos mais de 80. Eu tinha acabado de virar pai. E, ao contrário de 2001, viajei sem minha mulher para comemorar os 20 anos da Turma. Então mergulhei no meu próprio passado sem nenhum fio que pudesse me prender à vida atual. Mergulhei fundo no sonho, nas lembranças mitificadas, edulcoradas, editadas daquela que foi uma das melhores e mais doces épocas de minha vida (e de quem não haveria de ser?). Dançávamos as músicas da época, víamos tudo com lentes que nos permitiam recuperar as visões que tínhamos na época. E foi muito duro voltar da fantasia à realidade. O tempo ali dentro daquele salão era outro. Tínhamos passado uma madrugada em delírio, em outra dimensão, num limbo de tempo e espaço, no deslumbramento de poder voltar a ter 15 anos por algumas horas. O retorno à superfície foi muito difícil. Aquela experiência significava reviver por algumas horas uma juventude passada e, portanto, perdida. E saborear emoções muito fortes, já vividas, mesclando-as a sentimentos novos. Significava, de alguma forma, criar um turbilhão de sensações, mexer com sentimentos antigos, reabrir algumas gavetas há muito tempo fechadas, algumas mal arrumadas, e então tentar brincar com isso tudo sem se machucar. Para logo em seguida, tão logo o sol raiasse, perder tudo de novo, ver todo mundo sumindo na curva, indo embora, cada um para um lado, cada um na sua estrada, voltando a ser quase um estranho, todo mundo disperso mundo afora outra vez. 

A ressaca emocional daquela viagem no tempo, e dentro de mim mesmo, e das minhas emoções, e das minhas lembranças adolescentes, nem todas elas bem resolvidas e bem assentadas, foi terrível. Foi muito doído me despedir outra vez daquelas pessoas. Me separar dos meus amigos queridos mais uma vez. Dor de perda mesmo. Inclusive porque eu também me despedia ali de mim mesmo, em certo sentido. Eu havia voltado por um instante a ter todas as possbilidades do mundo – e então tinha que seguir sendo apenas quem eu era, apenas aquilo que eu havia escolhido ser. Aquela situação nos convidava a ver tudo que poderíamos ter sido e não fomos – porque decidimos nos tornar outra coisa. Ou apenas uma coisa, entre tantos sonhos que havíamos sonhado, tantas janelas que um dia haviam estado abertas para nós. Aquela situação nos deixava ver que estávamos passando rapidamente pela vida, ficando velhos. Então era uma saudade não apenas do que fomos – mas também do que nunca chegamos a ser, dos caminhos que não foi possível trilhar. Uma parte de mim morria ali. Uma vez mais. Sem apelação. E a própria Festa, que celebrava uma lembrança maravilhosa, virava imediatamente uma outra recordação inesquecível a latejar no peito. Eis o que é a nostalgia - um veneno quente que transforma eventos alegres em memórias tristes. Vivíamos ao mesmo tempo, no intervalo de poucas horas, a euforia do reencontro e a depressão da nova despedida.  

À medida que ia me recuperando daquele chacoalhão, que me assustava pelo seu poder de mexer comigo, me debrucei a refletir sobre aquele aperto no peito, sobre aquele nó na garganta, sobre os mecanismos que haviam gerado aquele tsunami – em mim, destacadamente, mas não apenas em mim, com certeza. Me dediquei, enfim, a tentar entender a saudade. A gênese e o alcance da nostalgia. As raízes e o funcionamento da melancolia. As razões e os efeitos do apego ao passado, dessa enorme tristeza ligada à contemplação do que já passou. Joguei o holofote e o microscópio sobre este gene macambúzio que existe em mim. Dois anos mais tarde, no começo de 2008, dei o texto por encerrado. (Nunca um ensaio me tomou tanto tempo para nascer. Eu evitava o texto. Porque ele me impunha uma reflexão lenta e dolorosa.) Eu o publiquei na revista Vida Simples. E agora o apresento agora a você, na versão integral – e levemente revista.

20.04.2011 - 12h09

Feliz Páscoa!

Agora desligue o computador, desligue a mente, ligue o coração, ligue a genitália, e tenha um grande feriado!

Nesta Páscoa, não pense em trabalho, não pense em dinheiro, não pense em negócios, não pense no faturamento, não pense na troca de emprego. Não pense no aumento que você tem que negar ou pedir, nem na meta que não deu para bater, nem naquilo que ficou engasgado na sua garganta na última reunião, nem naquela groselha que você teve que ouvir do seu chefe. Não pense em contas a pagar ou receber, nem na empresa que você sonha abrir, nem naquele empreendimento do qual você deseja se livrar. Não pense na proposta de emprego que não veio, nem na promoção que não vem nunca, nem no fato de que vai ter que demitir diretos seus até o fim do ano, nem no fato de que poderá ser demitido até o final do ano, nem no tempo assustadoramente curto que lhe separa da sua aposentadoria e em tudo que você tem medo de não conseguir realizar até lá.

18.04.2011 - 17h58

Por que tanta gente ruim vai mais longe na carreira do que gente boazinha?

Se você for muito bom em algo muito importante para a empresa, ela lhe permitirá ser muito mau em outros aspectos à sua escolha...

Você conhece o tipo. Ele já foi avisado diversas vezes de que precisa melhorar alguns aspectos na sua conduta profissional. Ou é um cara que não responde aos emails com  agilidade. Ou que não dá feedback condizentemente a seus funcionários. Ou que tem uma postura meio insubordinada, de permanente desafio aos chefes. Ou então é um cara que se atrasa de modo contumaz em seus compromissos. Ou que faz tudo do seu jeito, à revelia dos outros, assumindo muitas vezes posições inegociáveis dentro do escritório. Ou que é brutal no tratamento dos subordinados. Ou que…, bem, você pode pensar num bocado de coisas para cobrir essas reticências.

15.04.2011 - 15h36

O que fazer quando você não sabe o que fazer?

A resposta não está nas placas. Procure pela direção a seguir dentro de você.

Recebo no meu email a seguinte mensagem:

“Adriano,

“Sou leitor assiduo de seu blog na Exame. E gostaria de um conselho. Tenho 32 anos e sempre tive como meta ter um negócio próprio. Acontece que não consigo ver nenhum negócio que me desperte a paixão ou o sentimento de que este é ou será o ‘negócio da minha vida’.  Por isso, até hoje não tive coragem para deixar o emprego onde estou, que não é lá essas coisas, mas por enquanto está me servindo. O que eu faço?”

12.04.2011 - 08h25

Isto tudo sou eu – pequeno autorretrato à moda de Francis Bacon e Fernando Pessoa

Eu adoro os retratos de Francis Bacon. A começar pelos autorretratos, como esse. Não dá para eleger como quadro a pendurar na sala. Mas também não dá para esconder uma lucidez desse tamanho no fundo do armário.

Gostaria de dizer que sou um vencedor.
Não sou. Perdi tanto.
Tantas vezes experimentei a rejeição das meninas por quem me apaixonei.
E rastejei. E me humilhei. E lancei mão da chantagem emocional e da autopiedade pública como armas bem calculadas.
Já tentei de tudo. Tantas vezes. Em vão.
Tantas vezes não fui o melhor, terminei atrás, saí de cena mais cedo. Não fui o mais charmoso, aquele por quem as pessoas torciam, o vencedor.
Tantas vezes não fui o filho que meus pais desejavam.
Tantas vezes me olhei no espelho e não enxerguei alguém me agradasse o bastante. Sequer minimamente.
Tantas vezes não mereci – não era meu o direito divino, o direito de nascença, o merecimento conquistado pela via do mérito.
Tantas vezes fui esquerdo, canhestro, gauche. O habitante do acostamento, o amante da contramão, o joãzinho do passo errado.
Tantas vezes fui o bode na sala. E fui o ser errático, chato, sorumbático, patético.
Tantas vezes servi de alívio cômico para os outros.
Tantas vezes tive asco de mim.

08.04.2011 - 15h38

A morte de um empregado e o nascimento de um empreendedor

Às vezes sair da zona de conforto, dar um passo à frente, ter a coragem de fazer diferente, do seu jeito, acreditando no seu sonho, é só o que basta para ser muito, muito feliz na carreira e na vida.

Recebo no meu email a seguinte mensagem:
 
“Adriano,
 
“Tenho 25 anos e hoje tenho certa convicção e segurança do que pretendo ser em minha vida: um empresário.
 
“Venho me preparado para ser empreendedor há um ano e meio. Desde que tive segurança e maturidade para compreender o que isso significa, venho me capacitando, juntando dinheiro e estruturando um business plan. Nesse mesmo período de formação empreendedora minha posição como funcionário de uma grande corporação vem definhando e meu rendimento medíocre foi ficando mais evidente em razão da falta de perspectiva e de desejo de seguir uma carreira como executiva.
 
“Depois de juntar dinheiro para uma liquidez de 15 meses e terminar meu business plan não sabia se esse era o momento de pedir demissão do emprego e cair na estrada empreendedora. Vieram as dúvidas e incertezas e o conforto de um salário e a ilusão da estabilidade me amarraram onde estou.
 
“A decisão de sair do emprego já havia sido adiada umas duas vezes e a minha última meta era sair em meados de junho desse ano, pois achava que estaria mais preparado e estruturado. Ocorre que esse momento ideal para sair nunca chegava. Já tinha o dinheiro necessário e o plano de negócios. Mas comecei a me colocar metas no emprego com a finalidade de postergar a decisão de sair. Bem, do que me adianta estar preparado somente aos 40 anos de idade se esse certamente não é o timing que eu desejo?

04.04.2011 - 12h21

A hora certa de colocar os filhos para fora de casa

 

Estamos criando uma geração de filhos mimados, desenvolvidos dentro de uma bolha de ultraproteção que os afasta do mundo real e os torna menos aptos, menos capazes, menos prontos para viverem suas próprias vidas de modo independente.

A criação dos filhos guarda muitos mistérios. Tirando aquelas convicções essenciais, que chamamos de valores, e que tentamos depurar e passar adiante, há cada vez menos verdades inquestionáveis. Tudo é relativizável, tudo pode ser discutido. A certeza de que você está agindo certo como pai parece ser uma condição cada vez fluida e fugaz. Ou seja: estamos sempre no escuro, sempre tateando, tentando fazer o melhor, com a esperança de não estarmos errando muito. É comum que tentemos não repetir os erros em que julgamos que nossos pais incorreram conosco. E acabamos impondo a nossos pimpolhos os nossos próprios equívocos, em patadas originais, em absurdos novinhos em folha.
 
Os pais, então, de modo geral, estão na defensiva. Há um bocado de sentimento de culpa na parada – pelo tempo sempre exíguo que a maioria de nós dedica à família, pelo medo de causarmos danos permanentes aos rebentos, semelhantes àqueles de que imaginamos ter sido vítimas, pelas crianças que vão sendo educadas um bocado à nossa revelia pela babá ou pela avó, pelo sentimento que temos de que precisamos ser superpais e resolver já e por completo a vida de nossos filhos – dinheiro para o lanche, para a balada, para a universidade, para a viagem ao exterior, para a aposentadoria (deles!). O medo que temos de não darmos a nossos filhos muito mais do que recebemos de nossos pais nos consome – e aí esquecemos que aquilo que recebemos pode muito bem ter sido mais do que suficiente para termos nos transformado nesses herois radiantes, infalíveis e estressados que somos.