Manual do Executivo Ingênuo

15.04.2011 - 15h36

O que fazer quando você não sabe o que fazer?

A resposta não está nas placas. Procure pela direção a seguir dentro de você.

Recebo no meu email a seguinte mensagem:

“Adriano,

“Sou leitor assiduo de seu blog na Exame. E gostaria de um conselho. Tenho 32 anos e sempre tive como meta ter um negócio próprio. Acontece que não consigo ver nenhum negócio que me desperte a paixão ou o sentimento de que este é ou será o ‘negócio da minha vida’.  Por isso, até hoje não tive coragem para deixar o emprego onde estou, que não é lá essas coisas, mas por enquanto está me servindo. O que eu faço?”

Caro companheiro de ingenuidade,

É inevitável arrolar aqui aquela frase do escritor Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas: “Quando não se sabe para onde vai, qualquer caminho serve.” Que é uma ideia cunhada anteriormente por Sêneca, pensador romano: “Vento algum é favorável para quem não sabe aonde quer ir”. Antes de pensar em seguir como executivo ou empreender, antes de decidir sobre ter uma empresa ou ter um emprego, você precisa descobrir o que quer fazer da vida. Sacar o que lhe encanta, o que lhe faz feliz, que atividade é aquela que lhe faz acordar contente segunda de manhã, ansioso para retomar o trabalho. Isso implica descobrir quem você, do que você é feito. Parece óbvio mas não é. Ao contrário: trata-se de um dos mais difíceis exercícios que alguém pode se impor – o do autoconhecimento. Mas é um dos mais necessários também.

E essa não será a hora de olhar para fora, para o mercado. Mas – o inverso disso – para dentro de você. Será a hora de perguntar para as suas gônadas, para a sua libido, o que lhe dá tesão. Um bom exercício é mapear que atividades você faria de graça, sem ganhar nada por isso, só pela paixão, só pelo gosto. Essas atividades, sejam elas quais forem, tem grandes chances de lhe oferecer a carreira dos seus sonhos.

Empreender não é, em si, melhor nem pior do que ser executivo. A carreira numa corporação não vai lhe fazer, per se, nem mais nem menos feliz do que o trabalho à frente do seus próprio negócio. Claro que há diferenças importantes na dinâmica dessas duas formas de trabalhar e ganhar dinheiro – e você poderá se amoldar mais facilmente a uma ou outra alternativa. Mas, no fundo, o que importa mesmo é o que você quer fazer, o que lhe apraz, o que lhe dá prazer e o que vai lhe trazer realização profissional. Entenda que empresariar é apenas mais um meio possível para você construir um dia a dia de felicidade profissional – não é um fim. O fim é acordar todo dia contente por ser quem você é e fazer o que você faz.

Ótimo findi procê. Seja feliz.

Comentários (2) 

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  • Paulo Francisco de Siqueira Costa

    Adriano, como sempre os posts mais gostosos de se ler em nosso exame.com. Um convite à reflexão: a frase de Carroll e o pensamento de Sêneca tem significado ...

  • Nikos Magnus

    É impressionante como dúvidas iguais a essa são comuns e antigas. O tempo passa, o mundo evolui, mas parece que os problemas existênciais são os mesmos de ...

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