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Manual do Executivo Ingênuo

03.01.2011 - 09h05

Todos merecemos férias uns dos outros

Férias assim são ótimas. Mas precisamos todos de férias individuais também.

Há dois anos minha mulher foi visitar uma amiga que estava morando na Espanha. Passou duas semanas fora. Conheceu Madri e Barcelona sem mim. Quando me disse que iria, e eu lhe perguntei que diaa embarcaríamos, percebi de cara que uma sentença não tinha conexão com a outra. Eu estava pensando na primeira pessoa do plural. E ela, na primeira do singular. Eu me referia a uma das nossas viagens dos sonhos, fazer Espanha e Portugal de carro, e no automático me incluía no pacote. Ela deixou claro, para a minha surpresa, que aquela viagem era outra, que queria ir sozinha. E assim foi: a sua primeira viagem a lazer sem mim em quase dez anos de casamento. Ela – sem marido, sem filhos, apenas ela, deixando para trás, por alguns dias, a sua rotina, os seus papéis, os seus compromissos. Fiquei com as crianças e a babá, mais a faxineira, tomando conta da casa que é tão dela, da vida que é tão nossa. Não foi fácil digerir essa ideia e aquela situação. Lembro que eu trazia as crianças todo dia para conversarem com a mãe no Skype e realmente não me sentia bem. Cada presilha nova no cabelo dela que eu percebia era uma pequena ofensa. Cada sorriso, cada maquiagem diferente, cada roupa que eu não conhecia ou não lembrava eram uma agulhada. Era muito fácil pensar em abandono, em rejeição, em ter sido preterido. Era muito fácil sentir ciúme. Ela, afinal, ia se divertir sem mim – e, pior, minha ausência era, aparentemente, um quesito relevante dessa diversão.

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