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Manual do Executivo Ingênuo

03.05.2010 - 11h01

Gravidez: embaraço ou vantagem competitiva?

A gravidez costuma ser perseguida no escritório. Será que não deveria ser comemorada?

Recebi esses dias email de uma leitora do blog que dizia assim:

“Caro Adriano,

Encontrei seu blog após uma demissão mal explicada há um ano. Me identifiquei bastante com todos os temas abordados por você e com o prório nome do seu blog. A causa das minha demissão, segundo meus chefes, foi o fato de eu estar infeliz com o trabalho. Me mandaram embora por causa disso, apesar de reconhecerem que sou uma profissional competente.

Tenho pouco mais de 30 anos, sou engenheira química, com mestrado e doutorado em engenharia bioquímica por uma universidade brasileira de ponta. Fui funcionária pública bem posicionada – pedi exoneração do meu cargo público (um ato criticado por muitos) e depois assumi o cargo de pesquisadora nesta empresa, na iniciativa privada, que me demitiu alegando que eu estava infeliz.

Me recoloquei poucos meses depois, mudei de cidade pela terceira vez em menos de três anos, e hoje, finalmente, estou realizando um desejo pessoal que há muito vinha adiando: a maternidade. Em meio a esta alegria privada, confesso que não estou nem um pouco feliz no meu terceiro emprego. Estou levando do jeito que dá. Trabalho numa empresa em que imperam os cágados, e eu não me identifico nem um pouco com isso.

Eu estava levando numa boa, afinal, a prioridade agora é a maternidade. Mas o destino sempre prega peças com a gente: há poucos dias me convidaram para participar de um processo seletivo em uma empresa de grande porte, reconhecida no mercado e com uma cultura voltada a resultados – o que me agrada muito. Além disso, trata-se de um trabalho ultramotivador. Aí é que eu lhe pergunto: uma empresa com esse perfil contrataria uma gestante no quarto mês de gravidez?

Confesso que essa situação é perturbadora. Tenho a sensação de que perderei uma grande oportunidade e acabarei me enterrrando neste emprego medíocre. Por outro lado, meu consolo é meu neném (ainda não sei o sexo) que há tanto tempo desejo em minha vida. Como posso me colocar, numa situação dessas, diante dos meus recrutadores? Marcaram entrevista comigo daqui há duas semanas…

Grande abraço e parabéns pelo seu trabalho.”

Eu li, reli, pensei e respondi o seguinte para ela:

“Obrigado por ler o blog e por entrar em contato. Da sua mensagem, depreendo o seguinte:

1. Você é inquieta. Gosta de desafios, de vento batendo no rosto. Lugares lentos não lhe atraem. E, no entanto, parece que você tem passado por vários deles. (Isso, em si, é interessante. As contradições em que às vezes nos metemos raramente ocorrem por acaso. E elas podem dizer muito sobre nós mesmos. Reflita a respeito.)

2. Você tem 30 e poucos anos, uma ótima idade para ter o primeiro filho. Quanto mais tarde, mais riscos haverá. E você deseja a maternidade. Então curta bem esse projeto. Se tiver condição, talvez não seja má ideia focar no ninho e no bebê de agora até, digamos, o sexto mês de vida no bebê, quando você começar a tirá-lo do seu peito. É um período único. Aproveite bem.

3. Minha estratégia seria a de ser bem agressiva e bem sincera com os entrevistadores. Não acho que eles vão contratá-la agora. Sua missão será impressioná-los para que você fique no radar e para que eles lhe contratem a seguir.

4. Uma pessoa com a sua formação e com a sua tenacidade conseguirá se recolocar facilmente. Este ano ou ano que vem. Apenas trate de fazer uma boa escolha – não é só a empresa que decide pela gente, a gente decide por uma empresa também.

Boa sorte em tudo. Beijo grande.”

Mas… será que estou certo? Será que minha resposta está completa? Ou, ao menos, apontando para o lado certo? Empresas deveriam ter como política contratar gestantes, quando elas são profissionais competentes e agressivas? Será que a gravidez é uma doença que abate a mulher profissionalmente – ou, ao contrário, é um momento radiante que a potencializa, inclusive para o mundo do trabalho? Será que, na mão contrária, mulheres deveriam tirar um sabático para ter seus filhos como se deve, com toda a calma, o foco e  atenção que gostariam de dedicar a si mesmas e a seus bebês? E os pais, como ficam nessa história?

Enfim, deixe aqui os seus dez centavos de sabedoria, ou, enfim, o saldo que houver em seu bolso, para enriquecer essa discussão que pode realmente ser útil a essa e outras mulheres e mães.

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Comentários (4) 

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  • Vagner Alexandre Abreu

    Cença, vou ver se contribuo com dois centavos de sabedoria =p. Falando sério agora, penso que gravidez não é doença, mas é algo que deve ser tratado com ...

  • Fabio Ribas Molinari

    Sou pai de uma gracinha de 8 mêses e hoje divido meu tempo entre o consultório de fisioterapia e minha casa, onde me dedico a curtir minha filhota e ajudar mi...

  • Cristiana de Britto Pereira Baptista

    Olá, sei que cada um é único e tem suas motivações... No momento estou grávida e, diferentemente de você, não estou empregada. Sempre atuei como executi...

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