Recebi esses dias email de uma leitora do blog que dizia assim:
“Caro Adriano,
Encontrei seu blog após uma demissão mal explicada há um ano. Me identifiquei bastante com todos os temas abordados por você e com o prório nome do seu blog. A causa das minha demissão, segundo meus chefes, foi o fato de eu estar infeliz com o trabalho. Me mandaram embora por causa disso, apesar de reconhecerem que sou uma profissional competente.
Tenho pouco mais de 30 anos, sou engenheira química, com mestrado e doutorado em engenharia bioquímica por uma universidade brasileira de ponta. Fui funcionária pública bem posicionada – pedi exoneração do meu cargo público (um ato criticado por muitos) e depois assumi o cargo de pesquisadora nesta empresa, na iniciativa privada, que me demitiu alegando que eu estava infeliz.
Me recoloquei poucos meses depois, mudei de cidade pela terceira vez em menos de três anos, e hoje, finalmente, estou realizando um desejo pessoal que há muito vinha adiando: a maternidade. Em meio a esta alegria privada, confesso que não estou nem um pouco feliz no meu terceiro emprego. Estou levando do jeito que dá. Trabalho numa empresa em que imperam os cágados, e eu não me identifico nem um pouco com isso.
Eu estava levando numa boa, afinal, a prioridade agora é a maternidade. Mas o destino sempre prega peças com a gente: há poucos dias me convidaram para participar de um processo seletivo em uma empresa de grande porte, reconhecida no mercado e com uma cultura voltada a resultados – o que me agrada muito. Além disso, trata-se de um trabalho ultramotivador. Aí é que eu lhe pergunto: uma empresa com esse perfil contrataria uma gestante no quarto mês de gravidez?
Confesso que essa situação é perturbadora. Tenho a sensação de que perderei uma grande oportunidade e acabarei me enterrrando neste emprego medíocre. Por outro lado, meu consolo é meu neném (ainda não sei o sexo) que há tanto tempo desejo em minha vida. Como posso me colocar, numa situação dessas, diante dos meus recrutadores? Marcaram entrevista comigo daqui há duas semanas…
Grande abraço e parabéns pelo seu trabalho.”
Eu li, reli, pensei e respondi o seguinte para ela:
“Obrigado por ler o blog e por entrar em contato. Da sua mensagem, depreendo o seguinte:
1. Você é inquieta. Gosta de desafios, de vento batendo no rosto. Lugares lentos não lhe atraem. E, no entanto, parece que você tem passado por vários deles. (Isso, em si, é interessante. As contradições em que às vezes nos metemos raramente ocorrem por acaso. E elas podem dizer muito sobre nós mesmos. Reflita a respeito.)
2. Você tem 30 e poucos anos, uma ótima idade para ter o primeiro filho. Quanto mais tarde, mais riscos haverá. E você deseja a maternidade. Então curta bem esse projeto. Se tiver condição, talvez não seja má ideia focar no ninho e no bebê de agora até, digamos, o sexto mês de vida no bebê, quando você começar a tirá-lo do seu peito. É um período único. Aproveite bem.
3. Minha estratégia seria a de ser bem agressiva e bem sincera com os entrevistadores. Não acho que eles vão contratá-la agora. Sua missão será impressioná-los para que você fique no radar e para que eles lhe contratem a seguir.
4. Uma pessoa com a sua formação e com a sua tenacidade conseguirá se recolocar facilmente. Este ano ou ano que vem. Apenas trate de fazer uma boa escolha – não é só a empresa que decide pela gente, a gente decide por uma empresa também.
Boa sorte em tudo. Beijo grande.”
Mas… será que estou certo? Será que minha resposta está completa? Ou, ao menos, apontando para o lado certo? Empresas deveriam ter como política contratar gestantes, quando elas são profissionais competentes e agressivas? Será que a gravidez é uma doença que abate a mulher profissionalmente – ou, ao contrário, é um momento radiante que a potencializa, inclusive para o mundo do trabalho? Será que, na mão contrária, mulheres deveriam tirar um sabático para ter seus filhos como se deve, com toda a calma, o foco e atenção que gostariam de dedicar a si mesmas e a seus bebês? E os pais, como ficam nessa história?
Enfim, deixe aqui os seus dez centavos de sabedoria, ou, enfim, o saldo que houver em seu bolso, para enriquecer essa discussão que pode realmente ser útil a essa e outras mulheres e mães.



















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Cença, vou ver se contribuo com dois centavos de sabedoria =p. Falando sério agora, penso que gravidez não é doença, mas é algo que deve ser tratado com ...
Vagner Alexandre Abreu
Cença, vou ver se contribuo com dois centavos de sabedoria =p.
Falando sério agora, penso que gravidez não é doença, mas é algo que deve ser tratado com delicadeza e dedicação. Se ela quiser trabalhar, ela deve ter a saúde em dia e acompanhamento total. Qualquer problema é algo grave a todos da família, pai, mãe e futuro filho.
Penso que o legal seria se dedicar agora total a gravidez, curtir o filho, e caso ela tenha gás para trabalhar, que consiga algo que ela possa trabalhar mais próximo do futuro filho/filha, ou seja em casa, até um futuro emprego. Talvez até o futuro emprego dela possa dar essa possibilidade, por que não?
Quanto ao pai, ele deve ser o grande parceiro e além do velho trabalho de “trazer o leão para a janta”, deve se possível cuidar do filho.
Mas pensando sobre a situação, creio que o legal seria a priore o orçamento ser reorganizado um pouco para lidar com pelo menos um ano sem o trabalho da mulher e com a chegada do filho.
Bem, não sou um grande entendedor de negócios e espero ter dito algo útil. =)
Fabio Ribas Molinari
Sou pai de uma gracinha de 8 mêses e hoje divido meu tempo entre o consultório de fisioterapia e minha casa, onde me dedico a curtir minha filhota e ajudar mi...
Fabio Ribas Molinari
Sou pai de uma gracinha de 8 mêses e hoje divido meu tempo entre o consultório de fisioterapia e minha casa, onde me dedico a curtir minha filhota e ajudar minha esposa nas funções. Por ter começado “mais tarde” esta profissão, os horários da minha agenda ainda não estão tão cheios, o que por um lado me faz sentir inseguro, mas por outro me permite ter tempo para dividir os mais ricos momentos com minha filha!!
A ansiedade de ter mais dinheiro, e assim mais conforto, as vezes vem me atordoar, porém sei que o que vivo com minha pequenina só terei a chance de viver agora e a progressão profisional pode ir acontecendo ao longo…
Percebo a cada dia que estes momentos cotidianos ficarão para sempre bem marcados, de forma para lá de positiva, tanto na minha vida quanto na dela.
O que eu procuro fazer para equilibrar as coisas é meditar, estudar, procurar caminhos de prosperar meu trabalho e gastar menos!!
Forte abraço
Fabio
Cristiana de Britto Pereira Baptista
Olá, sei que cada um é único e tem suas motivações... No momento estou grávida e, diferentemente de você, não estou empregada. Sempre atuei como executi...
Cristiana de Britto Pereira Baptista
Olá, sei que cada um é único e tem suas motivações… No momento estou grávida e, diferentemente de você, não estou empregada. Sempre atuei como executiva na área de Marketing de grandes organizações, tinha uma vida acelerada e, hoje, agradeço a possibilidade de estar curtindo cada dia da minha gestação. Não estou parada, estou montando o meu próprio negócio, mas poder me dedicar a tarefas totalmente novas (aprender sobre bebês, contatar outros grupos de pessoas etc) é também um aprendizado e não tem preço! Não se esqueça que um bebê muda completamente a nossa rotina (a sua já deve estar mudando) e conciliar isso com um emprego novo não é fácil…Aproveite este momento que é único em sua vida e exercite o outro lado do cérebro; isto também é desenvolvimento, evolução. E acredite: outras oportunidades profissionais “imperdíveis” surgirão no tempo certo.