27.06.2011 - 18h49

A única coisa que conta é a sua obra. O resto é vento. [O último post do Manual do Executivo Ingênuo]

Foram 391 posts e 1 781 comentários que eu jamais esquecerei. Muito obrigado, Exame!

Olha, se esta fosse a última chance que eu tivesse de dizer algo a você, talvez fosse isto o que eu lhe diria:

Não é o celular que você tem, nem com quem você anda, nem quantas músicas esquisitas você tem no seu iPod, nem se tem carro da firma ou não. Não é o tablet que você exibe na reunião, nem os nomes que conseguiu contrabandear para dentro da sua agenda, nem com quem você consegue almoçar, nem se está pagando as prestações de uma casa no campo ou na praia. Não é o tênis que você comprou naquele outlet em Miami, nem os gestos charmosos que foi aprendendo ao longo da vida, nem a sua calça Diesel (que talvez diga mais sobre as suas fragilidades do que de quanto você é esperto e bem sucedido). Não é o carro que você dirige, nem o número de amigos que você arregimentou no Facebook, nem a velocidade com a qual você adapta o seu linguajar aos termos e à prosódia que entram e saem de moda.

Não é nada disso, meu irmão. Não é nada disso, minha irmã.

O que conta, no final das contas, a única taxa de sucesso que vale na carreira, o que define você, o que o absolverá ou o condenará de modo sumário diante de qualquer corte, a começar pela sua própria consciência, onde quer que ela more, na hora de julgar a sua trajetória profissional, é uma coisa só: a sua obra. Aquilo que você construiu. Aquilo que você pode, sem sombra de dúvida e sem qualquer risco de estar afanando algo que não lhe pertence, chamar de seu. Os projetos que você bolou e fez virar, os resultados que você erigiu, aquilo que você criou e que vai lhe suplantar no tempo, como uma daquelas marcas indeléveis que tem o poder de contar histórias.

Mas uma obra é mais do que isso. É também as pessoas que você conquistou. É também os afetos que você angariou, o respeito, as boas lembranças, a torcida a seu favor, o que algumas pessoas chamam de reputação, o modo, enfim, como você será lembrado pelos outros – ou pelo menos entre aqueles que importam. Isto é uma obra – os seus feitos e o seu efeito nas pessoas. As paredes que você levantou e as admirações que você arregimentou – ambas as coisas são feitas de rocha sólida. Isso é o que ninguém jamais poderá lhe sonegar. Isso é o que nunca poderão roubar de você, por mais que queiram.

O resto, meu amigo e minha amiga ingênuos, acredite, é vento. O resto é só espuma. O resto é pó.

***

Foram 391 posts, contando este, deste o dia 8 de dezembro de 2008. Foram 1 781 comentários. Talvez você se lembre do que escrevi no post de estreia, aqui no Manual, que se chamava exatamente Talvez Você Se Lembre: “Minha missão é trazer para cá reflexões, insights, questões, provocações sobre essa vida que nos cabe viver como executivos, como empreendedores, como profissionais que fazem o capitalismo brasileiro versão 2009/2010. Somos uma turma que trabalha 12 horas por dia, perde mais quatro no trânsito, atua num mercado competitivo, em constante ebulição. Estamos no segundo casamento (no mínimo), temos dois celulares (no mínimo), vivemos culpados por ficar pouco tempo com os filhos, tentamos fazer academia para não criar barriga nem infartar cedo demais.”

Fiquei feliz e com uma sensação de dever cumprido ao reler agora esse statement inicial. Acho que chegamos lá, juntos, você e eu. Inventamos uma voz diferente no jornalismo de negócios brasileiro. Aqui, admitimos dúvidas e tentamos elaborar sobre elas. Aqui confessamos derrotas e tentamos extrair delas algum aprendizado. Aqui admitimos que não somos tão perfeitos quanto nossa foto no LinkedIn ou quanto o texto assertivo do nosso CV tentam fazer crer. Criamos um lugar para depor as máscaras, as armaduras, e falar de verdade sobre as alegrias e as tristezas, sobre as tragédias, as comédias e os dramas da vida real. O Manual do Executivo Ingênuo, por isso tudo, se tornou uma comunidade regida pela sinceridade. Não é um lugar só para certezas e conquistas – é um canto digital que construímos para comportar a totalidade daquilo que somos, mesmo quando não alcançamos compreender direito as sensações que aqui e ali nos arrebatam.

Agora é hora de partir. Principalmente porque a temática do Manual se expandiu organicamente para fora do mundo corporativo e das questões eminentemente ligadas à carreira e à vida nas grandes empresas. Não foi algo que eu planejei – mas que aconteceu ao natural, ao sabor das pautas que iam aparecendo e sendo saudadas ou apupadas por você.

Quero agradecer imensamente à Exame e à Abril por mais esse período em que fui acolhido e bem tratado. Obrigado pela confiança e pela paciência. Obrigado, Claudia Vassallo. Obrigado, Sandra Carvalho. Obrigado à Renatinha, ao Pilão, ao Elvis, ao Serginho Teixeira, ao João Sandrini, a todos os profissionais que de alguma maneira ajudaram o Manual do Executivo a acontecer ao longo desses 31 meses de convivência feliz.

O arquivo do Manual continuará vivo aqui nesse endereço – e você continuará encontrando aqui em Exame.com todos os demais blogs que enchem esse espaço de inteligência e relevância. Aos que quiserem continuar me acompanhando: basta acessar a partir de hoje o Manual de Ingenuidades, novo nome do blog (que já amplia um pouco o seu escopo, percebeu?) Adoraria encontrar você por lá. Seria uma honra. E uma alegria.

20.06.2011 - 18h53

Como trabalhar com gente que tem falta de ar ao pronunciar esse verbo?

O logo e o slogan desta empresa de cosméticos (que existe de verdade) oferecem ótima ironia para ilustrar esse post sobre a turma do mormaço, da roda presa, do "eu fora"...

O mercado de trabalho é uma fonte inesgotável de boas pautas para um blogueiro. E de ótimos personagens para um escritor. Qualquer mercado, suponho eu – basta haver gente que a riqueza literária está garantida. Mas falo com convicção do meu mercado, que conheço bem. Onde a fauna é exuberante.

Esses dias cruzei com mais uma dessas meninas. Se elas se conhecessem, talvez se organizassem ao redor de uma confraria. (Ou então vai ver que se conhecem e se odeiam. Sei lá.) Trata-se de um tipo de gente altamente enganadora. Deliberadamente desonesta. Que age assim porque considera que esse é o jeito certo de agir no mundo profissional. São do mal – embora nem sempre saibam disso com todas as letras. Eis o ponto: elas operam no Lado Sombrio da Força não por perversão. Mas por preguiça. Por lassidão. Por burrice.

É assim: diante dos chefes, patrões e clientes, assumem uma postura mimimamente aceitável. (Nem sempre conseguem. Ali mesmo, com frequência, já dão pistas de como operam. Muitos superiores preferem não enxergar. Pior para eles.) Mas quando quando elas viram as costas, para tratar com subordinados, fornecedores e parceiros, aí sim, mostram sua verdadeira cara. É gente que faz de tudo para não trabalhar. Então não assumem responsabilidades. Fogem de prazos. Fazem de tudo para não ter compromissos na agenda. Tem alergia a follow ups. Negligenciam tarefas e deadlines o mais que podem. Seu objetivo na vida e na carreira é esse: trabalhar o menos possível. Não carregar nada sobre os ombros, em momento algum. Seu foco não é jamais obter algum resultado. Sua missão é se esconder, se esquivar, não estar nunca na posição de serem cobradas. Jamais, em hipótese alguma, puxam algum problema para a sua conta e tentam resolvê-lo. Nem como favor à empresa nem como regozijo pessoal. Vivem para rebater pedidos, repassar demandas, espanar o que vier pela frente ou de cima para os lados e para baixo.

17.06.2011 - 09h52

Carta de um pai a uma diretora de escola

Isto faz algum sentido? (Ou: deixai as crianças expressarem suas individualidades, celebrarem suas diferenças, serem mais do que gado num rebanho de iguais.)

Eis a carta que enviei esses dias à diretora da boa escola onde meus filhos estudam:

Tomo a liberdade de lhe escrever para expressar e registrar um desagrado que me ocorreu nos últimos dias.

Meus filhos estudam em sua escola desde quando tinham três anos.

Temos sido muito felizes aí - quase todos os professores de nossos filhos foram ótimos, nunca houve maiores problemas em termos conceituais ou de estilo relacionados à pedagogia e à educação das crianças, e ambos tem se desenvolvido bastante, social e intelectualmente.

Entendemos desde o início que o colégio adota uniformes.

E naturalmente nos adequamos a esta regra.

Compreendemos como uniformes todos os itens obrigatórios que estão à venda na loja da escola – agasalhos, calças, casacos, pulôveres, camisetas, saias, calções, toucas de natação, sungas e maiôs.

Compreendemos como itens de vestuário que não fazem parte do uniforme aqueles que não são obrigatórios e que não estão à venda na loja da escola – tênis, meias, cuecas, calcinhas, prendedores de cabelos, sobretudos, luvas, bonés.

Enquanto que os itens de uniforme cumprem a sua função, qualquer que seja ela, os itens que não são uniforme também cumprem um papel muito importante – o de exercitar as diferenças, as individualidades, as expressões e preferências pessoais de cada um.

15.06.2011 - 12h30

O começo do fim do emprego doméstico no Brasil

Ninguém é de ferro!

Direitos trabalhistas para os trabalhadores domésticos? Ora, é claro que sim. Demorou. Por que já não fizemos isso há 70 anos, quando Getúlio progulmou a CLT? Pagar FGTS e horas extras, e respeitar uma jornada semanal de 44 horas para quem limpa meu banheiro e lava minhas cuecas? Óbvio que sim. Por que não? Ou melhor: como não? O que difere domésticas e babás dos demais trabalhadores brasileiros senão uma legislação perniciosa que discrimina quem trabalha em domicílio alheio, com todo o preconceito, a grande má fé, a renitente e insidiosa anti noblesse obligue que nos define culturamente? (A nossa herança, que nós relutamos em rejeitar, vem das relações entre casa grande e senzala. E estão aí, ainda hoje, vivíssimas, infelizmente.)

Hoje, no Brasil, trabalhadores domésticos tem direito apenas ao pagamento do INSS (o patrão paga 12%, eles 8%) e a ter carteira assinada. Não há férias estabelecidas e muitas vezes as próprias folgas seguem modelos ridículos – um dia por semana ou um fim de semana a cada quinzena são padrões de mercado. Ainda assim, apenas 15% dos mais de 7 milhões de trabalhadores domésticos brasileiros gozam desses direitos mínimos. O resto da turma que rema nas galés nem sequer tem direito à assistência médica do SUS ou à aposentadoria oficial. Labutam em regime de semiescravatura. Gente desprovida, deserdada, dependente.

13.06.2011 - 19h09

Um antídoto contra a grande modorra do casamento

Que tal sair um pouquinho da sua zona de conforto - ou seria melhor dizer zona da preguiça?

Ontem foi um dia de coisas bem simples. Mas também um dia bem especial. Achei que valia a pena dividir isso com você, meu amigo e minha amiga ingênuos. A beleza dos pequenos eventos é algo a ser celebrado.

Ontem foi Dia dos Namorados. Uma data comercial, é claro. Mas a gente se autossugestiona numa boa para as coisas que são legais, não? Ontem não perdemos, minha mulher e eu, a oportunidade de parar um minutinho com a louca cavalgada de sermos pai e mãe, de prover e de poupar, de cuidar e de torcer, e nos dedicamos por alguns minutos a sublinhar, à meia luz, o fato de que ainda somos e queremos continuar sendo namorados. E manter o élã num casal é difícil pacas. A gente se apaixona e casa. E casar, ironicamente, é o caminho mais curto para aniquilar aquela paixão. O casamento é uma forma de associação humana das menos afeitas ao cultivo do tesão, do carinho e do beijo na boca. O matrimônio é uma instituição dedicada ao extermínio da libido dos cônjuges. Então a gente tem que aproveitar cada chance que pinta para regar essa florzinha que plantamos lá atrás – no nosso caso, há mais de dez anos. Senão ela morre. O tempo de casamento vai construindo entre a gente um latifúndio coberto de grama. Grama até mesmo viçosa e bonita, às vezes. Mas grama. Flores, especialmente as mais coloridas e perfumadas, não costumam sobreviver nesse capinzal.

07.06.2011 - 18h08

Quando a falta de capricho é uma patologia

Não é só preguiça. É uma indolência que lhe joga para baixo, que lhe isola, que lhe aliena

Tem gente que toma seu tempo para fazer as coisas. São pessoas que fazem o que tem que fazer com capricho, com gosto, com atenção e desvelo. É gente que desfaz a mala em hotel. Que se instala no quarto e o customiza a ponto de realmente se sentir em casa. Mesmo que só vá ficar hospedado um par de dias. Essas pessoas imprimem seu jeito aos ambientes em que estão. Ensolaram as situações, transformam as experiências em passagens bacanas, agradáveis, macias, inesquecíveis. Basicamente, por investirem um pouquinho mais de tempo e energia, extraem muito mais prazer das pequenas e grandes coisas da vida.

Tem um cara na academia de bairro meio fuleira onde eu treino boxe (escolhi exatamente por isso, porque meu professor é boxeador de verdade, tem nariz quebrado e tudo, e eu fico me imaginando um pouco como o Rocky Balboa quando ele foi treinar naquela academia de fuleira em Los Angeles, onde o Apolo The Creed jhavia começado a carreira), bem, tem um cara que transforma o banheiro da academia numa suíte de hotel cinco estrelas quando vai se trocar. Abre suas roupas, demora no banho, faz a barba, se perfuma. Eu não sou assim. Quase nunca tomo banho fora de casa, levo o mínimo de apetrechos possível para onde quer que eu vá, nem gosto muito de encostar em nada quando estou lugares públicos. Faço o que tenho que fazer e vou embora. Não relaxo. Não me misturo. Não me sinto em casa.

05.06.2011 - 20h48

Com todo amor e carinho…

"There are places I remember/All my life, though some have changed/Some forever not for better..."

…segue meu Top 10 dos Beatles para você.

While My Guitar Gently Weeps

Something

In My Life

For No One

Because

Eleanor Rigby

Here Comes The Sun

The Fool On The Hill

She Is Leaving Home

Nowhere Man

Obras primas. As grandes baladas, as imensas melodias, as composições mais maduras, sinceras, introspectivas, inexcedíveis - e tristes, talvez – dos Fab Four. Todas estão à sua disposição no You Tube. Acho que essa lista é a melhor coisa que eu poderia recomendar a alguém, qualquer pessoa, nessa semana friorenta que se avizinha. (Ou em qualquer outro momento do ano e da vida, para falar a verdade.)

02.06.2011 - 08h22

Você deveria ter o direito de fumar maconha?

A revista argentina THC clama por lá por um direito que nós insistimos em negar por aqui

Uma enquete que está no ar no MSN, com quase 44 000 respostas até o momento, pergunta o seguinte: “Você é a favor da descriminalização da maconha no Brasil?” Com 21 014 votos, ou 49% das preferências, a posição que predomina até aqui na enquete é esta: “Não, aumentará o consumo dessa e de outras drogas nocivas à saúde”. Em seguida, com 32 % dos votos, ou 14 064 cliques a favor, vem a seguinte resposta: “Sim, enfraquece tráfico, movimenta economia e ajuda viciados a parar.” E, por fim, vem os indecisos, com 19% dos votos, que clicaram 8 403 vezes na opção: “Não sei, mas está na hora de haver uma discussão aberta na sociedade”.

Acho o resultado um bocado supreendente. (Você sabe, eu sou um ingênuo.) Então metade de nós ainda acredita da política atual de repressão às drogas? Uau. Então ainda acreditamos que tudo bem encher a cara de uísque, cerveja ou cachaça, mas fumar um baseado, de jeito nenhum? Puxa. Aí lembrei de um artigo que escrevi para a Exame quando ainda estava no Japão, em 1997. Não tenho mais a versão original do texto, batucado em algum PC de algum laboratório da KyoDai. Mas a versão editada, conforme foi publicada na revista, naquela grande Exame dos anos 90 que eu tive a felicidade de frequentar, segue abaixo. (Ainda estou bastante em linha com a argumentação daquele menino de 26 anos.) Era um tempo em que eu recebia a revista por Correio e quase desmaiava de contentamento ao ver meu nome impresso assim na melhor revista de negócios ao Sul do Equador: “Por Adriano Silva, de Kyoto”.

30.05.2011 - 17h50

O tremendo azar sexual da minha geração

Os anos 80 constituem um dos períodos mais sexualmente reprimidos do século 20

Eu deixei de ser criança aos 12 anos. Marco essa passagem nesse ano especificamente porque foi quando meus hormônios mudaram de cor, cheiro, forma e tamanho. Fui à minha primeira festinha ainda com 10, e de calção, achando que aquilo valia a pena só pelos brigadeiros, porque de resto preferia ainda correr lá fora com os moleques a ficar trancafiado dentro daquela sala à meia luz com um monte de meninas. Com 11, no ano seguinte, as festinhas – a gente chamava de “reunião dançante” lá no Sul – se tornaram uma constante e eu passei a vestir calças jeans, a melhor camisa disponível e até a arriscar um perfuminho. Mas foi somente com 12 que eu descobri a masturbação. E com ela me iniciei nas fantasias, redescobri meu próprio corpo e, em paralelo, as meninas ganharam um novo significado em minha vida.

26.05.2011 - 09h11

Sobre ateus, crentes e agnósticos

A vida e a morte seriam muito mais divertidas se Deus tivesse mesmo nos criado - e se a tese de que fomos nós que criamos Deus estivesse errada

Tenho tido conversas ótimas sobre Deus e sobre a origem de tudo, puxadas pelos meus filhos. Ambos tem 5 anos e meio. E estão muito interessados nesses temas – por iniciativa própria. Gostam de bater uns papos comigo a respeito. “Como nasceu o ser humano?”, “O que havia antes dos dinossauros?”, “Qual o primeiro bicho do planeta? Como ele surgiu?”, “Fantasma existe de verdade?” etc. Nossos colóquios se dão especialmente no carro, de madrugada, enquanto os levo para a escola. Eles fazem as perguntas certas, de modo espontâneo, e isso é bonito de ver. Às vezes gostam de tergiversar deliberadamente e aí tudo termina em piadinhas que eles criam e em risadas gostosas – o que é um jeito ainda melhor de começar o meu dia.

Tenho tentado ser pedagógico, educador em minhas respostas. Tenho minhas crenças e minhas dúvidas mas não uso essa oportunidade para impô-las nem para sugeri-las como o único modo de responder às perguntas que eles fazem. Opinião de pai tem peso – ou para ser seguida à risca ou para ser rechaçada sumariamente, sem muito titubeio. (E opinião de mãe, na idade deles, é uma lei pétrea.) Então primeiro ofereço a versão enciclopédica da resposta. Normalmente, começo dizendo que “isso ninguém sabe ao certo, não há uma resposta única, há pessoas acreditando em coisas diferentes”. E aí apresento as principais visões que existem sobre o tema. Se me perguntam o que eu acho, especificamente, aí sim declaro minha opinião. Frisando que é apenas a minha. Meu filho já declarou que não acredita em Deus porque viajou de avião e não viu ninguém sentado no céu. “Eu só acredito em anjinhos”, diz ele. (Eu também, meu anjinho, cada vez mais acredito só em vocês.)