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Germano Luders
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5 dicas para executar melhor os projetos de inovação

Felipe Scherer

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Muita energia tem sido dedicada a identificar novas oportunidades, gerar ideias e estimular a criatividade no ambiente de trabalho mas, na maioria dos casos, pouca atenção tem sido dada para transformar essa criatividade, ideias e oportunidades em resultados efetivos para o negócio.

Como consultor de gestão da inovação tenho acompanhado grandes empresas no Brasil todo durante os últimos 10 anos e um dos maiores desafios que tenho acompanhado tem sido executar os projetos inovadores.

Vejam que é importantíssimo estimular e desenvolver as competências de identificação de oportunidades, abertura para o novo e outras relacionadas à mudança dos status quo organizacional porém isso precisa ser complementado com uma execução disciplinada e, de preferência, acelerada.

Identifico alguns motivos para o culto ao “criar” em prol do “executar”:

As sessões de ideação são divertidas: se você já participou de alguma sessão de geração de novas ideias deve saber do que estou falando. Normalmente são feitas em locais descolados, fora da estrutura normal da empresa para estimular a criatividade e garantir que os participantes se desliguem das atividades do dia-a-dia.

A pressão sobre os participantes é pequena: programas de inovação internos mais democráticos, aqueles que permitem que todos possam trazer novas ideias, não cobram dos participantes qualidade nem quantidade. As pessoas participam sem correr riscos. As ideias podem ser boas ou ruins, o importante nesse momento é colaborar e contribuir com algo. Elas não precisam estar completas, responder todas as perguntas ou mesmo funcionar. São ideias, fragmentos de algo que será refinado no futuro.

As ferramentas estão mais entendidas e difundidas: nos últimos anos conceitos como brainstorming, design thinking e canvas do modelo de negócios ganharam notoriedade e foram incorporados à sistemática de trabalho de praticamente todas as empresas e equipes que estão trabalhando com inovação.

O tempo “gasto” para criar é menor: um dos recursos mais valiosos hoje nas empresas é o tempo dos colaboradores. A coisa complica quando estamos falando de envolver diferentes áreas e pessoas chave no processo. Todos estão envolvidos em um monte de iniciativas dentro da empresa e, é claro, ainda precisam entregar todo a operação do cargo que ocupam. Diretores reclamam que pulam de reunião em reunião. Gerentes que precisam se envolver na operação e analistas que falta tempo para fazer tudo e ainda prestar contas para os gestores. Agora fica a pergunta: o que cabe mais fácil na agenda, criar ou executar? Enviar uma ideia ou montar e testar um protótipo? Participar de um workshop de 4 horas de ideação ou tocar um projeto de 6 meses nas horas “vagas”? Montar um canvas de modelo de negócios ou validar a nova solução com o mercado?

– Pedir ajuda para criar é mais fácil: um dos conceitos que mais se difundiu na gestão da inovação foi a abordagem da inovação aberta. Convidar clientes, fornecedores e parceiros para sessões de cocriação e colaboração estão sendo usadas por muitas empresas. Receber ideias de qualidade vindas desse públicos requer estruturar bem as campanhas para garantir o engajamento, alinhamento e potencial das ideias recebidas. Coletadas as ideias, começa outro desafio: descolar dinheiro e pessoal interessado e disponível para transformar as ideias em realidade. Ainda temos a possibilidade de buscar ajuda para executar mas, por experiência própria, essa relação de execução requer mais gestão e envolvimento do que a primeira fase. Os detalhes de busca dos parceiros certos, cronograma, escopo/entregáveis, além da propriedade intelectual precisam de atenção e abordagem qualificada. Soma-se a isso um certa aversão a agentes externos apoiando em projetos dessa natureza.

Acho que já ficou claro que gerar as ideias é mais fácil que executa-las. Agora vamos algumas dicas de como suplantar esses desafios e equilibrar essa balança entre criação e execução.

1. Multitarefa é problema – muitas pessoas acreditam que quanto mais coisas fazem ao mesmo tempo, mais produtivas são. Esse é um problemas mais comuns que vejo nas empresas, colocar pessoas part-time para executar projetos de inovação. Quando me perguntam se é melhor colocar 10 pessoas dedicando 10% do seu tempo ou 1 pessoa 100%, de maneira geral, prefiro a 2a opção. Na primeira, a inovação (importante), sempre concorrerá com a operação (urgente). Escreverei mais sobre isso em um outro artigo em breve.

2. As ferramentas certas – desenvolvimento ágil, inovação enxuta, prototipação suja, entre outros conceitos são ferramentas aderentes para os projetos de inovação. A gestão de projetos tradicional com planejamento em cascata não é a melhor abordagem. Nos projetos de inovação o foco deve ser aprender o mais rápido possível, validando a solução e reduzindo as incertezas.

3. Parceiros na execução – aproveitar os parceiros como startups, universidades e fornecedores para acelerar os projetos tem sido importante para encurtar o caminho da execução. Com a abordagem e metodologia certa é possível trazer ótimos resultados ao portfólio de projetos através desses parceiros.

4. Sponsors dos projetos – projetos de inovação enfrentam muitas dificuldades na execução na disputa por recursos e nada melhor que o apoio declarado de alguém da alta gestão. Não digo apoio apenas à inovação, mas individualmente a cada projeto. Ter um sponsor de peso garante que os obstáculos da execução possam ser removidos.

5. Mentalidade hacker – Na sede do Facebook, um cartaz incentiva ser rápido e sobretudo agir. Nele está escrito: “Feito é melhor que perfeito”. Na maioria das vezes as ideias não são a parte mais difícil do processo de inovação. Mobilizar as pessoas e recursos para que elas se transformem efetivamente em algo concreto, um inovação, é o grande desafio para muitas empresas. Esse é um paradigma importante a ser quebrado, principalmente em empresas maiores.

Lembre-se: feito é melhor que perfeito!

Felipe Ost Scherer

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