22.05.2012 - 19h28

Marketing para produtos inovadores

Tão importante quando a inovação em si é a forma como essa novidade é comunicada.

Tenho acompanhado muitas empresas que utilizam uma estratégia inadequada para essa abordagem, não levando em consideração as especificidades que um novo produto ou serviço possui, especialmente quando esse for tecnológico.

Gosto muito da abordagem utilizada por Parasuraman e Colby no livro Marketing para Produtos Inovadores. Vejam alguns tópicos interessantes:

1. A abordagem de comunicação deve ser diferente dependendo do estágio. No início deve-se buscar os chamados pioneiros, um grupo que preza por novidades, são otimistas e acreditam que as inovações tecnológicas são meios de resolver seus problemas, tornando o dia a dia mais fácil.

2. Utilizar os chamados Evangelizadores. Muitas empresas como Apple e IBM possuem pessoas com essa função nos seus quadros. O papel do evangelizador é doutrinar o mercado sobre novas tecnologias, buscando mudar o padrão vigente. Um grande exemplo de Evangelizador corporativo é Guy Kawasaki. Ele trabalhou fortemente para que o conceito de computador pessoal pudesse ser assimilado pelo mercado. O sucesso do Macintosh na década de 80 passou pelo árduo trabalho de convencer os consumidores que esse produto não deveria ficar restrito a engenheiros aficionados por tecnologia.

3. Não basta ser inovador, é preciso parecer inovador. Todo ano a Apple realiza o MacWorld. Um grande evento dedicado a apresentar suas inovações. Nos dias de hoje, o mercado e os consumidores esperam ansiosos pelos eventos, havendo repercussão antes (apostas do que será lançado), durante (muitas sites transmitem o evento numa cobertura minuto a minuto) e depois (análises do que foi lançado). Toda essa movimentação já vai informando e preparando os consumidores para as novidades, que muitas vezes levam meses até chegar ao mercado.

Steve Jobs era um dos melhores Evangelizadores que tivemos nos últimos tempos. Além de grande executivo era também um grande comunicador. Coloquei abaixo o vídeo no qual ele faz o lançamento do iPhone em 2007.

Durante mais de 1 hora ele apresenta as vantagens e novidades que o aparelho trazia. O discurso é inspirador e otimista, contendo frases do tipo: “de vez em quando aparece um produto revolucionário que muda tudo… hoje a Apple vai reinventar o telefone…”.

E ele tinha razão!

08.05.2012 - 14h56

Inovação no Modelo de Negócio

Boa parte das pessoas acabam associando as inovações apenas a produtos. Parece ser natural tal percepção pois os produtos são os elementos visíveis das empresas. Na realidade o sucesso ou o fracasso de uma nova iniciativa pode não estar relacionado a suas características como produto ou serviço apenas mas de como nós montamos o modelo de negócios dela.

Lembro-me de um exemplo clássico ensinado nas escolas de administração quando falava-se em modelo de negócios: a Dell. Fundada em 1984 por um estudante da universitário, a grande inovação não estava apenas no produto que podia ser customizado pelos consumidores mas também no canal de vendas diretas. Utilizando-se de revistas especializadas e catálogos, a empresa construiu uma proposta de valor que era interessante para quem comprava (customização) e para ela mesma (que eliminava um elo do canal e consequentemente uma parte do custo.

Uma ferramenta interessante para montarmos modelos de negócios inovadores é a chamada Business Model Canvas.  Com ela podemos simular diferentes situações para os 9 elementos de um modelo de negócios: clientes, proposta de valor, relacionamento, canais, fontes de receitas, atividades, recursos, parceiros e estrutura de custos.

Vejam o video abaixo que explica a lógica da ferramenta:

13.04.2012 - 19h12

Pesquisa Gestão da Inovação no Brasil

Acaba de ser publicada a pesquisa Estágio Atual da Gestão da Inovação nas Empresas Brasileiras 2012. A pesquisa foi constituída a partir do entendimento de que transformar a inovação em competência gerenciável é o paradigma contemporâneo para empresas, governo e organizações sociais. O estudo teve como objetivo avaliar o desenvolvimento do cenário de inovação no ambiente corporativo brasileiro, identificando a relevância do tema, as práticas, barreiras e perspectivas futuras das empresas com a gestão da inovação.

 

Em 2010, a 1a Edição da pesquisa, então intitulada “Estágio da Gestão da Inovação no Brasil”, destacou as barreiras culturais de tempo, aversão ao risco e estabelecimento de incentivos para inovar. Também ressaltou o crescente interesse pela inovação aberta.

 

Nesta 2a Edição, o relatório dos resultados, também disponível em formato de apresentação, está organizado a partir dos principais insights encontrados e complementado pelos seguintes grandes temas: Estágio de Maturidade, Estratégia, Inovação Aberta, Formalização, Cultura e Perspectivas Futuras.

 

Os resultados da atual pesquisa evidenciam que as empresas:

 

1. descentralizam as fontes de inovação;

2. ampliam a formalização de suas práticas de inovação;

3. consolidam investimentos em pessoas, cultura e liderança;

4. diversificam os tipos de inovação priorizados

5. incrementam o volume de investimentos.

 

Vale a pena conferir os resultados completos:

http://www.innoscience.com.br/?pg=9046

27.03.2012 - 15h07

Qual a melhor idade para empreender?

Mark Zuckerberg fundou o Facebook quando estava com 20 anos. Steve Jobs tinha 21 quando montou a Apple Computers. Larry Page e Sergey Brin começaram o Google com 25 anos. O estereótipo padrão do empreendedor de empresas de base tecnológica é o jovem que ainda está cursando a faculdade e que desafia as regras antes mesmo de concluir os estudos, tornando-se milionário da noite para o dia.  Mas será que esse perfil é a regra ou a exceção?

A Kauffman Foundation realizou estudo para mapear o perfil dos empreendedores de empresas de tecnologia nos Estados Unidos e encontrou algumas coisas interessantes:

- Meninos-prodígios de vinte e poucos anos não são a regra na criação de novas empresas. Na realidade são exceção: somente 5% das empresas de tecnologia são fundadas por pessoas menores que 24 anos. A maior fatia (45%) está na faixa dos 35-44 anos. Aliás, 6% de todas as empresas estudadas foram fundadas por pessoas maiores de 55 anos (ou seja, nunca é tarde para empreender).

- Existe um relação direta entre experiência e capacidade de empreender. Em média os empreendedores tem 16 anos de experiência ao lançar uma nova empresa de tecnologia. O estudo aponta que devido a complexidade cada vez maior, muitas vezes experiências prévias são importantes para transformar uma ideia em algum negócio.

- Finalmente, o estudo também desmistifica a questão de que todo empreendedor de sucesso larga a faculdade no meio para se dedicar ao negócio. Somente 6% dos empreendedores não completam o ensino superior e 40% chega a realizar mestrado ou doutorado.

Confiram o estudo no link: http://sites.kauffman.org/pdf/Education_Tech_Ent_042908.pdf

 

 

 

23.02.2012 - 17h47

Como montar uma campanha de inovação aberta? Parte 2

No post anterior falei sobre dois aspectos importantes para montar uma campanha de inovação aberta: direcionamento (estratégia) e duração (torneio ou contínuo). Destaco mais 3 pontos fundamentais para uma campanha de sucesso:
- Propriedade Intelectual – a proteção do conteúdo gerado através das campanhas de colaboração para inovação deve ser uma preocupação desde o início do trabalho. Normalmente é feito um regulamento que apresenta as “regras do jogo” e deve ser apresentado àqueles que colaboram quando da suas participações iniciais. Uma boa alternativa para proteger a empresa nesse quesito são os chamados technology brokers como Ninesigma e Innocentive, empresas que fazem o meio campo entre os seekers (o lado que procura) e solvers (o lado que tem a solução).
- Recompensas – a política de recompensa é importante para mobilizar as comunidades para os desafios. Recentemente a Cisco lançou a campanha I-prize, no qual o desafio era identificar oportunidades de negócio que superassem a marca de 1 bilhão de dólares de mercado potencial. Para o vencedor a recompensa seria de 250 mil dólares. Com uma recompensa significativa, houve uma grande mobilização mundial em prol da busca da solução, envolvendo mais de 3000 pessoas de 156 países diferentes.
- Públicos –identificar o público alvo da campanha parte da premissa de estabelecer o desafio e o canal certo para cada um deles. Muitas vezes o desafio para as universidades precisa ser diferente do desafio dado aos usuários e clientes. Assim como aqueles que são dados a fornecedores. A Tecnisa utiliza o canal http://tecnisaideias.com.br/ para obter ideias dos usuários e clientes e busca através do canal Fast Dating (www.tecnisa.com.br/fastdating) uma aproximação prioritariamente maior com fornecedores e institutos que possam trazer novas tecnologias inovadoras para a empresa.
Abaixo os vídeos das duas iniciativas da TECNISA.

10.02.2012 - 18h11

Como montar uma campanha de inovação aberta?

Muito tem se falado de inovação aberta, co-criação, crowdsourcing, inovação em rede, etc… Mesmo assim, o número de empresas que consegue efetivamente utilizar essas práticas para inovar ainda é restrito. Separei alguns pontos que considero importantes para que haja uma iniciativa de sucesso nesse sentido:

- Direcionamento: as campanhas de inovação aberta precisam ter um direcionamento bem definido, ou seja, que tipo de colaboração queremos e para que. É o que chamamos de estratégia de inovação. Queremos que nos ajudem a inovar em que? Isso serve para mobilizar as pessoas em prol do objetivo desejado pela empresa.
- Torneio ou Contínuo: essa é uma decisão fundamental Vamos deixar o canal aberto permanentemente ou serão torneios específicos, com começo e fim definidos. A P&G com o Connect &Develop mantém seu canal permanentemente aberto, incluindo desafios e os retirando quando encontra as soluções desejadas. Já outras empresas, como a Pepsico, no caso do torneio Faça-me um Sabor do Ruffles, realizou um torneio. A escolha passa por uma questão simples: temos como manter mobilizados os públicos-alvo das campanhas por quanto tempo?

Abaixo, os vídeos das iniciativas da P&G e da Pepsico.

No próximo post, trago outros pontos importante para termos uma campanha de sucesso.

31.01.2012 - 18h59

Como medir a inovação?

Um dos temas mais críticos para aqueles que trabalham com gestão da inovação é como medir os resultados dos esforços inovadores. Seguidamente percebo que diferentes questões atrapalham essa mensuração e em alguns casos não se consegue afirmar como certeza se os esforços de inovação estão trazendo resultados ou mesmo que os indicadores utilizados sejam úteis. Eis algumas dicas para melhorar esses controles:

 

- Montar um conjunto de indicadores adequados – assim como o BSC (balanced scorecard) criou uma lógica de causa-efeito para implementação da estratégia, os controles de inovação devem envolver indicadores relacionados a criação de um ambiente favorável à inovação, a gestão do processo de inovar e, claro, o atendimento da estratégia de inovação e seus resultados.

 

- Monitorar os projetos do inicio ao fim – falta de controle dos projetos ocorre especialmente em empresas que possuem uma quantidade significativa de projetos e conseqüentemente envolve diferentes áreas e pessoas. Nesses casos, o desafio está na consolidação dos dados mas também no monitoramento por parte dos gestores da inovação. O resultado individual de cada projeto deverá compor o resultado final dos esforços de inovação.

 

- Estabelecer horizonte de tempo de geração de resultados – uma inovação continua trazendo resultados num horizonte de tempo que pode variar de setor para setor. Por exemplo, um novo produto no mercado de software provavelmente será mais perecível do que um no mercado siderúrgico. Assim, cabe definirmos o horizonte de geração de resultado baseado no ciclo de vida dessa inovação. A pergunta é quantos anos essa novidade gerará um resultado diferenciado?

 

17.01.2012 - 16h44

O desempenho das empresas inovadoras em 2011

Saiu o fechamento do Índice Innoscience de Inovação. Esse índice representa o desempenho das ações de empresas inovadoras brasileiras que possuem papéis listados na Bovespa.
A carteira do 3i é formada por 31 empresas que obtiveram algum tipo de reconhecimento publico (premiação) em relação à inovação por publicações especializadas como a Revista EXAME.
O resumo de 2011 é o seguinte: a carteira do 3i fechou o ano com desvalorização de 6,84% enquanto o Ibovespa desvalorizou 18,1%. Desde 2007 a carteira das inovadoras valorizou 215%, o que equivale a 88 pontos percentuais acima do Ibovespa no período.
Vejam abaixo o desempenho mês a mês no ano de 2011.

05.01.2012 - 19h11

De onde vêm as boas ideias

Esse video foi lançado no ano passado mas traz uma visão bastante interessante de um elemento importante para o processo de inovação: a colaboração. Normalmente uma inovação é fruto da combinação de diferentes pontos de vista e da conexão de diferentes situações gerando uma nova.
A prática de “jogar uma ideia” de um lado para outro foi chamada de polinização cruzada, fazendo uma alusão ao fenômeno natural que acaba produzindo plantas com variedades superiores. Na inovação o resultado é semelhante!
Quem ainda não assistiu, vale a pena!

 

20.12.2011 - 18h08

Retrospectiva inovação 2011

Com o final de ano, chega também o momento de fazer uma retrospectiva do acontecido. Acredto que 5 destaques em relação à inovação valem a referência:
1) Tablets – dizem que esse será o Natal do tablet. Acredito que foi o ano da consolidação do aparelho como alternativa de entretenimento e ferramenta de trabalho. Além dos tradicionais iPad, Galaxy e Xoom, surgiram uma enorme gama de opções com diferentes faixas de preço.
2) Android – esse ano também foi o ano do Android. Hoje mais de 50% dos smartphones utilizam o sistema operacional do Google. Com o aumento da venda desses telefones e dos tablets, o robozinho deve crescer ainda mais em 2012.
3) Rede Social – o Orkut já tinha caído no gosto dos brasileiros mas o Facebook conseguiu quebrar uma barreira entre os resistentes de diferentes idades. Somado a isso, o filme a Rede Social conseguiu ampliar a divulgação da empresa, trazendo pessoas de diferentes gerações para o mundo da interação virtual.
4) Compras Coletivas – estima-se que hajam mais de 1.600 sites de compra coletiva no Brasil. A febre dos cupons fez com que diversas empresas se aventurassem nesse mercado, mas o fato é que a combinação de desconto com interação na rede conquistou os brasileiros em 2011.
5) Cocriaçào – para fechar o top 5 da retrospectiva do ano, destaco a consolidação dos movimentos de criar com os grupos de interesse. Diversas empresas brasileiras utilizaram seus públicos para gerar e implementar novidades em seus produtos e serviços. Um exemplo é o caso do novo sabor do Ruffles que recebeu mais de 2 milhões de ideias em sua campanha.