São Paulo
Germano Luders
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iPad já era

Gilson Schwartz
A internet das coisas e nas coisas é a nova onda

Internet das Coisas: fronteira na pesquisa e na inovação empresarial

O mercado das coisas digitais viu no final de 2012 um de seus ícones perder terreno: as vendas da Apple decepcionaram e, pior ainda quando se trata de um mundo movido a inovação, sem Steve Jobs a empresa ficou na rabeira: teve que dar o braço a torcer e correr atrás do design dos tablets coreanos, entre telefone e tablet. Nunca antes na história da empresa isso ocorrera.

Qual o futuro da internet e seus ícones de mercado, que eu prefiro designar por “iconomia”? Em meio à mais profunda crise financeira da história do capitalismo, já produzindo as clássicas feridas sociais e políticas, poderá a inteligência tecnológica revelar-se menos terrível que as distopias mais negras à la Big Brother?

Uma parte importante da resposta é observar o que vai revelando o próprio mercado onde se concentra a onda inovadora: o mundo das redes.

A edição de janeiro do boletim “OECD Insights” destaca a emergência das “smart networks” (redes espertas, inteligentes) e resume as conclusões de um estudo publicado na semana passada. Nos próximos cinco anos a expectativa no Primeiro Mundo é que um domicílio com dois adolescentes terá 25 “coisas” conectadas à internet. A tranqueira interconectada chega a 50 em 2022. Atualmente, a média já está em 10 coisas conectadas à rede por domicílio. Traduzindo para o conjunto de países da OCDE: haverá 14 bilhões de interfaces conectadas. Hoje há 1,7 bilhão. Números relativos apenas a domicílios.

O iPad e possivelmente outras centenas de “gadgets”, “devices” e “interfaces” são apenas a espuma produzida por uma onda profunda cujas repercussões materiais (hardware), simbólicas (software) e intangíveis (conhecimento, poder e riqueza) tornam-se a cada ciclo (e crise) mais complexas e imprevisíveis.

Há no entanto uma única certeza. Esses ícones da economia digital alteram nossa capacidade de sobrevivência num planeta de recursos escassos. Ocorre que a era pré-digital consagrou um capitalismo inicialmente predatório, depois de acumulação. Ao colocar a ciência e a tecnologia a serviço do crescimento econômico (e da dominação militar), a humanidade ao mesmo tempo liberou uma infra-estrutura que é, sempre, também super-estrutura: as redes.

Nas redes, se e quando servem a propósitos inteligentes (como a formação de redes sociais à la Facebook ou mecanismos de busca como o Google), surgem oportunidades muito reais de criação e inovação nas camadas de hardware, software e inteligência. A exploração predatória e a acumulação como uma finalidade em si ofendem a inteligência.

Essa é a nossa única, humana esperança.

LINKS (em inglês)

OECD Insights discute “Smart Networks”

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