Iconomia

14.09.2012 - 08h18

USP nas nuvens

A Universidade de São Paulo está nas nuvens. Pelo “ranking” de universidades publicado há dias pela Folha de S.Paulo (RUF), a USP é o topo do telhado da torre mais alta do castelo de saberes, conhecimentos e pesquisa aplicada do Brasil.

Do alto dessa torre, olho a paisagem (que antigamente chamavam de cenário). A metáfora da torre do castelo, como a mais célebre “torre de marfim” (garanto que está mais para torre de Pisa do que para refúgio de paxás), é ainda muito material, tangível, física.

Há uma outra significação para a palavra “nuvem” quando saímos do nível materialista e produtivista e pensamos no espaço/tempo/projeto da USP como “torre de marfim” (minoria da elite que se dedica a ensino, pesquisa, cultura, extensão e empreendedorismos mil), sim, mas agora como torre digital, virtual, intangível e eletrônica, onda e partícula, rede audiovisual cujas interfaces fazem fronteira com Facebook, LinkedIn, Twitter e quetais.

A USP será a primeira universidade brasileira a utilizar intensiva e institucionalmente um sistema de computação em “nuvem”, que já é comum nas rotinas de universidades do exterior, como Harvard, Stanford e Massachusetts Institute of Technology (MIT), e empresas como Google, Amazon e Microsoft, entre outras.

Na Universidade, por iniciativa da Reitoria, a implantação do sistema de computação em “nuvem” teve início há cerca de um ano e meio e os principais benefícios serão em relação à economia de recursos e à visibilidade da própria Universidade. A computação em “nuvem” deverá atender a questões de sustentabilidade como obsolescência, lixo eletrônico, energia, segurança digital e patrimonial. Além disso, com um programa robusto em computação, haverá a garantia de cópias de segurança realizadas por equipes especializadas.

A computação em “nuvem”, o chamado cloud computing, é um conceito que permite o acesso a um conjunto de serviços e sistemas via internet. Conjuntos de supercomputadores, que operam em rede, formam a chamada “nuvem”, que armazena softwares, documentos e aplicativos de um sistema. Para ter acesso aos arquivos, basta que o usuário do cloud tenha acesso à internet. Com isso, não existe a necessidade de se guardar dados em computadores ou em pen-drives.

LINKS

Saiba mais sobre a USP nas nuvens no boletim USP Destaques.

Acesse: USP Destaques nº 66 – 13/09/12

No próximo domingo, a OAB entra na discussão com a terceira edição do CIBERJUR, onde às 9h30m falo com Edison Spina (Escola Politécnica) sobre “A USP e a internet das coisas nas nuvens”.

Acesse o Programa Completo e mais informações sobre a maior e mais intensa convergência de advogados, juristas e especialistas em temas legais tratando da “matrix” onde estamos colocando o futuro da raça e do planeta.

“Viver nas nuvens” é também fantasiar, andar meio desligado sem sentir os pés no chão, portanto a ocupação da nuvem digital com jogos, brincadeiras, games e criatividade em artes e entretenimento é tão essencial (na sociedade contemporânea, até mais), contraponto a fazer “hard” e “soft” science, inovação tecnológica e científica avaliada pelo mérito intelectual. Aliás, é difícil viver nas nuvens diante a pressão por publicar em periódicos científicos de primeira linha, escrever e publicar (mesmo que ninguém compre) livros esotéricos ou exóticos de tão especializados e enredados no jargão inevitável da “carreira/correria acadêmica”.

Na próxima quinta-feira, 20 de setembro, organizo um seminário para discutir essa convergência da unversidade e dos games nas nuvens digitais, com a apresentação da tecnologia e estratégia de mercado para América Latina da UNITY, a principal empresa do mundo que oferece softwares para a criação de games. O seminário com Jay Santos, Field Engineer e Evangelista para América Latina da empresa.

No Tweeter da rede Games for Change no Brasil há mais informações: https://twitter.com/g4c_br

Também com link na minha página do Facebook, acontece na próxima semana um megaevento para celebrar 300 anos de Jean-Jacques Rousseau. Os cursos de filosofia da USP e da PUC-SP promovem o evento cujo Programa completo (108 páginas!) está disponível online.

Mas… o que tem Rousseau a ver com a metáfora da nuvem e ainda mais… de uma nuvem digital? É preciso ler as 108 páginas do programa do evento, que inclui concertos e apresentações teatrais da obra do luminar do iluminismo e do romantismo, para entender que a USP (nesse caso, em parceria com a PUC-SP) é um jardim (ou vários jardins) onde iluminismo (razão, técnica, instrumental, comunicativa e colaborativa) convive com o romantismo (do esplendor ecológico dos vários “campi” no Estado de São Paulo ao engajamento social na crítica aos contratos, aos valores e à sociedade).

Para ser fiel a Rousseau, é preciso finalmente abandonar completamente a metáfora da torre isolada, pois isso equivale à morte na sociedade em rede.

Ao subir para as nuvens a USP torna-se mais acessível e portanto, de utilidade prática, valor real e referência ética na contínua e pedagógica obra de lidar com nossos lados “bom selvagem” e “rei filósofo”, sem que se saiba muitas vezes ao certo qual o lado “bom”, qual o lado “mau”. Talvez a reflexão sobre indivíduo, contrato social e amor à natureza tenham tudo a ver com a sociedade do conhecimento compartilhado em benefício de uma ampla, geral e irrestrita intensificação do empreendedorismo criativo e sustentável.

O acesso ao programa completo do Simpósio está disponível também no meu Facebook.

De volta ao Face

Como dizia meu locutor de futebol preferido dos velhos tempos, o Fiori Gigliotti, o teeeeeempo passa! Seis meses depois de iniciar a atiidade de blogueiro na EXAME, tive a imensa felicidade de ficar quase a semana toda entre os mais lidos do portal. Agradeço a você, leitor, que justamente ao sair do anonimato e pelo menos dar um “like” no Facebook enriquece a experiência de ser um romântico bom selvagem digital brasileiro.

O mesmo não se pode dizer da qualidade da experiência dos investidores que compraram ações da empresa. Nunca as redes sociais foram tão importantes, em termos de mercado de capitais a maior empresa do ramo está mais para “defriend” do que para “like”, as cotações inspiram novas cautelas quanto a saber qual o modelo sustentável de redes sociais. Será que logo estaremos migrando em massa do Face para outras ferramentas, como em boa medida aconteceu com muita gente na história do Orkut no Brasil?

Cultura: economia e ícones na política federal e estadual

O mercado de redes sociais e os desafios da monetização da cultura digital terão ênfase extraordinária na gestão Marta Suplicy no Ministério da Cultura.  Ela entende a coisa digital, pois foi na sua gestão que surgiram os pioneiros “telecentros”, antepassados dos “pontos de cultura” cuja rede enfrentou problemas de governança e sustentabilidade sérios ao longo da gestão Ana de Holanda. Mas permito-me ao saudar a conversão da Senadora ao Ministério Dilma lançar ao vento (solar) um elogio à sua passagem pelo MinC: houve avanços importantes no campo da reorganização do debate sobre a regulação e o financiamento à Cultura (sem isso, teria sido impossível o Senado acelerar e entregar, no dia da posse, um novo marco legal para as relações entre Cultura, Estado e Mercado. Muita gente jogou muita “bosta na Geni” (para usar a célebre sacada do irmão da ex-Ministra, Chico Buarque), mas ela assegurou avanços que não podem ser ignorados em nome do radicalismo dos ativistas do software livre. Em tempo notável, houve importante consolidação no setor de economia criativa do MinC (alerto que aceitei ser membro da Comissão Julgadora do Prêmio do MinC para pesquisas e projetos em economia criativa).

A nova ministra cometeu apenas uma pequena gafe ao tomar posse lembrando de Celso Furtado como primeiro Ministro da Cultura (Presidente Sarney).

O primeiro ministro da cultura foi José Aparecido de Oliveira, político que como todo mineiro foi um competente articulador. Era do grupo do Presidente Tancredo Neves, nomeado por Sarney ao assumir em lugar de Tancredo, falecido antes da posse.

E por falar em posses, o governo estadual paulista não ficou por menos no campo da Cultura: deu posse a João Batista de Andrade, um ícone na história do cinema e do audiovisual no Brasil, como dirigente máximo do Memorial da América Latina.

Subsídio, inflação e juros

Graças aos “likes” e acessos no Face, no Tweeter, inShare, LinkedIn e Google+, mais o termômetro que é o “ranking” da EXAME de postos mais lidos em 24 horas e na semana, tive a imensa satisfação de ficar em primeiro lugar na categoria “24 horas” durante o feriadão de 7 de setembro e seguir entre os mais lidos durante uma semana.

O agravamento da crise traz para primeiro plano a urgência de visões críticas da crise. Agradeço imensamente o carinho, atenção e comentários recebidos de leitores desse blog nas mídias sociais ou por email pessoal.

No entanto resistir a comentar o novo “pacote de bondades” da Presidenta Dilma nessa semana. Prometo voltar ao debate e avaliar novamente, do ponto de vista da urgência de reformas estruturais, os efeitos da economia de subsídios e cotar, preços administrados e juros em recorde de baixa enquanto os indicadores de inadimplência e inapetência por crédito e inevstimento privado continuam preocupantes.

O problema dessas engenharias heterodoxas é que se o elástico arrebenta, a urgência de reformas estruturais vira emergência de ajustes estruturais (fiscais, monetários e de governança, regulação e jurídicos) que sempre funcionam em bases mais violentas de imposição do que Celso Furtado celebrizou como nosso traço estrutural maior: a “socialização das perdas”.

O governo Lula e em muitas áreas a gestão Dilma avança de forma expressiva para promover a socialização dos lucros e superávits fiscais, cambiais e financeiros. É meritória e totalmente inédita na história econômica brasileira (Celso Furtado daria testemunho em favor de Lula por ter alcançado algo “nunca antes na história desse país” realizada.

O lado B da heterodoxia é o ativismo que despreza a necessidade de transformação para que haja estabilização econômica, social e política. Arrisca-se a virar populismo e muitas vezes, com sangue, suor e lágrimas fica encarregada de administrar a “socialização das perdas”.

Nesse momento estamos em plena transição, que exigirá do Ministro da Fazenda habilidades de monge, mais que de samurai.

 

 

 

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