Apertem os cintos, o liberalismo sumiu!
Assim pode resumir-se o sinal de alerta lançado nessa semana pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Crescimento global menor, investimentos ainda retraídos, aperto fiscal e desemprego, essa mistura é fatal para o livre comércio. No salve-se quem puder da crise que se arrasta há quatro anos, fechar mercados, nacionalizar recursos naturais e “desprivatizar” ganham a cada dia mais força.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, classifica o nível alcançado pelo protecionismo de “alarmante”. O tema deve chegar às manchetes dos jornais na semana que vem, quando começa nova reunião do G-20, no México.
As restrições ao comércio internacional são maiores entre os países mais ricos: são 3% de travas ao comércio global, mas a taxa chega a 4% do comercio entre os países do G-20. O mecanismo é conhecido: quando cai o movimento comercial, governos e empresas partem para a ignorância, ou seja, procuram compensar o estreitamento do mercado para exportações impondo restrições às importações. Resultado: o comércio internacional fica ainda mais abalado, num círculo vicioso que agrava as dificuldades já monumentais que decorrem do baixo nível de investimentos, do desemprego e da redução do poder de gasto dos governos (já que a arrecadação de impostos cai numa intensidade diretamente proporcional à redução da atividade).
O tombo no comércio internacional aparece na taxa de variação entre 2010 e 2011: de 13,8% para 5.0%. Em 2012, a OMC antecipa uma expansão do comércio mundial de apenas 3,7%. A média dos últimos 20 anos foi de 5,4%.
Políticas de “substituição de importações”, que foram há uma ou duas décadas declaradas furibundas por economistas dos países ricos quando criticavam os modelos adotados por países em desenvolvimento, tornaram-se agora parte da retórica e da prática nas economias mais desenvolvidas. Mas essas restrições não aparecem nos jornais ou nos discursos: são simplesmente adotadas pelas burocracias alfandegárias.
Link
O relatório da OMC, publicado no dia 31 de maio, está disponível (em inglês) na internet.
Conexão Coréia do Sul
Continua no ar a sondagem patrocinada pela agência de comércio internacional da Coréia do Sul (Korean Trade Agency) na área de eletro-eletrônicos, telecomunicações e novas mídias, as TICs (tecnologias de informação e comunicação). O objetivo do governo coreano é aproximar empresas brasileiras e coreanas em todos os setores que envolvem eletrônica e telecomunicações avançadas.
Empresas interessadas podem acessar o formulário online da Kotra.


Gilson Schwartz é economista, sociólogo, pesquisador e empreendedor digital. É Diretor para América Latina da rede "Games for Change" e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.
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