Iconomia

24.05.2012 - 13h51

Marxianos invadem a internet

A sociedade em rede não é uma terceira via da emancipação além da fronteira da imaginação capitalista e imune a tentações totalitárias.

É uma nova gaiola onde a escravidão é multimídia e 3D. Onde antes havia um proletariado para mudar o sistema, agora existe um sistema que recria em tempo real nossa condição de trabalhadores precários, em redes e projetos, um “precariado”.

Essas são ideias dos “marxianos” ou marxistas de cátedra, ou seja, pensadores revolucionários que invocam a tradição de Marx e outros radicais, ainda que sem um sujeito revolucionário para chamar de seu. A tribo, ao menos sua expressão acadêmica maior, reuniu-se há um par de semanas em Uppsala.

Manuel Castells é um dos representantes maiores da academia vendida, pesquisadores e teóricos não-marxianos dispostos a retratar com filtros otimistas o mergulho da sociedade contemporânea na escravidão pós-colonialista.

A “invasão marxiana” coincide com uma nova crise capitalista de natureza global. Nunca antes na história os setores mais pesados da acumulação de capital como jogos de azar, drogas e armas estiveram tão ativos, articulados e próximos a núcleos de poder no executivo, no legislativo e no judiciário em todo o mundo. Milhões de jovens sequer chegam à condição de proletários, tornam-se pura e simplesmente precários, disponíveis para negócios alheios à ética, ou seja, à condição dos outros.

A solução para esse impasse num momento em que as tecnologias digitais tornam-se a fronteira do que Marx denominava “forças de produção” está no redesenho das “relações sociais de produção”.

Você pode não ser marxista, detestar a ideia de uma revolução proletária e sentir calafrios ao ouvir um barbudo dizer que “a religião é o ópio do povo”. Mas, ouça: a mensagem dos marxianos, adaptando a agenda marxista e revolucionária aos novos tempos, produz interessantes vislumbres do que poderiam ser outros caminhos para esse capitalismo das sombras, da depressão e da morte.Marxianos porém não “marxistas”, pois de fato não sobrou sequer “com quem” fazer a tal da revolução.

Links

Para o “New Marxian Times”.

Notícias

Assinado o contrato entre BNDES e USP que dará início nas próximas semanas à pesquisa “O Futuro da Indústria de Games no Brasil“, envolvendo um grupo significativo de universidades, associações, empresas e desenvolvedores a partir da coordenação do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica (PGT) da USP. Participo da coordenação do projeto, que terá um ano para chegar a novas propostas de políticas públicas na área de games e entretenimento digital no Brasil.

Ainda com foco na economia dos games como plataformas complexas que podem ser desenhadas para transformar processos empresariais, sociais, educacionais e culturais, acontece entre 18 e 20 de junho o “Games for Change Festival” em Nova York. Participo relatando o primeiro ano de atividades dos capítulos brasileiro e latino-americanos da rede “Games for Change Latin America”.

Conexão Coréia do Sul

Por fim, mas não por menos, estamos nesse momento realizando uma sondagem para a agência de comércio internacional da Coréia do Sul (Korean Trade Agency) na área de eletro-eletrônicos, telecomunicações e novas mídias, as TICs (tecnologias de informação e comunicação). O objetivo do governo é aproximar empresas brasileiras e coreanas em todos os setores que envolvem eletrônica e telecomunicações avançadas.

Empresas interessadas por favor acessem o formulário online da Kotra.

 

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