Recebi, em São Paulo, a visita de dois ingleses especialistas em vinhos que me pediram para apresentá-los a um dos bons restaurantes locais. Claro que nessa escolha eu precisaria levar em consideração a carta de tintos, brancos e afins e, por isso, segui direto para o Varanda, que tem o competente sommelier Tiago Locatelli.
Tiago, que fez o curso da The Wine School, domina como poucos as diferentes uvas e os estilos de vinhos e tem na ponta da língua uma sugestão de rótulo para os diferentes pratos do menu. Para quem não sabe, ele é gaúcho e começou a carreira como copeiro de uma churrascaria em São Paulo, mas logo se interessou pelo mundo dos vinhos e teve a sorte de trabalhar com outro excelente sommelier Manoel Beato, do Fasano.
Hoje, à frente da adega do Varanda www.varandagrill.com.br, considerado um dos melhores restaurantes de carnes da cidade – e também uma das melhores cartas de vinhos do país, com aproximadamente 550 rótulos de 90 regiões diferentes do planeta, fornecidos por mais de 25 importadoras, e que pratica uma margem de lucro bastante justa, um exemplo para a maior parte dos estabelecimentos brasileiros-, Tiago se consolidou como profissional – já foi apontado com o título de “melhor sommelier” em diversos concursos da especialidade. Seu serviço e ajuda foram fundamentais para viver uma experiência fantástica de harmonização de carnes e vinhos.
Para abrir o apetite, ele nos recomendou um espumante nacional Brut Dal Pizzol Champenoise – ótima maneira de despertar os sentidos e limpar as papilas gustativas. Na sequência, veio um apetitoso couvert com uma variedade de pães recém-saídos da fornada acompanhados de azeitonas pretas, carpaccio de carne muito fina, verduras tipo finger foods e uns bocconcini muzarella muito frescos.
Antes do prato principal, saboreamos uma entrada de folhas verdes. E Tiago logo nos apresentou a garrafa de tinto que acompanharia os grelhados. Escolheu um argentino em vez de um rótulo brasileiro, pois Tiago, assim como outros sommeliers, aderiu ao boicote ao vinho brasileiro – uma reação às medidas de salvaguarda contra o vinho importado requisitado pelas entidades que defendem os interesses dos produtores gaúchos. O Achaval Ferrer Quimera 2009 combinou muito bem com os três suculentos cortes (top sirloin, coração de picanha e rib eye).
Continuamos com uma taça de vinho doce grego Boutari Samos, elaborado com a aromática uva branca Muscat Blanc à Petits Grains a uma altitude de 900 metros. Muito floral, cheio de fruta e aromas a pétalas de rosa e flor de laranjeira foi a parceria ideal para as frutas tropicais, que provocaram a curiosidade dos comensais.
E como manda a tradição, Tiago ofereceu uma taça de LBV, um Vinho do Porto concentrado, repleto de camadas de frutas, com acidez perfeita e muita complexidade, um par infalível para sobremesas à base de chocolate.
Acho que cumprimos o objetivo de receber uma visita com todo o carinho e alegria que só os brasileiros sabem tão bem fazer e que já faz parte de sua idiossincrasia!
Cheers!


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Eugenio Echeverria
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