03.05.2013 - 10h27

Bistrot, Bar de Tapas ou Osteria

Comidas simples e vinhos a preços acessíveis seria a perfeita definição da extensão da cozinha da sua casa.

Com o aumento das horas de trabalho e do custo da mão de obra doméstica, as pessoas optam cada vez mais por realizar a refeição fora de casa, logo ao sair da empresa.

E crescem as opções de restaurantes a preços razoáveis, com um cardápio reduzido e ótimos vinhos para desfrutar em boa companhia – são os chamados bistrot na França, tavernas ou bares de tapas na Espanha e osterias na Itália.

Em São Paulo, como em outras cidades brasileiras, o conceito está ganhando força, pois as pessoas querem comer bem, pagando um preço justo por um serviço adequado. Deixo aqui a indicação de três endereços na capital paulista que experimentei e que cumprem esta ideia:

Pasquale – Rua Girassol, 66 Fone 11 3081 0333

O restaurante italiano da família Pasquale se diferencia pela qualidade dos ingredientes utilizados e o atencioso serviço. A carta de vinhos apresenta uma boa variedade de rótulos, a maioria custa abaixo dos R$100. Os antepastos são ótimos e o sommelier Marcelo, muito competente. Confira!

Chez Fabrice- Rua Mourato Coelho,1140 Fone 11 3032 4227

Um pedacinho da França na Vila Madalena com direito a banda de jazz ou música francesa em algumas noites. Tem um cardápio reduzido e vinhos a preços super-razoáveis. O próprio dono atende os comensais, preocupando-se com todos os detalhes para tornar sua experiência inesquecível. Se preferir ficar mais perto da banda, opte pela varanda.

La Madrileña- R. Cônego Eugênio Leite, 1127 Fone 11 3034-0344

Pertence a dois amigos que resolveram replicar o conceito das tapas de Madrid acompanhadas de vinhos importados por eles mesmos. A sobrinha trabalha servindo as mesas e a avó na cozinha. Um ambiente acolhedor que fará você se sentir em casa. Na hora da conta, vai se surpreender.

Viva la vida!!

 

 

 

12.04.2013 - 11h21

Symington

Quando o assunto é tradição, história, humildade e paixão pela excelência, há aqueles que não precisam demonstrar nada a ninguém, que sempre foram e por séculos serão um exemplo a ser seguido! É o caso da família Symington, de origem escocesa, inglesa e também portuguesa. Desde 1882 esse clã produz excelentes vinhos fortificados do Porto e Madeira, como também vinhos tranquilos no Vale do Douro, e são membros do seleto grupo de produtores Primum Familiae Vini. http://symington.com/section.php?id=329

Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente um dos descendentes e proprietários da Symington Family Estates, o simpático Dominique Symington. Durante a última Expovinis, feira de vinhos que acontece em São Paulo sempre no final de abril de cada ano (em 2013 será entre os dias 24 e 26 de abril no Expo Center Norte www.expovinis.com.br), Dominique me apresentou todos os vinhos que a família produz, desde o afamado tinto Chryseia, feito em parceria com o produtor francês Bruno Prats, antigo dono do Château Cos d’Estournel, em St-Estèphe, Bordeaux, passando pelo Altano Reserva e o Altano tinto, um vinho de entrada de ótima relação preço-qualidade.

Seu irmão Paul, presidente da companhia, foi eleito em 2012 o “Homem do Ano” da revista inglesa Decanter.

A Symington Family Estates possui perto de 1.000 hectares de vinhedos no Vale do Douro, distribuídos em 25 propriedades ou “quintas”, tais como: Quinta de Roriz, Malvedos, Senhora de Ribeira, Bom Retiro Pequeno, entre outras, sendo responsável por 20% de todo o comércio de vinho do Porto e de 33% da produção de Porto Premium.

Algumas das marcas mais conhecidas de vinhos do Porto pertencem ao grupo: Cockburn´s, Dow´s, Gould Campbell, Graham´s, Quarles Harris, Quinta do Vesuvio, Martinez, Smith Woodhouse, Warre´s.

Foram os pioneiros na implementação de tecnologia na vinificação dos vinhos do Douro, com a introdução de lagar robótico, tanque no qual as uvas são esmagadas por meio de um mecanismo que simula a tradicional pisa humana.

https://www.youtube.com/watch?v=POyXLgSP2VI

Os Symington também elaboram vinhos na Ilha da Madeira, na versão fortificada (vinhos com adição de álcool vínico extra), em parceria com a Madeira Wine Company. Suas 4 marcas são: Blandy´s, Cossart Gordon, Leacock´s e Miles.

São ainda proprietários de importadoras de vinho no Reino Unido e também nos USA.

Com a crise da indústria, que atingiu principalmente os vinhos fortificados, os Symington são um exemplo a ser seguido, pois souberam incrementar os negócios familiares com muito sucesso.

Se for a cidade do Porto, do outro lado do Rio Douro, esta a cidade de Vila Nova de Gaia, deve visitar o museu, restaurante e wine bar da marca Graham´s http://greatwinecapitals.com/news/general-news/1121

Saúde!

Importadores no Brasil:

Altano, Cryseia, Blandy´s, Quinta do Vesúvio e Graham’s – Importadora Mistral +55-11-33723400

Dow´s – Licinio Dias +55-11-33723400

Warre´s – Decanter +55-4733260111

29.03.2013 - 22h58

Os vinhos da família Rothschild

Os Rothschild se destacaram em diferentes negócios pela Europa, formando um dos grandes conglomerados de empresas. A família atua nos setores de bancos, seguros, arte, construção, mineração, geração de energias, entre outros e também é uma das marcas mais cultuadas no reino dos vinhos.

A família Rothschild (que significa escudo vermelho em alemão) ganha destaque ao se relacionar com os governos e a realeza europeia, administrando as fortunas das casas reais e dos estadistas e atuando na construção da maior infraestrutura da Europa – rodovias, pontes, ferrovias. Seus descendentes souberam manter e incrementar o patrimônio herdado com esforço, inteligência, persistência e rapidez. Os últimos dois séculos da história deste emblemático clã são relatados com maestria no livro “A Dinastia Rothschild”, publicado no Brasil pela editora L&PM (www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=838453&ID=949390)

Sua origem judaica ocasionou perseguições, acusações, invejas, mas deixou um legado marcante, cujo lema é “harmonia, integridade e trabalho”.

O vinho talvez seja o elemento de maior glamour ligado ao universo dos Rothschild. Em 1973 o Château Mouton Rothschild, de Pauillac/Médoc, tinto de altíssima qualidade elaborado pela família, foi finalmente considerado um Premier Grand Cru Classé – a mais alta categoria de vinhos de Bordeaux –, passando a integrar este seleto grupo, ao lado de outros quatro produtores (Latour, Margaux, Haut Brion e Lafite).

 

Assim nasceu uma das frases mais célebres – e irônicas –  assinadas pela família: “Primeiro eu sou, Segundo eu fui, Mouton não muda”! E que aparece no rótulo da garrafa. Isso porque na primeira classificação dos vinhos de Bordeaux, em 1855, o Mouton Rothschild tinha sido classificado como um Deuxième Cru Classé.

Com essa frase os Rothschild deixam claro que seu vinho sempre manteve uma qualidade excepcional, mas injustamente havia sido considerado de categoria inferior por 118 anos. Certa vez, perguntaram ao produtor qual seria a dificuldade de produzir bons vinhos, ele respondeu: “produzir bons vinhos e fácil, o problema são os 118 anos iniciais”.

Os diferentes vinhos elaborados pelos Rothschild são exportados para o mundo todo, sendo possível acompanhar a evolução dos preços e as variações das safras do seu ícone Château Mouton Rothschild na bolsa de vinhos de Londres (www.liv-ex.com)

Desde 1993, o Château produz um segundo vinho, o “Le Petit Mouton de Mouton Rothschild”.

Château Clerc Milon e Château D´Armailhac são dois vinhos classificados como Cinquièmes Grands Crus e finalmente uma marca de maior volume – Mouton Cadet e vinhos no Pay d´Oc sul da França de 7 variedades de uvas.

No Chile, os Rothschild atuam em parceria com o grupo Concha y Toro no projeto Almaviva, produzindo um tinto considerado um dos melhores do país no renomado Vale do Maipo, um dos terroirs de referência na produção da variedade Cabernet Sauvignon, uva principal da mescla desse tinto.

Na Califórnia, Opus One  e um vinho feito na ex sociedade com o Robert Mondavi um dos fundadores do Vale do Napa,  depois da venda ao grupo de vinhos Constellation Brands a sociedade e compartilhada ao 50% com a herdeira da marca a Baronesa Philipphine de Rothschild e seus dois filhos, Julien de Beaumarchais e Philippe Sereys de Rothschild,  no coração do vale destaca como um dos grandes vinhos do Novo Mundo ao estilo bordalês.

Como chave de ouro devemos destacar o arte em cada um dos rótulos desde 1924 o primeiro vinho engarrafado na propriedade, cada ano o desenho e feito por algum artista famoso, não e pago nada pela obra e se troca por vinho da safra em questão mais outra safra, entre os mais conhecidos podemos destacar os seguintes: Marc Chagall, Juan Miró, Pablo Picasso, Roberto Matta, Salvador Dali, entre muitos outros, veja http://www.theartistlabels.com/

Cinco importadores trabalham com os vinhos Rothschild no Brasil:

Importadora Devinum  www.devinum.com.br

Fone: +55 11 2532 7201, Rua Gomes de Carvalho, 1655 – conjs. 31 e 32 – Vila Olímpia. Cep: 04547-006. São Paulo, SP. Brasil

Como também Casa do Porto, Vinho Sul, Supermercados Zona Sul e o Duty Free, neste link você encontra os contatos: www.bpdr.com/modules_contextuels/popups/ou_trouver.asp?cpt=2&idpays=15&lang=gb&idgroupement=2

A la Santé!

06.03.2013 - 09h43

Miguel Torres: um grande inovador

Assim como Vega Sicília, Miguel Torres http://www.torres.es representa uma das duas famílias mais tradicionais e reputadas da Espanha. Não apenas faz parte da prestigiada associação Primum Familiae Vini (PFV), como foi um de seus membros fundadores. “Primum Familiae Vini nasceu do desejo de manter as nossas empresas nas mãos da família. Agora, depois de quase 20 anos, temos o orgulho de comprovar que nosso objetivo comum, criado em uma tarde de verão em Beaune com Robert Drouhin (produtor da Borgonha), tornou-se uma realidade. Nós gostamos de compartilhar nossas experiências com todos os membros da família PFV”, comentou o próprio Miguel A. Torres.

A história da Torres começa em 1840, na comunidade da Catalunha, no município de Vilafranca del Penedès, com 40.000 habitantes, pertencente à província de Barcelona. Trata-se de uma região produtora de vinhos tranquilos (DO Penedès), muito próxima à vizinha Sant Sadurní D’Anoia — coração da produção do vinho espumante espanhol conhecido como Cava.

Mas a Torres não se limita à Penedès. A família produz vinhos em várias outras regiões da Espanha, além de Chile e Estados Unidos, e ainda possui empresas de distribuição de bebidas na Espanha, China e no Brasil.

Miguel Torres é uma das figuras-chave na história da vinícola. Foi quem implementou importante modernização na enologia, adotando cubas de aço inox (o único metal que pode ter contato com o vinho sem alterar sua composição) com controle de temperatura durante a fermentação das uvas e usando barricas novas de carvalho para maturar tintos e brancos. Ele soube inovar para alcançar os níveis de qualidade desejados pelo consumidor moderno sem deixar de lado a tradição e sua origem, utilizando uvas autóctones e sempre respeitando o meio ambiente. “Quanto mais nós nos importamos com a terra, melhor o nosso vinho”, declarou o produtor.

Atualmente, a 5ª geração da família está no comando da empresa.

Miguel Torres Maczassek(filho), ex-gerente geral da operação no Chile, é o novo diretor geral da companhia. Formado em negócios e em economia no Esade de Barcelona e também em enologia na Universidad de Tarragona, e com experiência de marketing nas multinacionais Danone e Carolina Herrera, aos 39 anos ele está pronto para dar continuidade aos negócios iniciados por seus antepassados há exatamente 149 anos.

Miguel Torres é considerado hoje, além de Pai da enologia moderna, um comerciante nato que exporta seus vinhos para mais de 140 países — quem não conhece um Sangre de Toro? É uma das marcas mais antigas e mundialmente famosas, inclusive as garrafas trazem um touro preto (o símbolo da Espanha) pendurado no gargalo e o selo da bandeira da Espanha.

Torres trabalha de maneira autêntica os diferentes terroirs à disposição, utilizando as uvas autóctones de cada região. No Chile, por exemplo, resgatou a variedade de uva “Pais”, introduzida no início do século XVI e conhecida também como “Criolla”, na Argentina, ou “Mission”, na Califórnia. Segundo a crítica inglesa de vinhos Jancis Robinson, seria a uva “Listán Prieto” da região de Castilla – La Mancha. Com essa casta, Torres elaborou um espumante rosé na região do Vale de Curicó com excelentes comentários dos especialistas e muito sucesso de venda.

Em linha com a tendência dos vinhos mais fáceis de beber, com menos álcool, mais frutados e agradáveis, e atentos às restrições cada vez maiores ao consumo, Torres desenvolveu um dos primeiros vinhos sem álcool — um branco chamado Natureo feito com a aromática uva Moscatel.

Seu próximo lançamento promete ser um vinho espumante espanhol – de olho no aumento do consumo de Cava v/s Champagne. O produtor já demonstrou que tem talento para talhar borbulhantes – no Chile produz espumantes com videiras de Pinot Noir de mais de 70 anos.

Também chama a atenção o cuidado com o meio ambiente levado ao extremo pela família Torres, um exemplo notório é seu apoio à preservação no Chile dos condores, ave em extinção que habita a Precordilleira dos Andes e símbolo da bandeira nacional. A empresa também se preocupou em adotar garrafas mais leves para reduzir a emissão de CO2, além de praticar reciclagem e investir em energia verde, entre outras iniciativas sustentáveis.

Só é uma pena sua inexpressiva presença no Brasil diante de um portfólio diverso e de muita qualidade.

Devinum (importador no Brasil)

Site: www.devinum.com.br

Tel: (11) 2532-7201

Salud!

24.02.2013 - 13h55

Os vinhos da família Frescobaldi

Uma das mais proeminentes famílias nobres florentinas, os Frescobaldi ostentam uma longa tradição vitivinícola. Desde o século 13 – e há 30 gerações – elaboram vinhos na região central da Itália, principalmente na Toscana. O clã gere nada menos que 9 tenutas (grandes propriedades) e tem à disposição aproximadamente 1.000 hectares só de vinhedos! http://www.frescobaldi.it/

Seus vinhos são produzidos basicamente em três grandes áreas:

- No sudoeste da cidade de Florença os Frescobaldi originam vinhos tintos e brancos leves e refrescantes;

- Ao leste Florença produzem os clássicos Chianti Rufina de Nipozzano. Aqui os vinhedos sofrem a influência de um clima frio e seco, resultado da proximidade dos Montes Apeninos e de uma fresca brisa. Essas condições se traduzem em tintos aromáticos e de grande longevidade. Também são elaborados os excelentes tintos e brancos de Pomino, a partir de vinhedos plantados a uma altitude de aproximadamente 700 metros;

- Em Castelgiocondo, Montalcino, os Frescobaldi cultivam 200 hectares de vinhedos, dos quais 150 são Brunello di Montalcino.  A família é reconhecida atualmente como o maior produtor de Brunello.

Cerca de 9 milhões de garrafas de vinho por ano é o total produzido pelos Frescobaldi. Mesmo com um extenso portfólio, este produtor consegue atingir a excelência e muitos de seus vinhos estão entre os mais cultuados da Itália.

A reputada Tenuta dell’Ornellaia, em Bolgheri, fundada há pouco mais de 30 anos por Lodovico Antinori, pertence desde 2004 aos Frescobaldi. A partir de 97 hectares de vinhedos plantados com castas bordalesas é elaborado o reputado tinto Ornellaia (um corte com 60% de Cabernet Sauvignon e o restante combina Merlot, Cabernet Franc e, desde 2003, também Petit Verdot). Sob o comando do experiente enólogo Axel Heinz, a propriedade produz além do Ornellaia, o tinto Masseto (100% Merlot), considerado um dos 3 melhores vinhos feitos com essa casta na Itália.

Outro dos grandes vinhos assinados pelos Frescobaldi é o Castello di Pomino Benefizio Pomino Bianco Riserva, um branco 100% Chardonnay elaborado com uvas plantadas na região de Pomino, a 700 metros de altitude. Trata-se de um terroir de excelente qualidade, reconhecido desde 1716 graças a um decreto do Gran Duque Cosimo III. Nessa região há outras variedades internacionais, inclusive Pinot Nero (Pinot Noir).

Castello de Nipozzano Montesodi Chianti Rufina Riserva é um tinto Sangiovese com características de Supertoscano, com 18 meses de envelhecimento em barricas de carvalho novo.

Adquirida pelos Frescobaldi em 1989, Castel Giocondo Brunello di Montalcino é a segunda maior propriedade em Montalcino depois de Banfi, com 815 hectares. Seus melhores vinhos são: Brunello Riserva Ripe al Convento, produzido apenas nos grandes anos, e Lamaione (100% Merlot), considerado um dos melhores Merlot toscanos.

Na Tenuta Luce della Vite (Luz da Vinha), propriedade em Montalcino – um projeto desenvolvido em parceria com o californiano Robert Mondavi, em meados de 1990 –, a norma é misturar as melhores uvas Sangiovese com Merlot e maturar o vinho por 24 meses em carvalho novo – o Luce foi o primeiro tinto de Montalcino a combinar essas duas castas. O segundo vinho dessa casa se chama Lucente e possui um pouco de Cabernet Sauvignon na mescla.

Os Frescobaldi também produzem um azeite de oliva chamado “Laudemio” que significa a “parte de Deus” , mescla das variedades Frantoio (70%), Moraiolo (20%) e Leccino (10%).

E como é tradição na Italia a indispensável grappa (destilado do bagaço da produção do Brunelo de Montalcino)

O cuidado com o meio ambiente também não está ausente no plano de trabalho da Frescobaldi, como manejo dos bosques das propriedades, agricultura sustentável e também a utilização da energia verde e renovável.

E como não poderia faltar, a gastronomia sempre está associado aos vinhos da família. A “Dei Frescobaldi” http://www.deifrescobaldi.it/ é uma rede de restaurantes e wine bars com unidades em Miami Beach, Florença, Londres (na Harrods) e no aeroporto de Roma. O cardápio, com foco na cozinha toscana, combina perfeitamente bem com os vinhos e azeites da família. Ragu de pato, risotto de vieiras, bistecca alla fiorentina e ravioli al tartufo nero di norcia, são algumas das deliciosas receitas disponíveis.

Para compra dos vinhos da Frescobaldi no Brasil, o importador e a Ravin

Rua Uruana, 93 | Vila Mariana | São Paulo – SP | Tel.: (11) 5574-5789

www.ravin.com.br

Salute e buon appetito!!

30.01.2013 - 19h44

Primum Familiae Vini – Vega Sicilia

Mais que uma bodega, um mito autêntico –  um vinho feito com silêncio

Após duas postagens sobre importantes produtores da Itália, pertencentes à Primum Familiae Vini, chegamos à Espanha, um dos países mais fascinantes do cenário vinícola mundial, não só pela gastronomia, história e tradição, mas também pela persistência do homem, capaz de enfrentar a natureza adversa do clima desse país ibérico. Quando se fala em vinho espanhol, as pessoas logo pensam na região da Rioja e em seus vinhos. Sem dúvida, é a mais famosa do país, com uma respeitada produção de vinhos finos, de alta qualidade. Mas as Espanha têm mais de 60 denominaciones de origen ou regiões vinícolas em 50 provincias!

A empresa familiar Vega Sicília é um ícone da região de Ribera del Duero, que leva  o nome de seu emblemático rio Duero -ele  atravessa o noroeste da Espanha, sempre escoltado por vinhedos, até invadir Portugal, quando passa a se chamar Douro e finalmente desemboca no Atlântico na cidade do Porto.

O grupo Vega Sicília pertence ao Holding Eulen, empresa líder na prestação de serviços a empresas, fornecendo mão-de-obra especializada em 11 países, totalizando mais de 100.000 colaboradores e com um faturamento de quase 1.400 milhões de euros. Seu fundador David Alvarez é pai de Pablo Alvarez, quem atualmente comanda o grupo Vega Sicilia.

O origem da vinícola remonta a 1864, quando Eloy Lecanda trouxe de Bordeaux 18.000 videiras para plantar na propriedade de 2 mil hectares da família em Valbuena, compostas pelo Pago de la Vega, Santa Cecilia e Carrascal.

A empresa, em seguida, teve vários proprietários: foi comprada por Antonio Herrero em 1888, alugada por Cosme Palacio em 1904; em 1915 surgiu o primeiro vinho com o nome de Vega Sicília, que não chegou a ser comercializado. No ano de 1956 a vinícola foi adquirida por Jesús Anadón; em 1966, por Miguel Neumann e, finalmente em 1982, passou para as mãos do industrial David Alvarez e seus filhos Pablo, Jesús David, Emilio, Juan Carlos e suas filhas María José, Elvira e Marta. Neste mesmo ano, a Denominação de Origem (DO) Ribera del Duero foi oficializada.

Nos últimos 30 anos a família Alvarez fez investimentos pesados em tecnologia para a produção de seus vinhos Ribera del Duero e também expandiu para outras regiões, sempre com foco em qualidade.

 

Lembro-me como se fosse hoje, quando tive a oportunidade de participar, em 2008, de uma degustação em São Paulo de algumas safras de Vega Sicília Único, o vinho ícone da vinícola. Um dos jornalistas presentes perguntou ao enólogo Xavier Ausás, que desde 1990 é o responsável pela elaboração dos vinhos desta reputada casa, qual safra era a sua favorita. Ele, calmamente, respondeu: “o senhor tem filhos?”. O jornalista disse que sim. “Bem, então o senhor vai entender”, replicou o enólogo. “Sempre há um mais forte, outro mais inteligente, um mais levado, mas você gosta de todos da mesma forma, afinal de contas são seus filhos!”

Numa analogia com os premiers crus de Bordeaux, o Vega Sicília seria o Château Latour, segundo o escritor Hugh Johnson, outros o comparam ao Château Haut Brion: austero, estruturado, elegante e acima de tudo, distinto!

Vega Sicília “Único”:  este vinho é elaborado a partir de 200 hectares plantados com as variedades de uva Tempranillo e Cabernet Sauvignon em diferentes altitudes que chegam a 900 metros. Isso totaliza 57 parcelas divididas em 19 terroirs diferentes. Algumas videiras têm 160 anos de idade!

De cada lote de uvas colhidas e vinificadas, o vinho obtido matura em barricas diferentes, por 7 a 8 anos, para depois estagiar de 2 a 3 anos em garrafas. As melhores safras entram em um corte singular, resultando no chamado Reserva Especial que não é safrado. O vinho Vega Sicília Único Reserva Especial elaborado em 2012, por exemplo, é uma mescla das safras 1991, 1994 e 1999, e obteve 19,5/20 pontos da respeitada revista britânica Decanter.

O tinto Valbuena é um corte com 90% de Tempranillo e 10% de Merlot, passa 15 meses em barricas novas francesas e americanas e mais 13 meses em grandes depósitos de madeira. A safra 2007 recebeu 18 pontos da Decanter.

Em 1992, nasceu a Bodegas Alión, um novo empreendimento do grupo Vega Sicília em Ribera del Duero. Possui um total de 100 hectares, sendo metade da área plantada com vinhedos a uma altitude de 700 a 750 metros. O objetivo é elaborar um estilo de vinho mais moderno, para isso são usadas barricas dos bosques de Nevers e também grandes depósitos de carvalho francês. O tinto Alión é 100% Tempranillo, sendo a safra 2008 avaliada com 18 pontos pela Decanter.

No ano seguinte, em 1993, o grupo investiu além-fronteiras, comprando a vinícola Oremus na Europa Central, na região mais importante do mundo em vinhos doces de alta qualidade: Tokaj/Hungria. A família Alvarez recuperou os vinhedos e modernizou a adega que estavam abandonados depois de um longo período de domínio soviético. A safra 2002 do vinho Oremus Aszú 5 Puttonyos, uma mescla das uvas Furmint, Hárslevelú, Zéta e Muscat , obteve 19 pontos da Decanter, que indicou seu consumo entre 2012 e o ano 2020!

Em 2001 houve mais uma novidade no portfólio do grupo: a criação da Bodegas Pintia na DO Toro com 96 hectares de vinhedos. Este 100% Tempranillo com 11 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano é um dos mais elogiados desta emergente região espanhola.

Finalmente, em 2008, Vega Sicília entrou em uma joint-venture com o renomado banqueiro suizo Benjamim Rothschild, herdeiro da Edmond de Rothschild Group para elaborarem um vinho em Rioja a quatro mãos. O tinto 100% Tempranillo, maturado durante 14 meses em barricas francesas, das quais 60% novas, será lançado no mercado neste ano de 2013. Este promete ser um vinho que combina tradição e modernidade. Vale a pena aguardar!

Salud y un Viva España!

 

 

 

 

 

 

 

21.01.2013 - 14h21

Primum Familiae Vini – Tenuta San Guido (Sassicaia)

 

Tenuta San Guido, reputado produtor italiano, desde 1840 na Toscana,criador do vinho “supertoscano” Sassicaia, é outro notório membro do PFV (Primum Familiae Vini).

Nas palavras de Nicoló Incisa della Rocchetta, descendente da família fundadora e atual proprietário da Tenuta San Guido: “É para nós uma grande satisfação fazer parte do PFV. Ele reconhece a nossa maneira de pensar e nossa abordagem do mundo do vinho. PFV garante a qualidade e tradição que tem que ser passada para as gerações futuras”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história desta emblemática casa remonta a 1920, quando o Marchese Mario Incisa della Rocchetta começou os primeiros ensaios com uvas internacionais (castas não autóctones italianas, como a Cabernet Sauvignon). Dez anos depois, ele se casou com Clarice della Gherardesca, herdeira de uma propriedade em torno de Bolgheri, na costa da Toscana com o Mar Tirreno (Mediterrâneo) que pertenceu por mais de 1200 anos aos Condes della Gherardesca, de origem piemontesa, na cidade de Rocchetta onde se iniciaram as primeira plantações, mais durante o período da II Guerra Mundial, eles se mudaram para Bolgheri.

Bolgheri possui uma localização privilegiada, próximo ao mar, e seu solo é coberto de pedras – semelhante à região de Graves, em Bordeaux, aliás, Graves significa “pedra ou cascalho” em francês. Foi esse cenário que inspirou o nome do cobiçado tinto da Tenuta San Guido — Sassicaia quer dizer “terreno pedregoso” em dialeto toscano. O vinho fez tanto sucesso que acabou dando origem, em 1990, à DOC (Denominazione de Origene Controlatta) Bolgheri Sassicaia .

Mario Incisa percebeu que, com o passar dos anos, o vinho melhorou muito. Como é frequentemente no caso da uva Cabernet Sauvignon para vinhos de grande qualidade, essa característica de pouco tempo de envelhecimento originalmente considerada defeito, se transformou em virtude ao longo do tempo com vinhos que estagiavam o tempo necessário.

Em 1965, Mario plantou mais dois vinhedos de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc para talhar seu grande vinho: a vinha Sassicaia, localizada a cerca de 800 metros abaixo da plantação de Cabernet original, e Aianova, um pouco mais elevada e, portanto, mais exposta ao clima mais frio.

A safra 1968 do Sassicaia foi a primeira a ser lançada no mercado. De lá para cá só duas safras não foram comercializadas: 1969 e 1973. A safra 1995 foi a segunda colheita rotulada com o selo DOC Bolgheri Sassicaia.

Na Tenuta San Guido há atualmente 75 hectares de vinhedos plantados com aproximadamente 85% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc. A adega de envelhecimento do Sassicaia é bastante recente, foi concluída em 2008 e possui cerca de 1400 barricas.

 

Os Vinhos:

Sassicaia – o corte com 85% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc é envelhecido durante 24 meses em barricas de carvalho francês, provenientes de diferentes bosques. O vinho é ainda guardado por seis meses em garrafa antes do lançamento. Aproximadamente 180 mil garrafas são comercializadas por ano.

Guidalberto – com 60% de Cabernet Sauvignon e 40% de Merlot, é o segundo vinho da Tenuta San Guido. Envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano, ele é comercializado após três meses de afinamento em garrafa. Foi introduzido no mercado em 2000 e sua produção é de 150 mil garrafas por ano.

Le Difese é o vinho de entrada da casa, feito desde 2003, elaborado com 70% de Cabernet Sauvignon e 30% de Sangiovese e envelhecido por 12 meses em carvalho francês e americano, mais um curso estagio em garrafa de 3 meses. Cerca de 120 mil garrafas são comercializadas por ano.

 

O Azeite de Oliva:

As áreas de produção de oliveiras misturam-se entre os vinhedos, como é a tradição na Toscana. A propriedade possui cerca de 8 mil árvores, das quais 2 mil se localizam em terrenos de difícil acesso e manejo e foram preservadas como respeito ao meio ambiente. As variedades plantadas são: Leccino, Moraiolo, Pendolino e Frantoio.

Outros Plantios:

Aproximadamente 120 hectares de terras aráveis ​​estão plantadas com trigo duro com rendimentos de alta qualidade.

Outros 80 hectares são plantados com aveia e cevada para alimentação dos animais que se criam na propiedade.

Há ainda 200 hectares de pastagens, não só para a alimentação e criação de equinos e bovinos, mas também para a rotação necessária dos terrenos.

 

Alem da paixão pelo vinho a Tenuta San Guido ainda possui um haras para criar e treinar cavalos de corrida RDO – Razza Dormello Olgiata (www.tenutasanguido.com/eng/Razza.html).

O respeito ao meio ambiente está presente em cada detalhe de este projeto de excelencia e a Tenuta conta com um verdadeiro santuário de preservação de espécies, como pássaros e animais, o Oasi di Bolgheri. (www.tenutasanguido.com/eng/Oasi.html).

Para mais detalhes e informações sobre a Tenuta San Guido: www.tenutasanguido.com

Os vinhos da Tenuta San Guido você pode encontrar na Importadora Ravin:

Largo Senador Raul Cardoso, 30 | Vila Mariana | São Paulo – SP | Tel.: (11) 5574-5789 ou no site www.ravin.com.br

Bravo!!

 

08.01.2013 - 20h59

Primum Familiae Vini – Antinori

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A expressão em latim “Primum Familiae Vini” significa “Primeiras Famílias do Vinho” e remete a uma associação que reúne 11 históricos clãs, alguns deles somam mais de um século na produção de vinhos notáveis, de qualidade excepcional. Uma das característica mais admiráveis dessas 11 vinícolas é que elas permanecem nas mãos dos membros da família fundadora. Sua gestão foi passando de geração em geração, algo inusitado nos dias de hoje se pensarmos que a tendência é a fusão das empresas e a concentração do mercado, uma filosofia de negócio que procura sempre a rentabilidade ou o volume de produção para obter resultados e sobreviver.

A Primum Familiae Vini nasceu em 1991 por iniciativa de dois grandes produtores, Robert Drouhin e Miguel Torres, referência na Borgonha e na Espanha respectivamente, com os seguintes objetivos principais:

  • Compartilhar os desafios da gestão de empresas familiares de forma independente e transmitir os conhecimentos de uma geração à outra.
  • Promover a responsabilidade social e ambiental na produção de vinhos.
  • Defender os benefícios do consumo responsável de vinhos finos.
  • Trocar informações de viticultura e enologia e promover os métodos tradicionais de produção que sustentam a qualidade de seus vinhos e o respeito pelo terroir.

Aos poucos, outras famílias produtoras foram se juntando ao grupo e hoje 11 vinícolas da Europa compõem a Primum Familiae Vini:                      

Itália: os produtores Antinori  e Tenuta San Guido, ambos na região da Toscana.

França: Pol Roger, de Champagne; Joseph Drouhin, da Borgonha; Hugel & Fils, da Alsácia; Mouton Rothschild, de Bordeaux, e Famille Perrin,  do Rhône.

Espanha: Miguel Torres, de Penedés, e Vega Sicilia, de Ribera del Duero.

Alemanha: Egon Müller, de Mosela

Portugal: Symington Family Estates, do Douro.

O slogan do grupo é “The Leading Wine Families” (As Famílias Líderes do Vinho) e você pode encontrar mais informação no site oficial: www.pfv.org

 

Com esta breve introdução, darei início a uma série semanal de posts sobre cada um dos 11 integrantes do grupo, começando hoje com  Antinori, famoso produtor italiano

A Itália tem uma longa tradição na produção de vinhos que remonta à época dos romano – mas antes mesmo da ocupação desse povo, os fenícios ao norte e os gregos ao sul já produziam vinho nessa península. O país possui mais de 2.000 variedades de uvas autorizadas para elaboração de tintos e brancos e nesse cenário todas as regiões produzem vinhos, sendo essa bebida um protagonista ao lado da maravilhosa e diversa gastronomia local.

ANTINORI

Marchese Piero Antinori e suas três filhas Albiera, Allegra e Alessia, representantes da 26 geração, são os atuais descendentes do fundador da vinícola, Giovanni di Pierso Antinori. Desde 1385 a familia Antinori produz vinhos na Toscana, embora a empresa tenha sido oficialmente reorganizada pelos irmãos produtores e comerciantes de vinhos Lodovico e Piero Antinori, em 1898.

Com uma filosofia de unir a tradição e a inovação, Antinori obtém excelentes vinhos em todos os patamares de preços atingindo diferentes níveis de consumidores.

Entre seus grandes vinhos podemos mencionar o ícone Tignanello, que se produz desde 1970 na região de Chianti Classico, o Peppoli e o Badia Passignano , uma mescla das uvas (80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc) de vinhedos de baixa densidade com no máximo 5.400 plantas por hectare.

O Solaia, outro vinho emblemático, feito com uvas do mesmo vinhedo do Tignanello,  desde 1978 com uma mescla de ( 75% Cabernet Sauvignon, Sangiovese 20% e 5% Cabernet Franc safra 2009)

O Guado al Tasso é um corte com 50% de Cabernet Sauvignon, 40% de Merlot e 10% de Syrah de uvas de outro vinhedo localizado em Bolgheri.

O Cervaro dela Sala é elaborado com uvas provenientes da região da Úmbria e considerado a versão branca do Solaia. Combina 85% de Chardonnay e 15% de Grechetto, uma uva branca autóctone da região de Orvieto

E ainda um grande Chianti Classico DOCG Riserva Marchese Antinori que na safra 2008 esta composto por 80% de Sangiovese e 10% de Cabernet Sauvignon

Os Antinori possuem impressionantes 1.800 hectares plantados nas mais diversas regiões italianas: Toscana, Lombardia, Piemonte, Puglia e Úmbria. Nesta última situa-se o magnífico Castello della Sala, de origem medieval perto de Orvieto.

Seus domínios e joint venture já expandiram para os Estados Unidos, onde produzem vinhos em Napa, nas vinícolas Antica e Stag´s Leap, e Columbia, Col Solare; no Chile, Haras de Pirque; na Romênia, Vitis Metamorfosis; em Malta, Meridiana, e Hungria, Tuzko.

Os vinhos da família Antinori são importados ao Brasil pela Importadora Winebrands

Telefone: 11 2344 5555 ou no site www.winebrands.com.br

Salute!

 

07.11.2012 - 21h24

Novo mundo X Velho mundo

Com uma história relativamente recente na produção de vinhos, o denominado “Novo Mundo”, que engloba principalmente os Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Argentina e África do Sul, obteve seu primeiro e irrefutável atestado de qualidade em 1976, quando aconteceu o célebre “Julgamento de Paris”, organizado pelo famoso crítico inglês Steven Spurrier, editor da revista de vinhos inglesa Decanter. Essa degustação às cegas comparou tintos e brancos californianos contra grandes ícones franceses, e mudou para sempre o rumo da história do vinho.

No mesmo ano comemorava-se o bicentenário da Independência dos Estados Unidos, mas não houve muito interesse da crítica especializada em cobrir a degustação, pois naquela época os vinhos americanos não tinham o prestígio que possuem atualmente. Mesmo assim Steven Spurrier conseguiu reunir pessoas conhecidas entre sommeliers, produtores e críticos de vinho e o resultado final surpreendeu a todos os jurados. Os vinhos da Califórnia conquistaram o primeiro lugar nas categorias branco e tinto, desbancando grandes rótulos de Bordeaux e Borgonha. A degustação ocorreu no dia 7 de Julho de 1976 no Hotel Intercontinental de Paris e os jurados, além de Steven Spurrier, eram:

Pierre Brejoux, do Conselho de Appellation d’Origine Contrôlée

Claude Dubois-Millot, do guia de restaurantes GaultMillau

Michel Dovaz, da Académie du Vin.

Patricia Gallagher, sócia de Steven Spurrier na loja “Académie du Vin”

Odette Kahn, editora da La Revue du Vin de France

Raymond Oliver do Restaurante Le Grand Véfour Pierre Tari, produtor do Château Giscours

Christian Vanneque, sommelier do famoso restaurante La Tour d’Argent

Aubert de Villaine, produtor do Domaine de la Romanée-Conti

Jean-Claude Vrinat, do restaurante Taillevent

Os resultados dos vinhos brancos:

Os resultados dos vinhos tintos:

Com este placar, a então modesta degustação repercutiu de maneira impressionante, colocando de uma vez por todas os tintos e brancos americanos no mapa-múndi. O “Julgamento de Paris” foi tão importante para a história do vinho que acabou inspirando a produção do filme “Bottle Shock”, do diretor Randall Miller, http://www.bottleshockmovie.com/

George M. Taber, jornalista americano e editor da revista Time, registrou este evento no livro “O Julgamento de Paris” (Editora Campus), deixando claro que não só a França é capaz de elaborar bons vinhos. Mas tudo depende dos fatores que afetam o estilo, a qualidade e o preço do vinho – temas que pretendo abordar nas próximas colunas.

Cheers! e Santé!

 

09.10.2012 - 00h38

Xéres – Jerez- Sherry

Desde os tempos da conquista do novo mundo, quando navegadores portugueses e espanhóis se aventuravam nos mares para chegar às longevas terras da América, existem os vinhos fortificados – o nome indica que eles recebiam adição extra de álcool para resistir às longas travessias no mar, submetidos a condições extremas de calor nos porões das caravelas. Os vinhos do Porto, de Jerez, da Madeira e muitos outros eram a companhia das incontáveis noites a bordo e logo passaram a compor as refeições no novo mundo. Recém-conquistado, o continente americano ainda não tinha plantações de uvas para a produção local de vinho. O vinho de Jerez, também chamado de Sherry em inglês, é produzido na Andaluzia, sul da Espanha, no conhecido triângulo de Jerez, composto pelas cidades de Jerez de la Frontera, Puerto de San Lúcar de Barrameda e o Porto de Santa María. Trata-se de uma região de forte influência muçulmana, com um passado de mais de 800 anos de dominação árabe. O clima é privilegiado, com influência do Mediterrâneo e do Atlântico, ventos quentes que sopram do norte da África e um solo branco conhecido como “albarizas”, que funciona como uma esponja, retendo a água da chuva e garantindo hidratação para a videira durante todo o período vegetativo. Os vinhedos ocupam os melhores solos de albarizas, mas a região também abriga o cultivo de trigo, laranja e oliveiras. E quem gosta de equitação, encontra uma das melhores escolas para aprender o esporte – a Fundación Real Escuela Andaluza del Arte Ecuestre (www.realescuela.org). Há aulas de sela e de tiro (charretes), como também a doma, veterinária, produção de selas, rédeas, botas e muitas outras especialidades que fazem da relação do homem com o cavalo uma simbiose única que por séculos é uma tradição na região. Os vinhos, na maior parte secos, devem ser sempre acompanhados de comida. O Fino e o Manzanilla têm menor grau alcoólico, sendo o primeiro feito em Jérez de la Frontera e envelhecido e engarrafado no Porto de San Lúcar, o que garante um caráter de notas salinas bastante sutis mais de grande complexidade e elegância. Bem frio (a 10°) é a companhia perfeita de umas tapas ou petiscos de aperitivo, como se conhecem na Espanha: azeitonas verdes, jamon serrano, queijo manchego ou ostras. Para acompanhar os pratos principais, a indicação é o Oloroso — que em português significa “cheiroso”. Trata-se de um vinho coringa, que harmoniza com uma diversidade grande de receitas, inclusive aquelas que são muito difíceis de combinar, como ovos, alcachofras e aspargos. Com uma oxidação evidente, o Oloroso possui 18° de álcool. Para a sobremesa, o indicado é o Pedro Ximenes ou Px, o único vinho doce da categoria, elaborado com as uvas passificadas ao sol, o que resulta em uma alta concentração de açúcar. É perfeito para acompanhar os doces de ovos, natillas, torta de nuez…. Experimente derramar algumas gotas de Pedro Ximenes na massa do bolo. Fica divino! Enfim, o Jerez é um estilo inigualável, capaz de acompanhar uma refeição completa de começo ao fim. A la salud de la historia!!! Para saber mais: www.sherry.org