06.05.2012 - 21h13

O Poder das Perguntas

Um professor entra em sala de aula e começa a descarregar os seus muitos minutos de conhecimento pré-preparados aos seus alunos. Em alguns instantes, poucos ainda fazem anotações e prestam atenção ao mestre. O aprendizado tem mão única, o professor sabe – o aluno aprende – geralmente por osmose.
Agora imagine uma outra forma de fazer a mesma coisa. Um professor entra em sala de aula e começa dando um desafio aos alunos, fazendo questões que remetem a todos a uma reflexão.
Alguém já disse que o mundo é movido por perguntas e não por respostas. E isso é pura verdade.
Pense um pouco nas decisões difíceis que teve que tomar durante sua vida. Lembre dos momento que antecederam a elas, e tente pensar nas questões envolvidas e que ajudaram você a optar por algo.
Quando tentamos educar nossos filhos todos os dias, dentro dos desafios atuais dessa tarefa, nos deparamos sempre com a relação comportamental pais e filhos. “Filho vá fazer a tarefa agora”, ou “filha troque agora a sua roupa” são apenas alguns dos jargões do relacionamento familiar. Claro que eles são poucos efetivos. Novamente as perguntas são mais poderosas. Em ambos os lados. Muitas vezes filhos fazem perguntas difíceis mas espetaculares pois promovem reflexão e ação. “Pai por que eu preciso parar de tomar refrigerante se você bebe cerveja todas as noites vendo TV?” ou “mãe por que eu tenho que ler tantos livros se você nunca leu nenhum?”.
Nas organizações ocorre o mesmo – dizer o que fazer é sempre mais utilizado do que aplicar boas perguntas de reflexão. “Erramos aqui, ou isso foi ótimo” são sempre mais usados do que “o que nos fez errar, ou o que nos fez acertar?”.
Fazer perguntas exige muito mais das pessoas e de seu senso crítico. Dar respostas é ligeiramente mais fácil do que criar boas perguntas.
Pense nisso e comece seu próximo dia pensando em quais perguntas poderiam mudar o seu mundo, pessoal ou profissional. Ao descobri-las apenas comece a pratica-las e veja os resultados.
Boas perguntas a todos!

11.04.2012 - 12h31

A China Brasileira

China e Brasil têm dominado os comentários no cenário econômico mundial em tempos de crise na Europa e EUA. O mercado chinês é o pulmão organizacional do mundo. Dele dependem os mercados tradicionais e muitas economias mundiais. É interessante observar que apesar de todas as diferenças culturais, Brasil e China possuem muitas coisas em comum. As diferenças sociais são visíveis de todas as maneiras. A classe A ascendente chinesa pode se dar ao luxo de consumir bens desejados pelo mundo ocidental – marcas como Ferrari, Louis Vuitton, Cartier, Rolex e suas lojas deslumbrantes ficam a poucos passos de vielas repletas de pobreza, que formam o cenário maluco de Beijing – palco do melhor cenário para definir a China moderna. Assim como em nossas favelas, quem se afasta poucos quilômetros da cidade pode perceber a diferença de classes. São amontoados de pequenos prédios e casas mal acabadas que abrigam muitas e muitas pessoas. Entretanto, em certos casos, os chineses parecem estar à frente no quesito infra-estrutura – uma rede funcional de metro e transporte coletivo parece dar vazão a uma absurda população se deslocando todos os dias. A poluição é caótica. Mas há algo positivo em tudo isso.
O chines desperta para conhecer o seu país. Com a melhora do poder aquisitivo e a possibilidade de acesso ao consumo, o chinês tradicional de cidades distantes começa a vir a Beijing e a outros centros para conhecer sua história. Algumas empresas gigantes no segmento do turismo começam a observar com cuidado esse potencial mercado. Uma empresa aérea de baixo custo deve ser criada para cobrir a demanda de mercado. Por aqui (China) as notícias econômicas focam em empresas locais que estão começando a entrar no mercado brasileiro. As automotivas são as mais fortes.
Infelizmente, para concluir, algumas semelhanças negativas entre o cenário brasileiro e o chinês:

1. aqui se fala muito em corrupção nas obras e projetos geridos pelo governo;
2. o Chinês adora furar fila – acho que o Brasil está muito à frente nesse quesito…
3. a lingua é hoje o maior obstáculo comercial enfrentado pelos chineses – literalmente ninguém fala algo que o mundo possa entender – com exceção de Hong Kong as demais localidades dependem 100% de tradutores;
4. me parece que o povo em geral não vive, ainda, uma situação de satisfação – muitas horas de trabalho e distância do trabalho, são inimigos do humor chinês;
5. É visível nas grandes cidades aqueles que vivem do subemprego.

Duas vantagens para nós: primeira – pelo nosso menor tamanho nossos problemas podem ser resolvidos mais facilmente, segundo as mulheres estão em outro patamar de atuação.
O desafio chinês é fazer que o mundo diminua o preconceito contra sua forma agressiva e dominante de atacar mercados, além do péssimo conceito de seus produtos e serviços – se isso for sanado ninguém segura a China.

23.03.2012 - 17h04

O Primeiro dia de um Líder

Finalmente você foi promovido, ou promovida. É momento de celebrar. Talvez você ja esperasse isso, ou talvez tenha sido uma surpresa, ou um susto. Segunda-feira é o seu primeiro dia à frente de sua equipe. Que frio na barriga! Como fazer? Ou o que não fazer?
Não acredito em receita de bolo para aprendizado da liderança, mas não é difícil sugerir algo. Pensei nos momentos atuais, onde cada vez mais, jovens são colocados na jaula dos leões.

Para eles segue a minha lista de dicas para um primeiro dia.

Dica 1 – Comece pelo começo. Apresente-se, diga bom dia (mesmo se isto for contra a sua índole), olhe as pessoas nos olhos, conecte-se, esteja aberto.

Dica 2 – Não comece pelos problemas, diminua a sua ansiedade em impor seu estilo. Que tal descobrir quais são as coisas bacanas que sua equipe já fez no passado? Quem sabe descobrir logo de cara um novo talento.

Dica 3 – Não queira parecer o que você não é – seja sincero e objetivo, explique seu estilo e como você opera (claro, se você souber…).

Dica 4 – Ouça mais, fale menos. Deixe todo o seu potencial para depois, quem sabe sua equipe não esteja ansiosa para compartilhar com você os assuntos do momento. Ouça com carinho, não finja jamais estar ouvindo – todos percebem!

Dica 5 – Faça boas perguntas. Boas perguntas são aquelas que geram reflexão, que fazem as pessoas saírem de seu modelo mental fechado, obrigando-as a pensar de forma mais ativa.

Dica 6 – Não critique o trabalho ou os métodos de seu antecessor. Muitas vezes isso pode ser uma agressão direta a outros que co-criaram aquilo. Deixe seu lado de solucionador de todos os problemas para depois.

Dica 7 -Alie-se aos mais velhos e experientes – que tal um bom papo e uma descoberta de suas experiências. Eles não tem a sua velocidade nem a sua ambição? Não se preocupe talvez um dia você também seja assim – respeite o tempo e o momento deles.

Dica 8 – Não tire conclusões precipitadas. As pessoas precisam de tempo para entender você e você precisa de tempo para entender as pessoas.

Dica 9 – Não trabalhe além do estipulado. Novos líderes tendem a querer demonstrar competência com longas jornadas – o que fazem é começar a criar problemas no futuro, fuja dessa armadilha.

Dica 10 – Alinhe sua comunicação com o estilo de sua equipe. Como a equipe interage? O que funciona bem? O que deve ser melhorado? Quais novos canais de comunicação você pode explorar?

Dica 11 – Almoce com alguém. Não isole-se – esse é o momento mais chato para você e provavelmente para o seu grupo.

Dica 12 – Divirta-se. Se não conseguir achar nada divertido, reflita se realmente você está no local correto.

Dica 13 – Não desista, talvez o divertimento apareça, do nada, no segundo dia…

05.03.2012 - 09h29

Copa 2014 – Vamos fazer do nosso jeito!

Depois da semana turbulenta com uma imensidão de jogadas e discursos políticos entre FIFA e Governo Brasileiro, parece que agora as coisas estão resolvidas.
Irado com a insinuação do “chute no traseiro” recomendado pelo Sr. Valcke, o ministro das relações internacionais do Brasil, Marco Aurélio Garcia – explicou “O Brasil não é europeu, germânico, vai fazer as obras ao seu ritmo, vamos fazer de nosso jeito.”
Essa declaração nos deixa tranquilos, pois agora sim sabemos que o jeito brasileiro, antigamente conhecido vulgarmente por “jeitinho”, será colocado em prática. O improviso vai ser chamado para atuar. Ou será que o ministro se referia a criatividade e competência de nossa gestão?

28.02.2012 - 23h05

O livro é caro. Será mesmo?

Todas as vezes que participo de debates sobre desenvolvimento surge o tema da leitura no Brasil. É muito comum aparecer alguém que defende a tese “o livro é muito caro no Brasil”. Será que isso ainda é verdade? O conceito de caro ou barato deve ser melhor avaliado. Esse tem direta ligação com a importância que damos, ou não, a algo a ser adquirido.
Os livros hoje são lançados praticamente ao mesmo tempo em todas as partes do mundo. A biografia de Steve Jobs foi lançada ao mesmo tempo no Brasil e no Exterior. Hoje ela custa aqui algo em torno de R$35 Na Amazon o custo é de US$18 – ou seja uns R$32. E isso pode variar de país a país, ou de local de compra e assim por diante. A variação não é tão grande. Bem, mas você pode me contradizer que nosso poder aquisitivo para livros é muito menor que o dos americanos ou europeus. É verdade. Mas isso nem sempre define bem a situação. São Paulo é hoje uma das cidades mais caras do mundo.
Mas voltando ao tema sobre ” O Livro é Caro”.
Veja só: um livro deveria ser lido para trazer conhecimento, gerar informação, tornar as pessoas menos leigas, menos dependentes das bobagens como os BBB’s da TV, etc. Ou seja tem algum valor agregado. Mas quanto vale isso? E quanto as pessoas valorizam isso em suas vidas?
Quando vamos nos divertir podemos escolher em ir a um cinema nos finais de semana (quase 1/2 livro ou mais) ou ir ao futebol – não esbanjando muito, uma arquibancada e um hot-dog suspeito (mais de um livro), em uma balada, dependendo do local, alguns meros drinques podem consumir uns dois ou três livros. Uma viagem maravilhosa em um final de semana pode se equiparar a uma estante completa.
Ora, o livro não é caro. Somos nós que damos pouco valor a eles. Que pouco incentivamos nossos filhos a lerem (um jogo de vídeo game original equivale a pelo menos cinco a dez livros).
Uma vantagem: o livro não morre. Por mais que o tema seja de atualidade ele sempre servirá para alguém – e isto é um valor intangível, sem formas de ser medido.
Com a chegada dos livros digitais essa barreira de alcance global será transposta. Muitos autores hoje já pensam em ver suas obras em outras línguas, atingindo outras culturas, sem limites.
O livro não é caro, é simplesmente uma questão de valor.
Tenho certeza que nesse momento, enquanto finalizo meu post da Exame, muitas pessoas estão comendo deliciosas pizzas (mínimo 1 livro). Pense nisso!

22.02.2012 - 20h50

Carnaval? Ainda Precisamos Disso?

Depois de uma semana desfrutando do feriado, encontro um amigo que acaba de chegar do rico litoral paulista. Ele reporta o que é comum no feriado de carnaval: estradas congestionadas, lugares repletos de gente, muito barulho e estresse, cenas que lembram a chegada anunciada de um furacão nos Estados Unidos. Alguns relatos desse amigo: a peixaria não podia servir peixe fresco pois senão haveria “muito trabalho” para limpar os mesmos e servir a todos – ora então por que ir até uma peixaria? A boate local, com muito estilo e ingressos à duzentos Reais, ao invés de samba (ainda existe isso?), tocava uma frenética música eletrônica.
Todo carnaval tem tragédia – nas estradas, ou nos locais de desfiles, algo anda mal. Mas o Carnaval é a alegria do povo! Será mesmo? Milhões de pessoas aproveitam os quatro ou mais dias de folia para descansar, curtir amigos, passear, nem sequer se importam se a música é um samba ou qualquer outro tipo de som. Votam SIM para o Carnaval não pela tradição mas pelos dias de relaxamento. Poucos locais no Brasil, talvez alguns em Salvador e no Recife, realmente tenham apelo popular por tradição. No Rio de Janeiro a desculpa é sempre a mesma, os estrangeiros estão chegando… Ora, há alguns anos atrás uma pesquisa mostrou que o Rio somente recebia o turista classe D – esse cara é aquele que não põe a mão no bolso por nada, compra água na rua para levar pro hotel e come cachorro quente na praia. Apenas chegam ao Brasil para colocar em jogo o seu lado reprimido, geralmente reprimido por regras conservadoras de seu país de origem. Será que essa conta realmente fecha ou é mais uma mera ilusão econômica. Será que o Rio arrecada mais que o carnaval de Veneza, ou o Mardi Gras de New Orleans – claro que as festividades são diferentes e têm conotações distintas, mas como comparar isso na prática?
Voltei à São Paulo hoje, passei na frente de nosso monumento do samba, onde ontem outro vexame aconteceu. Alguém resolveu subir no palco e rasgar os votos. Ora rasgar os votos – e ninguém tem uma cópia, ou um registro eletrônico? Estamos no mundo dos Flintstones? Já imaginou se nas Olimpíadas algo semelhante acontece? Vamos resolver no sorteio? É por isso que o Brasil continua sendo encarado como o país do improviso, do jeitinho.
Mas somente para concluir a ideia. Uma universidade pública maravilhosa poderia se instalar no que hoje é a passarela do samba paulista. O maior elefante branco de São Paulo. Não serve para absolutamente nada, além de gerar um impacto ambiental não mensurado a todos os bairros de seu entorno, com seus shows pseudo culturais. O melhor de tudo é que isso é possível, e sem dispêndio de dinheiro público. Afinal verbas de fontes desconhecidas jamais faltam para que o nosso medíocre carnaval aconteça todos os anos, por que não transferi-los para a educação?
Carnaval? Cinzas nele!

03.02.2012 - 14h22

MBA de Graça

Este ano resolvi fazer um MBA. Bom não é bem o que você está pensando. Na verdade a decisão de fazer um MBA deve ter ocorrido há uns quinze anos atrás – na época fui atrás dos mais badalados cursos e achei que a relação custo x benefício não era satisfatória em meu caso.

Um dos pontos negativos eram os currículos dos cursos, repletos de disciplinas que me pareciam mais para cumprir tabela do que formar uma pessoa em management. Com o passar dos anos o MBA foi banalizado (essa é minha opinião) – hoje temos MBA para tudo e o investimento é absurdo. Então, naquele momento, resolvi seguir a opinião de um amigo que me disse – se quer aprender realmente mais – vá direto a fonte. E fui. Fiz uma dezena de cursos e participei de diversos congressos de áreas distintas fora do Brasil – e isso foi sensacional – mas ainda muito caro.

Esse ano resolvi fazer o meu MBA – particular e customizado – e melhor com pouco investimento.
Comecei mergulhando de cabeça no sensacional TED (ted.com) – já bem conhecido no mundo acadêmico – o TED é um site de conteúdo aberto com uma filosofia de gerar inspiração e transmitir conhecimento – 100% free. São palestras, conhecidas como TED Talks que duram aproximadamente 20 minutos. Mas não são simples palestras.

Esta semana escolhi, para começar meu MBA – que acontece na minha casa, geralmente depois das 22 horas – alguns professores.
Minha aula inicial (magna) foi com Bill Gates – que falou sobre o mal uso das verbas de educação nos EUA. Em seguida optei por ouvir e ver em HD Jeff Bezos da Amazon, e para terminar uma aula incrível sobre o cérebro com um cara que eu não lembro o nome.

Mas o meu MBA não para por aí. Já escolhi alguns livros incríveis para ler – o Projeto Guttemberg tem centenas de livros gratuitos e livres para download. A Apple recém lançou a Itunes U – uma espécie de loja virtual para Universitários e acadêmicos – a surpresa: uma vasta gama de conteúdos abertos das melhores universidades americanas.
Ainda um obstáculo: a língua. A grande massa dos conteúdos está em Inglês – sem tradução. No Brasil já temos diversos TEDx (nome dado aos TEDs independentes) com diversas palestras e temáticas muito interessantes – gratuitas e o melhor, em português.
Os blogs da Exame apresentam textos muito bacanas em muitas áreas diferentes – e estão aqui para serem lidos.
Só não estuda quem não quer. Que se cuidem os MBA’s formais.

Último comentário por Thiago de Assis Silva : Exato, o TED é uma excelente opção para adquirir conhecimento. Abs Thiago de Assis K4B
26.01.2012 - 21h35

O Brasil Mudou…

Volto do Chile, por lá alguns periódicos mostram um Brasil diferente, promissor. Um amigo dos EUA me pergunta sobre as novas por aqui e a nossa economia em desenvolvimento. Agora lá somos tratados como um novo oásis. Pensei…o Brasil mudou:

- há escolas para todos, independente de classe social;
- não existem mais planos de saúde – os mesmos deixaram de operar por simples falta de demanda – agora o sistema de saúde público é exemplar;
- cada cidadão recebe em serviços públicos de forma equivalente ao tanto que contribuímos com impostos;
- há segurança para todos;
- somos visitados cada vez mais por pessoas que querem aprender nossos segredos;
- o futebol e o carnaval não são mais nossas bandeiras principais;
- nossos ícones são ousados empresários, algumas tecnologias inovadoras e muita criatividade;
- os aeroportos funcionam e temos excelente oferta de voos o que nos permite alcançar outras culturas facilmente;
- um médico ou professor ganha o equivalente a um jogador de futebol;
- existem menos políticos – afinal tudo funciona tão bem que não precisamos de tantos nos representando (!?!?);
- não temos mais BBB nem novelas no horário nobre, estes programas foram retirados do ar por falta de audiência.

Ouço um barulho estranho e forte!!! Acordo. Sabia que não devia ter dormido depois de uma farta feijoada. Acabou o sonho, restam os pensamentos positivos.

15.01.2012 - 20h34

O Aprendizado do Naufrágio

Nos últimos anos fui um assíduo passageiro de navios, no Brasil e fora dele. Lentamente fui conhecendo navios cada vez maiores e mais modernos. O nosso país foi invadido por este tipo sensacional de opção turística.
Tirando alguns localizados incidentes – eu mesmo participei de um, anos atrás em Punta del Leste – os navios de cruzeiro mantinham um excelente nível de segurança.
Com tremenda surpresa acompanhei o acidente com o Costa Concordia na costa italiana, neste final de semana. Assim como todo acidente de porte, seja aéreo ou marítimo, é claro que uma série de erros combinados tornaram a tragédia possível. Mas, quando acompanho a imprensa italiana e mundial relatarem os fatos, vejo uma série de absurdos virem à tona.
Sei que relatos emocionados dos passageiros tornam isso mais fácil para o jornalismo sensacionalista. Dizer pejorativamente que o processo de evacuação era conduzido por membros da tripulação, Filipinos e Peruanos, é um tremendo absurdo. Diversas vezes estive em Navios Costa, e em outras companhias, e lembro que a equipe de segurança era formada por Filipinos, Brasileiros, Hondurenhos, Italianos, Alemães, entre outras nacionalidades. Não significa que isto possa prejudicar a operação. Não quero aqui avaliar os erros da equipe de comando, se erraram ou não na questão de rota ou mesmo de evacuação do navio, mas sim me dirigir ao fato de que a enorme maioria de ocupantes do navio conseguiu se salvar em situação extremamente crítica, e por certo, não foi por mera sorte, mas sim pela ajuda de algumas pessoas competentes. Retirar mais de 4.000 pessoas em algumas horas, de modo praticamente individual, é algo sensacional. Quem são essas pessoas, esses heróis, gente que tornou a vida possível para muitos. Geralmente esses são esquecidos, não fizeram mais que o necessário.
Alguns relatos mostram que houve disputa por coletes salva-vidas e que prioridades não foram atendidas. Ora, nada diferente do mundo em terra firme. Não há respeito por idosos, por pedestres, por minorias, e outras classes. E não adianta citar que isso é uma exclusividade da classe A. Não – o cruzeiro Costa – que infelizmente foi cenário da tragédia no final de semana está longe de ser considerado um cruzeiro de elite.
O que podemos aprender com o naufrágio do Costa Concórdia? O que podemos fazer para evitarmos desgraças maiores? O que funcionou muito bem? Para as nossas autoridades: se tivéssemos algo semelhante por aqui, como agiríamos?
Apenas reflexões. Continuo fã absoluto de navios e sou solidário com a Costa Cruzeiros – uma empresa séria e que sempre demonstrou grande preocupação com a segurança dos passageiros (mesmo que os Brasileiros sempre levem isso pro lado da brincadeira…).
Cabe a todos avaliar o que podemos aprender com o acidente, que felizmente, por uma série de fatores, não foi uma tremenda catástrofe.

11.01.2012 - 21h42

Comece 2012 lendo…

O primeiro post de 2012 é introspectivo. Enquanto escrevo, um pouco preguiçoso pelo efeito das pequenas férias, olho ao meu redor. Livros. Afinal este é um vício. Enquanto ouço minha louca seleção de músicas no Itunes – que pode variar entre a mais rara gravação de Elvis Presley à voz rouca da saudosa Amy, olho para minha estante. Quem me acompanhou nos últimos meses? Rita Carter, autora de Multiplicity, é uma delas. Minha favorita quando o assunto é cérebro – profunda mas simples de entendermos. Na minha área – da gestão positiva – não posso ficar sem os escritos de Martin Selligman e Alan Carr – esse um inglês não tão conhecido mas com um trabalho muito interessante sobre a psicologia positiva.
Já na área de marketing um excelente companheiro de cabeceira é Buy-ology de Martin Lindstrom. Tive a oportunidade de assistir Martin em São Paulo ano passado e o cara é grande quando o assunto é consumidor – quem se interessa por isso vale a pena ler o livro. Para quem pretende escrever um livro vejo na estante o Corrija-se do mestre Sacconni – simplesmente útil e ágil.
Quem quiser aprimorar sua comunicação, um companheiro diferente e prático é Hipnose Ericksoniana de Stephen Paul Adler – mestre na arte de comunicar-se e ir a fundo nas conversas.
Para quem deseja algo mais profundo e que entra nas raízes do ser humano – um companheiro seleto é O Erro de Descartes de Antonio Damasio – um dos grandes nomes da neurociência. Para os futuristas e desejosos de novidades e previsões fantásticas leiam Ray Kurzwell – simplesmente maluco mas essencial.
Que tal começar 2012 lendo um livro? Esse não tem sido um hábito (principalmente entre executivos) – e isso não é bom! Perde-se a capacidade de viajar e compartilhar conhecimento. Custa muito pouco.”O livro é caro” é uma armadilha para não ler. O livro é mais barato que uma pizza, metade do valor de uma garrafa de vinho mediano, muito menos que uma churrascaria ou que uma tarde no futebol. Leia e tire proveito.
Excelente 2012 com muitos livros. Desafio: quantos livors você lerá efetivamente até dezembro? Seja ousado e divirta-se.