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Germano Luders
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Transforme julgamento em curiosidade

Alessandro Gruber

curiosidade

Vivemos hoje em um mundo apelidado de “VUCA” (volátil, incerto, complexo e ambíguo). Nesse mundo, cada vez mais nos vemos diante de desafios e dilemas que nos são inéditos. Porém, talvez motivados pelo medo de conviver com o desconhecido, pela ilusão do controle/previsibilidade ou por algum outro motivo, temos tentado lidar com esses desafios usando abordagens que aprendemos e costumamos usar para desafios mais simples ou até mesmo complicados, mas que fazem parte do universo do mecânico ou previsível.

Mas, se os desafios e dilemas agora são inéditos, precisamos ter a coragem de lidar com eles como eles realmente são. E existem abordagens criadas e desenhadas especificamente para eles:

abordagens

A grande questão aqui é usar a abordagem mais apropriada dependendo do tipo de desafio que nos aparece. Acontece que, nas últimas décadas, aprendemos, estudamos e implementamos abordagens incríveis para lidar com os desafios complicados e temos tentado replicá-las para os mais complexos.

Todos nós já passamos por uma situação onde tentamos tratar uma pessoa ou relação com uma coisa ou processo: quando as coisas acontecem de forma diferente da nossa expectativa, acreditamos que a pessoa tenha um problema ou um “gap”. A partir disso, tentamos descobrir a causa raiz, estudar os desvios e, então, partir para um plano de ação detalhado para corrigir e estabilizar tal pessoa dentro dos indicadores de resultado que definimos.

Parece estranho? Pare para refletir um pouco sobre os processos de gestão de pessoas ou como você tem se preparado para lidar com uma pessoa da equipe que está com baixo desempenho. Por isso, se fosse possível resumir esse quadro em um simples convite, talvez seria: diante de um desafio complexo, transforme julgamento em curiosidade!

Se os desafios que envolvem os sistemas vivos, as relações e a liderança são sempre inéditos, talvez tenhamos que lembrar de uma fase da vida onde éramos pura curiosidade. O universo era livre de significados pré concebidos e as coisas de funções pré estabelecidas. Talvez tenhamos que lembrar de quando éramos crianças e colocavam um novo objeto em nossas mãos. A gente pegava, cheirava, colocava na boca, batia no chão, jogava longe, usava para construir um novo brinquedo, desmontava, girava, rabiscava… mas, aí, nos contavam que aquele objeto se chamava caneta e servia só para desenhar ou escrever, nada mais… nessa hora, a gente começava a reduzir as possibilidades e a definir um único significado para algo, enquanto começava a crescer o julgamento e a reduzir a curiosidade.

Precisamos retomar a curiosidade! A capacidade de nos espantar, conviver com o desconhecido, usar nossas múltiplas inteligências, a diversidade de perspectivas das outras pessoas e criar novos significados e soluções em conjunto. Se você tem vontade de aprender mais sobre abordagens para os desafios complexos, podemos bater um papo por e-mail (alessandro@corall.net), mas não deixe de refletir o quanto você já é muito bom nisso, basta lembrar o que você fez da última vez em que realmente acreditou estar diante de um desafio ou situação inédita…

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