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10.08.2012 - 22h23

Estava impedido, “seu” juiz!

Todos nós sabemos que o futebol é um esporte apaixonante e gera debates e discussões acaloradas entre os brasileiros. Nada mais mexe com o humor do povo que um bom jogo de futebol.
As polêmicas decorrentes dos jogos ficam repercutindo nas rodas de conversa por vários dias, até que um novo jogo aconteça. E há jogos que ficam para a história, com debates que duram décadas.
Um dos pontos que mais geram polêmica nos jogos de futebol é a regra de impedimento.

Corbis Images

Para quem não sabe, esta regra determina que um gol não será válido quando o jogador que chuta ou cabeceia a bola em direção ao gol se encontra mais próximo do gol do que a bola e o penúltimo adversário. Sem entrar nos detalhes da regra, de maneira simplificada, pode-se dizer que a bola, quando chutada, deverá passar por dois jogadores do time adversário antes de entrar no gol. Se a bola, para chegar ao gol, passar por menos de dois jogadores, diz-se que quem a chutou ou cabeceou estava em posição de impedimento, estava impedido. É mais ou menos isto.
Os árbitros auxiliares, popularmente chamados de bandeirinhas, têm a árdua tarefa de acompanhar o ataque dos times de maneira que esta regra seja observada e cumprida. Este trabalho é muito difícil, tanto que as transmissões de TV já contam com artifícios eletrônicos para conferir se o bandeirinha apontou, ou não, corretamente uma condição de impedimento. E a TV fica repetindo inúmeras vezes um lance para verificação da legalidade, ou não, da validação, ou anulação, de um lance de gol.
Desta forma, os jogadores de defesa ficam atentos para fazer com que os atacantes do time adversário sempre estejam na condição de impedimento (existem menos que 2 jogadores entre o atacante e o gol). O espírito é deixar os atacantes na posição de impedimento, pois, em caso de gol, este seria anulado. Claro que a decisão sempre é do “bandeirinha” e do árbitro (juiz).
Em lances de gol é muito frequente jogadores de defesa levantarem o braço para indicar ao bandeirinha que o atacante estava em condição de impedimento. Na maioria das vezes, o jogador de defesa levanta o braço, indicando o impedimento, mas o atacante está em condição legal, e o impedimento não é assinalado. Isto quase sempre resulta em gol.
Quando o jogo é analisado, após seu término, é comum verificar que o jogador que levanta o braço, indicando o possível impedimento do atacante, é quem dá condição de legalidade ao lance.
O fato de levantar o braço nada mais é que uma forma de justificativa do jogador de defesa. Ele, talvez, esteja querendo dizer: – “olha, o atacante está impedido, “seu” juiz; o gol não vale. Se for validado não será culpa minha; será do bandeirinha, que não assinalou o impedimento”.
Na verdade, o jogador de defesa deveria não permitir que o atacante fizesse o gol, desarmando-o ou deixando-o em condição de impedimento. Mas ele não faz nem uma coisa nem outra e tenta jogar a culpa na arbitragem pela sua falha.

Corbis Images

Este fato mostra uma faceta muito comum entre nós humanos. Somos craques em tentar colocar nos outros a culpa pelos nossos fracassos. Não se sabe onde aprendemos, mas esta é uma postura recorrente: transferir aos outros aquilo que é de nossa responsabilidade.
E isto não acontece só nos jogos de futebol. Este comportamento aparece onde quer que haja mais de uma pessoa. Mesmo quando estamos sozinhos, costumamos nos eximir de responsabilidades que são só nossas. Parece que temos um medo imenso de sermos condenados por termos falhado em alguma de nossas ações. Parece que errar não deve fazer parte de nossa vida, e aquele que erra é um fracassado, um perdedor e será diminuído perante os demais.
Assim, tentamos esconder nossas falhas até de nós mesmos. E isto pode ser visto em todos os lugares, não só no futebol.
Mas, será que esta postura é boa? Será que não podemos fazer diferente? Será que devemos sempre tentar transferir aos outros a responsabilidade por nossas falhas? Se não o fizermos, seremos diminuídos perante as pessoas que nos cercam?
Claro que não podemos gostar de errar, mas errar faz parte de quem faz as coisas. Dizem que só não erra quem não faz. Isto também pode não ser verdade, pois quem não faz pode estar cometendo o maior dos erros: a omissão. Assim, errar por fazer é melhor que errar por omissão. Desta forma, não devemos ficar nos condenando por termos cometido um erro.
Por outro lado, não devemos achar que errar é normal e não nos preocuparmos com o erro. O ponto de equilíbrio é trabalhar para não errar e, em caso de erro, buscar tirar dele todos os ensinamentos que ele possa nos dar. Desta forma, estaremos evoluindo e não repetiremos erros já cometidos, mesmo porque, se errar é humano, repetir o erro é burrice, já diz a crendice popular.
Então, mãos à obra sem medo de errar e, caso o erro ocorra, vamos assumi-lo e aprender com ele. Levantar a mão para avisar o bandeirinha não eliminará o erro. Estaremos apenas tentando camuflá-lo. E uma hora o juiz não apitará e tomaremos o gol. Aí será tarde e apenas nos restará pegar a bola no fundo da rede.

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